00:00É muito triste a situação que aconteceu com essa família aqui, a família da dona Laís Machado.
00:06De acordo com uma nota emitida pela Prefeitura de Ananideu, já são 37 casos registrados no município pela doença de Chagas
00:14e até o momento foram três mortes registradas.
00:18E uma dessas mortes, nós estamos aqui com a familiar de uma das vítimas, a dona Laís Machado.
00:25Ela vai nos contar como é que ela se sente a respeito dessa situação.
00:30Boa tarde para você. Como é que você se sente sendo vítima dessa situação, sabendo que a sua irmã morreu por conta de uma negligência da Prefeitura de Ananideu?
00:41Então, boa tarde a todos, boa tarde a você.
00:45Então, é muito difícil para a gente hoje se encontrar numa situação dessa que a gente nem imaginava.
00:52Porque minha irmã já tinha um tempo que ela já vivia sentindo esses sintomas, depois que ela consumiu o açaí.
00:59Ela ia para a UPA, idas e vindas da UPA, ninguém olhava para ela.
01:03Eu acompanhei várias vezes a gente pedindo uma internação para averiguar, um exame para ver.
01:08Eles só falavam que era virose, que era virose.
01:11Mandava para casa, tem inúmeras receitas de remédio que nada fazia efeito.
01:15Então, até o belo dia que ela se encontrou com uma dificuldade de respirar e mesmo assim eles não quiseram internar, eu tive que brigar.
01:25Tive que, em assistente social, eu movia aquela UPA inteira da Cidade Nova para internar ela.
01:30Queriam mandar meu pai para casa também, sendo que ele estava com os mesmos sintomas, dores abdominais, febre alta, pés inchando.
01:37Cada dia, idam da UPA, era inchava mais ainda e nada fizeram.
01:42A negligência total deles, sabendo de onde a gente estava falando, de onde eles tinham tomado, nada fizeram.
01:49Aí, a vigilância foi omissa, poder lá, público omisso, porque, tipo assim, ninguém fez nada.
01:57No caso, o estabelecimento comercial de onde a sua irmã teria comprado o açaí demorou muito ainda para ser fechado, depois já tendo sido registrados casos de morte.
02:09Sim, foi registrado morte de um rapaz, mesmo assim, continuou aberto, a vigilância não foi em cima.
02:15Você acredita que tenha sido uma negligência da Vigilância Sanitária Municipal de Ananideu?
02:19Negligência da Vigilância Sanitária, negligência da UPA, que nada fizeram, só mandava a menina para casa.
02:24Tem testemunha, todo mundo que levaram, a gente chamou o SAMU, a ambulância, tudo, nada de levar.
02:29Falava que ela precisava, não estava andando para poder levar, para ser internada, não tinha leito para internar.
02:36Ela ficou, tipo, da sexta-feira do dia 9, lá naquela UPA, eu pedindo uma transferência e nada fizeram,
02:43dizendo que não tinha leito, que não tinha leito, que tinha que aguardar, que aguardar,
02:47e até que ela foi entubada, por não conseguir mais respirar, e no dia 13 a gente teve a péssima notícia que ela veio a óbito.
02:55Aí que eles conseguiram, mediante isso, conseguiram transferir meu pai, que hoje se encontra num hospital, na UTI, não consegue.
03:02Então, além da sua irmã ter sido infectada e infelizmente faleceu por causa dessa situação,
03:07o seu pai ainda se encontra na mesma situação e está hospitalizado?
03:10Sim, meu pai se encontra hoje, um idoso de 73 anos, se vê numa situação que você entra na UTI,
03:18você tem que se conter, porque não pode contar da filha o que aconteceu.
03:22Ele pergunta todo dia, ele está conversando, mas está meio desorientado, está lutando pela vida.
03:27Até o momento ele não sabe da morte da filha?
03:31Não sabe, os médicos falaram que não pode saber, que ele pode ter uma parada,
03:34tem que tentar estabilizar o quadro, e ele pergunta todo dia.
03:39Eu tenho que estar falando que está bem, que está no hospital, tem que criar força de onde não tem,
03:44porque não pode passar para ele a situação, que ele pode vir a óbito também.
03:48Luísa?
03:49Muito triste essa situação, você fica aqui um instantinho com a gente.
03:52Eu vou com vocês aí no estúdio, a Genoa, você tem alguma pergunta sobre esse caso?
03:57Luísa, a gente já começa pela negligência, infelizmente, né?
04:00A prefeitura de Ananideua foi negligente com essas famílias,
04:04onde até então existem pessoas que estão se recuperando no hospital,
04:08quanto também existem pessoas que não estão mais aqui,
04:10porque morreram pela falta de fiscalização, pela negligência.
04:14Em algum momento, esta mulher já foi procurada pela vigilância sanitária,
04:20pela Secretaria de Saúde do município de Ananideua,
04:23ou mesmo pela ação social para saber, para ter algum apoio,
04:28ou mesmo um acolhimento junto a esta família e as outras famílias
04:31que perderam seus entes queridos devido a essa doença que foi transmitida
04:35pela doença de Chagas?
04:40Queria perguntar aqui, em algum momento a vigilância sanitária municipal de Ananideua
04:46ou então até do hospital municipal de Ananideua,
04:52algum desses órgãos públicos já chegaram em algum momento até você para falar alguma coisa?
04:57Não, ninguém. A UPA não se manifestou, pediu os prontuários do que ela estava tomando,
05:03nada, falaram, para que você quer o prontuário?
05:05Falei assim, porque eu estava com a minha irmã e eu preciso saber o que ela estava tomando,
05:09o que foi feito aqui, porque ela entrou aqui com falta de ar,
05:13disseram que estava fazendo o que tinha que fazer,
05:16que não tinha leito, tinha que esperar liberar um leito,
05:19e nada foi feito e até ela chegar nisso de ter a parada e faleceu.
05:25A vigilância não procurou, que é eu que estou na linha de frente, não me procurou,
05:29ninguém me procurou, a não ser vocês da reportagem,
05:32para poder eu me pronunciar do que estava acontecendo,
05:35senão seria mais um caso despercebido aí no município de Ananideua.
05:39Com certeza, e hoje você está aqui no cemitério,
05:43porque fazem quantos dias que a sua irmã já partiu?
05:46Sete dias, hoje sete dias, a gente veio trazer flores para ela,
05:51porque foi na terça-feira passada, hoje sete dias de muita dor.
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