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  • há 3 meses

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Transcrição
00:00Sou Pat Spen, biólogo e caçador de feras.
00:05Estou deixando a segurança de meu laboratório para trás, para ser iniciado num mundo diferente,
00:11em busca da verdade, por trás da Fera da Amazônia.
00:21Criaturas Lendárias
00:23O Lendário Mapinguari
00:30Mitos de uma Fera aterrorizante têm assombrado as selvas da Amazônia há várias gerações.
00:41As pessoas estão assustadas e falam pouco sobre isso com pessoas de fora.
00:49Aqui no estado do Amazonas, no Brasil, duas testemunhas oculares, embora muito relutantes, concordam em me encontrar.
00:56Olá! Olá! Olá!
00:57Mas quantas elas estão dispostas a contar?
01:09Poderia me falar sobre o Mapinguari?
01:11Você pode contar a história que aconteceu com o Mapinguari?
01:15A minha história foi em 1981.
01:20Eu tive muito a chance.
01:21Era setembro.
01:28Na beira da floresta, Lídia se assusta com um oito arrepiante.
01:39Papai! Papai! Papai!
01:40Vim! Vim!
01:41Ela acorda o pai, Teófilo.
01:43Vim!
01:44Mas a vaca da família estava amarrada numa cerca no quintal.
01:53E ele não queria deixá-la à mercê da Fera.
01:56Mas ele ia dar coisa aqui acima. Não era muito rápido, mas tinha uma grossura, na verdade.
02:16E aí vim ele, mandar a roceão.
02:22Eu acho que ele ia cair.
02:25Tem gente que botasse a minha mão aqui, ó.
02:28Tem espalho.
02:29Pávio no meio do lagone, tem isso aqui.
02:33É gente ou não?
02:35Não sei, eu botei, eu dei o que ele me pegou bem, eu escalavei e eu bati.
02:39Aí eu achei que ele caiu.
02:40No dia seguinte, os moradores da vila fogem aterrorizados.
02:58Atualmente, eles vivem na segurança das margens do rio.
03:04Alguém mais viu o animal depois disso?
03:06Até agora.
03:08Já parecia.
03:10É uma história incrível, mas eles não querem falar mais nada.
03:17Eles viram alguma coisa, não entram em detalhes, mas foi algo aterrorizante o bastante para fazê-los abandonar o vilarejo.
03:27Eles podem ter visto uma criatura verdadeira, mas não estão me dando muitas pistas para continuar.
03:35Durante anos, essas tribos sofreram repressão.
03:38Por isso, eles têm medo de foraceiros, principalmente quando se trata de...
03:42Todo local, aos poucos, vai ganhando a confiança deles.
03:46Eu acho que sim.
03:53Eu acho que sim, até porque essa história, ela está passando de gerações para gerações.
04:01Muito se ouve comentar sobre esse fato.
04:04Isso explica a relutância deles em falar.
04:11Você acha que as pessoas aqui me contariam as histórias sobre esse animal?
04:15Eu sei.
04:16Eu acho que a confiança é fundamental.
04:19Tanto é que eles me contaram a história por confiar na minha pessoa.
04:23Este homem passou 12 anos na floresta com as pessoas que contam histórias sobre esse animal.
04:30E assim ele conseguiu a confiança delas.
04:32Mas não tenho tanto tempo assim.
04:36Mas deve haver algum atalho para ganhar a confiança das tribos e conseguir mais informações concretas sobre o Mapinguari.
04:43O pastor me manda a um local a poucos quilômetros rio abaixo na tribo Satere Mauen.
04:58Aqui, para que um menino se torne caçador, precisa se submeter a um ritual de iniciação radical.
05:05Para ganhar a confiança deles, preciso entrar em seu mundo.
05:08Vou me submeter ao ritual também.
05:12Que começa de modo agradável, com uma caminhada na mata.
05:20Esses caras estão me levando para dentro da floresta para coletarmos um inseto particularmente significativo em sua cultura.
05:32Ah, aí estão.
05:34Nossa, elas são grandes.
05:36Estas são formigas balas, ou o que os locais chamam de tocandira.
05:48Elas não somente são as maiores formigas do mundo, mas também são famosas por terem a pior picada.
