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No episódio #04 do Especial Círio 2025, apresentado por Gabriel da Mota, o editor e roteirista Filipe Larêdo explica como registrar o Círio de Nazaré vai além de guardar imagens: é preservar a memória coletiva da fé amazônica. Coordenador do livro e documentário sobre os 50 anos da Guarda de Nazaré, ele destaca o valor histórico e cultural desse patrimônio vivo.

Assista ao episódio completo em OLiberal.com/cirio

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Transcrição
00:00Grupo Liberal no Sírio de Nazaré 2025, eu sou Gabriel da Mota, jornalista e pesquisador
00:26do Sírio de Nazaré e hoje eu recebo aqui no estúdio da redação integrada Felipe Laredo,
00:31que é produtor editorial. A gente vai falar sobre a preparação de material muito especial
00:36sobre a Guarda de Nazaré, que deve ser lançado agora durante o Sírio 2025. Primeiro, Felipe,
00:42muito obrigado pela sua presença aqui. Eu agradeço, Gabriel. Felipe, tu estás editando um livro e
00:49dirigindo um documentário sobre a Guarda, não é isso? Como é que começou esse trabalho e por que
00:54te interessou esse tema? De fato, estamos produzindo um livro sobre a Guarda de Nazaré e também em
01:06produção de um documentário que vai ser lançado junto com o livro e tudo começa com o João Marcelo,
01:16que trabalha conosco na editora, a Laredo Editora, que é membro da Guarda de Nazaré. Ele trouxe a ideia e disse
01:27por que a gente não escreve um livro sobre a Guarda? Eu tenho formação em produção historial, também em
01:34direito, então eu aprendi um pouco a escrever e acabei fazendo meu mestrado em literatura. Hoje eu faço
01:41doutorado em literatura e aquele tema me encantou, porque eu vejo a Guarda como uma manifestação, uma
01:51extensão do povo, que a gente imagina que a Guarda seja só para fazer uma proteção. A gente deve até
02:04falar nessa palavra proteção, proteger de que? Do povo. Não, na verdade, a Guarda já sai dessa visão ali de
02:14estar ao redor da santa durante a peregrinação, mas também inúmeros trabalhos sociais, um trabalho de
02:24de evangelização também, que hoje já são mais de quatro mil guardas de Nossa Senhora de Nazaré. Então, toda essa
02:39manifestação cultural que é promovida pela Guarda me chamou muita atenção, acho que deveria, algo que deveria ser
02:50contado em um livro, trazendo depoimentos de pessoas que fizeram parte da Guarda, depoimentos dos fundadores da
02:59Guarda, depoimentos de coordenadores, pessoas que podem trazer algumas experiências interessantes, experiências que
03:10enriquecem a visão que nós temos do que é essa Guarda, até o nome Guarda, ela é, ela traz uma
03:24conotação de que algo precisa ser protegido, mas hoje a função social da Guarda, ela extrapola esses, essas
03:33definições. Você tem membros com trabalhos belíssimos comunitários, você tem a
03:42participação da Guarda em resoluções de problemas de algumas comunidades. Recentemente, quando houve as
03:54representantes no Rio Grande do Sul, a Guarda promoveu todo um acolhimento de mantimentos para
04:06para quem estava passando por aquelas dificuldades, entre outras coisas, né? Tem inúmeras formas de
04:13de trabalho social que a Guarda vem prestando. É um trabalho que literalmente extrapola o sírio, né? Sim. O período do sírio e o que está relacionado ao sírio.
04:23É durante o ano todo que eles têm esse trabalho. Isso foi também, aos poucos, eu fui entendendo um pouco mais. Eu tinha
04:33uma visão da Guarda de que ela, ela se restringia à aqueles limites durante a peregrinação. Quando, e mesmo ali, a Guarda faz,
04:48exerce alguns papéis que são um papel de amor àquele povo que está manifestando. Então, você vê a ajuda de membros da Guarda com pessoas que estão machucadas, que estão debilitadas durante a peregrinação.
05:10a peregrinação. Então, esse olho no olho, estar bem ali no meio, bem no miolo do sírio, né? Ao redor da santa, faz com que eles tenham um olhar diferenciado sobre as coisas que acontecem.
05:29E qual é a tua relação com o sírio de modo geral? Tu já tinhas documentado a festa de alguma forma?
05:35Minha relação com o sírio nasce um pouco no período que eu nasci. Eu nasci em 12 de outubro. Inclusive, esse ano vai ser dia 12 de outubro.
05:45Volta e meia eu sempre me vi envolvido nesses festejos, essas festividades do sírio. Além disso, eu venho de um lar de família católica.
05:57Sempre teve também um cuidado, um respeito à imagem de Nossa Senhora de Nazaré. E, por fim, eu também venho de um lar que valoriza muito a cultura.
