00:00Nós, povos indígenas, estamos com essas dificuldades de ter uma produção da caça e pesca que
00:13tem antigamente. Essa mudança do clima fez com que o nosso ecossistema mudasse. A própria estação do
00:20ano mudou. Por exemplo, quando era a época da seca, do verão, não secavam muito os rios que
00:27seca agora. Então, quando secam os rios, os peixes morrem, porque justamente aquece a água, a temperatura da água sobe, os peixes morrem porque não tem um oxigênio suficiente dentro do rio para que eles respirem e consigam sobreviver e a gente consiga ter uma boa produtividade de peixe. A nossa comida some, os nossos peixes somem, os nossos animais somem, aí se torna uma escassez de alimento para nós.
00:57O rio que banhava a aldeia onde cresceu Muangatu-Jaui costumava estar sempre cheio e com abundância de peixes. As árvores no entorno forneciam os frutos necessários para a subsistência das famílias da comunidade.
01:25Ao longo da vida, ele aprendeu que para viver em comunhão com a floresta e preservá-la, era necessário não retirar da natureza de forma desordenada.
01:32Os ensinamentos repassados por ancestrais seguem vivos na memória do líder indígena de 45 anos até os dias atuais.
01:39A gente não retira da natureza desordenada, a gente faz cultivar mais ainda para que ela permaneça em pé, para que a gente tenha um oxigênio puro para a gente respirar, não só para nós, povos indígenas que estamos na floresta,
01:54mas própria sociedade envolvente no nosso país e nos outros países do mundo.
01:58Esse processo aí da COP, ele precisa realmente ainda se aprofundar mais na realidade dos povos indígenas, né?
02:06Porque nós somos os guardiões da floresta, né? Nós somos a mãe terra.
02:10Quando participou da criação da Associação de Defesa Etnoambiental Canindé, em 1992, a ativista ambiental Ivaneide Bandeira Cardoso, conhecida como Neidinha Suruí,
02:23acreditava que a pauta da demarcação territorial indígena seria solucionada em pouco tempo.
02:28Mais de 30 anos depois, Neidinha segue ativa na luta pela defesa da floresta e dos territórios dos povos originários.
02:34Eles precisam ter ações, precisam ter apoio para combater, para mitigar, para adaptar e até para entender o que é isso.
02:46Porque muitas pessoas nem sabem o que é COP, mesmo estando na Amazônia, né?
02:51COP ainda é uma discussão de um grupo muito pequeno, muito privilegiado, mesmo os movimentos.
02:58Mesmo os movimentos ainda é a discussão de um grupo que tem mais acesso às redes sociais, à intermedia.
03:08Neidinha relata que em 1998, o povo Paité Suruí já observava que algo diferente estava acontecendo com o clima.
03:15Naquela época, ainda não se falava sobre emergência climática ou o que poderia vir a acontecer caso o meio ambiente fosse prejudicado com a intervenção da urbanização.
03:24Foi em 1998. A gente teve a primeira sensação por causa de uma frutinha que tem, que dá no mato, que dava numa época X.
03:34E a gente começou a ver que a frutinha estava diminuindo de tamanho e dando em outra época.
03:41E às vezes nem dava.
03:43E ainda nem se falava, ainda nem se fazia esse discurso que se faz hoje, né?
03:48Hoje, para a gente, é muito mais grave a situação, né?
03:53A gente está o tempo todo se adaptando a um novo clima, a uma temperatura mais alta, que causa em ti um monte de coisa.
04:10A reportagem completa você confere no site do Terra.
04:13A gente está o tempo todo se adaptando a um novo clima.
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