05:56O veneno delas é 30 vezes mais doloroso do que a picada de uma vespa.
06:00E faz com que os neurônios entrem em circulação livre, simulando um grave trauma.
06:06Elas são chamadas de formigas balas por dois motivos.
06:18Primeiro, são do tamanho de uma bala de revólver, e se você for picado, a sensação é que você for picado um tiro.
06:23Então, agora a gente vai colher as formigas e vai voltar para a comunidade de novo.
06:32Obrigado.
06:33Acho que já temos formigas o bastante.
06:35Uma quantidade terrível delas.
06:37De volta ao vilarejo, as formigas são colocadas num vasilhame com um tipo de anestésico feito de ervas.
06:52As pessoas as induzem a picar primeiro numa luva trançada feita de ráfia.
07:00Em alguns minutos, elas acordam e estão furiosas.
07:04A picada dói muito?
07:08Enorme.
07:09Dói demais.
07:11Dói muito.
07:13Ótimo.
07:15A iniciação envolve vestir essa luva cheia de formigas e ficar com ela durante cinco minutos.
07:23Você não se torna um homem ou um caçador, até ter vivenciado o horror que isso traz.
07:29Nos Estados Unidos, você se torna um homem saindo e tomando uma cerveja com seu pai.
07:40Aqui, você veste uma luva cheia de formigas balas.
07:47Hoje, três jovens vão passar pelo ritual.
07:49Eu também.
07:55Eu me voluntariei para participar do ritual de formigas balas para ganhar a confiança dessa tribo e saber histórias deles sobre uma pinguari e a verdade por trás dessa criatura.
08:06Quero não só saber o que eles contam para os forasteiros, mas tentar realmente me tornar parte da tribo.
08:11Mas antes, preciso ver se não sou alérgico ao veneno.
08:21Vou pegar uma formiga para testar.
08:28Vamos lá.
08:36Pronto.
08:39Uau!
08:39Puxa, tá bom.
08:45Tá legal.
09:00Ok.
09:01É bem pior do que a picada de uma vespa.
09:06É realmente a pior picada que alguém poderia levar.
09:09O veneno está percorrendo minha mão e subindo.
09:13Está se espalhando por todo o corpo.
09:20Parece que tem uma faca abrindo minha mão.
09:23Meus sinais vitais estão estáveis.
09:25Portanto, não tenho desculpas.
09:27Não sei por quanto tempo vou conseguir falar.
09:32Se ficar muito pior que isso, talvez eu desmaie.
09:36Mas os meninos que vão ser iniciados na tribo estão prestes a começar seu ritual.
09:43Eles vão levar muito mais picadas do que eu acabei de levar.
09:52Cada centímetro em meu corpo está implorando para eu não me juntar a eles.
09:57Mas estando na frente da tribo toda, se eu quiser ganhar a confiança deles, não posso voltar atrás.
10:02A tinta vegetal usada no cerimonial mostra que estou comprometido com o ritual.
10:32O menino se esforça para não mostrar sua dor.
10:49E dançamos para ajudá-lo a passar por seu sofrimento.
10:59Após cinco minutos, a luva é retirada.
11:02E começa a iniciação do seguinte.
11:11Agora é minha vez.
11:36E depois?
11:49Ufa!
11:50Ufa!
11:50Ufa!
11:57Ufa!
11:58Cinco minutos parecem uma eternidade, mas a retirada da luva é só o começo.
12:28Onda após a dor, a dor continua aumentando e vai durar vinte e quatro horas.
12:49A dança termina e fico sozinho com minha dor.
12:58Quanto tempo dura isso?
13:00Vinte e quatro horas.
13:02Quanto tempo já se passou?
13:04Nem uma hora ainda.
13:13Estou começando a ficar atordoado.
13:15Tire a luva.
13:22Quero que alguém tire essa luva.
13:24Eu esperava que esse sofrimento me rendesse a confiança da tribo.
13:47Mas acabei dando um passo maior que a perna.
13:49Por favor, por favor.
13:55Aqui, nessa floresta no Brasil.
14:00Estou começando a ficar louco.
14:02Cinco horas depois.
14:25Quando ponho as mãos na água gelada, é a melhor sensação do mundo.
14:31É tão bom.
14:36Nunca senti nada tão gostoso.
