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O EM Entrevista recebe o possível candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha. O ex-deputado ficou conhecido por ser o responsável pelo Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá para você que assiste o Portal Uai. Meu nome é Ana Mendonça, sou colunista de política do Jornal Estado de Minas.
00:05Hoje a gente está recebendo aqui nos nossos estúdios o ex-deputado federal Eduardo Cunha. Tudo bem, Eduardo?
00:11Obrigado pelo convite, é um prazer enorme estar aqui com vocês. Tudo bem, graças a Deus.
00:15Dividindo essa entrevista comigo está a Silvia Pires, repórter de política do Jornal Estado de Minas. Tudo bem, Silvia?
00:20Tudo jóia, Ana.
00:22Deputado, a gente tem que falar sobre a eleição de 2026. O senhor tem a intenção de voltar a concorrer à Câmara
00:29e escolheu Minas Gerais. Por quê?
00:32Bom, em primeiro lugar, é o seguinte. Eu fiz quatro mandatos de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
00:38Depois, a minha filha está como deputada federal pelo Rio de Janeiro, ou seja, ocupou o espaço eleitoral ao qual eu percorria.
00:47Obviamente, eu não vou competir com a minha filha no próprio Estado.
00:51Então, por outro lado, eu mudei a minha atividade profissional, ela passou a ser por Minas Gerais,
00:56através de várias atividades empresariais.
00:59Há algum tempo que eu já estou aqui, inclusive, na comunicação, através de rádio e tudo.
01:05Quando eu mudei a minha vida profissional, eu mudei também a minha vida pessoal.
01:09Passei a residir em Minas Gerais e era natural que eu mudasse a minha vida política.
01:15Então, a gente geralmente vai para onde a gente está militando naquele momento.
01:20Minas me acolheu muito bem. Isso me estimulou a que eu pudesse vir por Minas Gerais.
01:27Então, nesse momento, eu sou, sim, pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais nessa próxima eleição.
01:34E por que voltar para a vida pública agora?
01:36Veja bem, eu acho que eu tenho um trabalho inacabado.
01:39De uma certa forma, eu tenho que continuar aquilo pelo Estado.
01:45Eu participei de um processo de impeachment da ex-presidente da República, todos sabem disso, é um processo público.
01:51Depois teve aquelas confusões todas e eu tive meu trabalho interrompido.
01:55Então, eu quero retornar para continuar o meu trabalho.
01:57Então, não é voltar, é continuar.
02:00O senhor mora aqui já tem um tempo, mas nunca concorreu por Minas Gerais.
02:04Então, como que o senhor vai fazer para conquistar esse eleitorado mineiro,
02:08com o qual o senhor não tem uma proximidade muito?
02:10Veja bem, Silvia, toda eleição, ela parte daquilo que você está buscando representar.
02:17A gente, quando quer ser deputado por algum lugar, ou quer representar em algum cargo,
02:22qualquer que seja o cargo, governador, senador, deputado estadual, deputado federal, vereador, prefeito,
02:27você tem que buscar a representação daqueles que podem eleger.
02:31O deputado é uma votação proporcional, não é uma votação majoritária.
02:35Então, você tem que ter nichos.
02:37Nichos é ou o segmento pelo qual você participa, ou geograficamente por regiões que você está participando.
02:44Eu estou buscando isso através de todas as regiões de Minas Gerais.
02:49Eu estou buscando espaço, eu tenho tido adesões, seja adesões de prefeitos, adesões de vereadores,
02:55ao mesmo tempo pelo segmento evangélico ao qual eu sempre andei,
03:01eu tenho andado também com o segmento evangélico.
03:04A comunicação aqui em Minas Gerais é através de rádio evangélica.
03:09Eu tenho já apoio de grandes denominações evangélicas e isso me estimulou.
03:17Quer dizer, é um conjunto de fatores.
03:18Eu vou também ter uma participação de evangélicos, mas eu vou ter também de igrejas,
03:24como eu também vou ter uma participação de vários municípios aos quais eu tenho andado,
03:28eu tenho percorrido, eu tenho conversado, eu tenho tido apoios.
03:33Apoios, inclusive, são públicos, estão lá nas minhas redes sociais e tudo,
03:36e a gente tem tido uma grande acolhida.
03:39Então, eu estou construindo, eu não comecei a andar hoje, não comecei a andar ontem.
03:44Eu estou há anos já caminhando por toda Minas Gerais buscando apoios.
03:49O senhor falou das rádios, é um segmento que o senhor vem investindo bastante aqui em Minas.
03:53São quantas já? E por que o segmento evangélico?
03:55Não, o segmento evangélico eu sempre militei, no Rio de Janeiro eu tenho rádio evangélica no Rio de Janeiro,
04:01tinha, no passado, é um segmento ao qual eu sempre atuei.
04:04Então, não é novidade, não é por que evangélico, só poderia ser evangélico mesmo.
04:09A grande morte seria isso.
04:11Mas não é só, quando a gente fala rádio evangélica,
04:15significa que as músicas que eu levo, eu levo as músicas evangélicas,
04:19os louvores, como a gente diz.
04:21Eu trago pregações dentro, mas eu também tenho jornalismo lá,
04:25a gente tem até uma parceria com o próprio portal UI.
04:29Então, a gente tem lá três horas de jornalismo por dia, tem esporte, enfim.
04:33É uma rádio que atende a todos, a gente tem debates,
04:36não é uma rádio só simplesmente que fale para a gente ser nesse nicho.
04:42Ela alcança de uma maneira geral, tem uma comunicação generalizada,
04:47voltada para que o público evangélico, que também quer ter direito à informação,
04:51quer ter direito a esporte, não quer ficar só o tempo inteiro em função de música ou de pregações.
04:57Então, a gente procurou atingir isso.
04:59A gente já está na Rede 89, além de Belo Horizonte, região metropolitana,
05:05a gente está em Juiz de Fora, a gente está em Uberaba, Uberlândia,
05:08e várias outras que estão aderindo à rede.
05:10Então, a gente está construindo uma rede realmente muito grande,
05:13com muita pulverização.
05:14Estamos em João Pinheiro, a gente no Norte, em Pirapora,
05:18e vamos chegar a outros lugares.
05:19Estamos em várias pequenas cidades, estamos no sul de Minas, em quatro lugares.
05:24Então, estamos entrando bem.
05:26Eu acredito que a gente vai ler um tempo, é um trabalho demorado.
05:30Ninguém constitui uma rede num estado tão grande quanto Minas Gerais,
05:34de uma hora para outra.
05:35Mas eu acho que ainda vai levar um ano de trabalho aí.
05:37Certamente o trabalho vai ser concluído depois das eleições.
05:40Quando a gente fala nesse eleitor evangélico,
05:45é um público que hoje está muito associado ao bolsonarismo.
05:49E aqui em Minas Gerais a gente tem algumas lideranças que são mais fortes.
05:52O Nicolas Ferreira, por exemplo.
05:55O senhor acha que é possível disputar esse espaço com essas lideranças?
05:59Veja bem, a gente não tem que disputar.
06:01A gente tem voto para todo mundo.
06:03Você não precisa...
06:05Até porque não adianta.
06:06O que acontece é o seguinte,
06:07isso é uma coisa muito fácil você dizer para o evangélico.
06:09As pessoas não sabem como são feitas eleições no Brasil.
06:13Aliás, é uma luta que eu tive,
06:15que eu não tive sucesso naquele momento.
06:17Eu espero que, se Deus me permitir voltar,
06:19a gente tenha essa luta.
06:20Porque a forma de eleição proporcional no Brasil
06:23é uma forma equivocada, na minha opinião.
06:25Eu defendi o voto distritão.
06:27O que era o voto distritão?
06:29Os mais votados entram, independente do partido.
