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  • há 2 dias
O artista natural de Cachoeira dos Índios, permeia pelas artes plásticas, cinema, teatro, desenho e pintura, e explica que sua produção nasce da necessidade de comunicar sentimentos que transcendem o discurso verbal.

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Transcrição
00:00O que motivou você a desenvolver trabalho no campo da ciência, da arte cênica, da dança, da pintura, do desenho, da arte plástica?
00:12Então, eu acredito que a gente se expressa de várias formas, né?
00:18Então, no caso, artisticamente falando, eu acho que quando a gente não consegue se expressar mais com palavras,
00:26a arte, ela é uma forma dessa expressão.
00:28Então, ela meio que transborda essa questão da arte cênica, de trazer histórias, de contar histórias, de encenar para o público.
00:40É uma forma de contar algo que eu não consigo contar só falando.
00:46Eu tinha que trazer, de alguma forma, para o público.
00:49Os desenhos também, as pinturas minhas, elas retratam algo, algum sentimento que eu sinto em relação à nossa cultura, né?
00:59Em relação às minhas vivências, que as pessoas também se identificam quando elas veem.
01:06Então, eu acho que essa necessidade que a gente tem, enquanto artista, de expressar aquilo que sente.
01:14Não só com palavras, mas, eu costumo dizer, quando bate a inspiração, o artista tem que colocar para fora.
01:23Um poeta, ele, por mais que ele não comercialize a poesia dele, por mais que ele não mostre a ninguém,
01:29mas, eu tenho certeza que, nas horas vagas, ele escreve, nem que seja para colocar para fora aquilo que ele sente.
01:37Porque, se ele é autodidata e ele é poeta, em algum momento, ele vai ter que colocar para fora.
01:42Aí, o músico, o cantor, por mais que ele não seja profissional, não viva daquilo,
01:48mas, de alguma forma, ele desenvolve aquela arte e coloca ela para fora.
01:51Então, eu acho que, mais ou menos, foi isso que aconteceu comigo.
01:55E aí, se sente realizado, independente de que haja alguma questão comercial ou não, mas aí há uma realização.
02:04Sim, com certeza.
02:05Eu, só recentemente que eu vi, ver a arte como uma forma de ganhar dinheiro, digamos assim, no campo da pintura.
02:15Nesses outros campos, eu faço realmente porque eu gosto, mas, na questão das pinturas em telas,
02:23começou a ter procura muito grande.
02:25Todo mundo perguntava, quanto é?
02:27Tu vendo, tu faz por encomenda?
02:28E eu não fazia, eu só fazia porque era, tipo, uma forma de me expressar.
02:33E aí, depois, foi que eu fui me ligando de que, realmente, eu poderia trabalhar com isso, mas, já muito tarde.
02:40Era certo.
02:41Eu não enxergava isso como uma forma de construir uma profissão, sabe?
02:45E a gente observa no seu trabalho, tanto na parte de pintura, quanto na parte do trabalho artístico, como artista plástico.
02:56E como na questão, também, até dos espetáculos que a gente já viu, cenas, assistiu pelo vídeo e também fotografias.
03:07Você tem uma tendência muito grande a valorizar o Nordeste.
03:12E o que você sente com isso?
03:13Você também pretende mudar essa sua linha?
03:18Então, essa valorização, ela vem porque eu acho muito importante a gente conhecer de onde a gente vem,
03:28a gente valorizar as nossas raízes, porque isso é uma forma da gente manter a nossa identidade.
03:34Porque a cultura, ela é resistência.
03:38A cultura, ela atravessa os tempos, né?
03:41Porque ela é uma manifestação de resistência.
03:44E um povo sem cultura, esse povo, ele já perdeu a sua identidade.
03:49Exatamente.
03:50Então, eu acho que a gente precisa valorizar o que é nosso,
03:55gostar e achar bonito o que é de fora também.
03:59Sim, porque todas as manifestações culturais, elas são belíssimas.
04:04E a cultura e a arte, ela está justamente para isso, para causar esse impacto na sociedade.
04:11E o fato de, talvez, futuramente, eu vim a mudar, né?
04:18Alguma forma de trabalhar ou de trazer alguma outra forma cultural,
04:24não quer dizer que eu vá estar renegando a minha cultura ou a minha identidade cultural,
04:30mas é uma forma de ampliar ainda mais a minha visão culturalmente falando.
04:36Se eu vier a trabalhar com outros tipos de manifestações culturais
04:43ou outros tipos de encenação.
04:45Eu vou citar um exemplo aqui.
04:48Quando eu comecei a trabalhar com biscuit,
04:52eu não fui para o campo regional,
04:54não fui trabalhar com personagens de quadrilha junina,
04:58não fui trabalhar com personagens do cangás.
05:00O que é que eu fui fazer?
05:02Eu gostava, quando eu era criança, eu gostava muito de desenhar
05:04monstros, dragões, dinossauros.
05:07Eu sempre gostei muito disso, animais.
05:10Então, eu fui fazer o quê?
05:11Ali tem uma imagem de um filhote de dinossauro
05:14saindo da casca do ovo.
05:16Então, eu fui seguindo essa linha de animais que eu gostava de fazer.
05:20Então, eu fazia dragões, fazia outros tipos de animais.
05:23Animais que também eu criei, seres que eram apenas de minha mente.
05:28Não era algo que eu via, um desenho e tudo mais.
05:32Então, de certa forma, eu já criei outras coisas
05:36que não é só da cultura nordestina, sabe?
05:39Mas eu acho que sim, futuramente, quem sabe,
05:42eu possa vir trabalhar com outras formas.
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