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00:00Sou Pat Spen, biólogo e caçador de feras.
00:05Estou deixando a segurança de meu laboratório para trás, para ser iniciado num mundo diferente,
00:11em busca da verdade, por trás da Fera da Amazônia.
00:21Criaturas lendárias.
00:24O lendário Mapinguari.
00:30Mitos de uma Fera aterrorizante têm assombrado as selvas da Amazônia há várias gerações.
00:41As pessoas estão assustadas e falam pouco sobre isso com pessoas de fora.
00:49Aqui no estado do Amazonas, no Brasil, duas testemunhas oculares, embora muito relutantes, concordam em me encontrar.
00:55Olá! Olá! Olá! Olá!
00:58Olá! Mas quantas elas estão dispostas a contar?
01:09Poderia me falar sobre o Mapinguari?
01:11Você pode contar a história de que se encontrou com o Mapinguari?
01:15A história foi em...
01:16Em 1981.
01:20Era setembro.
01:28Na beira da floresta, Lídia se assusta com um moivo arrepiante.
01:39Papai! Papai! Papai! Papai! Papai!
01:41Ela acorda o pai, Teófilo.
01:44Papai! Papai! Papai!
01:49Mas a vaca da família estava amarrada numa cerca no quintal.
01:53E ele não queria deixá-la à mercê da Fera.
01:56Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai! Papai
02:26Eu vou botar essa minha mão aqui, ó.
02:28Três pavos.
02:29Pavos no meio dos algodões, que é isso aqui.
02:33Suja da minha.
02:34É agente ou não?
02:35Não sei, eu botei, eu escaravei, eu bati.
02:39Aí eu caí.
02:40No dia seguinte, os moradores da vila fogem aterrorizados.
02:58Atualmente, eles vivem na segurança das margens do rio.
03:04Alguém mais viu o animal depois disso?
03:06Até agora.
03:08Já parecido.
03:10É uma história incrível, mas eles não querem falar mais nada.
03:18Eles viram alguma coisa, não entram em detalhes,
03:21mas foi algo aterrorizante o bastante para fazê-los abandonar o vilarejo.
03:27Eles podem ter visto uma criatura verdadeira,
03:30mas não estão me dando muitas pistas para continuar.
03:35Durante anos, essas tribos sofreram repressão.
03:38Por isso, eles têm medo de foraceiros, principalmente quando se trata de...
03:42Todo local, aos poucos, vai ganhando a confiança deles.
03:46Eu acho que sim.
03:53Eu acho que sim, até porque essa história, ela está passando de gerações para gerações.
04:01Muito se ouve comentar sobre esse fato.
04:05Isso explica a relutância deles em falar.
04:11Você acha que as pessoas aqui me contariam as histórias sobre esse animal?
04:15Eu sei, eu acho que a confiança é fundamental.
04:19Tanto é que eles me contaram a história por confiar na minha pessoa.
04:24Este homem passou 12 anos na floresta com as pessoas que contam histórias sobre esse animal.
04:30E assim ele conseguiu a confiança delas.
04:32Mas não tenho tanto tempo assim.
04:36Mas deve haver algum atalho para ganhar a confiança das tribos
04:40e conseguir mais informações concretas sobre o Mapinguari.
04:43O pastor me manda a um local a poucos quilômetros rio abaixo na tribo Satere Mauen.
04:58Aqui, para que um menino se torne caçador, precisa se submeter a um ritual de iniciação radical.
05:05Para ganhar a confiança deles, precisa entrar em seu mundo.
05:09Vou me submeter ao ritual também.
05:11Que começa de modo agradável, com uma caminhada na mata.
05:20Esses caras estão me levando para dentro da floresta
05:22para coletarmos um inseto particularmente significativo em sua cultura.
05:33Aí estão!
05:35Nossa, elas são grandes!
05:38Estas são formigas-balas, ou o que os locais chamam de tocamadas.
05:41Elas não somente são as maiores formigas do mundo,
05:51mas também são famosas por terem a pior picada.
05:56O veneno delas é 30 vezes mais doloroso do que a picada de uma vespa
06:00e faz com que os neurônios entrem em circulação livre, simulando um grave trauma.
06:04Elas são chamadas de formigas-balas por dois motivos.
06:18Primeiro, são do tamanho de uma bala de revólver e, se você for picado, a sensação é que tem um tiro.
