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  • há 2 meses
Em entrevista no programa Olho Vivo, o artista cajazeirense discorreu também sobre a importância de políticas públicas para a valorização da cultura brasileira.

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Transcrição
00:00O cinema hoje no sertão é uma realidade, a gente está vendo isso, né?
00:04Com as produções, com os festivais que acontecem em toda a região aqui,
00:09na região de Cajazeiras, do Vale do Pinhacó, região de Souza,
00:12região de Catolé do Rocha, a gente vê essa movimentação que acontece no nosso sertão.
00:18Pensando nisso, é possível acreditar que é possível viver de arte do cinema
00:24aqui no sertão como profissão?
00:27Quer falar, Marcelo?
00:28Bom, não é fácil não, hein, gente?
00:31Porque, assim, os nossos filmes não são filmes que dão lucro imediatamente.
00:36Claro, o cinema está na mão, está ao alcance de todo mundo.
00:40Hoje, com o celular com boa definição, você cria uma história, filma.
00:45Mas ninguém, quem faz só pro amadorismo, tudo bem,
00:47mas quem quer se profissionalizar não é um caminho fácil, não.
00:53É árduo, né?
00:54Então, tem mistura talento, formação.
00:57Hoje a formação já é possível.
01:00Nós temos um curso, na época que eu fazia cinema, não tinha curso de cinema de uma pessoa.
01:05Hoje tem curso de cinema, praticamente todas as universidades têm um curso de cinema.
01:09Lógico que hoje a produção é enorme, você especializa em som, edição, montagem, direção e tudo.
01:21Mas, assim, não é fácil sobreviver de cinema, não.
01:24Eu tenho a sorte de estar na universidade, não é assim, tenho o meu emprego.
01:30E aí me deu a oportunidade de fazer filmes com mais facilidade, às vezes com recursos próprios e, às vezes, com editais.
01:37Mas essas políticas públicas que surgiram no governo um pouco antes com o Fernando Henrique,
01:43mas muito mais intensamente no governo de Lula e Dilma, não é que tem possibilidade disso.
01:49Mas, para as pessoas que criticam, ler Rouanet sem entender, que criticam os editais, que dão dinheiro para os artistas,
01:56o cinema gera lucro, muito lucro, mesmo que os filmes não tenham uma grande bilheteria.
02:02Mas, para cada um e poucos reais, um e meio reais, um e cinquenta, tem um retorno de cem por cento, em três reais.
02:11Então, por que os Estados Unidos têm uma indústria forte e a França e a Europa têm uma indústria forte?
02:16Porque têm o apoio, mesmo os Estados Unidos, que precisam, ah, Estados Unidos neoliberal, não.
02:21Tem sempre o apoio do governo, do poder público, porque é importante para um país ter uma política para divulgar a sua cultura,
02:30porque isso leva para o mundo.
02:32Você conhece a França pelos filmes, conhece a Itália também pelos filmes, as músicas, os diretores.
02:38Então, isso é uma referência, por que os Estados Unidos mandam no mundo, assim, eu digo, dominam o mundo?
02:44Por conta da música que eles fazem chegar aos outros países.
02:48Então, a gente tem o governo, o poder público tem essa divulgação de divulgar os filmes, os festivais,
02:54de mandar os artistas lá para fora, de promover a música.
02:57A música brasileira já é conhecida demais no mundo, né?
03:00Mas, assim, tem que ter uma política de governo para a cultura, fomentar a cultura e também a sua difusão,
03:10porque é prestígio, é uma cultura...
03:12Eu não defendo que uma cultura domina outra, a gente sabe de tudo dos Estados Unidos,
03:16não sabe dali do estado vizinho ou mesmo da Paraíba.
03:20Não, a gente tem que deixar de ser vira-latas,
03:24incentivar a nossa cultura, prestigiar a nossa cultura.
03:27Eu ouvi discurso de jovens nesse sentido aqui hoje, de manhã.
03:31A gente peça de deixar de ser vira-latas, a menina falou, uma estudante.
03:35A gente peça de valorizar a nossa cultura, Zé do Norte aqui,
03:38o cinema que for produzido aqui, distribuir nas escolas, exibir.