06:15E aí é o que extravasa. O sírio extravasa um apelo meramente religioso. Isso é uma manifestação cultural em que pessoas de diferentes credos vêm para cá.
06:36E é esse sincretismo que também sempre me chamou atenção. Porque pessoas que vivem com esse modelo católico e também trazem um pouco dessas encantarias que nós temos na região amazônica.
07:00Essa um pouco das pagelanças. Então, são coisas que fazem com que o espírito que fica dentro do sírio de Nazaré seja único.
07:14Seja no coração da Amazônia, onde nós temos a nossa própria maneira de manifestar a nossa fé.
07:24E, Prati, qual é a importância de documentar o sírio? De registrar uma coisa que a gente vive todos os anos?
07:29Mas de dar forma para algo que a gente pode recuperar depois?
07:34Acho que tudo que vive aqui, tudo que a gente produz aqui no norte do país, precisa ter um registro mais bem cuidado.
07:47O sírio não fica de fora da lista de inúmeras manifestações culturais que nós temos dentro de uma escala que vai do macro ao micro.
08:00Então, se a gente não tem uma documentação ampla e com diferentes olhares sobre o sírio de Nazaré, como vai ser sobre a Marujada de Coatipuru, por exemplo,
08:21ou sobre os xerimbabos, lá da região de Cametá.
08:27Esses ainda são menos registrados.
08:31Ou a festividade de Nossa Senhora do Carmo, em Vila do Carmo, distrito de Cametá, que é lindíssima também.
08:38Então, temos inúmeras manifestações religiosas culturais que precisariam ser documentadas.
08:47E uma delas, aquela que a gente tem como a mais forte em termos de devotos, é o sírio de Nazaré.
08:57Ele precisa ser documentado de diversas formas.
09:01É o que a gente vai tentar trazer um olhar diferente para esse sírio de Nazaré e tentar mostrar um pouco do que é a alma dessa guarda.
09:14Por que ela existe?
09:16Para que ela serve?
09:18A quem ela serve?
09:20E tem alguma história que tenha te surpreendido, emocionado, que tu possas adiantar, assim, que vai ter no livro?
09:26A gente tem algumas histórias muito fortes, relatadas pelos alguns coordenadores e membros da guarda.
09:37Uma delas é o episódio de um incêndio que aconteceu na Casa Chama.
09:46Não lembro exatamente em que período, começo do ano 2000, final do ano 90,
09:50em que a guarda exerceu um papel fundamental para organizar o fluxo que teve que mudar o percurso da santa.
10:07Então, passou por uma via muito estreita, imagina.
10:10Ali, precisava ter um gerenciamento, tiveram que afastar obstáculos que existiam ali.
10:23Isso tudo foi uma visão de quem estava dentro do sírio vivendo.
10:30São pessoas da guarda que vivem o sírio permanentemente.
10:34Se a gente levar em consideração que eles vestem a camisa, literalmente, do sírio.
10:44Se você for à igreja, à Basílica de Nazaré, que é dentro de uma organização que é a católica,
10:57seria ali a diocese que eles prestam serviço.
11:07Seria a de Nossa Senhora de Nazaré.
11:08Se você for à Basílica, eles estão lá, com suas camisas, assistindo às missas,
11:14participando dos encontros, participando de ações que a Igreja Católica,
11:21nem preciso dizer, a força social que a Igreja Católica tem,
11:27de trabalho com o povo, que é quem sustenta essa fé.
11:33O sírio é do povo.
11:35A Igreja Católica tenta organizar, tenta sintetizar esse sírio por meio das suas instituições.
11:49Uma delas é a guarda de Nazaré.
11:50E os membros da guarda que vivenciaram esse episódio do incêndio ainda estão na guarda?
11:56Esses que te relataram?
11:57Sim, eles trazem.
11:58A gente traz no documentário, vai ter no livro,
12:02mas também vai ter muito forte no documentário,
12:05porque não é só uma pessoa que relata ser esse um episódio muito emocionante,
12:15muito sensível da sua memória.
12:16Então, esse acontecimento vai ser contado de diferentes formas no documentário.
12:26E em termos de registro, vocês recorreram à imagem de arquivo da própria guarda?
12:31Como é que foi?
12:31A gente tem como registro, como conteúdo do livro e do documentário,
12:39as fotografias e a direção de fotografia é do Fernando Sete.
12:44E ele já é um fotógrafo que acompanha o sírio há muito tempo,
12:53já há muitos anos que ele vem recolhendo essas imagens.
12:58E essa edição do livro da guarda vai vir com fotografias do Fernando Sete,
13:03enquanto que o documentário vem com a direção de fotografia do Fernando Sete.
13:11Nós vamos compor as entrevistas, uma certa historiografia da guarda
13:21e também imagens de arquivos, que também pertencem à própria guarda.
