00:00Pessoal, hoje é um dia extremamente triste para a Embaixada Solidária.
00:05Nós sofremos a intervenção de criminosos.
00:10Poucas pessoas sabem, mas nós estamos abrindo uma unidade aqui em Marechal Cândido Rondon.
00:15Nossa unidade estava praticamente imobiliada, pronta, começando as reformas
00:20para que nós pudéssemos acolher os migrantes aqui.
00:23E hoje nós chegamos aqui, olha o tamanho da destruição.
00:25Os criminosos invadiram aqui durante a noite, destruíram todos os móveis.
00:32Olha só, aqui nós temos as geladeiras que seriam utilizadas, os freezers, as máquinas de lavar, as vidraças, o telhado.
00:42Não dá para calcular o tamanho do prejuízo e o nosso sonho fica adiado.
00:47Infelizmente, toda a mobília estava pronta.
00:50Vocês podem olhar aqui fora, as pias, os sofás, os tecidos que seriam dados aos cursos de costura.
00:59É tudo destruído.
01:01Eu não sei calcular o tamanho da tristeza.
01:04As geladeiras das suítes, todas foram roubadas, todas.
01:09E olha a maldade.
01:10As geladeiras novas que serviriam para os migrantes, olha o que foi feito, gente.
01:18Trabalho de criminoso mesmo.
01:20Olha isso.
01:21Esses fogões aqui serviriam para fazer comida para quem chega e não tem onde morar e não tem onde ficar.
01:29Olha o tamanho da maldade aqui, gente.
01:31Olha.
01:32Não foi para levar porque precisava, foi para destruir.
01:35Então, o nosso projeto se chama Vila Mundo.
01:38Era uma casa de prostituição.
01:40Agora vai ser uma casa de refúgio, de abrigo para os migrantes que chegam e às vezes não tem onde dormir para poder trabalhar.
01:48As vidraças todas quebradas.
01:50A fiação que nós parcelamos aí em mais de dez vezes para poder pagar.
01:56A fiação foi toda retirada.
01:58A casa foi toda detonada.
01:59A gente está sem palavras aqui.
02:01Vou tentar mostrar um pouquinho mais para vocês.
02:03Está tão ruim que a cada cômodo que a gente leva, a cliente dá vontade de chorar.
02:10Material de pintura, os bancos que já estavam arrumados, tiveram capacidade de quebrar as telhas, gente.
02:18Olha, quebraram tudo.
02:20Levaram as geladeiras, tiraram a carne que estava no congelador, que já serviria aí para as primeiras refeições.
02:27Olha aqui a nossa mesa.
02:28Aqui, estava preparada para receber os migrantes que vêm para cá para trabalhar e às vezes não encontram uma casa para alugar.
02:37Olha aqui.
02:39Olha, tinha aqui preparado o local para exercício.
02:44Tinha preparado aqui os armários.
02:47E aqui é um lugar, um dos lugares mais tristes.
02:51Aqui estavam instaladas já as máquinas de lavar roupa para que, principalmente, as mães pudessem aí lavar as roupas dos seus filhos, lavar roupa para poder trabalhar.
03:03Olha isso.
03:03Isso aqui eram os fogões que nós estávamos montando a casa dos migrantes.
03:08Olha a maldade do negócio desse.
03:10Quem é que explica um ser humano com um potencial nocivo desse jeito?
03:15Como é que a gente faz para entender um negócio desse?
03:18Olha o tamanho da destruição.
03:21Olha isso.
03:23Então, era um nucal que estava praticamente pronto.
03:26Vou mostrar para vocês agora a fiação.
03:30Cara, não tem explicação do que aconteceu aqui.
03:33Tudo quebrado.
03:37Tudo.
03:38As tomadas.
03:39Tudo que a gente preparou aqui com carinho para receber as pessoas.
03:44Olha aqui.
03:46Só essa aqui, nossa embaixada, sem recurso governamental, parcelou em 10, 12 vezes para a gente fazer esse investimento.
03:56Então, é um dia, assim, sem nome, de muita tristeza.
04:03Mais de 30 pessoas seriam acolhidas aqui.
04:06Agora, a gente não tem mais o dinheiro que usamos na reforma e não temos como evoluir aqui nesse projeto.
04:17Estou sem palavras hoje.
04:19Acionamos a polícia.
04:21Estamos chegando, esperando a polícia chegar.
04:23Mas, olha aqui, olha a destruição do negócio desse.
04:29Na madrugada, as geladeiras tiraram todos os motores e deixaram jogados aqui.
04:36Queimaram o cobre, quebraram pratos.
04:43Sem palavras.
04:45As pessoas que estiveram aqui, se dá para chamar de pessoas,
04:49Talvez nunca vão ver esse material, mas destruíram o sonho de muita gente.
04:56Muita gente que está chegando na nossa região, não para nada, para poder trabalhar.
05:02Aí, quando a gente enfrenta a xenofobia, o preconceito,
05:06a gente lembra que, possivelmente, isso aqui tenha sido feito
05:09por pessoas desocupadas, que não estão trabalhando,
05:13que não estão nos ajudando a construir uma sociedade melhor.
