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  • há 11 meses

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Transcrição
00:00Oi gente, eu sou a Eiza, eu sou a Aline, moramos em Salvador, hoje saímos de casa para nos divertir,
00:09fomos para Pituba, Palpirambeira, em Salvador, chegamos lá em torno das 18 horas e permanecemos
00:18na porta até as 21 horas se conseguir entrar, sendo que nesse período houve várias pessoas
00:26que entraram no ambiente com várias justificativas e a gente conseguiu entender, porque a gente
00:34não estava conseguindo entrar, sendo que várias pessoas que tinham chegado antes da gente
00:40ou depois da gente, estavam entrando, estavam tendo livre acesso ao local, então a desculpa
00:46era que não tinha mesa, que não tinha cadeira e a gente vindo que as pessoas estavam entrando
00:53mesmo sem mesa e ficando em pé.
00:57Às 9 horas, nesse período eu questionei o motivo e fui muito mal recebida, muito mal atendida
01:10por um perfil de uma mulher branca, loira, que recusou ouvir a minha queixa ali naquele momento,
01:19não entendeu a minha queixa, enfim, essa mesma pessoa, ela perguntou se a gente queria
01:26entrar no ambiente para ver que ele estava lotado, a gente entrou no ambiente, conseguimos
01:31uma mesa para a gente poder ficar, onde as pessoas também estavam em pé, nesse momento
01:36o garçom se aproximou e a gente questionou, a gente disse, não, mas a gente pode ficar
01:40aqui, fomos convidados, a gente pode ficar aqui e o garçom falou, olha, só se ela permitir.
01:46Sendo que ela já tinha permitido que duas pessoas fizessem a mesma coisa antes.
01:51E ela disse que não, que a gente não poderia entrar.
01:54E quando a gente retorna para fora do, que a gente não poderia ficar lá, e quando a gente
01:58retorna para a porta do bar, as pessoas comentam para a gente, olha, quando vocês entraram,
02:07a outra recepcionista falou que a gente ainda tinha sorte de estar naquele local.
02:14E aí, naquele momento, o que para mim era só uma dúvida do que estava acontecendo ali,
02:23dos meus receios já de não frequentar a Pituba e não frequentar outros bairros, se confirmou.
02:28E é muito doloroso você morar na cidade, que 90% das pessoas são negras, e a gente
02:38ser questionada por que estamos naquele ambiente, por que temos sorte, por que a gente tem sorte
02:44de estar ali.
02:46A gente saiu para se divertir, a gente não conseguiu, estamos aqui arrumadas ainda, tentando
02:50entender o que aconteceu, tentando entender por que a gente passou por aquilo, e ainda
02:59não achamos um motivo, uma justificativa.
03:05E fica aqui o meu questionamento.
03:08A nossa indignação a respeito disso, como mulheres negras, que muito luta contra o racismo,
03:15sofreu racismo dentro da cidade de Salvador, em um estabelecimento que era para acolher
03:20a todos, independente.
03:22E a gente questiona qual é a nossa sorte de entrar no estabelecimento que a gente iria
03:26consumir, que a gente iria pagar, e que a gente não iria dever nada a ninguém.
03:30Por que a gente tem sorte de estar naquele momento, naquele lugar?
03:33O que ele vai proporcionar a gente para a gente ter sorte?
03:35E os outros não têm sorte de estar ali, por que?
03:38E eu fico a reflexão aí para os meus amigos, onde vocês estão pregando o dinheiro
03:43de vocês, os lugares que estão frequentando.
03:45Eu espero que esse vídeo alcance e que atitudes essas não se repitam, atitudes como essas
03:54não se repitam, porque é doloroso.
03:56Sabe?
03:57É doloroso você sair de casa e você não conseguir ter um livre-arbítrio.
04:03Eu não tenho um lugar, não pertencer a um lugar por causa da sua cor.
04:06Não é por causa do dinheiro, porque dinheiro ela não sabia nem quanto a gente recebia.
04:10É por causa da cor.
04:11Eu não pertenço àquele lugar, por quê?
04:13Porque onde a maioria das pessoas, como a gente questionou, eram brancas, né?
04:17Não tinha quase nenhum negro sentado como cliente.
04:20E a maioria dos negros que tinham ali naquele estabelecimento estava servindo às pessoas.
04:24Então, era sorte da gente, porque a gente estava entrando como cliente?
04:28E até no momento a gente pediu para falar com o gerente, porque a gente queria entender
04:31realmente, de fato, porque a gente não estava conseguindo entrar.
04:34E toda a pessoa que aparecia se dizia gerente.
04:38Então, a gente não teve nem sequer uma assistência ali, um amparo naquele momento.
04:43As pessoas rindo, os funcionários rindo, debochando e achando aquilo engraçado.
04:49E diminuindo ainda mais o nosso sentimento.
04:52E é isso, Pirambeira.
04:54Obrigada pela noite.
04:56Obrigada.
04:57Obrigada por...
04:58Obrigada, obrigada.
05:03A gente queria que não se repetisse.
05:05Porque a gente tem qualquer lugar a gente adentra.
05:08Qualquer lugar a gente pode estar.
05:10A gente pertence a qualquer lugar, independente da nossa cor, da nossa classe social.
05:15Independente do nosso sexo, do nosso gênero.
05:17A gente quer ser respeitada em todos os lugares que a gente adentra.
05:21Principalmente na cidade como Salvador, onde a maioria da população é uma população negra.
05:26É isso.
05:28Obrigada.
05:29Obrigada.

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