06:23Então, agora, a gente vai colher as formigas e vai voltar para a comunidade de novo.
06:32Obrigado!
06:33Acho que já temos formigas o bastante.
06:35Uma quantidade terrível delas.
06:37De volta ao vilarejo, as formigas são colocadas num vasilhame com um tipo de anestésico feito de ervas.
06:48As pessoas as induzem a picar primeiro numa luva trançada feita de ráfia.
07:00Em alguns minutos, elas acordam e estão furiosas.
07:03A picada dói muito?
07:08Enorme.
07:10Dói demais.
07:11Dói muito.
07:13Ótimo.
07:15A iniciação envolve vestir essa luva cheia de formigas e ficar com ela durante cinco minutos.
07:23Você não se torna um homem ou um caçador até ter vivenciado o horror que isso traz.
07:33Nos Estados Unidos, você se torna um homem saindo e tomando uma cerveja com seu pai.
07:40Aqui, você veste uma luva cheia de formigas-balas.
07:47Hoje, três jovens vão passar pelo ritual.
07:52Eu também.
07:55Eu me voluntariei para participar do ritual de formigas-balas para ganhar a confiança dessa tribo
08:00e saber histórias deles sobre uma pinguari e a verdade por trás dessa criatura.
08:06Quero não só saber o que eles contam para os forasteiros, mas tentar realmente me tornar parte da tribo.
08:15Mas antes, preciso ver se não sou alérgico ao veneno.
08:21Vou pegar uma formiga para testar.
08:24Vamos lá.
08:36There it is.
08:37Pronto.
08:39Wow!
08:40Ok.
08:41Puxa, tá bom.
08:45Ok.
08:45Tá legal.
08:46Hum.
08:46Hum.
08:46Hum.
08:48Hum.
08:48Hum.
08:48Hum.
08:49Hum.
08:49Hum.
08:50Hum.
08:51Hum.
08:52Hum.
08:53Hum.
08:53Hum.
08:54Hum.
08:54Hum.
08:54Hum.
08:54É bem pior do que a picada de uma vespa.
09:06É realmente a pior picada que alguém poderia levar.
09:09O veneno está percorrendo minha mão e subindo.
09:14Oh.
09:18Está se espalhando por todo o corpo.
09:20Parece que tem uma faca abrindo minha mão.
09:22Meus sinais vitais estão estáveis, portanto, não tenho desculpas.
09:30Não sei por quanto tempo vou conseguir falar.
09:33Se ficar muito pior que isso, talvez eu desmaie.
09:36Mas os meninos que vão ser iniciados na tribo estão prestes a começar seu ritual.
09:43Eles vão levar muito mais picadas.
09:44Eles vão levar muito mais picadas do que eu acabei de levar.
09:53Cada centímetro em meu corpo está implorando para eu não me juntar a eles.
09:57Mas estando na frente da tribo toda, se eu quiser ganhar a confiança deles, não posso voltar atrás.
10:02A tinta vegetal usada no cerimonial mostra que estou comprometido com o ritual.
10:08Mas estando na frente da tribo toda, se eu quiser ganhar a confiança deles, não posso voltar atrás do que eu acabei de levar.
10:20Mas estando na frente da tribo toda, se eu quiser ganhar a confiança deles, não posso voltar atrás do que eu acabei de levar.
10:24O menino se esforça para não mostrar sua dor e dançamos para ajudá-lo a passar por seu sofrimento.
10:54Após cinco minutos, a luva é retirada e começa a iniciação do seguinte.
11:24Agora é minha vida.
11:36Por favor!
11:49Vem em, gostei!
12:03Cinco minutos parecem uma eternidade
12:19Mas a retirada da luva é só o começo
12:24Onda após onda
12:33A dor continua aumentando
12:43E vai durar 24 horas
12:50A dança termina e fico sozinho com minha dor
12:58Quanto tempo dura isso?
