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00:00Começar com um assunto bem quente, a CBF anunciou no dia 27 de novembro a implantação do Fair Play Financeiro.
00:08Tinha passado da hora para o Brasil ter um sistema nesses parâmetros?
00:14Bom, esse é um modelo novo de Fair Play Financeiro lançado pela CBF e é importante dizer que não é o primeiro.
00:22Esse é o segundo projeto de Fair Play da mesma CBF.
00:25O primeiro prosperou até 2022 e aí o projeto parou.
00:32Então agora lança-se um novo Fair Play com um novo nome, inclusive, sustentabilidade,
00:37que talvez seja o nome mais adequado no momento, todo mundo fala de sustentabilidade financeira
00:42e ele traz desafios de compliance, de governança para muitos clubes brasileiros.
00:49Por que não prosperou o primeiro?
00:50O primeiro projeto, eu diria que era um pouco mais complexo da forma que os clubes conseguirem estar em compliance com o Fair Play,
00:59porque a grande métrica forte eram vários índices financeiros.
01:04Tinham nove índices financeiros, os clubes já estavam sendo avaliados Série A e Série B.
01:08Inclusive, os presidentes dos clubes já haviam recebido o famoso rating, que era a classificação.
01:14Rating A e B você tinha passado no Fair Play Financeiro da Grêmio.
01:18Rating C, D e E você havia sido reprovado.
01:21O projeto caminhava para o futuro que seria o quê?
01:25A aplicação das sanções, que é o que realmente faz o modelo funcionar aqui,
01:29talvez não nos grandes clubes da Europa, na UEPA, mas alguns clubes sofreram o Fair Play Financeiro.
01:34E algumas situações pararam o projeto.
01:38A primeira foi a pandemia, já que a grande base para cálculos de Fair Play é a receita dos clubes.
01:45Na pandemia, a receita desabou.
01:47Então, houve um waiver aí de 2020, 2021, até quase 2022 para voltar ao projeto.
01:53Na volta, os clubes tinham um prazo para se organizar em relação à sua avaliação.
01:59Mas o que aconteceu?
02:00Vinha a questão da famosa criação da liga.
02:02Então, a discussão, o Fair Play Financeiro deveria ser um negócio da liga ou da CBF?
02:09Então, parece que havia um entendimento que deveria ser dos clubes.
02:11E alguns clubes queriam ter o controle do Fair Play.
02:16Ocorre que acabou não virando liga.
02:21Nós temos os dois blocos que fazem acordos comerciais distintos, a LFU e a Libra.
02:26Então, portanto, não se criou a liga e, a partir daí, o projeto foi segurado.
02:33A gente não entende propriamente o que ocorreu.
02:36Mas agora ele volta repaginado, talvez com uma realidade melhor, mais fácil de ser tirado pelos clubes.
02:43Tão complexo quanto, mas mais fácil.
02:46É, complexo.
02:47Eu acho que essa é a palavra, Carlos.
02:48Cara, começar a agradecer novamente a tua presença aqui, ajudar a gente a destrinchar esse assunto que é importantíssimo, que está na ordem do dia e que tem um nível também de complexidade.
03:00Então, acho que a sua presença aqui, um auditor experiente, acostumado a se debruçar sobre o balanço dos clubes, é muito importante para a gente e para o torcedor brasileiro nesse momento.
03:09Cara, eu queria entender o que diz exatamente esse projeto que está entrando em vigor agora e qual é a diferença dele, as principais diferenças dele para o que vinha vigorando até então e que acabou fazendo água a partir da pandemia, como você falou.
03:27Você falou que esse projeto anterior era um pouco mais, talvez, rigoroso.
03:31Não sei se é exatamente essa palavra.
03:32Então, quais são as principais diferenças?
03:35O que esses projetos diferem?
03:39E já emendando uma segunda pergunta que você sabe que o jornalista gosta de perguntar, os clubes brasileiros estão prontos para essa realidade?
03:48Bom, eu começo de uma maneira bem simples.
03:51Em termos gerais, o Fé Pelo Financeiro vai trazer o seguinte, não gaste mais do que você arrecada.
03:58O arrecado é curto.
03:59Então, quando você gasta mais do que arrecada, você já começa a sentar dificuldade.
04:02Então, meio que segue essa linha.
04:05Esse novo modelo de Fair Play, ele foi bem estudado.
04:09Todos os clubes puderam participar e participaram.
04:14Depois tivemos os grupos técnicos e se avaliaram todos os modelos.
