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  • há 5 meses
‘Estamos exaurindo pedaços do corpo da Terra que não vão se reconstituir depois’, diz Ailton Krenak

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00:00...normalizada na nossa linguagem no mundo inteiro.
00:07Todo mundo fala em ecologia.
00:10As corporações, o mundo da economia, da técnica, da tecnologia,
00:18percebeu como era propício capturar essas ideias
00:30e transformar isso também em uma extensão da mercadoria.
00:38Como diz o Copenau e o Yanomami,
00:40nós nos constituímos na sociedade da mercadoria.
00:43Nós conseguimos mobilizar tudo o que se expressa em materialidade do mundo
00:55e também do nosso imaginário e compor mercadorias.
01:04Essa experiência nossa aqui se data,
01:07assim como em outras ocasiões que a gente pôde articular a ideia
01:13de ciência, tecnologia,
01:17e essa vontade,
01:26traduzida em gestos, em algumas palavras,
01:30que nós, em diferentes culturas, chamamos de natureza, meio ambiente,
01:35ainda persiste como uma grave interrogação.
01:45Nós não sabemos definitivamente o que fazer com isso,
01:50com a natureza e com a ideia de ecos, ecologia.
01:57Se os gregos já disseram que é a nossa casa,
02:02nos últimos dois séculos,
02:04a gente está transformando isso em uma maquinação terrível de comer a terra.
02:11Comer a terra.
02:12Nós comemos a terra quase que em todas as direções em que a gente se move.
02:23As palavras dessa canção,
02:26que nos embalou agora há pouco,
02:29me deixou um pouco sem chão
02:32para chegar aqui
02:34e acrescentar palavras
02:37a uma poesia
02:40que nos interroga
02:44o que nos move.
02:49O que me move?
02:50Estando aqui eu e o Siddhartha,
02:52ocupando esse palco
02:55e experimentando o privilégio
03:02de falar com pessoas que têm
03:04tanta coisa a responder
03:07sobre o que move cada um de vocês,
03:12pode nos mover
03:16a algum sentido de responsabilidade da espécie,
03:21compaixão,
03:22uma certa renúncia
03:26das promessas que o capitalismo
03:30acena para a gente,
03:33tipo, não, eu não quero isso.
03:36Eu não quero trocar de carro,
03:37não quero trocar de calça,
03:38não quero trocar de telefone.
03:43Algumas renúncias.
03:45Mas nem essas renúncias
03:47são mais remédio
03:50para a situação que a gente está
03:53metido.
03:56Não é isso?
03:59É isso.
04:01Boa noite
04:02a todas as mulheres
04:03e não mulheres presentes.
04:09Você é da Nurit.
04:10Estou aqui feliz
04:14de estar com
04:15com a Ailton,
04:16que para mim,
04:19além de ser um amigo,
04:20é um mestre.
04:22E
04:23acho que é muito difícil
04:24para
04:25todas e todos nós,
04:27certamente para quem
04:28faz profissionalmente
04:31isso que a gente chama de ciência,
04:33reconhecer
04:34que a ciência,
04:35ela é
04:35necessária
04:37para a solução,
04:38mas ela é parte do problema.
04:40isso começa
04:42pela arrogância
04:44da ciência acadêmica
04:45universitária
04:46em se considerar
04:46a ciência,
04:48quando na verdade
04:49ela é só uma ciência.
04:53E
04:53é que bom
04:58que a gente não está mais
04:59vivendo
05:00sob um governo fascista,
05:02anticientífico,
05:04porque a gente pode
05:05criticar a ciência.
05:07há quatro anos
05:09atrás
05:09não dava
05:10para criticar
05:11a ciência.
05:12Quando a gente
05:13não tinha vacina.
05:15Então,
05:16se não tivesse ciência,
05:17não tinha vacina
05:17para a Covid,
05:18não tinha esse microfone,
05:20não tinha essas luzes,
05:20a gente não estaria falando
05:21com milhões
05:23de pessoas
05:23no planeta
05:24em tempo real
05:25ou quase real.
