00:00Nós conheceremos a história de superação, a história da celebração da vida do adolescente João Pedro.
00:08Ele tem 14 anos de idade e foi o primeiro adolescente a realizar na Paraíba um transplante cardíaco pediátrico da história.
00:20Quem conversa com a gente agora ao vivo no nosso programa é Carla Araújo.
00:25Ela é a mãe de João Pedro, que realizou esse transplante cardíaco pediátrico já no final do ano de 2025.
00:35Muito obrigado por aceitar o convite e estar hoje com a gente.
00:38Carla Araújo, mãe de João Pedro, adolescente de 14 anos de idade.
00:43Seja bem-vinda aqui ao programa Olho Vivo. Boa tarde.
00:48Boa tarde e um feliz ano novo a todos.
00:50Eu ainda me emociono bastante em falar sobre tudo o que aconteceu com a gente, mas hoje é só alegria, hoje eu só tenho que agradecer a Deus, primeiramente a Deus e a todos os envolvidos.
01:08A família que aceitou a doação, também agradecer a equipe do Metropolitano que acompanhou ele e que vem acompanhando também o pós-operatório dele, que pela graça de Deus está sendo um verdadeiro sucesso.
01:26Hoje a gente celebra a vida dele, ele passou, mesmo sendo adolescente, passou por tudo isso e sempre manteve, eu digo que ele é o meu milagre, porque ele sempre manteve um sorriso no rosto, sempre acreditou e teve fé que tudo daria certo e Deus é tão maravilhoso que deu certo sim.
01:49Carla Araújo, a senhora nos dizia que, de fato, essa história começa, não agora, em dezembro de 2025, mas ela começa lá em 2023.
02:01Queria que a senhora contasse pra gente e principalmente pra quem está acompanhando agora o programa.
02:05É, realmente, ainda me dói bastante falar, né, realmente 2023 é, eu devolvi, eu não digo que perdi, eu digo sempre que eu devolvi, porque os filhos, eu digo que eles são presentes de Deus na nossa vida, né, e eu devolvi uma filha a Deus.
02:29Então, depois, três meses, depois eu engravidei novamente, né, outra gravidez de risco também e tive outro bebê e em 15 dias a gente descobriu a cardiopatia de João.
02:47Então, dentro de 2023, que a gente vem, é uma luta atrás da outra, que é uma batalha atrás da outra, mas sempre confiante, sempre com fé, né, que tudo daria certo.
03:03E quando a gente entrega verdadeiramente nas mãos de Deus, tudo dá certo sim.
03:08Graças a Deus, hoje, a gente vive esse milagre, né, de ter o nosso filho com a gente, porque eu vi que ele não tinha mais, a gente nem ele tinha mais vida, porque era só em hospital, era só ver no sofrimento dele, né, e hoje ver meu filho recuperado, ver meu filho se recuperando bem, né, recuperando muito bem, graças a Deus.
03:34É um verdadeiro milagre pra gente, né, eu ainda me emociono bastante em falar sobre tudo que aconteceu comigo, né, com a nossa família.
03:47De fato, a gente tem dimensão do que a família vivenciou nesses últimos anos e, ao mesmo tempo, quando a senhora devolve a Deus, a bebê, tem que lidar, por exemplo, com essa realidade da doença, né, que o próprio João Pedro, ele é diagnosticado.
04:07Como foi pra senhora, enquanto mãe, pra família viver, né, ao mesmo tempo devolver a Deus aquela vida e, ao mesmo tempo, continuar lutando pela vida do primogênito?
04:19Eu digo que eu não tive tempo de viver o meu luto, eu não tive como viver o meu luto, porque eu não podia, eu tinha que ser forte, tinha que lutar pelo filho que eu tava esperando, né, e depois tive que lutar pela vida de João.
04:38Então, eu não tive tempo nem de pensar, sabe? Eu não tive tempo nem de pensar, sabe? Eu não pude viver o meu luto, porque eu não tive esse tempo.
04:47Mas Deus, nossa infinita bondade, né, me perdoem todos, ainda é muito difícil falar sobre esse assunto pra mim, porque, como eu tô falando, eu não tive tempo de viver o meu luto, né?
05:02E ainda dói, dói muito falar sobre isso.
05:08Quando eu descobri a cardiopatia de João, eu tive que começar outra batalha.
05:16Então, eu não podia fraquejar.