06:32Então, se Minas Gerais tem 53 representantes,
06:35os 53 mais votados entram.
06:37Não dá para o voto de um servir para eleger o outro,
06:40que não tem nada a ver com aquilo que você pregou.
06:43Então, o que acontece é que os evangélicos precisam de representatividade.
06:47Não adianta carregar o voto só no candidato,
06:50porque esse voto não vai para defender as pautas dos evangélicos.
06:53Vai, como a gente diz lá para os ímpios.
06:55Os outros que vão se beneficiar da legenda,
06:57que vão se eleger, vão levar esses votos,
07:00vão se eleger às custas de muito voto que você coloca no candidato,
07:03e esse voto não vai servir para quem defende as pautas dos evangélicos.
07:07Não necessariamente.
07:08Pode até ter algum que se beneficie e que defenda.
07:11Mas o povo que votar num candidato demasiadamente sabe
07:15que vai eleger outras pessoas que não têm nada a ver com aquela pauta que está lá.
07:21Justamente pelo nosso modelo de eleição proporcional,
07:23que tem que mudar, porque o eleitor não entende.
07:27A gente não pode ficar passando o tempo inteiro,
07:29tendo que fazer nominata de partido,
07:31para colocar candidato que não vai se eleger,
07:33para poder, dando dinheiro, tempo de televisão,
07:36dinheiro público, de fundo partidário,
07:38todo mundo sabe que o fulano não vai se eleger,
07:40eu tenho que cooptar um cara para ele ir para a chapa,
07:43para fazer a nominata, para cumprir o consciente de legenda.
07:46Esse absurdo a gente tem que competir.
07:48Então isso vai muito de encontro,
07:50a sua pergunta, quando diz,
07:52ah, você vai competir, não, é a conscientização.
07:54Está lá, o fulano já é bem votado de qualquer maneira,
07:57ele já está eleito, não tem problema nenhum.
07:59Então o povo evangélico vai buscar outras alternativas
08:03para aumentar a sua representatividade lá.
08:06Não precisa ser todo mundo no mesmo candidato.
08:09É uma eleição proporcional, não é uma eleição majoritária.
08:14O senhor, o Brasil hoje, ele vive um momento de polarização.
08:18A gente tem ali um lado mais tensionado para o bolsonarismo,
08:22um lado mais tensionado para o lulismo.
08:24Queria saber como o senhor vê esse momento do país agora,
08:28ainda mais que foi presidente da Câmara dos Deputados.
08:31Olha, Ana, eu tive a oportunidade de escrever um livro,
08:36um livro sobre o processo de impeachment,
08:39o Tchau, querido, o Diário do Impeachment,
08:40foi um livro de 808 páginas,
08:43em que eu trato as eleições desde a proclamação da República.
08:46E eu faço um histórico ali sobre essa polarização.
08:50Essa polarização, ela hoje é entre Lula e Bolsonaro,
08:53mas ela é uma polarização que sempre existiu.
08:57Ela sempre existiu desde a primeira eleição,
08:59entre direita e esquerda.
09:01O que aconteceu é que o bolsonarismo,
09:03o Bolsonaro, não o bolsonarismo,
09:05o bolsonarismo é decorrente do Bolsonaro.
09:08O Bolsonaro deu cara à direita.
09:10A direita perdeu a vergonha de ser direita a partir de Bolsonaro.
09:15Antes ela era envergonhada.
09:17Ou você acha que o Collor se elegeu por onde?
09:19Foi direita.
09:20Você acha que o Fernando Henrique Cardoso se elegeu por onde?
09:22Foi direita.
09:23Então, essa direita era envergonhada.
09:25O Fernando Henrique era direita,
09:27mas fingia que era social-democracia.
09:29Mas era direita.
09:30Era o voto da direita que ele pegou.
09:32É o voto anti-esquerda, anti-PT.
09:34O Lula, por acaso, em todas as eleições depois do fim da ditadura,
09:40ele participou.
09:41Ele perdeu três até conseguir ganhar a quarta.
09:44Ele acabou.
09:45Quando ele foi para o segundo turno contra o Collor em 89,
09:48na primeira eleição,
09:49ele ali assumiu o protagonismo do outro lado,
09:52que não era nem com ele, era o Brizolo.
09:54Ele tomou do Brizolo em cima da hora.
09:56Talvez, se o Brizolo tivesse ido para o segundo turno,
09:58tivesse ganho aquela eleição do Collor.
10:00Teria sido outra história o Brasil para hoje.
10:04Então, essa polarização que hoje você visualiza entre Lula e Bolsonaro,
10:08na realidade é uma polarização ideológica sempre existente no Brasil.
10:12Hoje se perdeu a vergonha.
10:14Ela está protagonizada pelos dois personagens, Lula e Bolsonaro,
10:17porque eles é que estão nesse momento representando.
10:20Quando acabar os dois, e vão acabar,
10:23o Lula é a última eleição que ele vai participar, certamente,
10:26vai ter alguém que vai sucedê-lo,
10:30e do outro lado, do próprio Bolsonaro,
10:32também vai ter alguém que vai sucedê-lo.
10:34Então, os filhos tentando ser o assessor,
10:36pode ser que consigam ou não,
10:37ou alguém vai sucedê-lo.
10:39Na verdade, no lado da direita,
10:40a briga não é para quem vai ganhar a eleição,
10:44é quem sucede o bolsonarismo,
10:46para quem é o herdeiro da direita.
10:47Esse é o ponto que a gente está vivendo.
10:49Mas, querendo ou não,
10:51o bolsonarismo trouxe uma vertente bolsonarista.
10:55É o nome que carrega.
10:56O lulismo, o lulismo.
10:58Isso não faz uma diferença nessa questão de polarização?
11:00Não faz hoje, mas quando surgir outro personagem...
11:03Eu acho que vai ter uma nova vertente.
11:05Isso, vai ter um outro...
11:07Se for o Haddad, vai ter um hadadismo lá na frente.
11:10Se for o tarcísmo, vai ser o tarcisismo lá na frente.
11:14Com o tempo, se eles conseguirem herdar essa situação,
11:17vai mudar.
11:17O que vai continuar é a polarização de direita e esquerda.
11:20Ela está acirrada hoje?
11:21Está bem mais acirrada que poderia estar?
11:24Porque o Lula, ele, numa certa forma,
11:26ele prometeu uma coisa na campanha eleitoral dele
11:28que está cumprindo.
11:29Ele poderia ter pacificado o país.
11:32E, ao invés de pacificar, ele vai para o confronto.
11:33Aquele que ele colocou lá,
11:35não tem nada de Lulinha, paz e amor, não.
11:36Agora é Lulinha e guerra.
11:38Então, é isso mesmo.
11:39Ele sempre foi Lula, guerra e cacete.
11:40Essa que é a verdade.
11:41Ele agora travestiu-se de Lulinha, paz e amor
11:44para, em termos, conquistar e pegar aquela rejeição
11:47que tinha o Bolsonaro em 1922.
11:49Que nunca foi.
11:50Porque, se ele quisesse realmente ter pacificado o país,
11:53ele poderia ter diminuído bem essa polarização.
11:55E, certamente, seria eleito com muita facilidade,
11:58até no primeiro turno.
11:59Mas ele optou pelo confronto.
12:01Ele optou pelo confronto,
12:02pela manutenção desse confronto.
12:04Ele nunca fez.
12:05de todos os governos do PT,
12:07foi o governo que mais realçou a polarização de um lado.
12:11Que mais buscou o confronto ideológico
12:13a esse governo do Lula.
12:14Então, por isso é que a polarização te parece mais acirrada.
12:18Porque, se não fosse assim,
12:19a gente não estaria com esse confronto todo
12:21que aconteceu do 8 de janeiro,
12:23essa coisa toda.