13:27Se tiverem, se a gente puder compor no processo de edição,
13:36eu posso te adiantar um pouco, mas eu não posso te dizer
13:41porque a gente ainda não começou a fazer a edição do material.
13:45Mas há uma previsão de que nós utilizemos a imagem de arquivo
13:52para mostrar um pouco esses acontecimentos.
13:57E aí temos datas de lançamento do livro, do documentário, datas confirmadas?
14:02A gente planejava lançar até o sírio,
14:05mas muitos dos depoimentos foram acontecendo
14:12depois de períodos que nós havíamos planejado antes.
14:16Então, muito provavelmente, nós vamos lançar depois do sírio,
14:20lá pelo mês de novembro.
14:22Quem sabe até antes da COP,
14:26mas, infelizmente, não vamos poder ter os livros.
14:33Talvez o documentário, sim, mas os livros,
14:36até o sírio, não vai acontecer.
14:40No entanto, se tudo der certo,
14:43até novembro nós já podemos lançar.
14:48Mas aí é bom também que ganha um tempo de respiro,
14:51de prolongamento da experiência, passou o sírio,
14:55aí vem esse material importante.
14:56E também vem com novos registros fotográficos.
15:00A gente vai poder trazer um livro bastante atualizado,
15:02com as imagens do sírio desse ano já.
15:05Bacana.
15:06Essa também é uma das intenções que fizeram
15:08com que nós atrasássemos o planejado.
15:12E, Felipe, e aí, para encerrar as minhas perguntas,
15:16de tudo que tu ouvis, coletaste,
15:18o que tu achas que mais mudou no sírio
15:20e o que permanece, pelo menos na história da guarda?
15:24O que mais mudou no sírio?
15:29Eu diria que é o orgulho que o povo paraense tem
15:32de ter o sírio em sua casa.
15:35Acho que, nos últimos anos,
15:38nós, com muita alegria,
15:42que eu percebo isso,
15:44que nós começamos a valorizar mais
15:46o fato de nós sermos amazônidas.
15:50nós termos as nossas manifestações,
15:53da nossa forma, do nosso jeito aqui.
15:57E é o que impressiona no sírio de Nazaré.
16:00As formas como as pessoas,
16:04como aquela multidão,
16:07aquela massa de gente se reúne
16:10e que não se resume apenas ao domingo.
16:16Você tem diversos dias,
16:17você tem a motossiata,
16:20você tem o sírio fluvial,
16:24você tem a peregrinação,
16:25você tem ali na sexta-feira
16:28um percurso maior da Santa,
16:32passa por diversos lugares,
16:34passa pela BR,
16:36e já chega numa estrada.
16:38isso vai manifestando a importância
16:46que esse evento cultural,
16:53além de ser religioso,
16:55é um evento cultural
16:56que une os paraenses
16:59e traz pessoas que podem vir de fora
17:01e ver como nós fazemos as coisas.
17:03Como é que o nosso povo amazônida
17:07revelamos a nossa fé
17:10em Nossa Senhora de Nazaré?
17:12E o que permanece?
17:15Permanece esse gesto de união,
17:21um gesto de fraternidade
17:24que gira em torno de uma figura
17:27tão singela,
17:29que é Maria,
17:30mãe de Jesus.
17:32Ela representa,
17:35ela é um símbolo
17:36de algo que é simples
17:38e que Jesus conseguiu simplificar também
17:42em um dos seus mandamentos,
17:45amar ao próximo como a ti mesmo.
17:48Uma multidão de milhares,
17:50milhares e milhares de pessoas
17:51juntas,
17:54se apertando,
17:55você consegue ter
17:56uma experiência vivaz
18:00do que é amar ao próximo como a ti mesmo.
18:03E isso não muda
18:05esse desejo
18:08por fraternidade
18:12que, a meu ver,
18:15é da natureza humana.
18:16A meu ver,
18:17a natureza humana é fraterna.
18:19Ela, aos poucos,
18:22vai se afastando disso.
18:24A gente vê
18:25o que seria
18:27o oposto disso
18:28seria as guerras.
18:30Seriam as guerras
18:31que
18:32abalam,
18:35trazem muita tragédia
18:36para o mundo.
18:37E quando a gente tem
18:38uma oportunidade
18:39de manifestar
18:40o carinho
18:41pelo outro,
18:42pelo próximo,
18:43diante de uma figura
18:44que seria a mãe,
18:45nós podemos
18:49nos impregnar
18:51dessa aura
18:52de fraternidade.
18:55Perfeito, Felipe.
18:55Muito obrigado pela tua presença.
18:57Desde já,
18:57um feliz sírio
18:58e sucesso no lançamento do projeto.
19:00Muito obrigado, Gabriel.
19:02E a você que nos acompanhou até aqui,
19:03obrigado pela audiência.
19:05Grupo Liberal
19:05no Sírio de Nazaré 2025.
19:07Música
19:08No Sírio de Nazaré 2025.
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