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  • há 1 ano
Diego Martins fala sobre preconceito como Drag Queen

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Transcrição
00:00Ah, com certeza, com certeza, eu acho que é isso que você falou, a gente vai passar por esse preconceito, e eu reconheço esse preconceito de fora da minha própria bolha, da minha própria comunidade, mas tem dentro também, e é muito bizarro quando a gente vê de dentro, você fica, meu Deus, é um dos meus fazendo isso comigo, que tristeza, sabe, que tristeza, mas eu acho que é algo que, eu falei, eu tava falando disso ontem, inclusive, com outras pessoas, exatamente sobre isso, e eu acho que é algo que tá longe de acabar,
00:26acho que a gente tá melhorando com várias coisas, porque as entradas nos lugares estão melhorando, eu acho que as pessoas estão reconhecendo mais a gente nos lugares, e é isso, assim, eu acho que o mundo está mudando, com certeza, mas estão altos e baixos, altos e baixos, e às vezes é isso, parece que a gente voltou 10 anos, parece que fala, não, acho que agora tá indo, vai e volta, então eu acho que a gente tá longe de não ter mais isso,
00:51E aí, com isso, eu acho que tem um trabalho também a se fazer interno, sabe, do tipo, não deixar isso me afetar, não deixar isso me parar, não ficar com medo disso, lutar quando eu posso, quando eu estiver cansado, não vou lutar, porque é uma vida também, lutando, né, nós da comunidade, a gente tá uma vida lutando, e às vezes a gente cansa, então tá tudo bem também a gente se respeitar e não lutar agora, lutar depois, eu acho que é uma coisa que é isso, assim, é esse jogo interno também, com algo que a gente sabe que não vai acabar amanhã.
01:20É, Claudinho, eu já ouvi em entrevistas de drag, dizendo que tem muita dificuldade de ter uma vida amorosa, porque geralmente são gays, né, e o outro não quer ter um namorado que se veste, que se monta, e eu acho isso tão estranho, né, como você disse, ter um preconceito dentro.
01:41E é um personagem, a pessoa não vai.
01:42Você tem orgulho, né, do teu parceiro, que é um artista, e na verdade você tem vergonha.
01:48Exato, porque mexe com o feminino, e o feminino é muito doido, porque é isso, é muito até um reflexo do machismo dentro da comunidade LGBT, sabe, porque é isso, o feminino não é visto com bons olhos por alguns homens gays.
02:03Já se sentiu rejeitado?
02:04Super, super mesmo, tipo assim, e de saber que era esse o motivo, de saber que não tava indo pra frente porque eu sou uma drag queen, e aí aquele cara, naquele momento, não tava afim de viver com um cara que foge do padrão,
02:19porque, querendo ou não, eu reconheço como padrão em várias coisas, e vejo esses privilégios, mas, querendo ou não, eu sou uma drag, tipo assim, eu já sou um cara que a minha maior fonte de renda hoje também é ser quem eu sou, e é um cara afeminado, e isso já tira minhas chances com vários outros.
02:36O afeminado já restringe muito.
02:38Exato, é muito doido, assim, muito doido mesmo.
02:40Aí fica nessa discussão de alguns caras que falam assim, ah, mas é gosto, aí você fica, será que a gente tá falando só de gosto, e não só uma construção também, e por aí vai.
02:48E aí a discussão vai longe.

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