12:24Todo mundo teria colocado panos quentes
12:25para a situação,
12:27de modo que você puna,
12:28mas você, de uma certa forma,
12:30você pacifica o país.
12:32Não precisa ter esse tipo de consequência.
12:34Quando você vai para esse tipo de consequência,
12:36você, claro, está estimulando a polarização.
12:38Qual é a sua opinião sobre a anistia?
12:40Eu sou favorável à anistia, sim.
12:42É claro que você tem um problema,
12:43que é um problema jurídico.
12:45A gente tem que se colocar o seguinte.
12:47Em primeiro lugar,
12:48eu tenho muita dúvida sobre aquilo que aconteceu.
12:51Eu acho que aquilo era um bando de baderneiros
12:55absolutamente malucos
12:56que levaram àquela situação.
12:58Eles não foram contidos.
12:59Por exemplo, eu sempre digo isso aqui.
13:02Não é a primeira vez.
13:03Se eu fosse presidente da República
13:05assumindo o cargo no dia 1º de janeiro,
13:07não ficaria aquele acampamento
13:09de frente a um quartel do Exército
13:11sete dias para fazer aquilo, não.
13:13Eu tirava no mesmo dia e na mesma noite.
13:14Eu acabava com aquele acampamento.
13:16Eu não ia permitir um acampamento golpista.
13:19Eu, sendo presidente da República,
13:21estar ali presente.
13:22Na hora que o Lula permitiu aquilo,
13:25ele estava querendo que aquilo acontecesse.
13:27Mas como ele poderia intervir ali nesse momento?
13:31Simplesmente tirar.
13:32Simplesmente eu queria tirar.
13:34Como é que você...
13:34Aquela não havia público.
13:36O quartel do Exército é uma instituição federal.
13:40Como é que eu permito que fique aquele acampamento?
13:42Você tira energia, impede a passagem,
13:44você impede a entrada e a saída.
13:47Quem sai não volta.
13:49Corta todo o fornecimento de água,
13:51de comida, de luz e acabou.
13:53Em três dias acabava todo mundo.
13:55Mas aí tirar a força, isso não poderia ser mal visto?
13:57Não precisava tirar a força.
13:58Basta fazer isso.
13:59Quem saiu não volta.
14:01Corta a energia, corta a água,
14:03corta a entrada de alimento, corta tudo.
14:05Faz uma barreira.
14:06Quem ficar aí vai ficar, vai morrer de fome,
14:08se for o caso.
14:09Não fica.
14:10Em 48 horas acabava o acampamento.
14:13A sua relação com o presidente Lula,
14:15a gente já sabe, é notória.
14:16E sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro,
14:18conviveu bastante com ele na Câmara?
14:20Eu convivei bastante com ele na Câmara.
14:23Enfim, tinha uma boa relação com ele.
14:25Até mesmo ele como presidente.
14:27E até depois que ele saiu da presidência.
14:29Não tinha intimidade com ele,
14:30mas tinha uma boa relação com ele.
14:33O senhor se coloca como candidato,
14:36voltando para essa questão eleitoral,
14:38mas ainda falta uma construção partidária.
14:41O senhor acha que tem uma dificuldade
14:42para conseguir um partido agora
14:44para lançar sua candidatura?
14:46Qual seria essa dificuldade?
14:47Veja bem, você tem uma dificuldade, sim, natural,
14:49de todo mundo que tem um tamanho de voto
14:52que possa se eleger
14:53e que você verifique
14:55que você precisa sempre usar voto de eleição.
14:58É aquilo que eu te falei agora há pouco,
15:00naquele momento.
15:01O que acontece?
15:02Você tem uma coisa chamada coisciente eleitoral.
15:04Coisciente eleitoral significa
15:06o número de votos vários
15:07dividido pelo número de cadeiras.
15:09Em Minas Gerais vai dar cerca de 200 mil votos
15:11coisciente eleitoral.
15:13O deputado se elege,
15:14os deputados se elegeram,
15:15quase todos foram menos que 200 mil votos.
15:18Então, eles usam partidos.
15:20Então, quando você entra
15:21num nível competitivo de deputados,
15:24você vê que a guerra toda que tem é essa.
15:26Ah, sem entrar o fulano de tal,
15:27eu posso perder meu mandato.
15:29Aí ficam partidos querendo fazer chapa
15:31só de gente sem mandato.
15:33Por quê?
15:33Porque senão os candidatos não vão.
15:35Aí eu não vou ter chance nenhuma.
15:36Se tem lá fulano, beltrano, ciclano,
15:38ele não tem chance.
15:39Então, o que acontece?
15:40Qualquer candidato ou qualquer deputado
15:42hoje no mandato
15:43que queira trocar de partido,
15:45ele passa a ter até um problema.
15:46porque ou ele tem mais votos
15:48coisciente eleitoral
15:49e todo mundo bate palma,
15:51ou ele tendo menos,
15:52tem que olhar como é que fica a chapa,
15:53porque ele espanta alguém
15:54que não vai entrar.
15:55Essa vaga vai ser dele,
15:57não vai ser minha.
15:58E espanta os próprios deputados
15:59que ele é mais competitivo que eu.
16:01Então, eles precisam avaliar você
16:04para saber que tipo de prejuízo.
16:06É claro que isso tem que ter problema.
16:08É claro que existe dificuldade,
16:10não só para mim,
16:11como para qualquer deputado de mandato
16:12que queira trocar.
16:13Eu conheço histórias de deputados
16:15que estão em determinado partido
16:16que tentam buscar outros
16:18e não são aceitos.
16:19Não é questão pessoal comigo
16:21ou com qualquer deputado.
16:23Se trata de uma questão
16:24que a lógica da eleição proporcional,
16:27ela causa esse tipo de situação
16:29que a gente tem que corrigir.
16:32Porque é um absurdo
16:32você, um deputado de 100 mil votos,
16:35você é problema para um partido.
16:36Essa que é a verdade.
16:37Aí pergunta quantos você vai ter.
16:38Eu não sei quantos votos eu vou ter.
16:40Mas, pela lógica,
16:41eu devo ter um tamanho
16:43que seja suficiente para me eleger.
16:45Mas não sei se é o suficiente
16:47para eu fazer a minha legenda sozinho.
16:49Se eles se convencerem disso,
16:50todo mundo quer o tapete vermelho para você.
16:52Se você não se convencer disso,
16:54eles vão olhar o que vai acontecer.
16:56Mas já iniciou essa conversa?
16:57Não, eu estou conversando com muita gente.
16:59Quais partidos?
17:00Eu hoje estou filiado aos republicanos.
17:02Eu sou filiado aos republicanos.
17:03Eu estou buscando alternativas.
17:05Eu ainda nem conversei
17:06nem com o próprio republicano.
17:07porque eu não posso...
17:09Eu me filei aos republicanos
17:11em uma outra circunstância.
17:12Não tem nada a ver com Minas Gerais.
17:14E não posso querer estar
17:16num partido que eu estava lá
17:18se eu não me filei
17:19dentro de uma lógica de Minas Gerais.
17:21Eu tenho muita ética com relação a isso.
17:23E eu não vou sobrepor.
17:25Eu só ficarei no republicano
17:26se a chapa for conveniente para mim,
17:29se eles me aceitarem
17:30e se eu aceitar aquilo que eles vão fazer.
17:32Então, é uma conversa
17:34que ainda tem que ter,
17:35como eu estou tendo
17:36com vários outros partidos.
17:38São tudo saudades.
17:39Esse processo é um processo
17:40que só vai ser decidido
17:42no fim de março mesmo.
17:43Porque hoje, o que acontece?
17:45Todo partido tem lá.
17:46Se você olhar,
17:47e eu converso com vários,
17:49o candidato A,
17:50ele está na chapa do partido
17:53A, B, C, D.
