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O especialista em gerenciamento de riscos Gerardo Portela analisou no Jornal Jovem Pan as semelhanças entre o incêndio em um bar na Suíça e a tragédia da Boate Kiss, no Brasil. Segundo ele, fenômenos como flashover e flash fire ajudam a explicar a rápida propagação do fogo em ambientes fechados, elevando o número de vítimas e dificultando a fuga. O caso europeu já deixou dezenas de mortos e mais de cem feridos.
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Transcrição
00:00Ainda sobre esse incêndio, eu quero chamar agora uma entrevista com o Gerardo Portela.
00:06Ele é especialista em gerenciamento de riscos e ele vai explicar pra gente alguns fenômenos
00:11como o flash over e o flash fire, que representam alertas sobre os riscos de incêndio
00:16justamente em ambientes fechados.
00:18Gerardo, boa noite. Obrigada por conversar com a gente nessa edição do Jornal Jovem Pan.
00:23Queria já começar te perguntando mesmo sobre essa linha que a gente ouvia agora
00:28do nosso repórter Luca Bassani, do fogo atingindo objetos inflamáveis no teto,
00:34muito parecido como ele mesmo citou com um episódio nosso, muito triste também brasileiro, da Boate Kiss.
00:41É verdade, Beatriz, boa noite. Todos que nos acompanham pela Jovem Pan.
00:47Sim, as imagens são muito impactantes e parece fazer um relembrar de uma tragédia
00:54que marcou tanto o nosso país e uma tragédia que tem se repetido.
01:00Se nós formos levantar dados históricos, nós vamos verificar que são mais de 20 casos,
01:08muito mais até, de incêndios em casas noturnas ao longo de muitos anos,
01:15desde a década de 40, alguns muito famosos, como nos Estados Unidos, né?
01:24A gente teve Rhode Island com um problema também de incêndio em casa noturna, em 2003.
01:33Em 2013 nós tivemos a Boate Kiss e alguns elementos se repetem.
01:38Por exemplo, o uso de materiais com chama aberta, ainda que sejam focos de artifício,
01:46mesmo que se diga que eles são para uso interno, uso em dó,
01:51é difícil checar se realmente é ou não é, às vezes há muita falsificação,
01:58e no momento da comemoração de uma celebração, muitas vezes as pessoas estão alcoolizadas,
02:03elas acabam se excedendo.
02:04E esse elemento esteve presente, por exemplo, na Boate Kiss e nessa catástrofe que aconteceu lá na Suíça.
02:14Também é importante lembrar que houve o contato, aqui na Boate Kiss e também lá,
02:20desse material, das centelhas, do calor, com o próprio revestimento do teto.
02:27E aí tem vários tipos de revestimentos que podem ser utilizados.
02:31Eles também são especificados para, em teoria, quando ele é especificado,
02:39então com certeza ele vai ser resistente ao fogo, ele não vai propagar o incêndio,
02:43vai evitar isso que a gente viu, que é esse fenômeno de explosão, vamos dizer assim,
02:52de maximização das chamas, que faz aquele espalhamento da chama muito, uma queima instantânea.
02:59Então, esse sistema, esse fenômeno que acontece rapidamente, ele precisa ter um material inadequado.
03:10Porque se o material for autoextinguível, você não vai ter essa condição da propagação tão rápida do incêndio
03:18na parte de revestimento, que muitas vezes precisa ser isolante térmico e também acústico.
03:25E aí é que entra o problema.
03:27Se não chamar um profissional que conheça os materiais e a especificação técnica,
03:33então pode acontecer, sim, um erro e o uso de materiais inadequados.
03:40Como, por exemplo, a gente vê no Brasil muito usado o isopor.
03:44E o isopor é um dos piores materiais para esse tipo de revestimento.
03:49É os mais inseguros, porque ele emana gases tóxicos que podem matar pela simples fumaça
03:55e, ao mesmo tempo, esses gases também são emitidos, gases inflamáveis, que alimentam a própria chama.
04:04Então, quando a gente vê aquele clarão ali, há informações de que o revestimento era de madeira,
04:10mas eu questiono bastante se não tinha ali ou material de polimento ou outros materiais,
04:17porque a característica da chama é de que ela está sendo alimentada por algum material que não é autoextinguível.
04:23A própria madeira não é, mas ela não queimaria assim de forma tão rápida.
04:28Então, todos esses elementos, ainda mais a questão de dificuldade de escape e abandono.
04:33Muita gente em um local pequeno, com uma saída só, com poucas saídas mal sinalizadas.
04:38Tudo isso leva a um número de fatalidades tão alto e com tanta repetição dessa situação.
04:46Uma casa noturna, um festival pirotécnico, um showzinho pirotécnico,
04:53um revestimento de forro inadequado, rotas de fuga ruins
04:59e você tem a tragédia se repetindo várias vezes ao longo de décadas.
05:04Vou chamar também o Gerardo Adora Kramer para falar com a gente sobre esse assunto.