14:43Eu tenho mãos.
14:45Posso senti-las.
14:46Dói demais.
14:52Isso é tão bom.
15:02Como entramos no barco?
15:12Vinte e quatro horas depois, a dor passa.
15:15Agora posso usar um distintivo de honra que espero que inspire confiança em toda a Amazônia.
15:23E talvez uma porta já esteja se abrindo para mim.
15:27Derli é um dos iniciados.
15:29E como temos algo em comum, ele divide comigo exatamente o que eu preciso.
15:34Instruções para outro suposto encontro com uma pinguarina.
15:37A medida que caminhamos, reflito sobre o impacto mais profundo do meu sacrifício.
15:54A maneira como sinto o mundo à minha volta mudou.
15:57E me pergunto se essa mudança ainda vai me dar uma ideia sobre o que é uma pinguarina.
16:16O homem que foi ver teve um tipo diferente de encontro que mudou sua vida.
16:20Ele foi atacado na mata por uma criatura desconhecida.
16:29E embora tenha se recuperado fisicamente, o trauma psicológico o levou a se refugiar no mundo espiritual.
16:36Ele estava trabalhando em uma indústria petrolífera na colocação de tubulações na Amazônia.
16:59Criado na cidade, ele cresceu ouvindo histórias sobre os perigos da floresta.
17:17Mas nem em seus pesadelos de criança ele imaginou algo assim.
17:29A criatura o agarrou pela garganta e quebrou sua mandíbula.
17:41Envolvido por um fedor horrível, ele desmaiou.
17:43Só os que me acharam, né?
17:54Que tipo de animal você acha que era?
17:57Eu, pra mim, era a história de macaco.
17:59Igual um macaco.
18:01Só que ele...
18:02A cara dele não era pra frente, a cara dele era pro lado.
18:05Você voltou à floresta desde que isso aconteceu?
18:08Ele ganhava a vida subindo e descendo o rio em barcos e parando em vários pontos da floresta.
18:16Agora ele não quer mais voltar para lá.
18:18Está decidido.
18:21Não duvido que este homem tenha sido atacado.
18:23Só não tenho certeza pelo quê.
18:27Pra mim, as melhores pistas são o cheiro e a cara virada para o lado.
18:32Que animal poderia se encaixar nessa descrição?
18:34Que grandes animais na selva amazônica atacariam uma pessoa?
18:41Aqui tem onças, animais realmente muito perigosos, mas elas não se encaixam na descrição dada pela vítima.
18:47Tem tamanduás bem grandes que geralmente não são agressivos, mas são grandes.
18:54Cara, se um tamanduá bandeira ficar sobre duas patas, ele fica do meu tamanho e se encaixa em alguns pontos da descrição da vítima.
19:02Primeiro o cheiro.
19:03Tamanduás bandeiras marcam seu território com um fedor horrível.
19:09E tem a cara.
19:10Muitos animais com garras brigam com as patas para o lado para proteger a cara.
19:17Faria sentido se um tamanduá bandeira fizesse o mesmo.
19:20Se você se deparar com um e surpreendê-lo, ele vai te atacar.
19:30É um animal com garras enormes.
19:32Ele não vai asfixiar você, mas talvez seu medo faça isso.
19:35Principalmente se você já está com medo de que uma pinguaria esteja na floresta.
19:43Erros de identidade podem explicar alguns encontros.
19:51Mas duvido que sejam suficientes para estabelecer um mito tão forte pelo país todo.
19:56Eu vi a Parintins, a capital do folclore da Amazônia.
20:03Na cidade toda, mitos e lendas estão por toda a parada.
20:11E quero descobrir onde uma pinguaria se encaixa nisso tudo.
20:23Isso parece ser um boto, o lendário golfinho do rio que se transforma em homem,
20:28põe um chapéu branco e engravida as jovens.
20:34O boto é citado inclusive como pai em muitas das certidões de nascimento na Amazônia.
20:40A maneira perfeita de explicar uma gravidez inesperada.
20:43Há também a lenda da cobra grande, a serpente gigante da Amazônia.
20:48Quando um pescador desaparece no rio, será que a culpa poderia ser dessa serpente?
20:54Esse cara parece o Curupira com esses pés virados para trás.