17:56Todo mundo apresenta a chapa
17:57com o mesmo candidato.
17:58Sim.
17:59Todo mundo finge
18:00que está no partido.
18:01Ele não está nesses candidatos
18:02que são, digamos assim,
18:03candidatos que a tendência
18:05é não se elegerem.
18:07Aqueles que a gente fala
18:07que a gente tem que compor a chapa.
18:09Tem até grupos de candidatos
18:11que negociam em grupo.
18:13Aí, nessa negociação em grupo,
18:15eles colocam condições.
18:16Enfim,
18:17essa situação realmente existe.
18:18Então, eu vou ter que enfrentá-la.
18:20Vamos ver com o que vai dar.
18:22O senhor falou do Republicanos.
18:23A gente tem um pré-candidato
18:24ao governo de Minas pelo Republicanos,
18:26que é o Cleitinho.
18:27Qual é a sua opinião sobre ele?
18:28Olha,
18:29como ele fez comentários sobre mim,
18:32que depois até mandou dizer
18:36que foram equivocados,
18:37mas eu não falei diretamente com ele,
18:39e eu entrei com uma ação do Supremo
18:43contra ele,
18:44eu vou preferir não falar,
18:46porque...
18:47Ainda está nesse processo.
18:48Ainda está nesse processo.
18:50Entendeu?
18:51Claro, sim,
18:51que eu tenho opinião.
18:52Eu não sei nem se ele será candidato ou não.
18:55Eu não sei nem quem serão os candidatos aqui.
18:57Está muito indefinido ainda, não é, deputado?
18:58Está muito indefinido.
18:59Eu acho que tem um processo aí que...
19:03Sei lá,
19:04o Nicolas será candidato ou não será?
19:05O Cleitinho será candidato ou não será?
19:07O Rodrigo Pacheco vai ser candidato ou não será?
19:10Ninguém sabe.
19:11É uma coisa muito indefinida.
19:13E em Minas Gerais,
19:14sempre tem a tendência de deixar para a última hora.
19:17Se tem até às 5 horas da tarde para resolver,
19:19por que resolver antes?
19:21Já tivemos grandes exemplos disso aqui em Minas.
19:23O senhor tem dito nos últimos tempos em entrevistas
19:27que Minas Gerais perdeu sua relevância política ao longo dos anos.
19:31Isso pode ser lido como uma crítica ao governador Zema?
19:34Ou o que o senhor quer dizer com essa afirmação?
19:36O intuito não é de criticar, não.
19:38Isso independe.
19:40Eu acho que a relevância é pelo protagonismo.
19:45O governador Zema pegou um Estado efetivamente quebrado aqui
19:48pelo PT, administrando.
19:50Então, obviamente que Minas estava um caco.
19:54Ele já tem o grande mérito de ter voltado aos trilhos do Estado.
19:59Então, ele tem um mérito administrativo.
20:00Sim, a gente tem que reconhecer isso.
20:02Pode ter divergência uma pauta ou outra,
20:05mas eu acho que no mérito a avaliação dele é positiva.
20:09Eu vejo ele positivamente.
20:11O problema todo é que a relevância e o protagonismo
20:16se dá muito mais não só pela participação administrativa,
20:21mas também pela participação política.
20:23O fato de você fazer uma eleição e se portar e continuar no mandato
20:31como não sendo um coordenador político da própria relevância de Minas Gerais,
20:39isso dificulta você ter relação.
20:41Eu diria o seguinte, o Aécio naquele momento como governador
20:44dava mais protagonismo.
20:47Não que a administração seja maior ou seja melhor.
20:50Não estou tratando esse mérito.
20:51Estou dizendo que a política tem que fazer parte para a busca dessa relevância.
20:56E eu acho que está faltando atuação política generalizada
21:00em busca de retomar o protagonismo.
21:03Não é crítica, é só constatação.
21:05E o que eu estou me propondo é tentar ajudar.
21:10Não sou eu que seria o responsável por retornar o protagonismo.
21:12Longe de mim, não tenho tamanho para isso.
21:15Mas eu acho que a busca dessa pauta,
21:17a busca de você tornar Minas de novo bastante relevante,
21:21porque a relevância de Minas numérica em termos do país é muito grande.
21:25É o segundo eleitorado do Brasil.
21:26Aqui tem uma diversidade enorme.
21:28O resultado da eleição presidencial em Minas Gerais
21:31costuma ser o resultado da eleição do Brasil por causa disso.
21:33O Lula aqui ganhou por pouco e ganhou por pouco no Brasil.
21:37Então está muito claro.
21:38O Aécio, quando perdeu a eleição de presidente da República,
21:40perdeu porque perdeu em Minas.
21:42Se ele tivesse ganho em Minas, ele tinha sido presidente da República,
21:44não teria sido a Dilma.
21:45Então, Minas tirou, naquele momento,
21:49a condição do Mineiro ter sido presidente da República.
21:52Então, são circunstâncias que o debate político é muito importante.
21:59Eu acho, governador Zema,
22:00na forma de condução dele política, não administrativa,
22:04talvez não tenha conseguido trazer essa repercussão,
22:07porque ele está dentro da polarização.
22:10Você está dentro da polarização,
22:13dificulta muito você recuperar o protagonismo,
22:15porque ele poderia recuperar se tivesse o lado dele governando.
22:17Mas não está, está ao outro lado nesse momento.
22:19Então, fica difícil.
22:21É um conjunto.
22:22Se a atuação dele fosse voltada para isso,
22:25talvez ele pudesse até ter construído, mas não foi.
22:26Foi voltada, administrativamente, para recuperar Minas no desastre do PT.
22:31E isso, ele teve sucesso.
22:33Realmente, ele teve sucesso.
22:34Mas eu não sei se foi para ter o protagonismo político.
22:38O senhor acha que essa falta de jogo político do Zema
22:40pode atrapalhar ele nessa eleição ao Planalto?
22:45Sem dúvida.
22:45Eu não estou dizendo que ele não tenha jogo político.
22:49Eu estou dizendo que ele não tenha exercitado
22:52sobre a forma de protagonismo.
22:53É diferente de não ter.
22:54Às vezes, a nossa atuação, a gente acha que é para um jeito,
22:58ele é para o outro.
22:58Eu não estou fazendo crítica.
23:00Eu estou colocando aqui a situação como eu vejo de fora.
23:04Eu acho que ele poderia ter uma candidatura mais relevante
23:08se ele tivesse buscado o protagonismo político do Estado.
23:11Ele tem uma candidatura que pode ser viável ou não?
23:13Claro, toda candidatura pode ser viável,
23:15até porque representando Minas.
23:17Mas, quando você está vendo as pesquisas atuais,
23:20ele não está performando fora do Brasil,
23:23mas também não está performando em Minas.
23:25Ele é desconhecido, não é, deputado?
23:27Sim, mas em Minas ele não é.
23:29Ele não vence a eleição em Minas Gerais para presidente.
23:33Ele poderia não estar performando fora do Brasil,
23:35em Minas Gerais, porque ele não é conhecido,
23:37mas ele tinha que ganhar em casa.
23:39Quem não ganha em casa não vai ganhar na rua.
23:40Não vai ganhar na casa dos outros.
23:42Então, para poder ter uma candidatura viável à presidência da República,
23:45ele tem que ganhar a candidatura em casa, em primeiro lugar.
23:48Para ser eleito em Minas Gerais, também tem que conhecer Minas Gerais.
23:51Quais são as principais demandas do nosso Estado?
23:54Veja bem, na questão de você ter que conhecer,
23:58volto a te dizer, a minha candidatura é uma candidatura proporcional.
24:01Você tem que representar aqueles que lhe elegerem.
24:06Eu não tenho que...
24:07As minhas pautas têm que ser construídas em função daqueles que estão lhe elegendo.
