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  • há 1 ano
Grace Gianoukas fala sobre a importância de compartilhar experiências com substâncias

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Transcrição
00:00Você falou que criou personagens, né?
00:02E algumas delas até para falar de questões pessoais.
00:06Eu vou citar, por exemplo, a Cinderela.
00:08Ah, a Cinderela.
00:08Eu vi numa entrevista que você disse que ela lida com a questão das drogas
00:12e você também falava da sua relação com as substâncias.
00:16Sim, sim.
00:16A importância desses personagens para você?
00:19Para mim, eu economizo em terapia, né?
00:22Mas o que eu acho é o seguinte, por exemplo, a minha experiência com drogas
00:26também foi uma experiência onde eu descobri muitas coisas.
00:30Eu não fico me escondendo embaixo de um...
00:33Ai, que horror!
00:35Imagina!
00:36As pessoas bebem, caem no chão, se arrebentam, sabe?
00:41Está todo mundo aí, as cervejas, as mulheres, sábado.
00:45E as pessoas batem, as pessoas batem o carro, as pessoas assassinam e tal.
00:50Então, assim, tem drogas ilícitas, tem drogas ilícitas,
00:54mas todas elas são alteradores de humor.
00:56Eu acho que a gente tem que falar sobre isso.
00:58Por quê?
01:00É importante a gente ter as nossas experiências divididas.
01:05Então, por exemplo, eu criei um espetáculo chamado
01:09Não Quero Droga Nenhuma, a Comédia,
01:10que foi a primeira comédia que falava sobre substâncias químicas,
01:13sobre dependência química.
01:15E foi um escândalo.
01:16Porque os meus amigos, a minha turma que achava que, sabe com quem, às vezes, eu usava drogas, é...
01:24Ai, a Grécia está careta!
01:26A Grécia está cagando regra!
01:28Imagina, gente, eu estou dividindo essas experiências, inclusive porque tem coisas muito engraçadas.
01:34Olha o que tinha de piada de bêbado.
01:36O bêbado vinha vindo, o cachorro, não sei o quê.
01:38Ai, a pessoa que cheira cocaína fica também em um estado absurdo.
01:43Então, assim, todas essas coisas são ridículas, sabe?
01:47O ridículo de todos nós, eu acho que é importante.
01:50É importante que a gente assuma, é importante que a gente se veja,
01:53é importante que a gente se conheça.
01:55Dividir com os outros é uma maneira de falar sobre o assunto, tirar o peso
02:01e oferecer possibilidades para que a pessoa não se sinta tão sozinha se está num problema
02:08com dependência química.
02:09Eu acho que está tudo...
02:11Eu, como figura pública, preciso falar sobre isso, né?
02:14E humaniza a questão, né?
02:17Porque sempre fica assim, nossa, não podemos falar sobre isso.
02:19Como não?
02:20É o problema da sociedade, né?
02:22E mais que a sociedade, a gente sabe que uma pessoa que acaba tendo um ambiente emocional
02:30onde a droga entra, ou o álcool entra, são pessoas que têm um buraco negro, sabe?
02:39Antes de elas terem essa tendência, elas são ou bipolares, ou TBH.
02:45Hoje, se estuda mais, se sabe mais.
02:47Então, olha, eu vou dizer uma coisa, se eu tivesse descoberto a fluoxetina antes,
02:54eu teria economizado muito com droga, sabe?
02:57Porque é baratinho.
02:59Então, pessoal, oi, Grace, está tudo bem?
03:01Tudo bem, estou medicada.
03:03É uma questão de saúde mental e saúde pública.
03:07E saúde pública.
03:08E porque, assim, o que tem um ambiente, mas por que que alguns experimentam e passam?
03:15E outros experimentam e ficam porque precisa...
03:19Eu vou perguntar para quem está assistindo.
03:21Por que que tu bebe?
03:22O que o álcool te dá?
03:23O que o álcool te dá?
03:24A cerveja, o álcool, não sei o quê?
03:26Quantas bebidas, quantas coisas você usa numa semana ou num mês?
03:31Tem, assim, tem uma frase muito interessante que é assim, o álcool diz assim, se o time
03:41perdeu, bebe para esquecer.
03:43Bebe.
03:44Se o time ganhou, bebe para comemorar.
03:46Se está muito cansado, bebe para relaxar.
03:48Se não está fazendo nada, bebe para fazer alguma coisa.
03:51Então, assim, tudo são ambientes onde a droga acaba entrando num lugar emocional, né?
03:58Para preencher coisas, frustrações e tudo mais.
04:01Então, o buraco é muito mais embaixo e a droga é só um sintoma da doença de cada um de nós.
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