05:09Dora, também tem uma pergunta, né?
05:12Boa noite, Gerardo.
05:13O seu relato é impressionante, porque pelo que a gente vê,
05:17quer dizer, quando você lê a história, material inadequado,
05:21rota de saída insuficiente,
05:25uso de material inflamável,
05:31tudo isso nos mostra que é evitável, tá certo?
05:36E aí acontece nas tuístas.
05:38Tuístas, pra nós aqui, a gente sempre é um padrão de qualidade.
05:44O que que acontece?
05:45Porque nenhuma casa noturna quer que aconteça isso.
05:49Evidentemente que pra casa noturna também é péssimo.
05:53Não tem uma fiscalização.
05:55Por que que isso acontece nessa medida em que você nos relata?
06:00Eu não sabia que era tão comum assim.
06:02Achei, eu realmente colocava no rol, sabe?
06:07Das fatalidades pontuais.
06:09Mas o que você nos relata não é bem assim, né?
06:13Não é, Dora.
06:14É uma satisfação estar aqui falando com você, nessa conversa.
06:18A nossa intenção é justamente mostrar que não é um acaso,
06:24não é uma fatalidade.
06:26Sempre existe uma causa, sempre existe um efeito.
06:30E nesse caso específico, é um cenário típico que tem esses elementos.
06:35Se esse cenário se repetir, não importa em que país for,
06:39por mais que a gente espere que não aconteça,
06:41mas se houver lá material inadequado,
06:44uso de chama aberta,
06:46confinamento sem rotas de fuga,
06:49você vai ter a grande probabilidade de acontecer uma tragédia.
06:53Fatalidades.
06:54Agora, quando você tem uma rota de fuga,
06:56você consegue tirar as pessoas,
06:57você tem um incêndio,
06:58mas nem sempre tem tantas fatalidades.
07:01Mas se você tira,
07:03inclui a rota,
07:04não tem rota de fuga,
07:06então é um erro.
07:06A mesma coisa se você tira o sinalizador
07:10e você tira a chama aberta,
07:12você não tem um incêndio.
07:14E se você não tem um material inadequado,
07:16também você não tem um incêndio.
07:17Mas esses três elementos
07:19têm causado,
07:21sistematicamente, ao longo de décadas,
07:24várias tragédias.
07:25E aí por que a gente vê isso acontecer
07:28num país que tem cultura de segurança,
07:30que é na Europa, na Suíça,
07:32e acontece no Brasil também,
07:35e aí nós vamos ver o que acontece
07:36no mundo inteiro.
07:37Se esses relatos de dados técnicos
07:39são facilmente levantados,
07:42a gente vai ver aí
07:42o que acontece nos Estados Unidos,
07:44na Europa, no Brasil,
07:46em países mais pobres,
07:47em países mais ricos,
07:49não importa.
07:50Se você tem esse cenário,
07:52ele vai gerar um risco maior
07:54dessa tragédia se repetir.
07:57E a fiscalização é importante
07:58e também a legislação.
08:00Nos Estados Unidos,
08:01nós temos um regramento muito forte
08:03que é aplicado no país todo,
08:04que é a National Fire Protection Association,
08:07impõe esse regramento.
08:08No Brasil, nós temos boas regras da BNT,
08:11mas em 2017,
08:12um decreto dito para melhorar
08:17as condições de segurança,
08:19na verdade,
08:20desobrigou as instalações
08:23de seguirem a BNT,
08:27porque nós não temos um código nacional
08:29para estabelecer regramentos
08:31bem semelhantes
08:33para todo o país.
08:35Na verdade,
08:36tem Estados que aceitam o uso de isopor,
08:38outros que proíbem.
08:40Então, geralmente,
08:41os Estados que proíbem
08:42é porque já tiveram um evento acidental.
08:44Ou seja,
08:44o aprendizado do Rio Grande do Sul
08:46não serve para o Rio de Janeiro,
08:47não serve para São Paulo.
08:49Então,
08:49é uma pergunta que a gente faz,
08:51porque lá,
08:52no Rio Grande do Sul,
08:53não se usa mais isopor.
08:54Mas, em outras regiões do Brasil,
08:56a gente usa e muito,
08:58inclusive estabelecimentos comerciais
09:00e escolas,
09:03que é um produto que pode gerar
09:05isso que a gente viu aí
09:06como outros vários produtos.
09:08É muito importante,
09:09para finalizar,
09:09eu digo o seguinte,
09:10querer segurança,
09:11todo mundo quer.
09:12Alcançar é técnica.
09:13Então,
09:13se você é dono de uma instalação
09:16que oferece esse serviço
09:17nessas condições,
09:19você precisa procurar um profissional
09:20para saber se você realmente está seguro,
09:22se você está usando os materiais certos.
09:24E se você é usuário,
09:25quando entrar,
09:27observe em primeiro lugar,
09:28tem outra saída?