04:19O EFA, Premier League, modelos La Liga.
04:24E aí, a partir de cada modelo e dos critérios de Fair Play ou de sustentabilidade, se criou um modelo brasileiro ajustado à nossa realidade.
04:35Então, existem alguns tópicos relevantes e importantes.
04:39Um deles que, por exemplo, ele vai tratar de que você não pode fechar no vermelho.
04:45Ou seja, você deve ter mais receitas do que despesas.
04:49E aí, você fecha no azul.
04:52Essa é uma das regras.
04:54Então, os clubes, a partir do Fair Play, deverão buscar isso.
04:58O que a gente sabe que não é uma realidade hoje.
05:00Porque muitos clubes estão fechando com déficit ou prejuízo.
05:03Então, só há uma maneira de você equalizar isso.
05:06Ou você aumenta as fontes de receita.
05:09O que não é fácil.
05:10Nós sabemos que as receitas são uniformes, praticamente.
05:13Os contratos de transmissão, que talvez sejam a maior fonte de receita dos clubes,
05:17eles se alteram periodicamente.
05:19E não existem novos players que tragam uma diferença gigantesca.
05:23Haja visto aí, se a gente compara a Libra e a LFU, em termos dos contratos que foram fechados,
05:29não há nada assim que diga que, olha, foi algo gigantesco de um lado para o outro, a transmissão.
05:34Então, em tese, é difícil, neste momento, que você aumente as receitas.
05:39Então, você deveria o quê?
05:40Equilibrar com seus custos.
05:42Folha de pagamento adequada, equilíbrio, não deixar os impostos que eles se acumulem de uma maneira significativa.
05:50Enfim, e isso leva a que, nessa regra, eu fecho no azul.
05:55Mas, se eu fechar no vermelho, eu vou ter um período para retomar até que eu volte a ter uma conta no azul.
06:04E já há um diferencial, que diz o seguinte, você pode ter um aporte, se você fechar no vermelho,
06:11por exemplo, eu fechei com um déficit ou prejuízo de 30 milhões,
06:14eu posso ter um aporte de capital que cubra isso, e eu fico em fair play.
06:20Então, esse aporte seria uma das saídas para minimizar.
06:23Aí vem a discussão, os clubes associativos não têm aporte.
06:28Quem tem aporte?
06:29As SAFs.
06:31Então, os investidores da SAFs, no caso de vermelho, poderão ingressar com a média de capital,
06:36o que não ocorrerá com os clubes associativos.
06:38Então, já respondendo, já há um cenário, fizemos algumas simulações com base nos balanços de 24,
06:45e alguns clubes acabam ficando no vermelho.
06:48Então, eles terão um tempo para regularizar isso, mas é um desafio buscar essa meta.
06:52Quantos por cento, mais ou menos, dos clubes da Série A, por exemplo?
06:56Na verdade, dos 20, nós não fizemos um extrato grande, mas pegamos sete clubes e quatro estavam no vermelho.
07:06Por exemplo, esse índice de que você tem que ter superávites e não déficits.
07:10Essa questão do aporte difere do europeu, não é?
07:13Exato.
07:14Esse é um ponto importante do nosso modelo de fair play, adaptado um pouco à nossa realidade.
07:22Então, neste primeiro momento, não se pune o investimento.
07:25Ele é até incentivado.
07:27Os prazos são factíveis?
07:29É escalonado, não é?
07:30É, os prazos são factíveis, escalonados.
07:32Você vai se ajustar em 26, 27, 28 e a partir disso você já começa a ter o pleno vigor.
07:40Esse é um dos tópicos.
07:42Agora, alguns outros são imediatos, porque tem um outro tópico que você não pode ter dívidas
07:46com jogadores, com clubes e com os impostos.
07:51E isso passa a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 26.
07:54Rapaz, mas...
07:57Esse é o projeto.
08:00Isso para novas dívidas.
08:02Ah, para novas dívidas.
08:03Isso.
08:04Agora, as do passado, que você já tem dívidas com esses três players, você tem um prazo
08:10maior para você ir regularizando.
08:13Então, agora...
08:14Mas as novas, não.
08:15A partir de janeiro, não posso ter atraso.
08:17E isso pode impactar, inclusive, em que você não tenha condições de negociar,
08:23comprar ou vender jogadores a partir disso.
08:27Então, é meio que...
08:28É como se fosse um imediato transfer ban aplicado pela FIFA.
08:33Então, é uma regra.
08:34Olha, paga o salário dos jogadores, pague os clubes que você contratou e pague os impostos.
