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O mercado de bebidas falsificadas no Brasil lucrou cerca de R$ 60 bilhões para o crime organizado. Rodolpho Ramazzini, diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, analisa a dimensão do esquema. O alerta sobre o perigo desses produtos se intensificou após as recentes mortes em São Paulo por intoxicação com metanol.

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Transcrição
00:00E segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crime organizado lucrou quase R$ 57 bilhões em 2022
00:07apenas com bebidas falsas, valor maior que o faturamento da maior cervejaria do país, a Ambev,
00:14considerando até mesmo os produtos não alcoólicos.
00:17A morte de duas pessoas e a internação de outras oito por intoxicação após ingerirem bebidas alcoólicas
00:24contaminadas por metanol reacendeu o alerta para enfrentamento desse crime.
00:29E para falarmos mais sobre o assunto, nós vamos conversar agora com o diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação,
00:36o Rodolfo Ramazzini. Boa tarde, Rodolfo. É sempre um prazer te receber aqui na Jovem Pan. Boa tarde.
00:42Boa tarde. É um prazer estar com vocês de novo aqui na Jovem Pan.
00:45Rodolfo, conta pra gente como é que você e a entidade que você representa têm enxergado esse movimento,
00:51neste momento, de tantas notificações de intoxicação com duas mortes já registradas.
00:59A BCF vem lutando continuamente ao longo dos anos contra esse mercado ilegal de bebidas
01:04e, infelizmente, esse mercado vem crescendo a passos largos
01:09desde o desligamento do SICOB, Sistema de Controle de Produção de Bebidas da Receita,
01:14no final de 2016.
01:16Desde então, os volumes de bebida falsificada no mercado brasileiro crescem a passos largos
01:21e nós notamos, ao longo dos últimos anos, uma entrada do crime organizado no setor.
01:28E isso, obviamente, impacta num aumento ainda mais expressivo,
01:32tanto do prejuízo tributário, do prejuízo das indústrias,
01:35mas, principalmente, dos riscos à saúde dos consumidores.
01:39E é o que vem ocorrendo agora com essas contaminações com metanol
01:44que trazem risco de morte aos consumidores que tomam essas bebidas destiladas falsificadas.
01:52Rodolfo, eu vou trazer pra nossa conversa o Rodolfo, o seu Sará, o outro Rodolfo,
01:55o Rodolfo Maris, nosso comentarista do programa de hoje, ele vai te fazer a próxima pergunta.
02:00Boa tarde, Rodolfo.
02:01Somente no Fast News, numa tarde de domingo,
02:05num jornal aqui na Jovem Pan, a gente consegue unir dois Rodolfos
02:08pra falar sobre esse assunto, olha que legal.
02:11Verdade, um prazer estar falando com você.
02:12O prazer é todo nosso.
02:14Olha só, e dá pra tirar, dá pra isentar, no caso,
02:18os donos, os proprietários de casas noturnas, bares, hipermercados,
02:23porque se o mercado tá dessa forma,
02:26existe alguma responsabilidade daqueles que compram essas bebidas também?
02:31Sim, porque ao não adquirirem esses produtos de distribuidores oficiais
02:36ou de fabricantes oficiais e estão comprando esse produto por um valor mais baixo,
02:42sem nota, esses donos dos contos de venda sabem sim que estão vendendo uma bebida ilegal.
02:47O que eles podem desconhecer é o fato de ter metanol misturado nesse produto, obviamente.
02:53Agora, os donos desses estabelecimentos que forem pegos vendendo essas bebidas falsificadas
02:59que estão lesando a saúde dos consumidores,
03:02respondem solidariamente com os falsificadores pelos crimes que estão sendo cometidos.
03:07A BCF nunca recebeu tantas denúncias, nunca efetuou tantas denúncias das autoridades,
03:21nunca acompanhou tantas operações junto às polícias por todo o Brasil
03:25pra combater a entrada dessas bebidas ilegais no mercado brasileiro.
03:30Isso se faz porque esse setor tá descontrolado
03:33a partir do momento que não existe mais um mecanismo de rastreadibilidade de produção
03:38que havia até dezembro de 2016, da Receita Federal e da Casa da Moeda.
03:43Desde que isso ocorreu, a BCF já entrou com uma ação no TCU,
03:48a Corte de Contas deu ganho de causa,
03:50mandou que esse sistema de rastreadibilidade fosse retomado,
03:54mas, pra nossa surpresa, a Receita Federal recorreu da decisão
03:57e o caso encontra-se hoje no Supremo Tribunal Federal.
04:00Enquanto não houver a retomada desse sistema de rastreadibilidade,
04:04nós vamos continuar vendo esse mercado descontrolado
04:07nas mãos de bandidos com a entrada cada vez maior dessas bebidas ilegais
04:12e o prejuízo à saúde dos consumidores.