13:01Nem uma hora ainda
13:05Estou começando a ficar atordoado
13:11Tire a luva
13:15Quero que alguém tire essa luva
13:25Tire a luva
13:43Eu esperava que esse sofrimento me rendesse a confiança da tribo
13:47Mas acabei dando um passo maior que a perna
13:51Por favor
13:53Por favor
13:55Aqui
13:57Nessa floresta no Brasil
14:01Estou começando a ficar louco
14:03Cinco horas depois
14:13Cinco horas depois
14:25Quando ponho as mãos na água gelada
14:29É a melhor sensação do mundo
14:31É tão bom
14:33É tão bom
14:37Nunca senti nada tão gostoso
14:39Eu tenho mãos
14:45Eu tenho mãos
14:47Posso senti-las
14:49Dói demais
14:51Isso é tão bom
14:53Isso é tão bom
14:55Como entramos no barco
15:03Como entramos no barco
15:05Vinte e quatro horas
15:07Vinte e quatro horas depois
15:09A dor passa
15:11Vinte e quatro horas
15:13Vinte e quatro horas depois
15:15A dor passa
15:17Agora posso usar um distintivo de honra
15:19Que espero que inspire confiança em toda a Amazônia
15:23E talvez uma porta já esteja se abrindo pra mim
15:27Derli é um dos iniciados
15:29E como temos algo em comum
15:31Ele divide comigo exatamente o que eu preciso
15:33Instruções para outro suposto encontro com uma pinguaria
15:39Todo mundo que vem
15:47À medida que caminhamos
15:49Reflito sobre o impacto mais profundo do meu sacrifício
15:55A maneira como sinto o mundo à minha volta mudou
16:00E me pergunto se essa mudança ainda vai me dar uma ideia sobre o que é uma pinguaria
16:09O homem que foi ver teve um tipo diferente de encontro que mudou sua vida
16:23Ele foi atacado na mata por uma criatura desconhecida
16:27E embora tenha se recuperado fisicamente
16:33O trauma psicológico o levou a se refugiar no mundo espiritual
16:37Ele estava trabalhando numa indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia
16:39Ele estava trabalhando numa indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia
16:43Eu estava lá em terra quando o bicho me bateu
16:45Ele estava trabalhando numa indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia
16:47Eu estava lá em terra quando o bicho me bateu
16:49Criado na cidade, ele cresceu ouvindo histórias sobre os perigos da floresta
16:55Mas nem em seus pesadelos de criança, ele imaginou algo assim
16:57Ele estava trabalhando numa indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia
16:59Ele estava trabalhando numa indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia
17:01Eu estava lá em terra quando o bicho me bateu
17:07Criado na cidade, ele cresceu ouvindo histórias sobre os perigos da floresta
17:13Mas nem em seus pesadelos de criança, ele imaginou algo assim
17:22A criatura o agarrou pela garganta e quebrou sua mandíbula
17:35Envolvido por um fedor horrível, ele desmaiou
17:49Só acho que me acharam, né?
17:53Que tipo de animal você acha que era?
17:57Eu pra mim era a história de macaco, igual um macaco
18:01Só que a cara dele não era pra frente, a cara dele era pro lado
18:05Você voltou à floresta desde que isso aconteceu?
18:11Ele ganhava a vida subindo e descendo o rio em barcos e parando em vários pontos da floresta
18:16Agora ele não quer mais voltar para lá
18:18Está decidido
18:21Não duvido que este homem tenha sido atacado, só não tenho certeza pelo que
18:25Para mim, as melhores pistas são o cheiro e a cara virada para o lado
18:31Que animal poderia se encaixar nessa descrição?
18:37Que grandes animais na selva amazônica atacariam uma pessoa?
18:41Aqui tem onças, animais realmente muito perigosos
18:44Mas elas não se encaixam na descrição dada pela vítima
18:47Tem tamanduás bem grandes que geralmente não são agressivos
18:51Mas são grandes
18:54Cara, se um tamanduá bandeira ficar sobre duas patas
18:57Ele fica do meu tamanho e se encaixa em alguns pontos da descrição da vítima
19:02Primeiro o cheiro
19:04Tamanduás bandeiras marcam seu território com um fedor horrível
19:09E tem a cara
19:10Muitos animais com garras brigam com as patas para o lado para proteger a cara
19:17Faria sentido se um tamanduá bandeira fizesse o mesmo
19:25Se você se deparar com um e surpreendê-lo, ele vai te atacar
19:31É um animal com garras enormes
19:32Ele não vai asfixiar você, mas talvez seu medo faça isso
19:35Talvez você esteja bem
19:39Principalmente se você já está com medo de que uma pinguaria esteja na floresta
19:48Erros de identidade podem explicar alguns encontros
19:52Mas duvido que sejam suficientes para estabelecer um mito tão forte pelo país todo
20:01Delvia, Parintins, a capital do folclore da Amazônia
20:05Na cidade toda, mitos e lendas estão por toda a parte
20:16E quero descobrir onde uma pingualice encaixa nisso tudo
20:24Isso parece ser um boto, o lendário golfinho do rio que se transforma em homem
20:29Põe um chapéu branco e engravida as jovens
20:31O boto é citado inclusive como pai em muitas das certidões de nascimento na Amazônia
20:41A maneira perfeita de explicar uma gravidez inesperada
20:44Há também a lenda da cobra grande, a serpente gigante da Amazônia
20:48Quando um pescador desaparece no rio, será que a culpa poderia ser dessa serpente?