08:41Se você atrasar, isso pode impactar nas suas janelas para comprar e vender jogadores.
08:46Então, 26, 27, 28 é esse período de adaptação que você mencionou.
08:52E a partir de 28 começam as sanções, as possíveis sanções.
08:56Quais que são?
08:57Não, começa a aplicar integralmente a regra de fair play.
09:01E aí você vai seguindo com as sanções, que são as mínimas.
09:06A mínima é você receber uma notificação.
09:09E aí você vai crescendo.
09:10Olha, por um tal período você não pode comprar e vender jogadores.
09:14Ou você pode estar impactado de não participar em competições.
09:20Você perdeu o tipo de licenciamento.
09:23E então são as penas mais severas, né?
09:26Mas aí é uma questão.
09:28O clube se estruturou para pagar tudo em dia, tudo seguindo de forma escalonada.
09:33Chega no fim do ano, ele cai para a segunda divisão.
09:36As receitas que ele tinha projetado vão ser outras.
09:40O fair play financeiro pensa?
09:41Tem também algum critério que considere isso?
09:45Em Minas Gerais, a regra é, como eu falei no início, não gaste mais do que você arrecada.
09:52Então, se eu estiver num cenário de que há risco de Série B,
09:57então o meu orçamento, ele deve ser preparado antes disso, para o ano seguinte, já imaginando uma Série B.
10:04Agora, é claro que esse ponto que você coloca é uma dificuldade.
10:10Por quê?
10:11Os clubes de Série A não fazem contratos que se encerram ao final de temporada.
10:17Depende de cada gestão.
10:19Há presidente que acha que ele precisa negociar dois ou três anos para manter o jogador.
10:25Para não perder para outros.
10:27E outros presidentes que acabam achando que o ideal seria contratos curtos.
10:31Então, isso é um problema, porque quando eu caio para B, imediatamente a minha receita desaba.
10:40Parece que a receita da Série B estava em torno de 8 a 9 milhões.
10:45Se bem que agora, com o fim do contrato que eles tinham, se retorna para a CBF, a Série B,
10:49eu não sei como é que fica a premiação agora.
10:51Mas era nesse range de 8 a 9 milhões.
10:53Para um clube que, de repente, estava arrecadando 40, 50, 70 milhões, é imediata a queda.
11:01Todavia, a folha de pagamento não é imediata o corte.
11:04Então, o que acaba acontecendo é o que leva os clubes a ficarem endividados.
11:09Você, obrigatoriamente, tem que vender o plantel, ou tem que dispensar,
11:13ou o jogador, ele por si próprio, ele vai buscar um outro clube de Série A,
11:19mas ele sabe que tem um valor a receber, porque ele é contratado.
11:23E aí, ele vai mover uma ação.
11:26E o que o clube faz?
11:27Bom, ele fica com a ação.
11:29Porque o presidente que entrou agora, ele não vai conseguir resolver aquilo.
11:33Ele sabe que essa ação é mais uma ação trabalhista, que vai durar 5, 6, 7, 8 anos,
11:39e não é no momento da gestão atual.
11:41E ele não tem o que fazer, ele tem que seguir a Série B, com o time realista.
11:46A gente percebeu, não sei se vocês lembram, no passado, o Cruzeiro sofreu isso.
11:50Quando o Cruzeiro teve aquele baque, inclusive matérias que saíram com problemas do Cruzeiro,
11:56o elenco todo se desfez.
11:58Precisou do aporte do Massac, que o Ronaldo comprou para conseguir se estruturar.
12:02Exatamente.
12:04Carlos, eu li críticas, especialistas sugerindo,
12:10que esse novo regulamento do Fair Play financeiro
12:14poderia ter um efeito reverso
12:16de acabar acentuando a chamada espanholização do futebol brasileiro.
12:22Aumentando esse abismo que existe entre os clubes que conseguem,
12:26que tem uma capacidade muito grande de geração de receita,
12:29você está aqui, sei lá, o Flamengo, o Palmeiras e mais dois ou três,
12:32para os outros que vão cambaleando ali,
12:34que não conseguem ter tanta previsibilidade financeira,
12:38que dependem mais de premiações.
12:40Como é que você enxerga essa análise?
12:43Como é que você avalia essa crítica?
12:46Bom, de fato, existirá uma situação como essa,
12:51porque os clubes que têm boa gestão já têm o equilíbrio de caixa.