04:15Por mais que nós estejamos trabalhando cada vez mais
04:17junto às autoridades pra combater,
04:19sem um controle, uma rastreadibilidade de produção,
04:22fica difícil a gente diferenciar o produto legal do ilegal no mercado
04:26quando efetua as fiscalizações com a polícia.
04:28E isso dificulta o trabalho das autoridades
04:31no enfrentamento ao crime organizado
04:33que tá atuando na falsificação de bebidas,
04:36da mesma maneira que atuava no mercado de combustíveis,
04:39da mesma maneira que atua no mercado de cigarros.
04:41Por quê?
04:42São setores altamente tributados
04:44e, dessa forma, eles são convite
04:48pra que o crime organizado entre neles
04:50pra lavar dinheiro e maximizar os lucros dessas cadeias criminosas.
04:55Rodolfi, esse número agora de pessoas intoxicadas,
05:01com duas mortes, inclusive,
05:02esse momento, é um momento em que a sua entidade, por exemplo,
05:06pode trabalhar na prevenção
05:08pra que mais casos como esses não aconteçam mais?
05:11Quem é que pode estar junto nessa empreitada?
05:13É o PROCON, são os entes do governo,
05:17as entidades representativas também dos bares, restaurantes, enfim.
05:21Como é que você vê daqui pra frente
05:23pra solucionar e precaver desse tipo de problema?
05:27A BCF realiza treinamentos das autoridades por todo o Brasil
05:30pra ajudar na identificação desses produtos,
05:33bem como a Abrabe, a Associação Brasileira de Bebidas, faz isso,
05:36as cervejarias como a Ambev, enfim.
05:38A gente efetua esses treinamentos
05:40pra ajudar as autoridades a identificar esses produtos
05:42e, sempre que possível, divulgamos essas operações na mídia
05:46pra que o consumidor esteja atento ao que ele compra.
05:49Se um produto estiver muito barato, desconfie.
05:51Segundo lugar, se houver alguma diferença de rotulagem,
05:55de lacre, de coloração, de sabor da bebida,
05:59entre em contato com o SAC dessa indústria
06:01ou diretamente no Disque Denúncia da BCF
06:03que nós vamos apurar
06:04e, se essa denúncia proceder,
06:06vamos encaminhá-la pras autoridades.
06:08Eu acho que tem que ser feito um trabalho conjunto
06:10maior do que já vem sendo feito
06:13pela Secretaria Nacional do Consumidor,
06:15pelas delegacias estaduais de combate
06:18a fraudes, falsificações, crimes contra a saúde pública
06:21e, o principal, é alertar a população
06:24pra que ela tome cuidado,
06:26adquira produtos somente em locais
06:27da sua extrema confiança,
06:29exija a nota fiscal
06:30pra evitar comprar esse produto ilegal.
06:33Mas, repito,
06:34a única maneira de combater isso
06:37de uma maneira mais efetiva
06:38é não só fazer as ações de inteligência
06:41e law enforcement
06:42que a gente já vem fazendo
06:43em conjunto com as autoridades
06:44e a conscientização dos consumidores.
06:48O que está faltando é ali a tecnologia a essa luta.
06:52E essa tecnologia está disponível
06:53na Casa da Moeda do Brasil.
06:55Falta uma decisão administrativa da Receita Federal
06:58em retomar o controle de produção de bebidas no Brasil
07:01para que todas as bebidas originais
07:04estejam gravadas
07:05com tinta de segurança,
07:07com etiquetas,
07:08para que, dessa forma,
07:09facilite a identificação
07:11tanto para as autoridades
07:12como para os consumidores
07:14dos produtos legais.
07:17Ao retomar esse sistema de controle
07:18de recebibilidade de produção,
07:20nós vamos dar um golpe forte
07:21no crime organizado
07:22e vamos poder combater
07:24de uma maneira muito mais efetiva
07:26a falsificação de bebidas
07:28e os ganhos
07:29que hoje tem o crime organizado
07:30nesse setor.
07:32Quero agradecer demais
07:34a participação conosco
07:35do Rodolfo Ramazzi,
07:37que é diretor
07:37da Associação Brasileira
07:38de Combate à Falsificação.
07:41Rodolfo Ramazzini, perdão,
07:42que esteve conosco
07:43nos ajudando a entender
07:44todo o cenário aí
07:45no combate
07:46a esse tipo de falsificação,
07:48adulteração,
07:49em especial nas bebidas
07:50nesse momento.
07:51Rodolfo, muito obrigado
07:51pela sua participação.
07:52É sempre um prazer te receber.
07:55Eu que agradeço.
07:56Agradeço ao Jovem Pão
07:57para dar sempre espaço
07:58para discutir esses temas
07:59sensíveis à saúde
08:00dos consumidores brasileiros.
08:02Muito obrigado.
08:03Um abraço e até a próxima.
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