20:53Esse cara parece o Kurupira com esses pés virados para trás
20:58Servindo também como um código moral, o Kurupira vê caçadores se perderem na floresta seguindo sua trilha ao contrário
21:06Neste mundo de tantos mitos e alegorias, vive a criatura na qual estou interessado
21:19Aparentemente é isso que estou procurando
21:23Este é uma pinguari
21:25Ele tem orelhas de morcego, um olho enorme bem no centro da testa
21:29Não há nenhuma boca no lugar onde deveria ter uma
21:32Um físico realmente muito forte, braços fortes, garras enormes e uma boca no peito
21:38Será que é um animal de verdade?
21:43Como biólogo eu posso dizer que isso não está com uma cara muito boa
21:46De volta a casa organizo meu mundo com explicações científicas racionais
21:56Mas aqui as pessoas veem a Amazônia por um prisma
22:01Um mundo que mistura mito e realidade
22:04É um mundo no qual os monstros fazem sentido
22:09E é a este mundo que uma pinguari pertence
22:11Esse mito enterra suas garras na cultura daqui também
22:17Ele inspira músicas
22:23E espreita o festival anual de Parintins
22:32Fora da época do festival, este boneco de 20 metros fica murcho
22:37Mas o pessoal daqui concordou em trazê-lo de volta à vida para mim
22:42O criador do monstro sabe o quanto este mito pode ser real
22:58Criatura real
23:01Criatura real?
23:02Eles dizem que eles...
23:04Isso...
23:06A partir disso eles ingerem uma bebida feita de uma planta alucinógena que eles chamam de paricar
23:19E qual é a vida dos povos da floresta?
23:23Ele disse que até a gente quando entra na floresta sente como se houvesse animais ali nos observando
23:31É o que estas criaturas são, elas existem em outro nível e só para as pessoas que as veem
23:38Quando troquei as luvas protetoras de meu laboratório por luvas com formigas venenosas
23:44Isso também mudou minha realidade
23:46E talvez tenha sido neste mundo que o mito de uma pinguari nasceu
23:56Mas será que há algo mais nesta criatura do que apenas uma alucinação coletiva?
24:01Tem um encontro com um cientista que afirma que sim
24:04A mil quilômetros do coração do Amazonas fica Porto Velho, uma cidade da época da explosão da borracha
24:16Suas ferrovias agora estão abandonadas e é aqui que vou me encontrar com um conselheiro de conservação do governo brasileiro
24:24Em 1993, ele se sentiu compelido a pôr sua reputação científica em risco, publicando uma afirmação notável
24:41Doutor Orrin, entendo o poder dos mitos dessa área, mas o senhor acredita que uma pinguari seja mais do que isso?
24:47Desde que cheguei à Amazônia em 1977, ouço essas histórias e para mim uma pinguari era apenas outra delas
24:56Mas depois estive com um colega e ele conheceu alguém que disse ter ficado cara a cara com ele e que o chamou de uma pinguari
25:04E meu colega disse que aquele rapaz não estava mentindo
25:08O animal que ele viu existe mesmo e ele o descreveu
25:15Aproximadamente dois metros de comprimento, extremamente peludo, olhos pequenos
25:22Quatro dentes caninos, um fedor horrível e garras enormes
25:29Muitas pessoas dizem ter ficado cara a cara com o próprio demônio
25:36Depois de anos à procura, o Doutor Orrin coletou relatórios em primeira mão de quase 90 encontros
25:45Há aproximadamente 80 testemunhas oculares que dizem ter se deparado com ele
25:51E sete homens que dizem que ele até matou uma pessoa
25:54Entendo as visões de criaturas míticas
25:58Mas para matar alguma coisa, a criatura tem que ser real
26:03O que você acha que essa criatura pode ser?
