00:00Acho que meus planos é aproveitar.
00:02Diria de ser criança, porque acho que nessa data vai ser muito especial.
00:06Vai ter comemoração, vai ter churrasco, vai ser muito legal.
00:09Meus planos é se divertir.
00:17Eu acordo, eu vou pra escola, eu como uma rotina normal.
00:21Vai para o plenso.
00:22E antes não, mas porque tinha muito desse negócio de não querer ir pra escola.
00:27Ficar muito chateada por conta do bullying, de medo de sofrer alguma violência, algo que me machucasse.
00:36Mas atualmente eu não preciso mais ter esse medo, porque já foi alguma coisa que foi resolvida e que eu não tenho mais medo.
00:45Daí hoje eu tenho uma rotina normal, onde eu acordo, eu como, eu vou pra escola, estudo, faço meu inglês, vou pra minha psicóloga.
00:52Porque falar com ela me faz abrir novas ideias e pensar diferente cada vez que eu vou lá.
01:02Lá eu sinto que é um espaço onde eu posso falar o que eu quiser.
01:06E eu acho que isso é muito importante, porque eu vou aprender a dar minha opinião, a falar, a ser quem eu quero ser, entendeu?
01:13Lá é um espaço onde eu consigo ser a Milena.
01:17Eu me escondia muito, então pra eu já dar minha opinião e falar o que eu quero, era muito difícil.
01:28E saber que minha mãe tem esse cuidado comigo, presta atenção de como eu vou me sentir, eu acho que foi muito bom.
01:35E saber que eu tenho uma pessoa no meu lado e que conseguiu mudar um monte de mentes e ajuda tantas pessoas, eu acho que é muito incrível.
01:44E que todo mundo deveria pensar que nem ela.
01:47Quase que desde sempre, assim, desde que a Mi começou a fazer escolhas, assim, ali, pelos dois anos de idade, assim,
02:05ela sempre escolheu pelo que se diz feminino, assim, né, perante a sociedade, né?
02:12Mas a gente, como família, levava isso de boa, assim, né?
02:17Até que com os quatro anos eu resolvi levar a Milena, né, num psicólogo.
02:23E foi uma experiência bem negativa, assim, que na época essa psicóloga orientou que a gente tinha que reforçar o masculino.
02:32E falou que é porque ela se espelhava muito em mim, né?
02:38Na época eu não tinha conhecimento, né? Não sabia que existia essa questão de criança trans.
02:44Imaginava que eu tivesse um menino gay, mas não conseguia entender pela falta de informação, né?
02:50Que gênero era uma coisa, orientação sexual é outra, né?
02:54Até que eu vendo o sofrimento, né, que a criança me apresentava naquele momento, comecei a parar de fazer isso.
03:02Comecei quando tava comigo em casa, da liberdade de assistir o desenho que gostava.
03:06Poder, às vezes, quando queria numa brincadeira, ali, ai, mãe, quero pintar a unha, eu deixava.
03:11Como ativista de direitos de crianças trans, crianças e adolescentes trans,
03:17eu cansei de ir em eventos que falam, que celebram o Dia das Crianças, eventos políticos, eventos de empresas,
03:25e não ver a minha filha representada ali, né?
03:29Não se fala dessa infância, se falou de quase todas as infâncias, mas essa a gente silencia, né?
03:39A ONG Minha Criança Trans tem várias linhas de atuação.
03:42Ela tem o acolhimento afetivo das famílias que reconhecem ter uma criança e adolescente trans,
03:50mas também nós temos uma atuação política, uma advocacia política.
03:54Temos a parte formativa, onde fazemos um trabalho formativo com escolas, universidades, empresas.
04:03A gente tenta, busca, fazer um levantamento de dados sobre crianças e adolescentes trans no Brasil,
04:08uma vez em que há uma ausência muito grande de dados sobre a sua vivência, a realidade, desafios do dia a dia,
04:15para além de dados clínicos ou médicos, mas dados em como elas vivem a sua realidade.
04:27Ser mãe e pai de uma criança ou adolescente trans em uma sociedade tão transfóbica não é fácil.
04:33É extremamente assustador, angustiante.
04:37Muitas coisas acontecem nesse caminho dessa descoberta, até que as coisas fiquem bem.
04:41E elas vão ficar bem.
04:43Mas até lá, muitas coisas não podem acontecer.
04:45E é por isso que é importante que ninguém passe por esse processo sozinho.
04:49O que eu falo para essas famílias que estão começando a viver isso é
04:52vocês não estão sozinhos.
04:55Busquem redes de apoio, grupos entre pares, porque quando a gente se une, a gente se fortalece.
05:00E as crianças são o futuro da nação.
05:04As nossas crianças trans precisam estar vivas para viver e ter esse futuro.
05:11A gente quando escolhe ser mãe e ser pai, a gente escolhe amar, a gente escolhe proteger,
05:17a gente escolhe acolher, a gente escolhe dar limite, a gente escolhe preparar para o mundo.
05:22E eu acho que a gente tem que fazer essa escolha e abraçar essa escolha de verdade, né?
05:28Eu acho que para quem está assistindo, não precisa ter medo de ser você.
05:34Eu sei que às vezes pode ter medo de ser quem você quer, mas às vezes é bom ser você.
05:40Claro que vai ter luta, vai ter brigas, intrigas, mas vale a pena.
05:48Olha onde eu estou agora.
05:48Eu sei que às vezes você não sabe se lembrar.
05:51Eu sei que às vezes eu Будuаться fazendo uma vez mais adeus.
05:53Eu sei que às vezes você está fazendo mal.
05:55Eu sei que às vezes vocêSaquele mas vai ver informação.
05:56Passa também vai ter uma vez mais adeus.
05:58Eu sei que às vezes antes como é assim, é uma vez mais adeus.
05:59Ele vai ter um sozinho perdão de dança.
06:00Eu sei que às vezes você não aime nessa orgulha, mas é valer para nada.
06:02Eu?
06:02Eu sei que às vezes mais às vezes história para mim hoje.
06:03Eu sei que às vezes eu não bonded, não imagem demais é uma vez mais vista possível.
06:05Eu sei mais.
06:06Eu sei que às vezes acho que às vezes todas é as vezes vocês costou espero que動画.
06:08Eu sei porque Anytime eu estava bem litorial.
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