09:30Porque você não pode contar
09:31só com a mesma porta
09:33que você entrou,
09:34porque se o incêndio acontecer
09:35entre você e a porta,
09:36você vai ficar preso.
09:38Então,
09:38você observa,
09:38você tem chama acesa,
09:40isso não é bom.
09:41Mesmo que sejam aquelas velinhas
09:42em cima da água,
09:43ali pode,
09:44a toalha e outras coisas
09:46podem pegar fogo.
09:47Então,
09:47esses cuidados
09:48precisam ser também divulgados.
09:51Gerardo,
09:52para a gente encerrar,
09:53a gente está conversando
09:54com o Gerardo Portela,
09:55que é especialista
09:55em gerenciamento de risco
09:57sobre esse incêndio grave
09:59que ocorreu na Suíça
10:01durante festa de Réveillon,
10:02muito similar
10:03ao que a gente viu
10:04aqui na Boate Kiss,
10:05no sul do país,
10:06há alguns anos.
10:07queria que o senhor
10:09explicasse um pouco
10:09para a gente
10:10sobre esses fenômenos
10:11que a gente citou
10:11no início.
10:13O senhor disse
10:13que tem uma fusão
10:15de dois fenômenos,
10:16até com nomes
10:17ali em inglês,
10:18para acontecer
10:19esse espalhamento
10:20tão rápido das chamas,
10:21porque esse também
10:21é um fator que contribui.
10:23Não é só o fogo,
10:24realmente é um fogo
10:25que se espalha
10:26em uma velocidade
10:27mais rápida
10:29do que a gente está
10:30acostumado
10:30em casos
10:31diferentes,
10:33em outros tipos
10:34de incêndio
10:34que acontecem.
10:36Sim, estamos falando
10:38do flash over
10:39e o flash fire.
10:41São nomes técnicos,
10:43mas eles,
10:44é fácil explicar,
10:45eu vou explicar.
10:46A gente está acostumado
10:47a ver
10:47um papel queimar,
10:49o fogo do fogão,
10:52uma churrasqueira,
10:53é uma queima
10:54mais ou menos
10:55num ritmo
10:55mais ou menos
10:56que as pessoas
10:57em geral conhecem.
10:59Mas tem algumas substâncias
11:01e se elas forem
11:03armazenadas
11:04ou materiais
11:05usados
11:06indevidamente
11:07que a queima
11:08produz
11:10uma chama
11:10muito rápida
11:12e muito
11:13com energia
11:15muito
11:16intensa
11:17de temperatura
11:18altíssima.
11:20E esses materiais
11:21às vezes
11:22são bons
11:22para isolamento
11:23térmico,
11:24para isolamento
11:25de sol,
11:26mas não são
11:27convenientes
11:28por causa
11:28do risco
11:29de incêndio.
11:30E qualquer calor
11:31que ali aconteça
11:33vai deflagrar
11:33uma chama
11:34inicial.
11:34E se a temperatura
11:36subir muito
11:36no ambiente,
11:38todo esse material
11:39acaba entrando
11:40na temperatura
11:41de ignição
11:42num momento
11:43só.
11:44Parece até
11:44uma explosão.
11:46Na verdade,
11:47é uma queima
11:49quase que simultânea
11:50de todo,
11:51por exemplo,
11:51aí no caso,
11:52de todo o forro
11:53que é o teto
11:55do local.
11:56Esse é o fenômeno
11:57que a gente
12:00chama de
12:01over,
12:02que é a situação
12:03flash over,
12:05a chama
12:05acima do normal,
12:07que ela queima
12:08acima do normal
12:08instantânea.
12:09Precisa ser um local
12:10confinado,
12:11com a temperatura
12:12muito alta
12:13e de repente
12:13queima todo o teto.
12:14Essa é a situação
12:16do flash over.
12:18Já o flash fire,
12:20já numa segunda etapa,
12:22o sistema de gás
12:23pode ser atingido
12:24e liberar gás
12:24ali para dentro,
12:25ou então as próprias
12:26partículas de materiais
12:28combustíveis ali
12:29no meio daquela
12:30daquela convecção
12:32de gás ali dentro,
12:33ele pode guinitar,
12:35fazendo uma espécie
12:36de explosão
12:36meio abafada.
12:38Não é uma explosão
12:39plena,
12:39é uma explosão
12:40abafada,
12:41porque ela não gera
12:42ondas de choque
12:43que vão destruir
12:43a estrutura do prédio,
12:45mas sim só o barulho
12:46e a queima instantânea,
12:48piorando a situação
12:49do incêndio.
12:50Esse outro
12:51é o flash fire.
12:53São nomes técnicos,
12:54mas são fenômenos
12:55que acontecem
12:55justamente por causa
12:56daqueles três elementos
12:57que eu falei do cenário,
12:58que são uma fonte
13:00de calor aberta,
13:02de chama aberta,
13:03materiais inadequados
13:04e falta de rota de saída.
13:06Então você tem ali
13:07a chance de ter vítimas
13:08por esses fenômenos.
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