20:59Servindo também como um código moral, o Curupira vê caçadores se perderem na floresta seguindo sua trilha ao contrato.
21:06Neste mundo de tantos mitos e alegorias, vive a criatura na qual estou interessado.
21:21Aparentemente é isso que estou procurando.
21:23Este é um mapinguari.
21:24Ele tem orelhas de morcego, um olho enorme bem no centro da testa, não há nenhuma boca no lugar onde deveria ter uma,
21:32um físico realmente muito forte, braços fortes, garras enormes e uma boca no peito.
21:40Será que é um animal de verdade?
21:43Como biólogo eu posso dizer que isso não está com uma cara muito boa.
21:46De volta a casa, organizo meu mundo com explicações científicas racionais.
21:56Mas aqui, as pessoas veem a Amazônia por um prisma.
22:00Um mundo que mistura mito e realidade.
22:03É um mundo no qual os monstros fazem sentido.
22:09E é a este mundo que o mapinguari pertence.
22:13Esse mito enterra suas garras na cultura daqui também.
22:16Ele inspira músicas.
22:28E espreita o festival anual de Parintins.
22:34Fora da época do festival, este boneco de 20 metros fica murcho.
22:38Mas o pessoal daqui concordou em trazê-lo de volta à vida para mim.
22:46O criador do monstro sabe o quanto este mito pode ser real.
22:58Criatura real?
23:01Eles dizem que eles ingerem uma bebida feita de uma planta alucinóide, que eles chamam de paricá.
23:19E qual é a vida dos povos da floresta?
23:23Ele disse que até a gente, quando entra na floresta, sente como se houvesse animais ali nos observando.
23:29É o que estas criaturas são.
23:31Elas existem em outro nível e só para as pessoas que as veem.
23:34Quando troquei as luvas protetoras de meu laboratório por luvas com formigas venenosas,
23:44isso também mudou minha realidade.
23:46E talvez tenha sido neste mundo que o mito de uma pinguari nasceu.
23:55Mas será que há algo mais nesta criatura do que apenas uma alucinação coletiva?
24:01Tenho um encontro com um cientista que afirma que sim.
24:04A mil quilômetros do coração do Amazonas, fica Porto Velho, uma cidade da época da explosão da borracha.
24:16Suas ferrovias agora estão abandonadas e é aqui que vou me encontrar com um conselheiro de conservação do governo brasileiro.
24:24Em 1993, ele se sentiu compelido a pôr sua reputação científica em risco, publicando uma afirmação notável.
24:40Dr. Orrin, entendo o poder dos mitos dessa área, mas o senhor acredita que uma pinguari seja mais do que isso?
24:47Desde que cheguei à Amazônia em 1977, ouço essas histórias.
24:52E para mim, uma pinguari era apenas outra delas.
24:55Mas depois estive com um colega e ele conheceu alguém que disse ter ficado cara a cara com ele, e que o chamou de uma pinguari.
25:04E meu colega disse que aquele rapaz não estava mentindo.
25:09O animal que ele viu existe mesmo, e ele o descreveu.
25:15Aproximadamente dois metros de comprimento, extremamente peludo, olhos pequenos.
25:22Quatro dentes caninos, um fedor horrível, e garras enormes.
25:31Muitas pessoas dizem ter ficado cara a cara com o próprio demônio.
25:35Depois de anos à procura, o Dr. Orrin coletou relatórios em primeira mão de quase 90 encontros.
25:45Há aproximadamente 80 testemunhas oculares que dizem ter se deparado com ele, e sete homens que dizem que ele até matou uma pessoa.
25:54Entendo as visões de criaturas míticas.
25:58Mas para matar alguma coisa, a criatura tem que ser real.
26:03O que você acha que essa criatura pode ser?
26:05Bom, assim que a pessoa descreveu o animal como zoológico, acendeu uma luzinha no meu cérebro, e eu pensei,
26:14essa pessoa só pode estar descrevendo um megatério.
26:17O único problema é que essas feras foram extintas há 10 mil anos.
26:21Puxa, isso é um megatério.
26:27Quer dizer, eles viviam aqui.
26:29Sabemos que esses caras viviam na América do Sul.
26:34Megatérios apareceram no período Eoceno, e se espalharam por toda a extensão das Américas.
