00:00Eu sou a perna do cana, eu sou recifense, a minha família gosta muito de carnaval.
00:05A minha mãe, meu padrasto, tem um troco na cidade, então a relação é sempre festa.
00:11E é isso.
00:13E como foi que surgiu a oportunidade para trabalhar no Carnaval do Recife?
00:19Eu acho que foi antes de 2019, bem antes, não lembro certo o ano,
00:24mas o palco do Marco Cero, de pisar aqui, foi em 2019, o ano do circo,
00:30e também foi o último ano do Carnaval antes da pandemia.
00:34Aí desde então, tu tem, fez o todos os anos.
00:36Desde então, 2019, aí teve o período da pandemia, quando voltou, a nossa equipe voltou, estamos até hoje, 2016.
00:45Tu tem noção de quantos intérpretes trabalham em todos os palcos do Carnaval?
00:49Em todos os palcos, depende do ano, tem uma relação muito sobre polos.
00:55Mas, em geral, acreditamos que entre 30 e 50 pessoas que estão nesse palco do Recife.
01:05Apropegui, conta essa história de que tu morava em Recife, se mudou,
01:09e agora tu vem para o Carnaval só para trabalhar.
01:11Sim, sim. Depois que começou o período da pandemia, algumas coisas mudaram e eu recebi,
01:18começou o período de lives, né? As pessoas já me viam do Carnaval,
01:22de eventos artistas, de eventos de teatro, e eu comecei a receber convites para ir para São Paulo.
01:27E aí o convite começou a ficar frequente, semanal, e aí eu fiz, por que não?
01:31Estou lá testar esse mercado, o que me quer lá.
01:34Então lá eu tenho uma bagagem, e eu trabalho também lá, não sei se eu estou artístico,
01:37trabalho com teatro, com show, com música, com rap, com pet, com outros movimentos,
01:42que me dão mais bagagem para voltar.
01:44Mas todos os anos eu recebo o Feliz Convique, e voltar para a minha terra,
01:49e voltar para a minha terra trabalhando, e voltar para a minha terra vendo os meus amigos,
01:54vendo a comunidade surda, e no palco do Marco Zero,
01:58que é a maior realização do intérpreto do Carnaval noturno.
02:02Tem alguma história, esses carnavais que se marcou, que quando eu trabalhava,
02:08alguma história curiosa, uma emocionante.
02:11Um ponto muito maritante, se tirando esse olhar sobre mim,
02:15e olhando o olhar do Carnaval, da Libras,
02:18o primeiro ano que teve uma pessoa surda, quando a equipe de trabalho,
02:23porque até antes,
02:25só existia pessoas surdas,
02:28e vindo a marota de acessibilidade e assistindo.
02:30Foi a primeira vez que teve uma pessoa surda
02:33ocupando a equipe de trabalho com a tradutora.
02:35Então isso me realiza muito,
02:37porque além do salário,
02:39a gente trabalha para a comunidade surda,
02:42a gente pensa na visibilidade da língua decimais,
02:45a gente busca valorização do profissional.
02:48Então a gente não tem aquela ideia assistencialista,
02:51do surdo coitado,
02:52não, a gente enxerga o surdo como qualquer pessoa,
02:54que tem o direito linguístico de estar aqui,
02:57seu direito linguístico de estar em cima do palco,
03:00se o direito de estar onde fizer.
03:01É uma presença de Letícia que está aqui,
03:04que já está trabalhando, está no meu quimente.
03:07A primeira vez que ela entrou foi muito feliz,
03:09porque é a primeira porta de oportunidade
03:10para estar mais pessoas surdas que estão em 2026.
03:14Então me deixa realizada.
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