00:00Nasci pra ceder-se, é a história de uma mulher, de uma atriz,
00:03que vai fazer um teste pra viver desse Gonçalves num filme.
00:07Quando ela chega no estúdio, ela já acha tudo estranho,
00:09porque não tem ninguém.
00:10Não tem um diretor, não tem um assistente de direção.
00:12É um teste eletrônico, sabe?
00:14De já, né?
00:16Bem-vindo ou bem-vinda.
00:18E ela já começa...
00:19Essa voz desse diretor eletrônico é o Miguel Falabella que faz.
00:23E ali ela não tem com quem conversar, com quem trocar uma figurinha.
00:26E ali já começa um estranhamento.
00:29E aí ela começa a fazer o teste.
00:33E ela para, porque ela tá revoltada com o roteiro que ela recebeu,
00:37porque ela acha que a garotada que escreveu o roteiro
00:40não tem noção de quem foi Darcy Gonçalves.
00:43E ela começa a contar o que ela conhece de Darcy Gonçalves,
00:47a importância dela pra comédia brasileira, pro movimento feminino,
00:51e também como uma mulher que lutou sempre pela liberdade.
00:54Então tem coisas engraçadíssimas.
00:56Tem a primeira noite da Darcy,
00:58tem a Darcy enfrentando a ditadura,
01:00tem o dossier que fizeram sobre a Darcy Gonçalves,
01:03que é um dossier que a Marinha mandou fazer.
01:06Investigaram, investigaram,
01:07pra chegar à conclusão de que ela era mal criada.
01:09Então assim, tem momentos engraçadíssimos no espetáculo,
01:14conta um pouco disso, mas também mostra a Darcy de uma forma humana, né?
01:20Quebrando esse estereótipo, né?
01:22Quem era a Darcy?
01:24Que era a Dolores, na verdade, Gonçalves,
01:26imagina uma mulher que nasceu em 1907, no interior do Rio de Janeiro,
01:30numa cidade quase rural, e que enfrentou o mundo por ter personalidade,
01:34foi caluniada, foi julgada.
01:37E aí assim, de certa maneira, Santa Maria Madalena, onde ela nasceu,
01:41ela se expulsou de lá e o Brasil ganhou a Darcy Gonçalves, né?
01:46E assim, a história de muitos artistas, né?
01:49Geniais, de vanguarda, como ela foi.
01:51E numa época que a mulher não tinha voz, era silenciada, né?
01:54A mulher apanhava.
01:55Exatamente.
01:56A mulher, na noite de inúmeros, era praticamente estuprada.
01:58A mulher tinha que aguentar o marido que batia tanto que a mãe da Darcy fugiu.
02:01Não aguentava mais apanhar.
02:03A Darcy nasceu, ela deixou a Darcy crescer só um pouquinho, os meses,
02:07deixou com a irmã mais velha e ó, fugiu, porque a mulher vivia arrebentada.
02:12Então assim...
02:13E mulher artista, pior ainda naquela época.
02:16É, mas a mãe dela não era artista, era dona de casa.
02:19Parideira, dona de casa e ainda apanhava.
02:22E a Darcy apanhou muito do pai, né?
02:25Não, e mulher artista?
02:28Artista é tudo puta, gente.
02:30Artista é tudo puta.
02:31Então assim, tem até uma música do Menino Ótimo,
02:35que é um gênio, nova geração aí, compõe coisas maravilhosas,
02:39que é o Danilo Dunas, que está até no Spotify.
02:42Chama...
02:43Nasci para ser Darcy.
02:45Chama...
02:46Nasci para ser Darcy?
02:48Só sei ser Darcy.
02:49Procurem no Spotify uma letra que ele compôs,
02:52que eu canto no espetáculo.
02:53Aliás, gente, eu canto.
02:54Olha, me fizeram cantar.
02:56Olha lá.
02:57So grande.
02:58Quem ainda não inventa essa música?
02:59Então獵 que eu já estava só.
03:00E aí
03:07você sempre quer se teatrar.
03:09Tenta se teatrar.
03:10Passei, te, me parece.
03:11Tenta se teatrar.
03:13São Paulo.
03:14Tenta se teatrar.
03:15Tenta se teatrar.
03:16A gente teatrar com cuidado com cuidado.
03:17Tenta se teatrar.
03:18Tenta se teatrar…
03:19E aí
03:20Eu quero teatrar com cuidado com cuidado.
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