05:19Nenhum momento eu podia fraquejar, porque ele precisava me ver firme, me ver forte, pra lutar pela vida dele, né?
05:27E foi uma luta realmente muito grande, no sentido de tudo isso que a senhora já vivenciou e, ao mesmo tempo, a descoberta da cardiopatia e a luta pela vida, né?
05:43Mesmo tendo enfrentado tudo isso, a família continuou lutando pela vida.
05:48Quando a senhora descobriu, quando a família descobriu a cardiopatia, né, toda essa realidade do João Pedro, qual foi o caminho que a família trilhou até receber, por exemplo, a notícia de que ele deveria realizar um transplante?
06:05A gente começou o tratamento dele, né, ele foi encaminhado pro hospital, pro Metropolitano, e lá a gente começou o tratamento dele, né?
06:14Ele começou com, tomando sem remédio, mas não tava funcionando, né?
06:23Mesmo com toda a medicação, sempre o acompanhamento, mas sempre tava aumentando as dosagens do remédio, e mesmo assim ele não tava melhorando.
06:32Aí foi quando a doutora, as doutoras, né, a doutora Roberta e tal, falou pra gente que a, vamos dizer assim,
06:43a única solução que tinha era o transplante, ela falou bem assim, eu perguntei até pra ela se tinha outra alternativa, e ela falou que não,
06:53que pra ele, no caso dele, seria o transplante, né?
06:57Quando ela falou isso, é...
07:01Eu fiquei, seixão, porque eu pedi tanto a Deus a cura, né?
07:05Dele, e quando ela falou de transplante, eu sei o quanto é, eu não entendia bem sobre, mas eu sei o quanto é difícil conseguir, né?
07:15E também, eu penso logo na outra família, né?
07:20Porque, o que eu vou fazer?
07:24Eu rezava, pedia a Deus a cura do meu filho, mas quando ela falou em transplante, eu falei pra ela, eu digo,
07:29Doutora, eu não sei o que fazer, eu não sei nem como orar e como pedir a Deus agora, porque eu jamais vou desejar a morte de outra pessoa,
07:37e outra, eu sei o que é perder um filho, porque eu passei por isso.
07:43Então, eu sei o quanto dói.
07:46Você tem que ver um pedaço seu sendo deixado ali,
07:49porque eu digo que quando eu devolvi minha filha a Deus,
07:52mas um pedaço meu foi junto,
07:55porque
07:56eu não sou mais a mesma.
08:01Depois que você der uma filha a Deus, você
08:03não é mais a mesma.
08:06E mesmo assim, ela falou
08:07que eu tinha que orar
08:09pela família doadora, né?
08:11Então, foi isso que eu fiz.
08:14Eu comecei a rezar,
08:15pedir a Deus pela família, né?
08:17Doadora. E eu confio demais
08:19em toda a equipe do Hospital Metropolitano.
08:22Quando ela falou pra mim que a cura dele seria o transplante,
08:26eu confiei totalmente,
08:27porque a equipe é maravilhosa.
08:31Carla Araújo, então, antes do transplante,
08:34o João Pedro, ele fez uso da medicação,
08:37também passou por procedimentos, né?
08:40Foi implantado um cardio desfibrilador, né?
08:44No coração dele, justamente pra ter esse controle da arritmia.
08:47Mas houve, digamos que,
08:49essa determinação, que a cura realmente seria
08:52o transplante.
08:54A cura dele seria o transplante.
08:56Meu filho não tinha mais vida,
08:57porque ele não podia ir mais à escola,
09:00ele ia tomar banho,
09:02ele ficava cansado,
09:04ele era só deitado numa cama.
09:06Ele não tinha mais vida social,
09:08ele não podia sair mais com os amigos dele.
09:12Ele ficava cansado muito rápido.
09:13Ele se cansava rápido demais.
09:15Eu falo até com detalhes simples pra muitas pessoas, né?
09:19Você olhar a mão do seu filho,
09:21você vê as unhas clarinhas, normal, né?
09:24E quando eu olhava pras unhas do meu filho,
09:27eu via as unhas dele escuras,
09:29que é por conta da cardiopatia, né?
09:31As unhas dele ficavam roxas, roxeadas,
09:34e eu ficava desesperada sem ter o que fazer.
09:36Eu, muitas vezes, não dormia à noite,
09:39porque eu sei que a cardiopatia que ele tinha
09:44causava morte súbita.
09:46Isso os médicos já tinham me alertado.
