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  • há 5 meses
Entrevista exclusiva com Mauro Galvão, ídolo do Vasco.

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Esportes
Transcrição
00:0027 anos de 1998, queria começar falando desse título que começou de uma forma difícil, o Vasco teve uma campanha que começou sem três vitórias,
00:08acho que perdeu os dois primeiros e depois empatou o terceiro, só foi ganhar no quarto jogo, como é que foi essa virada de chave?
00:16Pois é, tudo aconteceu, começou em 97, quando a gente começou a fazer esse trabalho, que eu cheguei no Vasco também em 97, no meio do ano,
00:26e o desejo era de poder, no ano centenário, o Vasco ter um título importante como é a Libertadores da América, mas para isso a gente teria que conquistar o brasileiro,
00:39então não era nada simples o nosso caminho, mas a gente conseguiu fazer um bom campeonato, conseguimos vencer contra o Palmeiras na final,
00:50e aí fomos para a Libertadores, pegamos no início adversários difíceis, pegamos o Grêmio, pegamos um time do México, dois times do México,
01:02nós acabamos tendo dificuldades e conseguimos recuperar aquela condição de poder chegar à outra fase, conseguindo um empate lá contra o América do México,
01:19primeiro nós perdemos para o time de Guadalajara, o Chivas, perdemos 1x0, mas o que a gente notava assim, é que em todos os jogos a gente jogava bem,
01:32a gente não estava jogando mal, não era o problema do nosso time não estar bem, é que os adversários também eram bons,
01:39muitas vezes a gente não entende isso, que quem disputa a Libertadores, pelo menos quem disputava antes, eram só os campeões e vices,
01:48então eram os melhores, não era fácil de você conseguir resultados assim, e nós conseguimos recuperar com esse empate lá no México,
02:01e esse empate que nos deixou vivo, porque aí no retorno nós faríamos três jogos em casa, e aí foi realmente o que decidiu e definiu a nossa vida na Libertadores,
02:14porque nesses três jogos em casa a gente ganhou os três.
02:18Alguns rivais olham para aquela conquista e falam, nossa pegou o Barcelona na final, que não é um time de tanta expressão,
02:23mas a gente esquece que o caminho até lá foi um dos mais difíceis da história da Libertadores,
02:27teve o Grêmio, teve o Cruzeiro, teve o River, para você qual foi o confronto mais difícil?
02:32Pois é, a gente pegou todos os campeões, os últimos campeões nós pegamos em sequência, foi muito interessante,
02:39mas eu acho que é um desafio também que a equipe tem, de jogar contra grandes times, grandes jogadores,
02:47então acho que isso aí serviu de motivação para nós também.
02:50Então nós pegamos o Grêmio com o Ronaldinho, pegamos o River depois na semifinal,
02:59o River é um time que metade era a seleção da Argentina, e tinha jogadores também da seleção paraguaia,
03:05então é um time maço, e foi muito difícil, mas eu acho que ao mesmo tempo é uma satisfação ter conquistado
03:14essa condição de chegar à final contra o Barcelona de Guayaquil.
03:20Mas aí, o que eu penso?
03:22Todo esse caminho que a gente fez, e eu pensava isso também anteriormente, ele foi importante,
03:29mas o que a gente queria? A gente queria o título, não ia adiantar nada a gente ganhar de todos esses times,
03:35chegar contra o Barcelona e entregar o jogo, porque é o que seria, né?
03:41Se a gente entrasse em campo achando que, não, porque é o Barcelona, não sei,
03:45o Barcelona tinha um time chato, um time bom, e fisicamente muito bom, muito forte fisicamente.
03:51Eu lembro que eram jogadores que tinham uma boa estatura, o centroavante também,
03:56que eles acabaram contratando nos últimos meses, e que acabaram criando também uma atmosfera,
04:04que eu lembro que o slogan era, si se poeira, assim a gente pode conseguir, né?
04:11Então, era todo um país querendo ganhar o título, e a gente foi para lá, passamos dificuldades,
04:17tiveram algumas coisas que aconteceram, mas nada assim que, só que a gente tinha que conversar,
04:22vamos conversar só, o jogo é dentro do campo, o que eles fizerem lá fora, o que eles podem fazer,
04:28o que eles quiserem.
04:29A gente não pode entrar, por causa disso, em campo e começar a querer dar pontapé nos caras,
04:35porque aí nós vamos fazer tudo o que eles querem, dar a chance para os caras,
04:40vai um expulso aqui, nossa, o jogo vai virar uma loucura.
04:44Já tinha vantagem, né?
04:45Nós já tínhamos a vantagem, não precisávamos disso.
04:48Então, vamos jogar futebol, não vamos dar bola para isso.
04:51A torcida jogava coisa no campo, a gente não conseguiu nem ficar no vestiário,
04:56tivemos que nos trocar fora do vestiário, porque tinha um cheiro no vestiário insuportável,
05:01que eles tinham pintado, sabe que o cheiro de tinta pode se fazer mal, tem que sair.
05:07Então, nós saímos, fomos lá para fora e disse, cara, vamos lá,
05:09que só estão nos dando a arma para a gente entrar com mais vontade ainda.
05:14E foi o que aconteceu.
05:15Então, a gente levou a sério, independente do time que estivesse na final,
05:21o nosso objetivo era o título.
05:22Eu já tinha também uma idade avançada.
05:25Para mim, era talvez a última chance de ganhar uma Libertadores, como outros também.
05:30Então, a gente foi com tudo.
05:32E eu acho que muito da decisão aconteceu em São Januário, mais uma vez, com 2x0,
05:39que é um resultado que incomoda bastante.
05:43E aí
05:48E aí
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