05:27Então,
05:28sem essa ciência
05:29acadêmica universitária,
05:30estaríamos em maus
05:31lençóis.
05:32mas também,
05:34se não houvesse
05:34essa ciência,
05:37não haveria
05:40Hiroshima,
05:44Nagasaki,
05:45Gaza.
05:48Não haveria
05:49exploração de petróleo
05:53na margem equatorial
05:55da floresta amazônica.
05:57Então,
06:00é triste,
06:01é doloroso
06:02reconhecer,
06:05para mim,
06:05é bastante difícil,
06:06foi difícil,
06:07e foi conversando
06:08com a Ailton
06:08que eu comecei
06:09a ficar mais
06:10consciente
06:11disso,
06:13que,
06:14se nós
06:14colocarmos
06:15toda a nossa energia
06:16nessas tecnologias
06:18que prometem
06:18cada vez um futuro
06:20mais acelerado,
06:23a gente está acelerando
06:24o nosso fim.
06:25enquanto existem
06:27cientistas
06:28como Carlos Nobre,
06:31que estudam
06:32e medem
06:32e alertam
06:33para o que nós
06:36estamos provocando,
06:37existem outros
06:38e outras
06:38envolvidos
06:39em produzir
06:40novas máquinas,
06:42novas armas,
06:43novos pesticidas.
06:44Essa ciência
06:45acadêmica universitária
06:46não tem bússola moral.
06:49Indivíduos, sim,
06:50mas como um
06:51projeto coletivo,
06:53não.
06:53e o que
06:57a gente faz
06:57com isso,
06:57Ailton?
07:06Há uns...
07:10Antes da pandemia,
07:12talvez
07:12oito,
07:15nove anos,
07:16eu me
07:18pus diante
07:20dessa questão,
07:21se data,
07:22numa conferência
07:24sobre...
07:26uma conferência
07:27que tratava
07:28de natureza,
07:30ciência
07:31e religião.
07:33Natureza,
07:34ciência e religião.
07:35Eu me perguntei,
07:36mas para que
07:37estão me levando
07:38numa conferência
07:38sobre ciência,
07:39natureza e religião?
07:41Será que eu estou
07:41indo como natureza?
07:43ou será que
07:48eles estão achando
07:49que eu sou
07:49algum guru?
07:54Porque,
07:55de certo,
07:57eles não acham
07:57que eu faça
07:58alguma coisa
08:00que seja ciência.
08:03Ciência
08:03é um
08:04privilégio
08:05ocidental.
08:09até outro dia,
08:12o Ocidente
08:12não acreditava
08:13nem que a China
08:14fosse capaz
08:15de fazer ciência.
08:17Agora,
08:17eles estão
08:18com problema,
08:19porque os chineses
08:19estão produzindo
08:20buchigangas
08:21muito mais adiantadas
08:22do que o Ocidente
08:23e, às vezes,
08:25criam um certo
08:26tumulto
08:29no trânsito
08:30tecnológico.
08:32Mas essa nossa fé
08:33inabalável
08:34na tecnologia
08:35vai nos salvar.
08:37duas religiões
08:41fundamentalistas
08:42operam
08:43no planeta
08:44hoje.
08:45Uma
08:45é a economia
08:46capitalista
08:47e a outra
08:49a nossa fé
08:50na tecnologia.
08:52Se uma falhar,
08:54a outra
08:54vai resolver.
08:57Quer dizer,
08:58se der o maior
08:59xabu
08:59na economia
09:00do planeta,
09:01a tecnologia
09:01vai resolver.
09:03Mas nós
09:04precisamos
09:04observar
09:05que a dança
09:07dessas duas
09:08juntas
09:09está comendo
09:10o planeta
09:11no sentido
09:12material.
09:14Uma montanha
09:15não volta a ser
09:16montanha
09:17100 anos
09:18depois,
09:19500 anos
09:20depois.
09:21Um rio
09:22não volta a ser
09:24um rio
09:24espontaneamente
09:26daqui a 30 anos,
09:28100 anos.
09:29Eu estou
09:30à margem de um
09:30testemunhando
09:31o estado
09:33de coma,
09:34de um rio,
09:35uma bacia hidrográfica
09:36de 630 quilômetros.