24:12Se esse segmento tal te ali apoiando, a sua demanda é essa.
24:15Então, eu tenho que atender a essas demandas.
24:18As demandas do Estado, as demandas da sociedade mineira,
24:21você, como parlamentar, você tem que se integrar a elas,
24:26participar delas e ajudar que elas sejam atingidas.
24:29Eu, claro que eu tenho a minha visão, é claro que eu tenho a minha visão sobre tudo.
24:34Eu sou conservador, sou cristão, sou liberal, liberal de economia,
24:38eu sou a favor das privatizações, enfim, aquele conjunto todo que a gente defende.
24:42Ao mesmo tempo, Minas tem a sua economia voltada no agronegócio,
24:47voltada no setor mineral, a gente tem que estar atento a isso.
24:50Até porque o agronegócio é quem tem sustentado o Brasil,
24:53é quem tem sido responsável pelo crescimento da produção.
24:56Então, é só andar para o Minas Gerais e saber a importância disso.
24:59Então, é claro que eu tenho que estar integrado nessas demandas.
25:02Até porque Minas também, ela dita bastante do que é feito no Congresso.
25:06A gente teve, por exemplo, o Propag.
25:08Se for eleito como deputado federal representando Minas,
25:11teria que defender também o Estado.
25:13Não, mas isso eu posso falar até com muito mais causa,
25:16porque essa história do Propag começou comigo.
25:19Porque em 2013, 2014, eu como líder do MDB na época,
25:24na Câmara dos Deputados, eu fui relator do projeto
25:26que mudava o indexador das dívidas.
25:28E a partir dali é que eu reduzi as dívidas.
25:30Se eu não tivesse feito o que eu fiz,
25:32o Propag hoje ia tratar de uma dívida, no mínimo,
25:35o dobro do que estava lá.
25:37Eu reduzi praticamente o conjunto das dívidas à metade.
25:40Naquele momento, havia, como há hoje,
25:42são três Estados que têm relevância na dívida pública.
25:46Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
25:48Os três Estados são os estados mais endividados,
25:51que mais precisavam de associação.
25:53E está certo, Zema, quando ele fala que ele não contraiu um centavo,
25:57porque ele pagou de jura ali.
25:58Um absurdo.
25:59Só que a formação dessa dívida, Ana,
26:02ela era corrigida pela taxa Selic.
26:04Esse estoque foi feito pela taxa Selic.
26:07E a taxa Selic teve momentos que foi em 70% ao ano,
26:10no período do Fernando Henrique Cardoso.
26:12Depois foi reduzida a metade, foi para 35% ao ano.
26:15E isso era Selic que corrigia.
26:17Eu acabei com esse estoque de Selic,
26:20consegui retroagir, consegui fazer com que viesse os juros
26:23de uma correção pelo IPCA,
26:25com a taxa de juros que está aí,
26:27que agora o que estão fazendo é reduzir a taxa de juros.
26:30Essa que é a verdade.
26:31É IPCA mais 4, está virando IPCA mais 2, IPCA mais 1.
26:35É isso que está virando em função daquilo que você está amortizando.
26:38Mas, na verdade, está se amortizando
26:39aquilo que não deveria mais fazer.
26:42Porque quando foi feita a primeira renegociação da dívida,
26:45que foi feita no governo Fernando Henrique Cardoso,
26:47que todos os governadores fizeram renegociação da dívida,
26:50deram ativos para isso.
26:51Ativos caros para pagar,
26:54para poder justamente ter direito a essa renegociação.
26:58Na verdade, essa dívida já foi paga.
27:00Na verdade, é um assalto aos Estados.
27:03O termo exato é esse.
27:05Que nós tínhamos que ter uma solução.
27:06E a solução seria acabar com essa dívida mesmo.
27:09A União tinha que encampar essa dívida
27:11e acabar com essa dívida dos Estados.
27:12Então, o senhor acha que o Propag não é o ideal?
27:15Claro que não.
27:16Claro que não.
27:16A conta que ele vai pagar, ele vai pagar essa conta absurda.
27:20Essa conta lá é absurda.
27:22O Propag não acaba com o problema.
27:24O Propag dá um respiro momentâneo.
27:27Mas ele, a longo prazo, ele não resolve o problema, não.
27:30E sobre o protagonismo de Minas Gerais no Congresso,
27:32está preparado para defender as pautas mineiras?
27:34Claro.
27:35É o que eu disse a você.
27:36Você tem que se comportar pela sua representatividade.
27:39A gente representa quem nos elege.
27:42É lá que eu tenho que tratar.
27:44O senhor tem dito também que essas eleições de 2026
27:48vão ser umas eleições de rejeição.
27:50O que isso quer dizer?
27:51Quer dizer que não é o mérito de ninguém
27:54que vai determinar quem vai vencer.
27:56Estou falando da eleição presidencial.
27:57Não é o mérito de ninguém que vai determinar.
28:00O que você deveria estar discutindo hoje?
28:01Se o governo do Lula é bom, é ruim.
28:03Se a economia está boa ou está ruim.
28:06Mas não será esse o fator.
28:07Aliás, o Haddad deu uma grande entrevista aí
28:09e disse que a economia não seria o fator fundamental da eleição.
28:12E não é mesmo.
28:13Não é porque, infelizmente, ninguém está preocupado.
28:16Eu acho que a economia está ruim.
28:18Mas ainda poderíamos debater.
28:20Mas isso vai debater.
28:21O que vai debater é o seguinte.
28:22É se você prefere o Lula ou o Bolsonaro.
28:25Se a rejeição do Lula é maior que a do Bolsonaro.
28:27Tem um percentualzinho do eleitorado, pequeno,
28:30mas que é decisivo nessa história.
28:34Não passa de 5% desse eleitorado.
28:37A maioria desse eleitorado vai decidir, desses 5%,
28:41quem vai ser o presidente da República e quem vai continuar
28:44de um lado da polarização e do outro.
28:46Essa é a realidade.
28:47Hoje, pela manhã, eu li sua coluna no Poder 360,
28:49o senhor falando sobre essa mudança de comportamento.
28:52Falou aqui também um pouquinho do presidente Lula,
28:54que falou que não tem mais o Linha para fazer amor,
28:56que agora ele vai para a guerra.
28:58Queria que o senhor aprofundasse sobre isso.
29:00Qual é a sua opinião dessa mudança no discurso do presidente?
29:03Veja bem, o Lula tem a seguinte cabeça na minha avaliação.
29:07Eu não tenho conversa.
29:09Estou dando apenas análise da minha parte.
29:12Ele acha que a situação que passou o PT
29:14quando houve o impeachment da Dilma,
29:16e isso é verdade,
29:18ela estava com 5% de índice de aprovação popular.
29:22Coisa que, obviamente, o Lula nunca chegaria,
29:24se fosse o Lula que tivesse no lugar.
29:26O Lula teve queda de avaliação,
29:28ele tem um índice de avaliação negativa maior que o positivo,
29:31em torno de 8%, 10% a mais,
29:34o ótimo e o bom e o ruim e o péssimo dele.
29:37Mas a Dilma chegou a um estágio que não tinha volta.
29:40E o Lula acredita muito nisso,
29:42o fato de não ter mantido a sua base,
29:44de não ter falado para a sua base.
29:46Ele acha que, se a Dilma, naquele momento,
29:49mantivesse o discurso perante a sua base,
29:52ela não teria chegado a 5%.
29:54Porque ela, para chegar a 5%,
29:55é que ela perdeu a própria base deles.
29:58Então, por isso é que ele faz uma atuação
30:00voltada para o discurso, para a base dele.
30:03Porque ele sabe que, se não perder essa base,
30:06ele se mantém na guerra.
30:07Então, ele quer manter a guerra.
30:09E essa base vive de guerra.