26:06Bom, assim que a pessoa descreveu o animal como zoologo, acendeu uma luzinha no meu cérebro e eu pensei
26:14Essa pessoa só pode estar descrevendo o megatério
26:17O único problema é que essas feras foram extintas há 10 mil anos
26:21Puxa, isso é um megatério
26:27Quer dizer, eles viviam aqui
26:30Sabemos que esses caras viviam na América do Sul
26:33Megatérios apareceram no período Eoceno
26:37E se espalharam por toda a extensão das Américas
26:40Com 3 metros de altura, com pernas enormes e garras afiadas
26:44Esta criatura atende muitas das descrições de Orin
26:49Imaginem só esta criatura aparecendo por trás das árvores com braços enormes
26:55Essa bacia enorme
26:57A possibilidade de que talvez a gente veja um desses aqui
27:00É uma das coisas mais emocionantes em que eu posso pensar
27:03E é exatamente o que o Dr. Orin está propondo
27:16Sob o ponto de vista biológico, por que um megatério seria uma conclusão razoável?
27:21A América do Sul era o centro da diversidade dessas criaturas
27:26Aqui havia um grupo de animais que foi extinto muito recentemente, há 10 mil anos
27:32Então não estamos procurando um dinossauro, pois eles foram extintos há dezenas de milhões de anos
27:3910 mil anos é pouquíssimo em termos de tempo geológico
27:43Vejo traços do meu tio avô em David Orin
27:47O incrível Charles Forte
27:51Descreveu fenômenos como a chuva de peixes e os relâmpagos de bola
27:56Na época tidos como fantasia, mas que agora sabemos que são reais
28:01Ele escreveu que a atitude da ciência para o indesejável é que ele não existe
28:06O Dr. Orin acredita que a prova para ser uma pinguari existe
28:12E eu sei que meu tio avô ia querer que eu mantivesse a mente aberta
28:17O melhor lugar para isso é na comunidade dos índios Caritiana, no interior de Rondônia
28:24Eles são um grupo relativamente pequeno de apenas cerca de 200 índios
28:29E vivem numa área realmente muito afastada
28:31A reserva Caritiana fica a menos de 100 quilômetros de Porto Velho
28:41Mas é um portal para outro mundo
28:44No coração deste território vivem tribos perdidas
28:49E quem sabe o que mais?
28:51Poucos estrangeiros vêm para cá
28:54Essa tribo usa roupas ocidentais, mas vive na fronteira de nosso conhecimento geográfico
28:59Os caritianos usam suas narrativas para transmitir sua história e cultura
29:09Como iniciado tribal, tenho o privilégio de testemunhar essa tradição oral ao vivo
29:18Esta noite, teremos uma rodada de histórias como as de fantasmas ao redor da floresta
29:29Um aldeão estava dirigindo com um amigo quando um animal surgiu da floresta
29:44Apenas olhar para uma pinguari pode ser fatal
29:56O que quer que fosse, ele poupou os homens e desapareceu na floresta
30:07A história não é detalhada o suficiente para identificar o animal, mas talvez haja uma pista no próprio ato de contá-la
30:19As tradições orais podem datar de muito tempo
30:25Talvez o bastante para preservar a lembrança de uma criatura extinta há muito tempo
30:33Eu estava pensando sobre isso ontem à noite
30:37Esses caras tem uma tradição muito rica e detalhada
30:40Se cada pessoa aqui representa uma geração
30:43Tudo que eu tenho a fazer é voltar no tempo uma geração e meia
30:46E chegarei a alguém que talvez tenha participado da segunda guerra
30:50Eu volto
30:52Quatro, cinco, seis
30:54Cerca de oito gerações
30:55E estou na época em que os europeus chegaram a este país
31:00Agora volto cerca de vinte gerações
31:04E estou na idade média
31:09Veram?
31:11Apenas algumas histórias
31:14Podem levar você de volta a uma época em que esses animais
31:18Que agora estão extintos
31:20Viviam nessa floresta
31:26Há dez mil anos
31:27Os humanos compartilhavam essa floresta com os megatérios
31:33Foram necessárias apenas duzentas gerações de contadores de história
31:37Para passarmos deles para os dias de hoje
31:45Preciso de alguém que tenha dado uma boa e recente olhada nessa criatura
31:49Os caritianos acreditam que a única maneira de matar uma pinguaria é com uma única bala de chumbo disparada diretamente contra a cabeça
32:02Muitos caçadores levam essas balas mágicas para a floresta só por precaução
32:08E encontrei um homem que teve um bom motivo para usá-las
32:24E encontrei um homem que teve um bom motivo para usá-las
32:2700,00,00,00, 00,00, 00,00
32:31Eovaldo estava caçando um grupo de porcos selvagens quando ouviu algo muito maior
32:45Muito maior.
