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  • há 4 meses
Transcrição
00:00:00Boa noite a todas e todos, vamos mais essa noite, né, mas a gente vamos começar,
00:00:22dar o começo de uma discussão com o rapper Pirata, com o tema neoliberalismo e as políticas periféricas,
00:00:33amor único é o amor coletivo, que é o tema da nossa conversa hoje.
00:00:39Meu nome é Marcos Noci, né, eu sou professor da escola Cinelex, e em parceria com o Fórum Hip Hop Municipal de São Paulo,
00:00:47realizamos mais um debate cultural, que tem o intuito de abrirmos diálogos,
00:00:54que apresentam caminhos para a constituição de uma sociedade livre das amarras da opressão,
00:01:01uma sociedade que possibilite a participação efetiva de toda a população.
00:01:07A cultura, ela se apresenta como um instrumento para essa busca de emancipação humana.
00:01:14Essa proposta do movimento Hip Hop Municipal, ele foi criado em 2005,
00:01:21e é um espaço e canal de diálogo entre os jovens do movimento Hip Hop e as representações da administração pública municipal,
00:01:30com o objetivo de discutir políticas públicas e criar critérios públicos que direcionem a relação entre o poder público e os jovens,
00:01:40garantindo que não haja privilégios de uns em detrimento aos outros.
00:01:47Bom, farão parte desse debate o rapper pirata, o André Luiz dos Santos,
00:01:56é rapper, compositor, produtor musical e de vídeo,
00:01:59e a formação dele é estudante de direito, comunicação social, jornalismo,
00:02:06pós em gestão de projetos sociais, especialização em serviços sociais,
00:02:12experiência em produção musical, eventos de Hip Hop, comunicação comunitária e gestão de projetos,
00:02:20atuação em oficinas, produção de conteúdo, vídeos, textos, articulação e mobilização social.
00:02:26O rapper pirata é um velho conhecido nosso, amigo de muito tempo,
00:02:34e é um prazer recebê-lo. Seja bem-vindo, pirata.
00:02:39Boa noite, tudo bem?
00:02:41Primeiro, agradecer à Sônia, você também, Marcos, ao Cindy Leste,
00:02:46para a gente fazer esse diálogo sobre a cultura de São Paulo,
00:02:50a cultura brasileira e as questões da periferia,
00:02:52e também não esquecer que isso é só o início, porque a gente já tinha feito uma parceria
00:02:57sobre um curso referente à construção do genocídio no Brasil,
00:03:04a partir de várias áreas da geografia e tal, a gente trouxe bastante gente,
00:03:09e a gente pretende fazer uma nova formação
00:03:11para convidar as pessoas para a gente fazer uma reflexão
00:03:15e também compreender o momento da sociedade brasileira no dia de hoje.
00:03:20É um prazer, e a gente poder, inclusive, viu, rapper,
00:03:27a gente organizar um curso aqui no Cindy Leste,
00:03:33em parceria com vocês organizarem,
00:03:35e trazerem informações, conhecimentos novos.
00:03:41Nós já fizemos um curso muito legal,
00:03:44deu muito certo, a gente falou,
00:03:47abrimos um canal bastante interessante,
00:03:51conversamos com a comunidade,
00:03:53conversamos com as pessoas interessadas,
00:03:57e é muito bom isso,
00:03:58porque a gente fica sem conhecer canais.
00:04:04Bom, a Sônia Alves, da Pública,
00:04:09a Sônia Alves, ela é economista,
00:04:13diretora do Cindy Leste,
00:04:15ela vai fazer as perguntas,
00:04:21e nós teríamos um outro debatedor,
00:04:23que daqui a pouquinho está aí,
00:04:25o comunista.
00:04:27Está entrando, está reiniciando o computador,
00:04:29que eu vou olhar na câmera.
00:04:29Ele já está aí?
00:04:32Já, ele só está reiniciando o computador,
00:04:34porque ele falou que deu um problema na câmera.