30:11Esse, no meu entender, é a razão.
30:13A base da esquerda?
30:15A base da esquerda.
30:16A Dilma perdeu, inclusive, a base da esquerda.
30:19Existia ali, naquele momento,
30:20uma rejeição à presidente Dilma.
30:22O senhor participou do impeachment,
30:24estava como presidente da Câmara.
30:25Queria saber como foi esse momento na sua carreira
30:29e se o senhor tem algum arrependimento.
30:31Nenhum.
30:31Eu só tenho arrependimento,
30:32não tenho feito antes.
30:33Acho que eu demorei para aceitar o impeachment.
30:37Mas, aquele momento é um momento muito clássico.
30:39Que existia o quê?
30:40O país estava em frangalhos,
30:42a economia em bancarrota.
30:44O nível de avaliação da Dilma
30:46era entre 3% a 5% de ótimo e bom.
30:49Em qualquer pesquisa, você sabe que isso é inviável.
30:52O presidente não podia andar na rua.
30:55E havia a motivação.
30:56Porque podia existir tudo isso e não ter motivação.
30:59Mas, se existisse a motivação
31:01e tivesse um índice de popularidade elevado,
31:03talvez fosse difícil fazê-lo.
31:05O problema todo é que eu tive que agir
31:07tecnicamente e dentro da legalidade.
31:11Tanto eu agi dentro da legalidade
31:13que a Câmara confirmou pelo coro qualificado que tinha.
31:18O Senado aprovou o afastamento
31:20e julgou-la culpada pela maioria que teve.
31:23Então, o meu ato,
31:25ele não foi o meu ato que produziu a consequência.
31:28Sem o meu ato, não teria nada.
31:29Se não fosse o meu ato,
31:32não teria iniciado o processo de impeachment.
31:35Mas ela foi julgada.
31:37E ela foi considerada culpada.
31:38Ela praticou, sim, crime de responsabilidade fiscal.
31:41Essa que é a verdade.
31:42Então, por que ela fez?
31:44Todo mundo fala, foram as pedaladas.
31:46Não foi pedalada nenhuma.
31:47A pedalada foi feita antes.
31:48Ela editou decreto de execução orçamentária
31:53sobre algo que não existia no orçamento.
31:56porque ela tinha mandado um projeto de lei ao Congresso Nacional
31:59para poder mudar a meta fiscal.
32:02E com essa mudança da meta fiscal,
32:04teria espaço orçamentário para ela poder editar esse decreto.
32:08Só que ela editou antes do projeto ser aprovado pelo Congresso.
32:12E executou.
32:13Na hora que ela empenhou,
32:15ela efetivamente praticou um crime.
32:17As pessoas não têm muita noção,
32:19não sabem o que aconteceu.
32:21Pedalada fiscal era utilizar os bancos públicos
32:24para pagar a despesa de governo,
32:26como ela fez em 2014,
32:28na eleição dela,
32:29que ela disputou a reeleição.
32:31Em 2015, ela fez outra coisa.
32:33Foi crime mesmo.
32:34Então, coube a mim,
32:36como presidente, fazer.
32:38Então, fiz.
32:39Não teria como não fazê-lo.
32:41Então, isso, obviamente,
32:42me trouxe toda a situação de confronto com eles.
32:45É claro que eu sempre...
32:47Eu me elegi presidente da Câmara
32:49em confronto com eles.
32:51Eu me elegi contra o governo,
32:53o governo contra mim.
32:55Eu ganhei do governo em primeiro turno.
32:57Não tinha diálogo com a Dilma?
32:58Porque isso acabou sendo uma questão
33:00do momento de aceitar o impeachment?
33:03Não, não, não.
33:04Não, porque é o seguinte.
33:05Depois dessa vitória,
33:09eu tive toda a grandeza
33:11de dialogar o máximo possível.
33:13O problema é que o governo perdeu a base.
33:16O que acontece?
33:16Todo mundo me criticava ali.
33:18Ah, tinha pauta bomba.
33:21Não tinha pauta bomba nenhuma.
33:22O governo é que não tinha voto.
33:23Porque iam a medida provisória
33:24para o plenário para votar,
33:26eles colocavam uma emenda
33:27que deformava a medida provisória
33:29e o governo perdia a votação.
33:30O que eu posso fazer?
33:31Eu não deixei de votar uma proposta.
33:34Não tinha no meu tempo
33:35aquilo que acontece agora.
33:37Toda medida provisória
33:38editada pelo governo era votada.
33:39Não tinha nenhuma medida provisória
33:41que ficava na gaveta
33:42ou que não criava comissão especial
33:44ou que não levava a cabo.
33:46Ele levava todas.
33:47Todo projeto e iniciativa do governo
33:49eu botava para votar.
33:50Tudo que o governo me pediu para votar,
33:51eu votava.
33:52Eu não tinha culpa
33:52porque o governo perdia.
33:54Eles não tinham a base.
33:55Eles tinham perdido a base política.
33:57Como ela perdeu a base da sociedade,
33:59ele perdeu a base política.
34:01E perdeu a base política
34:01porque eles não cumpriram
34:02os compromissos dele.
34:03Eu disse o seguinte,
34:05eu sou presidente da Câmara,
34:05não sou líder do governo,
34:06não vou ser líder do governo,
34:07eu não sou responsável pela votação.
34:09Quem tem que ser responsável
34:11pela votação é o governo.
34:12Essa história de querer achar
34:13que o presidente da Câmara
34:14tem que ser o líder do governo
34:15de comandar as votações
34:16e ganhar as votações para o governo,
34:18no meu entender,
34:19é um ponto equivocado.
34:20Eu não fiz isso.
34:21Outros podem fazer
34:22porque se elegeram
34:23com o apoio do governo.
34:24Eu nunca fiz isso.
34:25E não pretenderia fazer
34:26em nenhuma hipótese.
34:28Porque eu acho que o papel
34:28é de coordenação do trabalho.
34:30Eu coloquei para votar.
34:32Aí como votava e perdia,
34:33não,
34:34o Eduardo fez a pauta bomba
34:36que aprovou contra a gente.
34:37Bobagem.
34:38Quero que coloque aqui
34:39qual foi a iniciativa minha
34:41que eu coloquei
34:41que gerou qualquer tipo
34:43de problema fiscal
34:45para o governo.
34:45Ao contrário,
34:46eu segurei muita coisa.
34:47Muita coisa ali que tinha,
34:49eu chamava e dizia
34:50que vocês estão exagerando,
34:51tem que parar com isso.
34:53Eu chamava a oposição
34:54e pedia a maneira disso aqui.
34:56Isso aqui não pode passar,
34:57isso é um absurdo.
34:58Eu mesmo não concordo com isso.
35:00Teve votação que eu interrompi,
35:01que eu vi que o governo
35:02ia perder mais.
35:02E qual é a sua opinião
35:04sobre o Hugo Mota?
35:06Não,
35:06eu costumo dizer o seguinte,
35:07eu acho, enfim,
35:08ele está se comportando,
35:10a gente,
35:10como eu disse aqui,
35:11a mesma coisa,
35:12a mesma resposta
35:12que eu te dei
35:13com relação de Minas Gerais,
35:14a gente tem que representar
35:15quem nos elege.
35:17Não pode ser diferente.
35:19O Hugo está representando
35:20quem elegeu ele.
35:21Ele foi eleito
35:21por um consenso.
35:23Então,
35:23ele tem que atuar
35:24dentro de uma linha
35:25de buscar um consenso em tudo.
35:27É muito ruim
35:28atuar sobre um consenso.
35:29Eu prefiro atuar
35:30como eu atuei,
35:31porque eu ganhei eleição,
35:32governei com quem votou em mim.
35:35Esse é o ideal,
35:35é você governar
35:36com quem vota em você.