26:40Com 3 metros de altura, com pernas enormes e garras afiadas,
26:45essa criatura atende muitas das descrições de Orrin.
26:48Imaginem só essa criatura aparecendo por trás das árvores, com braços enormes,
26:54essa bacia enorme.
26:56A possibilidade de que talvez a gente veja um desses aqui é uma das coisas mais emocionantes em que eu posso pensar.
27:07E é exatamente o que o Dr. Orrin está propondo.
27:10Sob o ponto de vista biológico, por que um megatério seria uma conclusão razoável?
27:21A América do Sul era o centro da diversidade dessas criaturas.
27:26Aqui havia um grupo de animais que foi extinto muito recentemente, há 10 mil anos.
27:31Então não estamos procurando um dinossauro, pois eles foram extintos há dezenas de milhões de anos.
27:3810 mil anos é pouquíssimo em termos de tempo geológico.
27:43Vejo traços do meu tio-avô em David Orrin, o incrível Charles Forte.
27:50Ele descreveu fenômenos como a chuva de peixes e os relâmpagos de bola,
27:55na época tidos como fantasia, mas que agora sabemos que são reais.
28:01Ele escreveu que a atitude da ciência para o indesejável é que ele não existe.
28:08O Dr. Orrin acredita que a prova para ser uma pinguari existe.
28:13E eu sei que meu tio-avô ia querer que eu mantivesse a mente aberta.
28:17O melhor lugar para isso é na comunidade dos índios Caritiana, no interior de Rondônia.
28:23Eles são um grupo relativamente pequeno de apenas cerca de 200 índios
28:28e vivem em uma área realmente muito afastada.
28:36A reserva Caritiana fica a menos de 100 quilômetros de Porto Velho,
28:41mas é um portal para outro mundo.
28:45No coração deste território vivem tribos perdidas e quem sabe o que mais?
28:50Poucos estrangeiros vêm para cá.
28:54Essa trebo usa roupas ocidentais, mas vive na fronteira de nosso conhecimento geográfico.
29:04Os Caritianas usam suas narrativas para transmitir sua história e cultura.
29:08Como iniciado tribal, tenho o privilégio de testemunhar esta tradição oral ao vivo.
29:23Esta noite, teremos uma rodada de histórias como as de fantasmas ao redor da foguíria.
29:29Um aldeão estava dirigindo com um amigo quando um animal surgiu da florença.
29:43Apenas olhar para uma pinguari pode ser fatal.
30:02O que quer que fosse, ele poupou os homens e desapareceu na floresta.
30:07A história não é detalhada o suficiente para identificar o animal,
30:14mas talvez haja uma pista no próprio ato de contá-la.
30:21As tradições orais podem datar de muito tempo.
30:28Talvez o bastante para preservar a lembrança de uma criatura extinta há muito tempo.
30:33Eu estava pensando sobre isso ontem à noite.
30:37Esses caras têm uma tradição muito rica e detalhada.
30:40Se cada pessoa aqui representa uma geração,
30:43tudo o que eu tenho a fazer é voltar no tempo uma geração e meia
30:46e chegarei a alguém que talvez tenha participado da Segunda Guerra.
30:50Eu volto...
30:524, 5, 6...
30:53Cerca de 8 gerações
30:55e estou na época em que os europeus chegaram a este país.
31:00Agora volto cerca de 20 gerações
31:02e estou na Idade Média.
31:09Veram?
31:11Apenas algumas histórias
31:12podem levar você de volta
31:15a uma época em que esses animais
31:17que agora estão extintos
31:19viviam nesta floresta.
31:25Há 10 mil anos,
31:27os humanos compartilhavam esta floresta com os megatérios.
31:32Foram necessárias apenas 200 gerações de contadores de história
31:36para passarmos deles para os dias de hoje.
31:45Preciso de alguém que tenha dado uma boa e recente olhada nesta criatura.
31:49Os caritianos acreditam que a única maneira de matar uma pinguaria
31:58é com uma única bala de chumbo
31:59disparada diretamente contra a cabeça.
32:03Muitos castadores levam essas balas mágicas para a floresta
32:07só por precaução.
32:08E encontrei um homem
32:25que teve um bom motivo para usá-las.