09:38Quer dizer,
09:39estou dando
09:39testemunho
09:40de que ele
09:41não vai aparecer
09:41vivo amanhã.
09:45Ele foi
09:45transformado
09:47em riqueza.
09:48Ele foi
09:49apropriado
09:49na forma
09:50de riqueza
09:51por gente
09:51no mundo inteiro,
09:53acionistas,
09:55sócios
09:56e tudo.
09:57Na mineração,
09:59assim como
10:00em outros campos
10:01da produção,
10:03nós estamos
10:04exaurindo
10:04pedaços
10:05materiais
10:06do corpo
10:07da Terra
10:07que não vão
10:08se reconstituir
10:09depois,
10:10porque eu não
10:11conheço
10:11na ciência
10:12nenhum processo
10:14de...
10:16em que a gente
10:16pode pegar
10:17um pedaço
10:17de planeta
10:18e colar
10:18e fazer...
10:19Como é que chama isso?
10:23Ainda não temos
10:24como fazer,
10:26formar de novo
10:28aquela tecnologia
10:30que faz a gente
10:31até fazer
10:32um pedaço
10:33de nós mesmos,
10:34não dá para fazer
10:35um pedaço
10:35de planeta.
10:38Só temos
10:39um planeta.
10:41Quando alguém
10:41diz,
10:42ah,
10:43não tem
10:43planeta B,
10:46é engraçadinho,
10:47mas parece
10:48que não está
10:48comovendo
10:49ninguém.
10:50O pessoal
10:51continua dizendo,
10:52tudo bem,
10:52não tem mesmo.
10:54Mas,
10:55o que me
10:55sugere,
10:56Cidarta,
10:58é que,
10:59enquanto a gente
11:00acena
11:01com gestos
11:04de esperança,
11:07um apelo
11:08à poética
11:09de existir,
11:11um reclamo
11:13de que a vida
11:14precisa de
11:15poesia,
11:17precisa ser capaz
11:18de produzir
11:19sentidos,
11:21subjetividades,
11:23é a expressão
11:24que eu costumo
11:24apelar para ela,
11:26essas subjetividades,
11:29elas precisam
11:31ter relação
11:32com o mundo
11:32material.
11:34Por mais
11:34que eu seja capaz
11:35de imaginar
11:36um paraíso
11:38incrível,
11:40criado
11:40pela tecnologia,
11:42ele precisa
11:42de rios,
11:43montanhas,
11:44florestas,
11:45oxigênio,
11:46ele precisa
11:47produzir
11:48de dentro
11:48do corpo
11:49da Terra
11:49esses efeitos.
11:51é só a Terra
11:52que produz isso,
11:53eu não conheço
11:54outro planeta
11:55que produz
11:56esses efeitos
11:57que o planeta
11:59Terra,
12:00Gaia,
12:01esse organismo
12:02maravilhoso,
12:03que durante muito
12:04tempo foi,
12:06até o final
12:07do século XIX,
12:08século XX,
12:10foi descaradamente
12:11tratado
12:12como uma
12:13plataforma
12:13física
12:14que a gente
12:15podia
12:16processar,
12:18que a gente
12:20podia
12:20morrer.
12:21E, mais uma vez,
12:22lembrando Drummond,
12:23que a gente
12:24podia
12:24maquinar,
12:26a gente podia
12:27fazer, como diz
12:28José Miguel Wisnik,
12:29uma maquinação
12:30desse mundo
12:31até transformar
12:33isso em pó.
12:36A ciência
12:37pode
12:37pegar o planeta
12:39depois que ele
12:40virar pó
12:41e fazer
12:42alguma coisa
12:43interessante,
12:44Cidata?
12:46Segundo ela mesma,
12:47não,
12:47porque a segunda
12:48é a lei da termodinâmica,
12:50a entropia
12:51tende a crescer,
12:52não vai ter solução
12:54se a gente
12:55desorganizar tudo,
12:56não vão ser
12:57os nossos filhos
12:58e filhas
12:58e netos
12:59que vão
13:00poder lidar
13:01com isso.