03:43E essa sala de cinema, que eu tive uma participação muito pequena,
03:47mas tive, eu me encontrei com o secretário Eduardo, com o Rivelino,
03:51que é parente da gente, né?
03:53A gente se reuniu, o Rivelino, não, vou chamar a Bertrand, ele te dá umas dicas,
03:56como fazer a sala, de que tipo e tal, com o Eduardo.
04:00Isso no Cine Assurdo Grande, de dois anos atrás.
04:03A gente se reuniu lá e eu disse, olha, assim tem que ter uma
04:06uma pautura no mínimo confortável, uma tela maior, isso, aquilo outro.
04:12E aí ele dizia que tinha esse auditório lá, né?
04:15Eu disse, é perfeito, serve um auditório.
04:17Então, o cinema está lindo ali.
04:20Você chega, tem um painel homenageando os artistas locais,
04:23e a sala está confortável, ar-condicionado, a tela, sugeri que aumentasse,
04:29botasse mais atrás o projetor para a tela aumentar,
04:33uma cortina para não atrapalhar com a luz,
04:35uma bobagem, assim, coisa mínima, mas a cidade está de parabéns.
04:41E, assim, o nome de Marcélia no cinema é super bem-vindo,
04:44porque Marcélia é a pessoa mais conhecida da cidade, atualmente.
04:50É a pessoa que mais leva o nome de Cajazeiras,
04:52o povo sabe de Cajazeiras por conta de Marcélia.
04:55Até a China.
04:57Para a China também?
04:58É, Marcélia, com esse filme, ela e Suê foram representar Pacarrete em Xangai,
05:04sem contar em outros países, que já foi para Los Angeles.
05:09Então, o filme Pacarrete, A Hora da Estrela,
05:12foi restaurado agora há 40 anos,
05:14voltou a cartaz nos cinemas de todo o Brasil.
05:20Marcélia nunca foi esquecida.
05:22Foi como se fosse uma estreia, né?
05:23É, porque eles restauraram a cópia.
05:25Muitos foram a estreia, né?
05:27É, jovens que não conhecia Clarice Lispector,
05:30não conhecia o filme A Hora da Estrela,
05:32aí começou a lançar coisas no TikTok, no Calais.
05:35É uma plataforma que divulga muito, entre os jovens, né?
05:39Os adolescentes, as crianças.
05:40E os jovens é que mais divulgaram e foram ver o filme,
05:43porque gostavam das cenas de Marcélia, divertidas,
05:47umas cenas divertidas.
05:48Eles selecionaram e começaram a jogar.
05:50A cena da aspirina.
05:52É.
05:52Onde dói.
05:54É uma cena, assim, que marcou muito,
05:56que marca muito a geração de agora, né?
05:59Os jovens, eu vejo muito que eles replicam muito essa cena, né?
06:02Que é uma cena de A Hora da Estrela.
06:05E é muito importante a gente ter uma sala como essa aqui na cidade de Cajazeiras.
06:09Eu estava precisando desse equipamento.
06:11É um equipamento necessário, sabe?
06:14Para quem já teve quatro, sabe?
06:17Cajazeiras tinha quatro cinemas, quando eu vivia aqui na infância, até 74.
06:22Quatro cinemas.
06:24O Cine Apolo 11, que era do Bispo, da Igreja Católica.
06:27O Cine Éden, na Praça de João Pessoa.
06:30O Cine Pax, que era da igreja.
06:32Ainda tinha o Diotrope, lá na Camila de Holanda.
06:35Ela não conhecia, não.
06:36Ela não conhecia, não.
06:37Mas eu me lembro de ter visto filme lá na Camila de Holanda.
06:40Você imagina uma cidade com quatro cinemas.
06:45E o cinema levou a Marcélia para o mundo, né?
06:48A Marcélia ficava na janela, olhando a gente, brincando na rua, doida.
06:51E a mãe não deixava, era muito rígida.
06:53Mas foi o teatro que salvou a Marcélia.
06:56Porque ela terminou permitindo que ela brincasse de teatro na casa de Eliezer, ali pertinho, né?
07:01E levou para onde?
07:02Para o mundo inteiro.
07:03Para o mundo inteiro, é.
07:04Olha que lindo.
07:05Olha que lindo.
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