32:49Dito que nem uma pessoa carregando uma paia, né? Arrastando as coisas assim.
32:55Aí, que diabo é isso? Eu fiquei assustado.
32:59Jeováldo atirou no corpo do animal e correu.
33:09Ele atirou várias outras vezes antes de carregar sua arma com a bala de chumbo
33:14e mirar na cabeça da criatura.
33:25Jeováldo escapou com os gritos da criatura ressoando em seus ouvidos.
33:31Ele disse que quando viu a criatura, ela estava sobre duas patas,
33:34mas quando começou a correr atrás dele, ficou de quatro para persegui-la.
33:38Ele é uma... que... que nem uma... tem um pelo sim aqui.
33:41Aqui eu não vejo não, porque eu estava correndo.
33:44Ele está descrevendo uma mistura de macaco e preguiça
33:47e está dizendo que ele tinha braços enormes e garras muito grandes.
33:52Mas estou mais interessado no barulho que essa criatura fez.
33:57O grito que é... não é como a gente grita, é diferente.
34:01Ele grita diferente.
34:02Muitas testemunhas relatam este rugido como o de gelar o sangue.
34:09Será então que ele detém a chave para a verdadeira identidade de uma pinguari?
34:15Voltarei para a floresta para testar uma teoria,
34:18armado com câmeras térmicas e um alto-falante.
34:20Os guias daqui viriam para a floresta comigo durante o dia
34:25e me mostrariam os locais que eles acreditam terem visto a fera
34:28ou onde eles viram outros animais.
34:30Mas eles não vêm aqui de noite porque dizem que é quando uma pinguari sai.
34:36E como essa é a área onde ele vive,
34:38eles ficam com medo demais para entrar.
34:40Eu nunca me sinto bem entrando em lugares
34:47onde os guias me dizem para não entrar.
34:53Mesmo se o mito não te pegar,
34:54os animais de verdade poderão fazer isso.
35:03Geralmente não tenho medo de animais,
35:05mas depois de ver o que estes fizeram comigo
35:07e sabendo que não poderei vê-las nessa escuridão,
35:12não gosto de saber que tem formigas balas ao meu redor.
35:20Esse labirinto orgânico cega até minhas ferramentas científicas mais afiadas.
35:27A floresta é tão densa que não consigo ver quase nada, nem usando isso.
35:32Ainda dolorido pelo veneno das formigas,
35:34meus próprios sentidos estão perfeitamente sintonizados
35:37com os corpos dessa floresta.
35:40Tem algo gritando.
35:44Parece um porco.
35:46É, o que estou ouvindo são porcos.
35:51As condições são perfeitas para ouvirmos os gritos de uma pinguaride
35:54que as testemunhas falaram.
35:56Eles disseram que quando estavam sozinhos na floresta de noite e ouviram esse som,
36:04acharam que um de seus amigos estivesse em apuros e então responderam ao chamado.
36:09E aí ouviram uma resposta e responderam novamente.
36:12Os gritos de ambos os lados foram ficando gradativamente mais perto
36:15e de repente viram que não era o amigo deles.
36:17Quando os zoológos estão trabalhando em campo,
36:21muitas vezes tocam chamados de animais e ficam esperando a resposta.
36:26Eu gravei a versão de David Oren do grito de uma pinguari.
36:30Quero tocar aqui para ver se alguma criatura responde.
36:33Em qualquer outro lugar do mundo, fazer isso me faria rir.
37:03Mas não aqui.
37:11Justo quando eu estava para desistir, algo estranho acontece.
37:20Você ouviu isso?
37:21Você ouviu isso?
37:22Você ouviu?
37:24É, ouvi sim.
37:26Tem alguma coisa ali.
37:27Toquei esse grito e aí ouvi algo de volta.
37:29Não, não, não.
37:29É sério.
37:30Você ouviu mesmo?
37:31Você ouviu?
37:33Não, não, não.
37:37Não, não, não.
37:39Não, não, não.
37:44Meu amigo e eu ouvimos algo respondendo.