35:37Governar com todo mundo
35:38no meio dessa confusão
35:40é uma tarefa árdua.
35:41Tem que abrir muita mão.
35:43Não tem que abrir mão,
35:44não é questão de abrir mão.
35:46Você tem que deixar
35:48que, às vezes,
35:49que a coisa se acomode
35:51por si mesmo,
35:52porque você não pode
35:53tomar decisão.
35:55Aí passa uma sensação
35:56de indecisão,
35:58que não é o caso,
36:00não é por indecisão,
36:00não,
36:01é justamente pela dificuldade
36:03de atender
36:04a todos os seus eleitores.
36:06Essa é a dificuldade.
36:07O senhor foi condenado
36:09pela Lava Jato,
36:10passou por um processo
36:11de cassação ali no Congresso.
36:13Como que o senhor avalia
36:14esse processo político
36:16para a sua candidatura de agora?
36:18Bom,
36:18em primeiro lugar,
36:19não tem nenhuma condenação
36:19sobre mim.
36:20Todas as minhas condenações,
36:22ela foi anulada
36:23e eu venci justamente
36:25por esse processo.
36:26O mesmo processo
36:27que eu passei,
36:27o Lula passou.
36:29O Lula foi condenado,
36:30o processo dele foi anulado
36:31e ele está aí
36:32como presidente da República
36:33e não pôde disputar
36:35eleição de 18
36:36e está aí
36:36como presidente da República.
36:37O meu processo igualzinho.
36:38A motivação foi a mesma.
36:40A minha ainda foi
36:41um pouco diferente do Lula,
36:43porque o Lula foi preso
36:45pelo cumprimento
36:45da sentença,
36:47pela execução
36:48em segundo grau
36:49da sentença dele.
36:50Meu caso, não.
36:51Foi preventiva
36:52para um ato arbitrário
36:54de um juiz
36:55que era incompetente
36:56para lidar
36:56com o meu processo.
36:57era um quadrilheiro,
36:58o Moro era um quadrilheiro,
37:00essa que é a verdade.
37:01Hoje está se provando
37:02tudo isso aí,
37:03basta olhar
37:03tudo aquilo
37:04que está sendo divulgado,
37:05os vídeos,
37:06os delatores,
37:07tudo,
37:07delação forjada,
37:09manipulada,
37:10hoje está comprovado isso.
37:12E o que aconteceu?
37:13Eu fui decorrente
37:14desse processo,
37:15o meu caso, não.
37:16Ele foi anulado
37:17igual o do Lula.
37:18O Lula foi anulado
37:20por considerar
37:21o Moro incompetente.
37:22O meu caso
37:23também foi incompetente,
37:24deveria ter sido processado
37:25na Justiça Eleitoral.
37:26O Lula deveria ter sido processado
37:28no primeiro grau de Brasília.
37:30E o que aconteceu?
37:31Quando foi para o primeiro grau de Brasília,
37:33estava prescrito
37:33pela idade dele.
37:35No meu caso, não.
37:36No meu caso,
37:36voltou
37:37e ele foi
37:38sendo resolvido
37:39nos próprios processos
37:42em novo andamento.
37:43Então,
37:43na verdade,
37:44o Lula foi preso
37:45e foi solto
37:46depois
37:47quando o Supremo
37:47mudou o entendimento
37:48que a condenação
37:49não era mais aplicada
37:50em segunda instância,
37:51e sim depois
37:52do trânsito em julgado.
37:53eu fui solto.
37:54Então,
37:54são diferenças.
37:55Então,
37:55o mesmo processo
37:56que o Lula passou,
37:57eu passei.
37:58Ainda com essas diferenças
38:00que eu estou lhe relatando.
38:00Não estou atribuindo culpa
38:01a ninguém, não.
38:02Eu estou apenas relatando
38:03o factual que aconteceu.
38:05Eu tive um mandato cassado
38:06numa outra situação política.
38:09O que aconteceu?
38:09Você viu lá
38:10o julgamento
38:10da cassação
38:12do mandato
38:12do Glauber.
38:13Agora,
38:14recentemente,
38:15o que aconteceu?
38:16Transformaram ele
38:17numa suspensão.
38:18No meu caso,
38:19quando iam transformar
38:20numa suspensão,
38:22o presidente vetou
38:23a apreciação da emenda
38:24e não apreciou.
38:26Ele não teria sido cassado.
38:27O tratamento que teve,
38:29tanto que eu estou
38:29com uma ação da justiça
38:30e estou ganhando,
38:31para tornar tudo nula
38:32o processo de cassação,
38:34porque justamente
38:35foi feito
38:36ilegalmente também.
38:38Foi feito,
38:39foi um processo político
38:40que então o presidente
38:41da Câmara fez um acordo
38:42com o PT
38:42para se eleger
38:43e estava no preço
38:44da sua eleição
38:46a minha cassação.
38:48Então,
38:48foi o que deu.
38:49Ele rompeu comigo,
38:50todo mundo sabe disso,
38:51rompeu comigo,
38:52houve um rompimento
38:53e ele me cassou.
38:55Não teria me cassado.
38:56Só o fato de ter colocado
38:57para votar
38:57a 15 dias das eleições
38:59já era para essa finalidade.
39:01Então,
39:01ele não aceitou a emenda.
39:03A ação que eu ganhei
39:04na justiça
39:04foi pelo fato
39:05de ele ter recusado
39:07a emenda
39:07que ia discutir
39:08se era uma suspensão.
39:10E mais,
39:10todo esse processo
39:11que se deu
39:12origem na cassação,
39:13ele usou fatos
39:14que eram do mandato anterior.
39:16E tudo isso
39:17foi considerado nulo
39:18pelo Supremo.
39:18Até a situação,
39:20toda aquela situação
39:21de que não houve
39:21quebra de sigilo minha,
39:22não houve nada,
39:23tudo aquilo lá
39:24que foi utilizado
39:25foi considerado nulo
39:26em decisão
39:27transitada e julgada.
39:30Então,
39:30até as motivações
39:32que foram usadas
39:32na cassação,
39:33elas hoje juridicamente
39:35foram encerradas.
39:36Mas o senhor acha
39:37que esses processos
39:37podem te prejudicar
39:38nessa candidatura de agora?
39:40Pode prejudicar
39:41ou pode beneficiar,
39:42porque eu tenho
39:43que debater
39:44e responder a você,
39:45a todo mundo,
39:46como eu estou te respondendo aqui.
39:47E as pessoas vão julgar.
39:49Ah, tem pessoas
39:50que vão ver
39:50ele foi vítima,
39:52o que eu escuto
39:52nas ruas,
39:53não,
39:53ele foi vítima
39:54por ter cassado o PT.
39:56Na verdade,
39:56é o seguinte,
39:57é que a gente vale
39:59pelo histórico
40:00que a gente tem.
40:00Quando eu digo a você
40:01que eu tenho que representar,
40:02ao mesmo tempo,
40:03digo a você
40:04qual é a minha proposta,
40:05tenho que olhar
40:05o que eu fiz,
40:06porque na política,
40:08você,
40:08para analisar um candidato,
40:10você tem que olhar
40:10o passado dele,
40:11o que ele fez,
40:12para saber se deu frutos
40:13ou não deu frutos,
40:15para saber se você
40:15tem ele para a sua representação
40:17ou não.
40:18É muito mais fácil
40:19você avaliar
40:20quem já fez,
40:21que é o meu caso,
40:22o eleitor vai olhar o que,
40:24não,
40:24o que eu escuto na rua
40:25é que você está fazendo falta,
40:26se você estivesse lá
40:27não estava tendo
40:28isso que está tendo não.
40:29Ah,
40:30você,
40:30precisamos de alguém
40:31para poder tirar esse PT de novo,
40:32só você que tirou esse PT,
40:34é só isso que eu escuto
40:35pelas ruas.