13:02Acho que a gente
13:02tem que lembrar
13:03que a ciência
13:04sem capitalismo
13:06não existiria,
13:07a ciência acadêmica
13:08universitária,
13:09e o capitalismo
13:10sem ciência,
13:10como você mesmo
13:11disse,
13:11não existiria.
13:13Os ganhos
13:14de produtividade
13:14que alimentam
13:16o capitalismo
13:17são vindos,
13:18são advindos
13:18da inovação
13:20científica
13:21e tecnológica.
13:22Essa aula você me deu
13:23quando você estava
13:25entrevistado no Roda Viva
13:26e eu te fiz uma pergunta
13:27sobre ciência e tecnologia
13:28e você falou
13:28que a gente tem que tratar
13:29essas coisas
13:29não como siamesas,
13:31mas como coisas
13:32bem diferentes.
13:34Ciência
13:34pode ser muito boa,
13:36tecnologia
13:36depende
13:37do que se trata.
13:39e a gente tem que lembrar
13:40que na origem filosófica
13:42desse projeto científico
13:43que é europeu,
13:46branco,
13:46patriarcal,
13:48está a noção
13:50de estupro.
13:53Francis Bacon,
13:54quando fala
13:55da atitude do cientista
13:56diante da natureza,
13:59separa o cientista
13:59da natureza
14:00e diz que
14:00o que o cientista
14:02tem que fazer
14:02é tomar,
14:04mesmo que se necessário,
14:06de forma violenta
14:07e penetrar
14:08a natureza.
14:10Isso não é por acaso.
14:13Não é por acaso.
14:14Então isso gera
14:14uma maneira
14:15de ver
14:15uma cosmovisão
14:16que é uma cosmovisão
14:19violenta
14:20e que passa
14:21a tratar como
14:22coisas
14:24as pessoas
14:24e tratar
14:25as pessoas
14:26como coisas.
14:31Eu continuo
14:32sendo um cientista
14:32profissional,
14:33eu continuo fazendo ciência
14:34porque eu acho
14:35que isso não é tudo.
14:36existe uma contradição aí
14:38e essa contradição
14:40precisa ser
14:43vencida
14:44por todas
14:46e todos
14:46que querem
14:47que exista
14:48uma sétima geração
14:49depois de nós.
14:51Mas a gente
14:52não tem como
14:53sair disso
14:53sem sair do fundamentalismo.
14:59Voltando lá
14:59na conferência,
15:02cerca de
15:03oito, nove anos
15:04atrás,
15:04eu
15:05vi que eu estava
15:08numa universidade
15:10na Flórida,
15:13recebendo
15:13pesquisadores,
15:15cientistas
15:16do mundo
15:17todo,
15:18tinha
15:18gente
15:19muito ilustre lá,
15:21e
15:21eu teria que fazer
15:23uma
15:24fala
15:25de abertura
15:27e eu fiquei pensando
15:29mas que situação
15:30estamos aqui
15:33com cientistas
15:34da Rússia,
15:35do Japão,
15:35da Índia,
15:36dos Estados Unidos,
15:37nem tanto.
15:38Aliás,
15:39é muito curioso,
15:40era uma conferência
15:41sobre ciência,
15:43religião e natureza
15:44na Flórida
15:45e a minoria
15:47eram
15:48norte-americanos.
15:50Tinha muito europeu,
15:51tinha russo,
15:52tinha japonês,
15:53tinha gente do mundo árabe,
15:55da Ásia,
15:56da China,
15:57e essa conferência
15:59ela tem
16:01um efeito
16:02muito atraente,
16:03ela chama
16:04muita gente
16:05e
16:06eu
16:07participei
16:09de uma roda
16:10de conversa
16:11com cientistas
16:12e eu
16:13tive a curiosidade
16:14de perguntar
16:15para eles
16:15para quem eles
16:16trabalhavam.
16:18A canção
16:18não pergunta
16:19o que move
16:20a gente
16:20para estar aqui?
