00:00E o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reuniu com Donald Trump e confirmou o primeiro encontro entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.
00:07Vamos entender essa história com o nosso Luca Bassani. Bem-vindo, meu amigo.
00:12Boa tarde a você, Evandro, a todos que nos acompanham aqui no 3 em 1.
00:15De fato, Zelensky também compareceu ao Fórum Econômico Mundial em Davos e confirmou que há os últimos detalhes para serem decididos sobre um suposto plano de paz.
00:26Inclusive, nós separamos a fala de Zelensky sobre esse assunto. Vamos acompanhar.
00:32Nos reunimos com o presidente Trump. Nossas equipes estão trabalhando quase todos os dias. Não é simples.
00:39Os documentos destinados a por fim a esta guerra estão quase, quase prontos. E isso é realmente importante.
00:46Pois é, Zelensky depois confirmou que haverá o primeiro encontro trilateral entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos ainda nesta semana
01:01e que terá a presença dos enviados especiais do presidente Donald Trump, seja Jared Kushner, o seu genro, seja também Steve Witkoff,
01:09que trata de diversas questões também no Oriente Médio.
01:12A expectativa é que isso possa ser anunciado antes do próximo aniversário da guerra, no 24 de fevereiro desse ano 2026.
01:20Quatro anos de um conflito que tem sido o mais letal no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
01:26Obviamente que a gente vai ficar de olho em todas essas movimentações, Zelensky também alfinetou as lideranças europeias,
01:33dizendo que em um ano, do último discurso que ele fez em Davos para este de hoje, nada mudou.
01:38Ou seja, criticando a inação dos seus parceiros dentro do continente europeu.
01:43Agora, Luca, falando um pouquinho sobre Groenlândia, a OTAN e a Dinamarca disseram que não ofereceram soberania daquele território aos Estados Unidos.
01:50Exato. Ambos os países, digo, ambos os lados, tanto a própria OTAN quanto a Dinamarca disseram que há negociações
02:02que tramitam com o presidente Donald Trump sobre ampliação de bases militares dos Estados Unidos no território,
02:09até mesmo empresas americanas participarem mais ativamente da extração de minerais críticos,
02:14mas a soberania não está em jogo, isso também reafirmado pelo próprio premier groenlandês, o Jens Friedrich Nielsen,
02:25que afirmou que essas questões serão decididas apenas com Copenhague e com o aval dos próprios groenlandeses.
02:33Todavia, o governo ainda mantém o alerta alto e pediu, inclusive, para a população estocar comida
02:39numa eventual incursão norte-americana, apesar do presidente Donald Trump descartar essa possibilidade por hora.
02:46Obrigado, viu, Luca Bassani, bom trabalho para você.
02:48Ô, Langane, o que Zelensky tem dito é que há também um desequilíbrio entre a maneira como o Trump lida com a Venezuela
02:53e o ditador venezuelano Nicolás Maduro e, digamos, de uma maneira mais simples aqui, mais didática para quem nos acompanha,
03:01o paninho que ele tem passado para o Vladimir Putin lá na Rússia.
03:05É, veja, né, aí é a lei do mais forte, né? Obedece quem tem juízo, manda quem pode.
03:12Dá para comparar as forças de um líder venezuelano e do líder russo? Provavelmente não.
03:17Você sabe que no mundo de hoje, Evandro, basicamente, se você quiser um respeito, né, de uma superpotência,
03:24que uma superpotência não mexa com você, você precisa, sabe do quê? De arma nuclear.
03:28A verdade é essa, né? A Coreia do Norte, ninguém mexe com a Coreia do Norte.
03:31A Índia também, ninguém mexe com a Índia, ninguém mexe com o Paquistão, que também tem arma nuclear.
03:37Então, veja, né, é claro que os Estados Unidos com a Venezuela, eles têm uma postura.
03:42Agora, com a Rússia, vai ter uma postura completamente diferente, né?
03:46Porque se Estados Unidos e Rússia entrarem num conflito, é o fim da humanidade, né?
03:50Porque daí um fala, né, bom, eu tenho capacidade de destruir o planeta 20 vezes,
03:55o outro fala, não, eu tenho 30, mas não importa, basta uma vez.
03:58Então, é uma situação muito mais difícil de se resolver, não dá pra ir lá e tentar matar o Putin,
04:05o que é pior, né? Aliás, tentaram, né, atacar a residência, né, no final do ano, a residência do Putin.
04:13O que é pior, se cai o Putin, você não sabe quem é que vem no lugar do Putin.
04:17Você pode ter um primeiro-ministro, um presidente muito mais agressivo que o Putin, né?
04:24E que até use arsenal nuclear, enfim.
04:27Então, é claro que são situações bem diferentes, são causas muito diferentes também, não dá pra comparar.
04:34E eu vejo que a Ucrânia não tem como sair vitoriosa dessa guerra, Evandro.
04:40Ô, Mano Ferreira, e você entende que há outra alternativa para...
04:43Agora, há alguma alternativa para Volodymyr Zelensky, se não jogar a culpa nos outros líderes mundiais,
04:49pelo, digamos, pela inércia em relação ao conflito na Ucrânia e Rússia?
04:54Ou ele poderia fazer algo?
04:56De um ponto de vista militar, né, ele e o povo ucraniano estão fazendo tudo que está ao alcance.
05:01Até porque essa guerra, do ponto de vista da Ucrânia, é uma guerra de sobrevivência.
05:05É sempre importante lembrar, se a Rússia para de atacar, a guerra acabaria.
05:11Se a Ucrânia parasse de se defender, a Ucrânia é que acabaria, e não a guerra, né?
05:17Então, não tem muita opção, do ponto de vista do Zelensky, ele está numa condição de fragilidade.
05:23Agora, ele tem a favor dele a ideia de que Putin achava que acabaria com esse conflito em duas semanas.
05:32E nós estamos há vários anos passando por essa circunstância, ou seja, a capacidade de resistência do povo ucraniano já está mais do que provada.
05:43Mas como sair dessa situação?
05:46Essa é a grande questão, é o grande desafio e o que resta a Zelensky é tentar ter apoio de outros países.
05:53O Acácio Miranda, o que o Volodymyr Zelensky diz é que Maduro será julgado e Putin não.
05:58E no fundo, ele tem razão. Nicolás Maduro e Putin são frutos de uma mesma semente.
06:06A semente da ditadura, da autocracia, da inobservância dos direitos humanos e da imposição da força sobre o diálogo.
06:16A diferença é, como o Alain Ben disse, que a força do russo é muito maior que a força do venezuelano.
06:24E também há uma questão de região, há uma questão histórica, há outros elementos que tornam Vladimir Putin mais forte.
06:33Alguém mais intocável. Mais do que força, eu acho que neste contexto, é o fato dele ser intocável.
06:40Obviamente, também, há uma questão relacionada ao interesse econômico.
06:45Por mais que, e eu já disse isso aqui publicamente, eu defenda a ação dos Estados Unidos em relação a Nicolás Maduro,
06:53o ideal seria que no dia subsequente eles transmitissem o poder aos venezuelanos.
06:58Ou esperassem um tempo de maturação para que as instituições venezuelanas se recuperassem.
07:05Na Rússia, talvez isso fosse um pouco mais difícil.
07:08Se nós olharmos para a história do povo russo, eles viveram quase que todo o tempo sob a égide de uma autocracia ou sob a égide de uma ditadura.
07:19Então, há um pouco menos de cultura em relação a esse povo.
07:23Mas a diferença é essa. É a força e ponto final.
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