09:48E eu tinha muito medo de perder meu filho, né?
09:50Eu passava as noites acordada,
09:52olhando se ele estava bem,
09:54às vezes eu chegava a acordar ele, entendeu?
09:57Pra eu ver se meu filho estava bem,
09:58se meu filho estava vivo.
10:00É muito angustiante, né?
10:02É uma coisa que eu não desejo pra mãe nenhuma
10:04passar por isso,
10:05porque pra mim foi muito angustiante.
10:07E hoje eu olho pras mãos dele,
10:09vejo as minhas dele, normal, né?
10:11E é um motivo de muita, muita alegria pra mim,
10:14muita, muita mesmo.
10:16E, como sempre, né?
10:18Agradecendo demais, demais mesmo,
10:20a família que doou, né?
10:22A família do Hélio,
10:24que o coração dele veio de pertinho, né?
10:27Veio de Santa Terezinha.
10:28E se Deus quiser permitir,
10:31logo a gente vai levar ele
10:33na casa dos pais, né?
10:36Da família que doou.
10:39E como foi pra senhora receber a notícia
10:42de que havia um doador compatível,
10:45um órgão compatível,
10:47pra realizar esse transplante do seu filho?
10:52Foi um...
10:52Eu digo que foi um lixo, né?
10:54Eu fiquei muito feliz, né?
10:57Porque eu sabia que ali era a cura, né?
11:01A cura dele vinha chegando.
11:02Mas, ao mesmo tempo,
11:05eu pensei na família do doador, né?
11:08E isso me abalou um pouco.
11:11Eu fiquei pensando na mãe,
11:13nos irmãos, né?
11:16Toda a família.
11:18Então, foi uma mistura de alegria
11:20pela vida do meu filho, né?
11:22Mas, ao mesmo tempo,
11:25eu fiquei pensando na outra família, né?
11:28Fiquei triste também pela perda
11:30da outra família, né?
11:33Porque eu, como mãe, né?
11:37Que passei por isso,
11:39eu sei o que a outra mãe também
11:41estava passando, né?
11:43Então, pra mim, foi um motivo
11:46de muita alegria ver meu filho bem, né?
11:48E, ao mesmo tempo,
11:51eu fiquei pensando demais, né?
11:53Triste pela outra família, né?
11:55Mas, Deus sabe em todas as coisas, né?
11:58Deus é perfeito em cada detalhe,
12:01eu falo, né?
12:02E eu peço muito,
12:04oro muito, né?
12:05Pela família que doou.
12:07Pra que Deus conforte o coração deles.
12:10Já tem o desejo no coração
12:11de conhecer a família, né?
12:13Do doador.
12:15O seu filho hoje carrega o coração, né?
12:18Desse doador leva também consigo
12:21um pouquinho dessa outra família.
12:23Então, imaginamos que seja realmente
12:25motivo de muita emoção.
12:27A gente tá vendo imagens do dia que
12:29João Pedro, ele recebeu alta
12:31do Hospital Metropolitano,
12:33em João Pessoa,
12:34no dia 12 de dezembro.
12:36Motivo de muita alegria, inclusive,
12:38pra toda a equipe médica
12:40do Hospital Metropolitano.
12:43Dom José Maria Pires,
12:45motivo de muita festa.
12:46foi o primeiro transplante cardíaco-pediático
12:49da história da Paraíba.
12:51Como foi pra senhora, como mãe,
12:53ver o seu filho,
12:54que estava com aquele problema de saúde,
12:58fez o transplante,
12:59recebeu alta,
13:00e que ia voltar pra casa
13:02pra ter uma vida normal?
13:03Como foi pra senhora?
13:04Eu fiquei muito, muito feliz mesmo,
13:08me ajoelhei,
13:09agradeci a Deus
13:10por dar uma segunda chance
13:13ao meu filho,
13:14dar uma nova vida pra ele, né?
13:17Agradeci demais a toda a equipe,
13:19agradeço demais
13:21a toda a equipe do hospital,
13:23porque são maravilhosos.
13:26Eu tive que ali,
13:28aquele hospital,
13:29todos os profissionais
13:31trabalham com muito carinho,
13:32com muito amor,
13:33e meu filho foi muito,
13:34muito bem tratado,
13:36e ainda está sendo, né?
13:38Porque ele está sendo acompanhado
13:39lá no Metropolitano, né?