16:25Todos
16:25trabalhavam
16:26para corporações,
16:27aí eu falei,
16:29mas tem algum
16:30cientista mesmo
16:31aqui
16:31que faz ciência
16:34que não entrega
16:38só encomenda?
16:40Isso que vocês fazem
16:41é entregar encomenda,
16:42né?
16:43Quando pedem
16:43para vocês
16:44um míssil,
16:45vocês fazem, né?
16:47Se pedir
16:47para vocês
16:48uma vacina,
16:49vocês fazem também?
16:51Se pedir
16:52uma bomba?
16:55Quem de vocês
16:55aqui
16:56está ligado
16:57a um laboratório
16:58independente?
17:00Um laboratório
17:00onde você vai
17:01e faz pesquisa?
17:05Nenhum.
17:08Aí eu falei com eles,
17:09será que acabou a ciência?
17:12Será que a gente
17:13não encontra mais
17:14um cientista
17:14que não é
17:17entregador de encomenda?
17:21porque um cientista
17:24de verdade,
17:25pelo menos
17:25na minha
17:26ingênua
17:27imaginação,
17:28Siddhartha,
17:29ele não tem
17:30que entregar nada.
17:34Você acha que um cientista,
17:36ele tem que
17:37estar
17:39atendendo
17:41uma encomenda
17:41desse mundo
17:42que está
17:43se auto
17:44devorando?
17:46que encomenda
17:48que ele pode
17:48entregar?
17:51Esse é o modelo
17:52que está sendo
17:53posto
17:54e muitas
17:56vezes
17:56as pessoas
17:57se movem,
17:58as pessoas
18:00que estão
18:00fazendo isso
18:00estão se movendo
18:01pelo valor
18:04que vai ser
18:04pago
18:06por essa
18:06encomenda.
18:07Minha concepção
18:08de ciência,
18:09meus mestres
18:10na ciência
18:10me ensinaram
18:12outras coisas,
18:14me ensinaram
18:15a importância
18:16da curiosidade,
18:18de boas perguntas,
18:19que abrem
18:19mais perguntas
18:20e
18:22a necessidade
18:25de um trabalho
18:26que promova
18:27de fato benefícios.
18:29É muito comum
18:30que as pessoas
18:32que fazem
18:32essas encomendas,
18:33que entregam,
18:35não se responsabilizem
18:36por nenhuma
18:36das consequências
18:37dessa encomenda.
18:39E elas vão dizer
18:39eu não tenho nada
18:40com isso,
18:40sou técnico,
18:41mas só dentro
18:41da técnica.
18:45e isso
18:46faz com que
18:47todo mundo
18:48seja uma peça
18:49de uma engrenagem
18:50de destruição.
18:53Se não houvesse,
18:54por exemplo,
18:56todo um aparato
18:56tecnológico,
18:57não existiria
18:58a indústria
18:59de proteína animal,
19:01que na verdade
19:01é uma indústria
19:02em grande escala
19:04de produção
19:05de sofrimento,
19:07que hoje
19:08mata
19:08bilhões
19:10de animais
19:12como se fossem
19:14coisas,
19:15mas isso só é possível
19:16porque existe
19:16muita entrega
19:18dessa encomenda.
19:20E se nós
19:21não tivermos
19:22consciência
19:23dessas conexões,
19:26a gente está
19:27fadado
19:27a desaparecer
19:28muito em breve.
19:30E provavelmente
19:30de uma forma,
19:31como diz o Nelson Vaz,
19:32grande imunologista
19:33da UFMG,
19:34o fim do mundo
19:35é lento e fedorento.
19:37Não vai nem ser rápido,
19:39vai ser triste,
19:40está sendo.
19:41Hoje,
19:42800 milhões
19:42de pessoas
19:43passam fome
19:44no mundo,
19:45um mundo que
19:45produz comida
19:46para todo mundo.
19:48Então,
19:48a gente tem
19:48uma questão
19:49muito profunda mesmo
19:50e que eu aprendi
19:52contigo
19:54e com pessoas
19:54que não...
19:59não tiverem
20:11a gente tem
20:12que não tiverem
20:13em
20:13não tiverem
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