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  • há 5 meses
Da rua ao futsal: como começou a história de Francielle no futebol

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Transcrição
00:00No começo, minha amiga. Bora, vamos lá.
00:02Onde você começou a rabiscar, jogar futebol?
00:05Como que surgiu essa coisa na sua cabeça?
00:08Porque assim, a gente fala do sacrifício das pioneiras para jogar futebol,
00:12que tinha muito, ainda tem, né, esse entrave, esse machismo,
00:16essa, pô, uma menina jogar futebol.
00:18Como que foi dentro da sua casa e como era na sua época?
00:21Ah, eu costumo dizer que eu tenho muita sorte, assim,
00:24da família que eu vim, da família, a família que eu tenho,
00:28porque eles sempre me apoiaram, meu pai jogava também,
00:32não chegou a jogar profissionalmente, porque ele era muito cabeçudo, na verdade.
00:38Não era profissional.
00:39Não era profissional, recebeu alguns convictos.
00:42Ele jogava de quê?
00:44Ele era meio atacante.
00:45E ele era bom.
00:47É mesmo?
00:47Muito bom.
00:48Você ia assistir ele jogar?
00:49Eu ia assistir ele jogar, ele era muito bom.
00:52E aí ele, a gente brincava, né, em casa somos eu e mais duas meninas.
00:59Ele só teve mulher?
01:00Só mulher.
01:00Oh, meu Deus.
01:01Mas eu tinha meus primos, né, minha tia teve quatro meninos.
01:05Então a gente jogava bola na rua e aí a gente mudou para Itaiaí.
01:09Eu nasci em São Paulo e a gente mudou para Itaiaí.
01:11E lá tinha a escolinha de futsal.
01:13E aí meu pai me colocou.
01:16Mas tinha mais meninos?
01:17Não, tinha tudo, na verdade.
01:20Mas obviamente que era menino, mas tinha categorias de mulheres também.
01:25E era por categorias 12, 14, ia.
01:29E aí tinha muitas clínicas, né?
01:31A galera vinha dos Estados Unidos para poder...
01:33Então eu tive muita sorte, assim, até nesse começo.
01:37E com que idade você entrou na escolinha?
01:38Com sete.
01:39Nossa.
01:39Com sete anos.
01:40Aí eu joguei futsal dos sete aos doze.
01:43E aí foi quando, né, o Cleiton era o meu treinador.
01:49Cleiton Lima.
01:50Cleiton Lima.
01:51A escolinha era dele.
01:52E aí ele falou assim, Fran, você tem que escolher.
01:55Você vai para o campo ou você fica no futsal.
01:59E eu via mais possibilidades de crescimento, de visibilidade no campo.
02:06E aí eu acabei escolhendo, mas eu odiava campo.
02:08Menina, sério.
02:09É porque...
02:10É outra dinâmica.
02:10É outra dinâmica, a futsal, um espaço curto, pequeno.
02:14E aí é pensamento rápido, tudo muito dinâmico.
02:18E aí quando eu fui para o campo, eu tive um pouco, assim, de dificuldade de assimilar
02:21o tamanho do campo.
02:23O Cleiton falava para mim, falando, dois toques.
02:25Vou colocar você aqui no meio, dois toques.
02:27E eu, tá bom, porque eu, doze anos, as meninas já com dezoito, vinte.
02:32Falei, eu não vou ficar com a bola para me ficar apanhando.
02:35E aí eu pegava e tocava, pegava e tocava.
02:38E isso já lá no Santos.
02:39Isso já lá no Santos.
02:41É porque foi, era portuário.
02:43Era integrado.
02:44Era sempre com parceria com prefeitura.
02:47Já não era Santos camisa, camisa.
02:49Então, pera, com que idade você vai para o Santos?
02:51É, mas logo na sequência.
02:53Porque como é parceria, então era portuários para jogos regionais e abertos.
02:57E aí, paulista, já é camisa do Santos, né?
03:01Entendi, entendi.
03:01Então, era já nesse meio, mesmo, mesma época.
03:05E aí, minha filha, eu já me adaptei logo, porque eu apanhava.
03:09O futsal, ele dá muito preparo para as meninas que vão jogar no campo, né?
03:13Eu imagino que seja difícil a adaptação, mas assim, ouvindo as histórias das pioneiras,
03:19muitas vieram do futsal.
03:20A maioria passou pelo futsal e te ajuda, né?
03:23Eu era meio campista, então eu tinha que raciocinar muito rápido.
03:27E o futsal me trouxe algumas coisas, né?
03:30De não ficar enrolando ali.
03:32E isso me ajudou até no jeito de jogar os anos que eu fiquei no campo.
03:37Então, eu sou muito grata ao futsal.
03:39E foi tranquilo dentro de casa você se tornar atleta?
03:42Te deram o maior apoio?
03:43Ninguém falou, ah, tem que estudar.
03:45Não, eu estudava junto na mesma época,
03:49mas chegou uma hora que eu não consegui mais acompanhar tanto,
03:53principalmente porque com 14 eu já fui para a seleção de base,
03:58aos 14 anos.
03:59Que precoce.
04:00É, o treinador falou assim, ah, eu vou ver o torneio lá em Águagina e Dória,
04:04que antigamente tinha muito, né?
04:05Sim.
04:05Saad, Santos, essa galera toda.
04:08E aí o treinador foi, viu e gostou.
04:11Então, ele já me levou.
04:12E na época era sub-19, não era nem sub-20 ainda.
04:15E você tinha?
04:16E eu tinha 14.
04:18É, e aí eu fui e depois disso eu não saí mais.
04:23Mas a minha primeira colocação, muita gente não sabe.
04:26Eu quase não treinei.
04:28Como assim?
04:29Porque eu fiz alguns exames e deu uma arritmia no coração.
04:35Ah, no exame médico.
04:36Eu falei assim, ó, a gente tem que ficar afastada desse período
04:39até a gente descobrir o que é.
04:40E para mim era novidade, porque eu vim...
04:43Você já jogava.
04:43Já jogava.
04:44E aí depois fez os outros exames e viu que não era nada.
04:49Então, eu tive outra oportunidade.
04:52Caraca, Fran.
04:53Sim, é.
04:54Muito doido acompanhar tudo que você teve que passar, assim, né?
04:57E tão nova.
04:58É.
04:58Tão nova.
04:59Eu fiquei meio assustada, né, Nina?
05:01Porque eu falei, meu, como?
05:02Eu jogo normal, nunca senti nada.
05:04Sim.
05:05E aí deu uma...
05:06Dizem que é normal no coração de atleta e tal.
05:10Eu falei, gente, pelo amor de Deus, hein?
05:12Vamos encerrar na carreira com 14 anos.
05:14Não.
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