Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 ano
Extreme events such as severe droughts and floodings increase the number of cases of diarrheal, respiratory and skin diseases in Amazonian communities. "Previously, about five years ago, we didn't feel as much impact from climate change. We could still observe when it was winter or summer. Now, things are very different, because it's very hot, very humid, and it's difficult to produce foods like cassava and its derivatives, which are the basis of our diet." This is the account of Zenilda Bentes, deputy chief of the Araçazal village, in the Kumaruara territory, located in the Tapajós Arapiuns Extractive Reserve (RESEX), in Santarém, Pará. Zenilda's words address just a small sample of what the forest peoples have faced due to climate change, with direct impacts on their health and well-being.


LIBERAL AMAZON

Mudanças climáticas impactam saúde dos povos da floresta
Eventos extremos como secas severas e enchentes aumentam casos de doenças diarreicas, respiratórias e de pele nas comunidades amazônicas. “Antes, cinco anos atrás, a gente não sentia tanto impacto com as mudanças climáticas. A gente ainda tinha noção do que era inverno, do que era verão. Hoje está muito diferente, porque está muito quente, muito abafado e difícil de produzir alimentos como a mandioca e seus derivados, que são a base da nossa alimentação”. O relato é de Zenilda Bentes, vice-cacica da aldeia Araçazal, no território Kumaruara, localizado na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós Arapiuns, em Santarém, no Pará. As palavras de Zenilda abordam apenas uma pequena amostra do que os povos da floresta têm enfrentado por conta das mudanças do clima, com impactos diretos em sua saúde e bem-estar.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Então, as emergências climáticas têm efeitos diversos, têm impactos diversos na saúde.
00:06As ondas de calor, por exemplo, elas impactam na saúde causando casos de desidratação,
00:13insolação, queda de pressão arterial e até infartos.
00:17As enchentes, por sua vez, elas podem causar aumento de doenças de veiculação hídrica,
00:23como casos de hepatite A, leptospirose, doenças diarreicas, doenças gastrointestinais.
00:34Além disso, o aumento de foco de queimada na região tem impactado diretamente com o aumento de agravos expiratórios.
00:42Então, percebe-se o aumento de asma, bronquite e o agravamento de doenças pulmonares crônicas.
00:56Bom, no estado do Pará, nós enfrentamos um período de estiagem seca severa nos dois últimos anos, 2023 e 2024,
01:05e percebemos um aumento grande em relação aos casos de doença diarreica.
01:12Foi verificado em um aumento em torno de 35% em relação ao ano anterior, de 2023.
01:19E em relação aos procedimentos de produção ambulatorial, aqueles procedimentos de inalação, nebulização,
01:28voltados para os casos de agravos expiratórios, aumentou em torno de 78% no período de verão amazônico,
01:37justamente naquele período de seca, em que houve maior ocorrência de queimadas na região.
01:43Em relação às doenças diarreica, sim, 35% a mais em 2024 em relação ao ano anterior.
01:49No ano de 2024, em relação às doenças, aos agravos expiratórios, nós fizemos um comparado em relação aos agravos expiratórios dos dois períodos.
02:02O período de inverno amazônico, naquele período de chuvas intensas, e o de verão amazônico, período de seca e estiagem.
02:12Então, a gente viu esse aumento de 78% justamente nesse período de estiagem seca.
02:17Em relação aos agravos expiratórios, é somente em relação ao ano de 2024, comparando as duas estações.
02:27Nos dois últimos anos, sim, tem se fico em relação ao aumento entre 50% e 70% em relação aos agravos expiratórios,
02:37em relação aos anos anteriores, principalmente porque o estado do Pará foi o estado com o maior número de focos de queimada
02:44a nível de Brasil no ano passado.
02:47Então, tivemos impactos severos e isso culminou no aumento das demandas médicas, da assistência médica, neste período.
02:59Bom, devido à intensificação dessas emergências climáticas,