40:36Então,
40:36na prática,
40:37é o seguinte,
40:37o eleitor
40:38que não deseja o PT,
40:40ele acha que eu sou efetivo
40:42para isso.
40:43Então,
40:43eu tenho essa vantagem,
40:45inclusive,
40:45não prejuízo pelo fato
40:47da consequência.
40:48E todo mundo
40:49que quer isso,
40:50acha que eu sofri
40:52o que eu sofri
40:52pelo fato de eu ter feito
40:54o que fiz.
40:55E é isso que eu vou
40:55debater com os eleitores,
40:57com toda a transparência
40:57que eu estou debatendo aqui.
40:58E o senhor se vê
40:59como uma vítima
41:00desse processo?
41:01Não tenho, não.
41:02Veja bem,
41:03eu não costumo me vitimizar, não.
41:06Mas é óbvio
41:06que eu fui caçado
41:08e sofri aquilo
41:09pelo defeito
41:09daquele processo contra o PT.
41:11Eu tenho histórias
41:12narradas no meu livro,
41:13você vê,
41:14dos acordos
41:15que foram feitos,
41:16o que o Procurador-Geral
41:17da República
41:17fez com o governo
41:18para poder me acusar.
41:19Aquilo tudo
41:20foi uma combinação.
41:21Aquilo foi uma reação.
41:22É óbvio
41:23que eu fui vítima
41:23da retaliação do PT,
41:25da Dilma,
41:26do governo.
41:26Todo mundo sabe disso.
41:27querer dizer
41:28que eu sofri
41:29o que eu sofri,
41:30que eles não fizeram nada.
41:31Eles, coitados,
41:32perderam a presidência
41:33da República,
41:34perderam o poder,
41:34não iam fazer nada contra mim.
41:36Só um ingênuo
41:37que vai achar
41:38que não ia acontecer nada.
41:40E eu não sou ingênuo.
41:41Eu sabia
41:42que ia acontecer isso
41:43quando eu fiz
41:43a abertura
41:44do processo de impeachment.
41:45E isso não me inibiu
41:46de fazê-lo.
41:47Esse é o meu handicap
41:48que eu tenho aqui
41:49quando eu chego na população,
41:51que as pessoas olham,
41:53mas você teve coragem,
41:54você sabia que ia ter...
41:55Não existe,
41:56você não vai conseguir
41:57achar que você vai enfrentar
41:59daquele jeito,
42:00daquele sistema
42:01organizado que existia
42:03e você não vai ter reação.
42:05É a mesma coisa
42:05que você achar
42:06que você vai invadir
42:07os Estados Unidos
42:07e não vai tomar um tiro ali
42:09quando entrar.
42:10Claro que vai.
42:11Claro que vai.
42:12É óbvio que vai.
42:13Então,
42:13eu vejo isso
42:14com muita naturalidade
42:15e a campanha vai permitir
42:16que a gente debata isso.
42:17O senhor também passou
42:18um período preso.
42:19Como que isso mudou
42:21a sua relação
42:21com a política?
42:23Nenhuma.
42:24E na vida?
42:25Bom, veja bem,
42:26eu tenho o hábito
42:28de, como disse aqui
42:30agora há pouco,
42:30de não me vitimar.
42:32Porque, se eu for...
42:33Eu não estou buscando
42:35a pena de ninguém.
42:38Simplesmente,
42:38eu fui vítima
42:39de um processo político,
42:40fui um preso político.
42:41Essa que é a verdade.
42:42Então, eu vou me comportar
42:43como um preso político.
42:44Eu não preciso dizer
42:45o que eu sofri,
42:45o que eu deixei de sofrer,
42:47o prejuízo que me causou.
42:48É óbvio que ninguém,
42:49todo mundo preso
42:50tem prejuízo.
42:51É inocência achar
42:52que não tem.
42:53Mas,
42:54eu tenho que passar
42:55por esse processo
42:56e debatê-lo
42:58da mesma forma
42:58que eu debati
42:59o processo
42:59que acabou me levando
43:00à própria prisão,
43:01que é o processo impeachment,
43:03o processo de enfrentamento político.
43:04Isso fez parte da guerra.
43:06Na guerra,
43:07você tem feridos,
43:08você tem mortos,
43:10você tem prisioneiros
43:11de guerra.
43:11Eu fui para uma guerra
43:12e eu saí da guerra.
43:14Então, agora,
43:14eu estou voltando
43:15para guerrear de novo
43:17em outro campo,
43:17no meu campo que eu estava.
43:19E escolheu Minas Gerais
43:20para isso?
43:20Isso,
43:21para ser a trincheira
43:22do combate.
43:24Se o senhor voltar
43:25ao Congresso,
43:26quais vão ser
43:26as principais bandeiras?
43:28Não,
43:29eu estava te dizendo
43:30aqui agora há pouco,
43:31eu acho que
43:32quem teve
43:33quatro mandatos
43:33de deputado federal
43:34e foi tudo na Câmara,
43:35fui presidente
43:36das principais comissões,
43:37fui líder da maior bancada,
43:39fui relator
43:40de as matérias
43:41mais importantes,
43:42fui presidente de CPI,
43:43fui presidente da Câmara.
43:44Quem já foi tudo
43:45e protagonizou
43:46um processo de impeachment
43:47de um presidente da República,
43:49eu acho que eu não tenho
43:50que prometer nada,
43:51eu não tenho que ter bandeira,
43:52a minha bandeira
43:53é a minha atuação.
43:55Eu tenho que,
43:55todo mundo sabe
43:56como eu me comporto,
43:57todo mundo sabe
43:58como eu sou,
43:59eu tenho que dizer,
44:00eu vou continuar
44:00o meu trabalho
44:01e vou ter que atender,
44:03obviamente,
44:04se eu estou aqui
44:04defendendo o município
44:05ao ABC,
44:06eu tenho que ajudar
44:07o município
44:07ao ABC,
44:09é claro que Minas
44:11é o estado
44:11que tem o maior número
44:12de municípios do Brasil,
44:13se tem 853 municípios,
44:14é claro que eu sou
44:15municipalista,
44:16é claro que a gente
44:16tem que discutir
44:17a melhor distribuição
44:18de recursos,
44:19a melhor forma
44:21de diminuir
44:21as diferenças
44:22que existem
44:22entre os municípios,
44:24é claro que isso
44:24vai ser pauta minha,
44:25mas isso é natural,
44:26não é coisa nem
44:27que eu tenho que prometer,
44:28quem tem que prometer
44:29é quem nunca disputou
44:30uma eleição,
44:31quem nunca exerceu
44:31uma data,
44:32esse tem que prometer,
44:33você não vai perguntar isso
44:35para um deputado federal
44:36que está hoje
44:37aqui em Minas Gerais
44:37que é candidato
44:38à reeleição,
44:38qual é a sua bandeira,
44:40você não vai perguntar isso,
44:41então eu me sinto
44:43da mesma forma,
44:44eu sou um deputado federal
44:45que no momento
44:46não estou exercendo o cargo
44:47e que vou voltar
44:48a continuar o cargo,
44:49então ele tem que ser avaliado
44:50em quais os deputados federais
44:52que estão aqui
44:52disputando a reeleição.
44:54Deputado,
44:55queria agradecer
44:55a sua presença
44:56aqui no estado de Minas,
44:57nosso tempo está acabando,
44:58muito obrigada
44:58pela entrevista.
44:59Obrigado,
44:59foi rápido.
45:00Foi rapidinho,
45:01o papo quando ele flui
45:02ele vai, né?
45:03Silvia,
45:03muito obrigada também.
45:04Eu que agradeço, Ana.
45:06Para assistir esse
45:07e outros destaques
45:08em.com.br.
45:10Tchau.
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