12:56Então, ele tem um orçamento, um fluxo de caixa,
12:58que ele consegue contratar jogadores,
13:02ao mesmo tempo gerenciar os passivos,
13:05manter a folha de pagamento em dia,
13:08ter bons jogadores, desempenho esportivo bom,
13:12por tabela, premiações e mais remuneração,
13:14mais sócio-torcedor, mais público em estádio
13:16e mais representatividade.
13:19Agora, um ponto importante,
13:21alguns desses clubes não começaram a gestão ontem.
13:25Eles vêm, ao longo do tempo, aprimorando a gestão.
13:30Às vezes, parece aquela história da cigarra e da formiga.
13:35Então, parece que esses clubes vieram como formiga,
13:38se preparando.
13:39E a grande parte, não.
13:41Para o jogo, o campeonato, o match day daquela gestão.
13:45Então, embora possa dizer que é o espanholização,
13:50isso pode acontecer, de uma certa forma,
13:53porque é uma equação difícil de se fechar.
13:57Qual que é a equação?
13:59Pense em equilíbrio financeiro.
14:01Para ter equilíbrio financeiro,
14:02eu tenho que ter um controle de uma folha salarial um pouco mais baixa.
14:07Eu não posso ter a mesma folha desses clubes que estão com boa gestão.
14:10Não consigo.
14:11Pensando em gestão financeira, em fair play financeira.
14:14Em ter as contas em dia, em pagar os impostos,
14:16pagar os salários dos que estão lá.
14:18Qual folha de pagamento cabe no meu bolso,
14:20com as minhas receitas?
14:21Isso está em fair play.
14:24O que é difícil nisso é o outro lado.
14:28Para você gerar receitas,
14:31e você precisa de receitas,
14:32você tem que ter um time competitivo também.
14:35E aí é o desafio.
14:36Para ter um time competitivo,
14:38eu tenho que gastar.
14:39Se eu gasto em folha, eu desequilíbrio passivo.
14:42Então, essa é uma realidade difícil.
14:44Porque, vamos lembrar um pouco,
14:48até o contrato de transmissão de 2019 para 2024,
14:52como funcionava.
14:54A emissora transferia todo o recurso para o presidente ou para o clube.
14:58O clube administrava 100% da receita do ano.
15:03A partir do contrato de transmissão de 2019 para 2024,
15:06passou a ser 40, 30, 30.
15:09Ou seja, 40% você recebe,
15:12e assim mesmo não é imediato.
15:15Então, você já tem que estar muito preparado com fluxo de caixa
15:17para ter o elínquo no início,
15:19porque você vai receber durante o ano esses 40.
15:22Agora, os outros 30 é por performance.
15:25E você só vai saber exatamente com a adequação performance
15:30no final do campeonato.
15:31Quando você sabe a posição do primeiro ao décimo sexto,
15:33você sabe a premiação.
15:34Ela só vem no final do ano.
15:36Então, a receita já não é uniforme.
15:39E como eu faço para ter as melhores receitas
15:43de primeiro a décimo sexto?
15:45Terminando em uma boa colocação.
15:46Então, eu tenho que ter um elenco bom.
15:48Mas eu tenho caixa? Eu não tenho.
15:50Então, há clubes que resolvem buscar o famoso all-in.
15:55Eu vou investir em jogador.
15:57Esse aqui é um elenco forte.
15:59Vai ganhar a Copa do Brasil.
16:01Vai chegar nas quartas da Libertadores.
16:03E vai chegar classificado para Libertadores no Campeonato Brasileiro.
16:07Então, vamos ter receita de todos os três.
16:09Só que, às vezes, a bola não entra.
16:12E aí, a bola não entra.
16:13E você cai por azar na fase de grupo da Libertadores.
16:16E por aí vai.
16:17Só que essa folha é gigante.
16:20E a sua receita não veio.
16:21A premiação não veio.
16:22Vai aumentar o passivo.
16:23Não vou manter o atleta.
16:25E o mais grave, eu posso cair.
16:27Então, assim, é difícil a equação para os clubes endividados hoje.
16:31Muito difícil.
16:32Então, sem defender o modelo, qual seria a saída?
16:38Dinheiro novo.
16:39O que é dinheiro novo?
16:40É investidor.
16:41É SAF.
16:42É que você que diz o outro.
16:44O que é dinheiro?
16:45É investidor.
16:46É investidor.
16:47E aí, vai Kongre.
16:47Então, se for o outroية.
16:47É o primeiro.
16:48É o primeiro-营 hissa.
16:49É individual.
16:51É um desenho.
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