37:52Está andando.
37:54Ok.
38:10Ok.
38:31Mas encontramos os limites de nossa tecnologia nesta floresta.
38:36É densa demais. Não consigo atravessar.
38:46Nosso equipamento de gravação de alta tecnologia não consegue captar o que nossos ouvidos ouviram claramente.
39:06Talvez até para nós, mito e realidade estejam começando a se misturar.
39:16Ele disse que até a gente quando entra na floresta sente como se houvesse animais ali nos observando.
39:21Eles existem em outro nível.
39:23Quando o Pat tocou o chamado do Matinguari que o médico tinha dado para a gente e eu tinha gravado, ouvi algo responder.
39:33Pat também ouviu.
39:35O que ouvimos não é facilmente identificável com qualquer criatura que a gente já tem ouvido.
39:42Realmente deu muito medo. Muito medo mesmo.
39:45Ouvimos algo.
39:49Se uma pinguari for mesmo um megatério, um grito como este poderia fazer sentido.
39:56Preguiças menores têm um grito parecido com um lamento.
40:02Se aumentarmos o tamanho de suas cordas vocais e baixarmos o tom...
40:06O som desse grito vai ficar parecido com o que ouvimos.
40:25Isso pode sustentar a teoria de David Oren, mas não é uma prova.
40:30Quero fazer mais um teste com minha última e melhor testemunha.
40:41Para descobrir o que ele viu usando um desfile de animais.
40:48Não fica nessa mata.
40:50Ele não reconheceu o urso.
40:55Agora a Anta já conhece porque ele fica nessa mata aqui.
40:59Exatamente.
41:00A Anta ele reconheceu.
41:02Eu mostro algumas fotos para ver se refresco a memória de Geovaldo.
41:08Não, ele nunca viu um rinoceronte.
41:11Bom, isso faz sentido.
41:14Eu também conheço também.
41:16O gorila ele também conhece.
41:21Só que o braço mais...
41:24O braço é mais forte.
41:26Com relação a foto da preguiça, ele está dizendo que viu um animal com braços assim, só que bem maiores.
41:33Agora, o animal que acredito ser o responsável.
41:39É o Tamanduá, né?
41:42Tamanduá.
41:43Tamanduá.
41:44Ele reconheceu esse animal na hora e até disse o nome dele, mas também disse que o animal que ele viu é bem diferente disso.
41:51Os braços são parecidos, mas nada mais além disso.
41:54Para o caçador, este é um Tamanduá e nada mais.
42:01Mas este é o esqueleto de um megatério.
42:04E este é o modelo com o qual os cientistas acham que a criatura se parece.
42:18É o tipo desse, ó.
42:20Eu acho que é esse bicho.
42:25Parecido com ele.
42:29Parecido.
42:30Ele é o mais branco.
42:31Branco ele.
42:32O seu.
42:33Eu vivo.
42:34Ele é o mais branco.
42:36E as garras?
42:37Porque a unha é muito curta.
42:39É o maior?
42:40E o vício não é.
42:41Não sei o que falar.
42:43O único modo de Jeovaldo ter visto este animal é se ele ainda estiver vivo e em algum lugar na floresta.
42:51Este animal, o animal que você viu, muitos cientistas acreditam que ele morreu há mais de 10 mil anos.
42:58E o braço, parecido, e o cômodo de tudo.
43:05Parecido.
43:07É incrível.
43:10Maravilhoso.
43:10Ele está dizendo que talvez o animal esteja extinto, mas que ele viu algo muito parecido.
43:16O mesmo corpo, os mesmos braços, a mesma cara.
43:21É realmente incrível que este homem possa ter visto um megatério que supostamente está extinto há 10 mil anos.
43:31Sabemos que 96% desta imensidão permanecem inexplorados.
43:40Sabemos também que um terço de todos os mamíferos declarados extintos nos últimos séculos foi encontrado vivo.
43:53Some isso com o que eu aprendi aqui e só há uma conclusão.
43:58Embora ainda não haja nenhuma prova cabal, temos que levar a teoria de David Oren muito a sério.
44:03Versão Marshmallow São Paulo
44:09Portanto Samuá
44:11Sai o letra
44:12Termo STEP
44:17E aí
44:22Você
44:22E aí
44:27E aí
44:30E aí
44:32E aí
44:33E aí
44:33E aí
44:36E aí
44:38E aí
44:38E aí
44:39E aí
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