05:17Gente, não sobrou vidro.
05:18Quebraram os vidros.
05:19A gente não tem noção do quanto nós vamos gastar
05:22para poder repor os vidros.
05:27Mas, não satisfeitos, subiram no telhado e quebraram as nossas telhas.
05:32Então, aqui, que nós receberíamos aí, em 20, 30 dias,
05:35os primeiros trabalhadores, as primeiras famílias,
05:39hoje eu não tenho o que dizer para elas.
05:42Olha a situação disso.
05:44Tudo.
05:45Então, se você tem alguma informação,
05:47pode ser de forma anônima,
05:48entre em contato com a polícia,
05:50porque nós estamos sem palavras.
05:52Se vocês virem as roupas,
05:54porque é aqui que a gente guarda
05:56o que nós vamos atender os migrantes
05:58durante a semana, durante o mês.
06:00Olha aqui, gente.
06:02Isso aqui são os tecidos
06:04que nós já tínhamos para o curso de costura aqui.
06:08Dá uma olhada nisso.
06:10Olha a situação que deixaram isso aqui.
06:11Entraram pelo forro.
06:13Roubaram tudo.
06:14Tudo que é metal, torneira,
06:17sanitário dos banheiros.
06:21Não sobrou nada, gente.
06:22Não sobrou nada.
06:23Dá uma olhada nisso.
06:24Meu Deus do céu.
06:25É muita tristeza.
06:27Olha isso.
06:27Os extintores das paredes
06:29levaram tudo.
06:32Exatamente tudo.
06:33A gente está agora começando a...
06:37Bem abaixo do zero, infelizmente.
06:40Queria trazer uma notícia boa nessa manhã,
06:42mas infelizmente é o que a gente tem aqui.
06:45E se você tiver alguma informação,
06:47pode entrar em contato direto com a polícia
06:49de Marechal.
06:51Enfim, a gente está sem palavras.
06:55Sem palavras para falar sobre o que aconteceu aqui.
06:59Pessoal, quero fazer uma reflexão com vocês.
07:02Sei que muita gente não me conhece,
07:04que tem chego novo aí nas redes sociais.
07:06Meu nome é Edna, sou jornalista.
07:10E há 11 anos eu fundei um projeto social aqui em Toledo
07:14chamado Embaixada Solidária.
07:16Para quem quiser, vou deixar as nossas páginas aqui
07:18para você conhecer o nosso trabalho,
07:20que é de acolhimento aos imigrantes e refugiados
07:23que chegam aqui no nosso país.
07:24E não tem casa, não tem nenhuma referência,
07:28nenhuma família.
07:29Então, com erros e acertos,
07:32é o grande trabalho, a grande missão da minha vida.
07:35E eu comecei a contar essa história para vocês
07:37para saber o quanto é difícil construir o bem.
07:42A Embaixada existe há 11 anos da minha cidade
07:44e ficou pequena,
07:46porque nós temos que atender toda a região.
07:48Muitas mães chegam com os filhos,
07:49as pessoas não conseguem alugar casa para trabalhar.
07:52A nossa região tem muito, muito, muito emprego.
07:56E nós, então, alugamos um prostíbulo fechado
08:00aqui em Marechal Rondon,
08:02um local que nós iríamos transformar,
08:06um local que seria para abrigo de imigrantes, refugiados,
08:11tudo muito bonito, tudo muito organizado.
08:13Já estávamos planejando aqui um jardim, um mural.
08:17Os móveis já estavam todos aqui,
08:19máquinas de lavar, geladeira, cama, colchão, fogões.
08:22Freezer, né, para as doações que tem sempre para
08:26quando a gente comece uma vida e se chamaria Vila Mundo,
08:29ou vai se chamar Vila Mundo.
08:31Hoje pela manhã nós viemos aqui para fazer o orçamento da tinta,
08:35para poder pintar o local e também para cortar grama e fazer a jardinagem.
08:40E aí que eu quero falar sobre a maldade.
08:41Durante uma dessas madrugadas entraram aqui ladrões
08:48e destruíram tudo, gente.
08:51Bandidos mesmo.
08:52Olha aqui, as geladeiras praticamente novas.
08:56Tudo que nós vemos da comunidade, das coisas que nós compramos,
09:00estava aqui para acolher esses imigrantes, para cozinha comunitária,
09:03para tudo.
09:05Foi completamente destruído.
09:07Nós tínhamos aqui já os tecidos para dar as aulas de costura.
09:13Estávamos preparando esse espaço aqui.
09:15Olha o que aconteceu com os tecidos.
09:17Destruíram tudo, os móveis de escritório que nós ganhamos de parceiros
09:22e outros que nós compramos.
09:25O forro que a gente tinha acabado de fazer.
09:28Isso aqui são as doações que a gente monta as casas em Toledo e em toda a região.
09:32Está completamente destruído.