03:07além do aumento de doenças, dessas doenças que foram faladas há pouco, doenças diarreicas, agravos expiratórios,
03:15inclusive, aumento de acidentes com animais pressonhentos, que a gente verificaria no período de chuvas intensas,
03:22há impacto diretamente na questão da assistência.
03:25Por dois principais motivos, aumentos de demanda, que acabam sobrecarregando os sistemas de saúde
03:32e também há impacto direto em relação à logística, porque em áreas que tendem a ficar isoladas,
03:40principalmente em períodos de estiagem e secas, os profissionais de saúde têm dificuldades
03:46para se deslocar até comunidades mais remotas.
03:49No estado do Pará, em relação à estiagem seca, os municípios pertencentes à região do Baixo Amazonas
03:57são as mais afetadas.
03:59Por conta da proximidade, elas recebem muitos desafluentes vindo do Amazonas.
04:05Então, como a estiagem começa primeiro no estado vizinho e esses impactos
04:14vêm vindo para o estado, próximo ao estado do Pará,
04:18Então, há ocorrência de diminuição do nível dos rios, que impacta diretamente para as comunidades,
04:24principalmente as comunidades ribeirinhas, que fazem uso daquela água para consumo
04:28e para subsistência até mesmo.
04:31Muitas dessas comunidades são agricultores, utilizam da pesca também para a produção alimentícia.
04:41Então, isso tem impacto direto não só na saúde, mas também na renda da população ribeirinha.
04:46Bom, a SESP tem intensificado bastante as ações de vigilância em saúde,
04:52tanto nas ações de preparo, prevenção, resposta e recuperação
04:59para esses impactos de saúde relacionados às mudanças climáticas.
05:03Então, principalmente nesses últimos anos, a gente intensificou, emitiu boletins de alertas,
05:11notas técnicas, como informações e orientações, tanto para a população,
05:16quanto para os profissionais de saúde em relação ao cenário, aos impactos de saúde relacionados ao período de sequestriagem,
05:23intensificação da educação e saúde para as equipes de saúde em relação à notificação dos agravos relacionados a esse período.
05:35Nós estamos também finalizando agora um plano de ação para as emergências climáticas,
05:45um plano de ação do setor saúde, que está em fase final de elaboração, é uma das nossas próximas ações.
05:54A gente mantém também uma articulação direta com o Ministério da Saúde,
05:59Centros Regionais de Saúde e Municípios, para a gente ir também em Defesa Civil,
06:04outros órgãos parceiros, que é a Defesa Civil e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado,
06:09para a gente verificar qual o cenário de risco na região e a gente intensificar as ações de saúde naquelas áreas,
06:17como o caso de envio de insumos e medicamentos emergenciais.
06:24Então, uma forma da gente trabalhar, intensificar para minimizar esses impactos de saúde nos próximos meses,
06:35até porque no momento a gente está trabalhando com essa etapa de preparação.
06:38Então, uma outra ação que a gente tem feito nessa etapa de preparação é o envio antecipado desses insumos emergenciais,
06:51porque sabe-se que determinadas áreas, em determinadas épocas do ano, tendem a ficar isoladas.
06:59Então, muitos desses insumos podem não chegar, se a gente chegar no período em que a estiagem já esteja estabelecida na região.
07:07Então, uma das estratégias é essa, fazer o envio desses insumos e medicamentos de forma prévia, antecipada.
07:16O Plano de Ação do Setor Saúde para Emergências Climáticas, que está sendo elaborado por diversos setores da SESPA,
07:24apresenta as ações de preparação, prevenção, resposta e recuperação para os impactos em saúde relacionados às emergências climáticas.
07:34Então, contém as ações de cada setor, os fluxos de trabalho de cada setor e também a questão das estratégias para a assistência da população.
07:45O Plano de Ação do Setor Saúde para Emergências Climáticas, que está sendo elaborado por diversos setores da SESPA,
07:52o que está sendo elaborado por diversos setores da SESPA?
07:54O Plano de Ação do Setor Saúde para Emergências Climáticas, que está sendo elaborado por diversos setores da SESPA,

Recomendado