32:27Jeovaldo estava caçando um grupo de porcos selvagens
32:42quando ouviu algo muito maior.
32:45Dito que nem uma pessoa carregando uma paia, né?
32:53Arrastando as coisas assim.
32:55Aí, que diabo é isso?
32:57Eu fiquei assustado.
32:59Jeovaldo atirou no corpo do animal e correu.
33:02Ele atirou várias outras vezes
33:11antes de carregar sua arma com a bala de chumbo
33:14e mirar na cabeça da criatura.
33:25Jeovaldo escapou com os gritos da criatura
33:28ressoando em seus ouvidos.
33:29Ele disse que quando viu a criatura
33:32ela estava sobre duas patas
33:34mas quando começou a correr atrás dele
33:36ficou de quatro para persegui-lo.
33:38Ele é uma...
33:38que nem uma...
33:41tem um pelo sim aqui.
33:42Aqui eu não vejo não porque eu estava correndo.
33:44Ele está descrevendo uma mistura de macaco e preguiça
33:47e está dizendo que ele tinha braços enormes
33:49e garras muito grandes.
33:51Eu vejo bem.
33:53Mas estou mais interessado no barulho
33:55que essa criatura fez.
33:57Mas eu grito que é...
33:59não é como a gente grita.
34:00É diferente.
34:01Ele grita diferente.
34:03Muitas testemunhas relatam este rugido
34:06como de gelar o sangue.
34:09Será então que ele detém a chave
34:11para a verdadeira identidade de uma pinguari?
34:15Voltarei para a floresta para testar uma teoria
34:17armado com câmeras térmicas e um alto-falante.
34:20Os guias daqui viriam para a floresta comigo durante o dia
34:24e me mostrariam os locais que eles acreditam terem visto a fera
34:28ou onde eles viram outros animais.
34:30Mas eles não vêm aqui de noite
34:32porque dizem que é quando uma pinguari sai.
34:36E como essa é a área onde ele vive,
34:38eles ficam com medo demais para entrar.
34:40Eu nunca me sinto bem entrando em lugares
34:47onde os guias me dizem para não entrar.
34:52Mesmo se o mito não te pegar,
34:54os animais de verdade poderão fazer isso.
34:56Geralmente não tenho medo de animais,
35:04mas depois de ver o que estes fizeram comigo
35:07e sabendo que não poderei vê-las nessa escuridão,
35:12não gosto de saber que tem formigas balas ao meu redor.
35:20Esse labirinto orgânico
35:22cega até minhas ferramentas científicas mais afiadas.
35:26A floresta é tão densa
35:28que não consigo ver quase nada,
35:30nem usando isso.
35:32Ainda dolorido pelo veneno das formigas,
35:34meus próprios sentidos estão perfeitamente
35:36sintonizados com os desta floresta.
35:40Tem algo gritando.
35:44Parece um porco.
35:46É, o que estou ouvindo são porcos.
35:50As condições são perfeitas
35:52para ouvirmos os gritos de uma pinguaride
35:54que as testemunhas falaram.
35:56Eles disseram que quando estavam sozinhos
36:02na floresta de noite e ouviram esse som,
36:04acharam que um de seus amigos estivesse em apuros
36:07e então responderam ao chamado.
36:09E aí ouviram uma resposta
36:10e responderam novamente.
36:12Os gritos de ambos os lados
36:13foram ficando gradativamente mais perto
36:15e de repente viram que não era o amigo deles.
36:19Quando os zoologos estão trabalhando em campo,
36:21muitas vezes tocam chamados de animais
36:23e ficam esperando a resposta.
36:26Eu gravei a versão de David Oren
36:27do grito de uma pinguarine.
36:30Quero tocar aqui
36:31para ver se alguma criatura responde.
36:33em qualquer outro lugar do mundo,
37:01fazer isso me faria rir.
37:02Mas não aqui.
37:11Justo quando eu estava para desistir,
37:14algo estranho acontece.
37:15Você ouviu isso?
37:21Você ouviu isso?
37:22Você ouviu?
37:23Não.
37:24É, ouvi sim.
37:26Tem alguma coisa ali.
37:26Toquei esse grito e aí ouvi algo de volta.
37:29Não, não, não.
37:29É sério.
37:30Você ouviu mesmo?