13:43E a equipe sempre se preocupa,
13:47sempre está perguntando
13:48como ele está,
13:49sempre está entrando em contato
13:50comigo,
13:51tanto a coordenadora do transplante,
13:53Patrícia,
13:54como também as médicas, né?
13:56Que acompanham,
13:56a doutora Roberta Tawani,
13:58que acompanham ele,
13:59sempre estão perguntando
14:00como ele está,
14:01sempre estão mandando mensagem
14:02pra mim,
14:03e ele está fazendo também
14:04o acompanhamento lá, né?
14:07E os exames e tudo.
14:08Então,
14:09eu só tenho a agradecer
14:11a Deus, né?
14:13Primeiramente,
14:14e a todos os que nos ajudam.
14:17De fato,
14:18uma história de superação.
14:20O que Carla Araújo,
14:23mãe de João Pedro,
14:24diante de tudo isso
14:25que a senhora já vivenciou,
14:26que superou,
14:28ressignificou,
14:29acho que essa é a definição,
14:31diria,
14:32a tantas famílias
14:33que estão agora,
14:34nesse início de ano,
14:36olhando,
14:36talvez vivenciando
14:37essa mesma realidade
14:38da sua família,
14:40da fragilidade de saúde,
14:42da dificuldade,
14:43alguém que,
14:43por exemplo,
14:44pode ter recebido
14:45um diagnóstico,
14:47alguma realidade
14:48de saúde.
14:49O que é que você,
14:50Carla Araújo,
14:51na autoridade de mãe,
14:52de alguém que passou por isso,
14:53que hoje está celebrando
14:55a vida,
14:56diria a tantas pessoas
14:57que estão acompanhando
14:58agora o programa?
14:59Eu digo que nunca
15:00percam a fé,
15:02sempre acreditem,
15:05orem e peçam a Deus,
15:06porque Deus é um Deus
15:07de milagre.
15:08Um fato que aconteceu
15:09bem,
15:11assim,
15:11que me deixou muito,
15:12muito emocionada,
15:13e ali eu vi totalmente
15:15o poder de Deus
15:15na minha vida.
15:17Minha filha faleceu
15:18no dia 24 de agosto,
15:22me perdoa,
15:23no dia 24 de setembro.
15:28E ali,
15:28quando eu entrei
15:29na UTI,
15:30para me despedir dela
15:32e devolver ela a Deus,
15:36eu deixei um pedaço
15:38de mim ali, sabe?
15:39E Deus me fez
15:41voltar no hospital,
15:44porque meu filho,
15:45no dia 24,
15:46ele estava internado,
15:48e todos os dias,
15:4924 para mim,
15:50são difíceis,
15:52porque a gente relembra
15:55tudo que a gente viveu,
15:56né?
15:57Parece que vem tudo
15:58à tona de uma vez,
15:59então eu sempre fico
16:00muito triste,
16:01muito chorando,
16:01e quando eu cheguei
16:02no hospital para visitá-lo,
16:03na UTI,
16:04eu estava bem triste,
16:06né?
16:07E chorando bastante,
16:08a psicóloga veio até
16:09conversar comigo,
16:11e eu falei para elas isso,
16:12né?
16:12que o dia 24 para mim
16:13é muito difícil,
16:16e que eu tive que fazer
16:17tudo novamente,
16:19né?
16:20Vestir a roupa,
16:21aquelas roupas,
16:23roupas,
16:23para entrar na UTI,
16:26e ver a cena,
16:27né?
16:28Deu me despedindo
16:29de minha vida,
16:30e quando eu entrei
16:32de novo lá,
16:33e eu vi meu filho
16:34com vida,
16:35meu filho bem,
16:36ele falou comigo,
16:38né?
16:40Eu vi ali
16:41o quanto Deus
16:42é maravilhoso
16:43na minha vida,
16:44né?
16:44O quanto Ele é poderoso,
16:46porque já não é
16:48mais um dia
16:48tão triste para mim,
16:50porque eu entrei
16:51para me despedir,
16:52eu entrei e vi morte
16:54no dia 24,
16:56mas na mesma data,
16:57Deus me fez
16:58reviver tudo,
17:00entrar na UTI
17:01e ver vida,
17:03ver meu filho com vida,
17:04então ali para mim,
17:06eu só digo
17:07que nunca percam
17:07minha gente,
17:08nunca percam a fé,
17:09acreditem,
17:10porque Deus faz milagres,
17:12só creiam.
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