09:34Algo que a gente está trabalhando há mais de um ano,
09:37há mais de 11 anos construindo tudo isso,
09:40e está completamente destruído.
09:42Eu estou sem palavras, eu estou em choque.
09:44Olha as expulsões da situação que deixaram.
09:46Gente, e de maldade.
09:48Sabe o que é maldade?
09:50Essa era uma cama para acolher em especial as crianças.
09:54E eu quero mostrar uma coisa para vocês que cortou meu coração.
09:58Cortou, em absoluto, meu coração.
10:00Você vê que aqui é o local de onde a gente tira os móveis
10:04para montar a casa dos imigrantes que estava servindo como nosso depósito.
10:08Não foi aqui uma pessoa que entrou, pegou um fogão
10:11porque precisava ou coisa semelhante.
10:15O que não deve acontecer, mas a gente entende o contexto social aí.
10:20Cara, foi maldade.
10:21Olha isso, gente.
10:23Ó, pegar uma pedra desse tamanho aqui e destruir...
10:29Levaram o padrão de energia, levaram tudo.
10:35Então, assim, está completamente destruído.
10:37Onde o escritório...
10:39Quero mostrar para vocês aqui os computadores que nós daríamos curso aqui, ó.
10:43Levaram o padrão antigo e o novo.
10:45Olha aqui, olha aqui, ó.
10:51Destruíram.
10:52Onze anos.
10:54Onze anos de trabalho.
10:55Aqui mais de um ano.
10:58E ficou tudo aos pedaços, no vidro.
11:01Tudo que vocês possam imaginar.
11:02Então, assim, hoje é um dia que a gente duvida da crueldade, mas ela existe.
11:11Como se não bastasse, vocês podem perceber lá em cima, ó.
11:15Arrancaram as telhas, arrancaram o forro, arrancaram a louça sanitária.
11:20Destruíram mesas de computador que serviriam, talvez, para um curso para um filho dessa pessoa.
11:25Entende?
11:25Para um sobrinho, para o pai, para a mãe.
11:29E aí, hoje, a pergunta que fica engasgada é...
11:32Como é que a gente constrói um mundo melhor diante disso?
11:35Como é que a gente fecha uma casa de prostituição
11:39e cria um refúgio para pessoas que querem só trabalhar?
11:43Só querem um lugar para dormir, para comer com dignidade e trabalhar.
11:46Então, a reflexão desse sábado é essa.
11:51Nós não temos padrão de energia.
11:53Foi tudo roubado.
11:54Tudo roubado.
11:55E a gente faz o que agora?
11:58Continua acreditando no mundo melhor?
11:59Desiste?
12:00Fecha as portas?
12:01É a minha reflexão desse sábado.
12:04Gente, para gravar um pouco mais a situação,
12:07estão vendo aqui, ó,
12:09onde estaria os padrões de energia.
12:11Nós encontramos esse imóvel com um padrão monofásico,
12:16que é aquele padrão que não suporta uma construção desse tamanho.
12:20E aí, o investimento foi num trifásico,
12:22para poder dar conta disso aqui com dignidade.
12:24Então, eles cortaram a nossa energia no monofásico
12:27e roubaram os dois padrões.
12:30Entende?
12:30Eles colocam essa energia aqui.
12:31Ou seja, as pessoas não vão sequer conseguir trabalhar na reconstrução.
12:36Então, o que aconteceu aqui foi de uma gravidade, uma quadrilha.
12:40Bandidos, criminosos.
12:41Olha isso, gente.
12:43Aí, olha, não tem como alguém não ter visto o que aconteceu aqui.
12:50Sinceramente, eu não acredito nisso.
12:53A gente está contando com o apoio da prefeitura, de forma integral,
12:56dos órgãos de segurança.
12:58Olha aqui, ó.
13:00Não tem como alguém não ter visto, gente.
13:04Marechal é uma cidade ordeira.
13:05Olha aqui.
13:06Está fechado de indústria, de lavouros aqui do lado.
13:10A prefeitura tem nos dado um apoio fundamental,
13:12os órgãos de segurança, polícia militar, polícia civil.
13:16Mas veja só.
13:18Quem veio?
13:19Veio profissional.
13:20Veio uma quadrilha aqui para poder saquear o espaço e destruir o espaço.
13:27Então, assim, as pessoas que viram acionar as câmaras de segurança das empresas,
13:32nos ajudem.
13:36Esse local vai ser um local de acolhimento para refugiados.
13:41Entende?
13:43Não tem como a gente não punir pessoas dessa maneira
13:47e dar uma resposta para a sociedade.
13:50Então, as pessoas que estariam aqui em 30 dias trabalhando,
13:53agora não estarão mais.
13:56Isso prejudica as empresas, prejudica quem está chegando para trabalhar.
14:00Olha a maldade do negócio desse.
14:02Então, mais uma vez vou mostrar para vocês
14:05dois padrões de energia que foram levados,
14:08além dos fios puxados, arrebentados.
14:13Não tem como falar de uma destruição dessa.
Comentários