37:31Você ouviu?
37:36Não, não.
37:37Meu amigo e eu ouvimos algo respondendo.
37:52Está andando.
37:54Sebe-a, sebe-a, sebe-a, sebe-a.
37:58Ok.
38:28Mas encontramos os limites de nossa tecnologia nesta floresta.
38:38É densa demais. Não consigo atravessar.
38:42Nosso equipamento de gravação de alta tecnologia não consegue captar o que nossos ouvidos ouviram claramente.
38:51Talvez até para nós, mito e realidade estejam começando a se misturar.
39:12Ele disse que até a gente quando entra na floresta sente como se houvesse animais ali nos observando.
39:18Eles existem em outro nível.
39:24Quando o Pat tocou o chamado do mapinguari que o médico tinha dado para a gente e eu tinha gravado, ouvi algo responder.
39:32Pat também ouviu.
39:34O que ouvimos não é facilmente identificável com qualquer criatura que a gente já tem ouvido.
39:41Realmente deu muito medo. Muito medo mesmo.
39:45Ouvimos algo.
39:48Se uma pinguari for mesmo um megatério, um grito como este poderia fazer sentido.
39:53Preguiças menores têm um grito parecido com um lamento.
39:59Se aumentarmos o tamanho de suas cordas vocais e baixarmos o tom...
40:05O som desse grito vai ficar parecido com o que ouvimos.
40:14Isso pode sustentar a teoria de David Oren.
40:28Mas não é uma prova.
40:29Quero fazer mais um teste com minha última e melhor testemunha.
40:41Para descobrir o que ele viu usando um desfile de animais.
40:45Não fica nessa mata.
40:49Ele não reconheceu o urso.
40:52Agora a anta já conhece porque ele fica nessa mata aqui.
40:58A anta ele reconheceu.
41:01Eu mostro algumas fotos para ver se refresco a memória de Geovaldo.
41:05Não, ele nunca viu um rinoceronte.
41:10Bom, isso faz sentido.
41:13Eu também conheço também.
41:16O gorila ele também conhece.
41:18Eu posso ver isso.
41:20É tipo, só que o braço mais...
41:23O braço mais forte.
41:26Com relação a foto da preguiça, ele está dizendo que viu um animal com braços assim, só que bem maiores.
41:32Agora, o animal que acredito ser o responsável.
41:40É o tamanduá, né?
41:42Tamanduá.
41:44Ele reconheceu esse animal na hora e até disse o nome dele, mas também disse que o animal que ele viu é bem diferente disso.
41:51Os braços são parecidos, mas nada mais além disso.
41:55Para o caçador, este é um tamanduá e nada mais.
41:58Mas este é o esqueleto de um megatério.
42:02E este é o modelo com o qual os cientistas acham que a criatura se parece.
42:17O tipo desse, ó.
42:19Acho que é esse bicho.
42:24Parecido com ele.
42:26É.
42:28É parecido, né?
42:29Ele é o mais branco.
42:30Branco ele.
42:32Eu vi.
42:33O pelo é mais branco.
42:35E as garras?
42:37Porque a unha é muito curta.
42:38É o maior?
42:40Não sei o que falar.
42:42O único modo de Geovaldo ter visto este animal é se ele ainda estiver vivo e em algum lugar na floresta.
42:51Este animal, o animal que você viu, muitos cientistas acreditam que ele morreu há mais de 10 mil anos.
42:59E o braço parecia...
43:02E o cômodo todo.
43:04Parecia.
43:06É incrível.
43:09Maravilhoso.
43:11Ele está dizendo que talvez o animal esteja extinto, mas que ele viu algo muito parecido.
43:16O mesmo corpo, os mesmos braços, a mesma cara.
43:19É realmente incrível que este homem possa ter visto um megatério que supostamente está extinto há 10 mil anos.
43:34Sabemos que 96% desta imensidão permanecem inexplorados.
43:39Sabemos também que um terço de todos os mamíferos declarados extintos nos últimos séculos foi encontrado vivo.
43:52Some isso com o que eu aprendi aqui e só há uma conclusão.
43:57Embora ainda não haja nenhuma prova cabal, temos que levar a teoria de David Oren muito a sério.
44:03Música
44:06Versão Marshmallow São Paulo
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