00:04:35Beleza, mas enquanto isso,
00:04:36eu apresento a Sônia,
00:04:37você vai apresentar as questões.
00:04:39O outro debatedor é o Djalma,
00:04:44que daqui a pouco eu já apresento ele,
00:04:46deixa ele entrar no circuito.
00:04:51Então, Sônia, está em casa, né, Sônia?
00:04:56Prazer.
00:04:58Obrigada, Marcos Alcírio,
00:04:59é um prazer estar aqui na presença do Pirata,
00:05:02que há tantos anos a gente conhece,
00:05:05que está aí na luta para exaltar,
00:05:08para se fazer presente
00:05:11nas decisões políticas,
00:05:15para que o movimento hip-hop
00:05:18não fique a deriva,
00:05:20não fique sem verbas, né, Pirata?
00:05:23Há quanto tempo eu vejo de lutar por isso.
00:05:26E muito prazer, Marcos Alcírio,
00:05:28é um prazer estar diante de você também.
00:05:30O movimento hip-hop é uma manifestação cultural,
00:05:39envolve muita gente,
00:05:41e a gente quer saber um pouco mais do que se trata,
00:05:45o que faz esse movimento,
00:05:47qual o alcance das pessoas com o qual ele dialoga,
00:05:52e queremos participar um pouco mais.
00:05:55E o que a gente puder fazer
00:05:57para abrir caminhos, né,
00:05:59para esse tipo de manifestação,
00:06:02estamos à disposição.
00:06:05Então, fala um pouquinho desse movimento,
00:06:08daqui a pouco entra o comunista, né,
00:06:11e a gente,
00:06:12o rap é comunista,
00:06:13e a gente apresenta ele.
00:06:14Mas, por enquanto,
00:06:16vai introduzindo,
00:06:18falando alguma coisa, né?
00:06:19Tranquilo.
00:06:20Então, vamos lá.
00:06:21O movimento hip-hop,
00:06:23ele acontece nos Estados Unidos,
00:06:26nos guias dos Estados Unidos,
00:06:28a sua estrutura cultural, etc.,
00:06:32é da diáspora africana.
00:06:34E ele acontece nos Estados Unidos,
00:06:36tem influência forte latina, né,
00:06:38quem é os primeiros b-boys,
00:06:43os caras que dançam a break,
00:06:44os melhores são latinos,
00:06:46e aí você também tem a influência da Jamaica,
00:06:49que é onde os DJs fizeram,
00:06:50mas o que tinha mais de importante nesse momento,
00:06:53na década de 60 e 70,
00:06:56é começar a criar a crosta
00:06:59do tal do neoliberalismo
00:07:01que nós vivemos hoje,
00:07:03e a gente nem compreende muito.
00:07:05Então, o movimento hip-hop,
00:07:06ele, justamente,
00:07:09as pessoas que estavam excluídas nos guetos,
00:07:12começaram a criar a sua cultura, né?
00:07:15Tipo assim,
00:07:16eu vou dançar e o outro vai dançar,
00:07:18melhor que a gente ficar armado,
00:07:20um matar o outro.
00:07:21Então, nasceram as rodas de break,
00:07:22as disputas de MCs,
00:07:24as disputas de DJ.
00:07:26Só que o conteúdo,
00:07:27o que tinha de fazer cultura,
00:07:30é justamente essa coisa,
00:07:31a história urbana,
00:07:32a história das pessoas.
00:07:34Então, o indivíduo pobre nos Estados Unidos,
00:07:36como indivíduo pobre no Brasil,
00:07:39as histórias,
00:07:40elas são identificadas
00:07:41em espaços geográficos diferentes.
00:07:44E aí, quando, em 1980,
00:07:46a ideologia de Friedman
00:07:49domina o mundo,
00:07:51a partir de Hegan,
00:07:53Magaritá, etc.,
00:07:54o hip-hop também começa a crescer nesse lugar.
00:07:56Só que ele vai dando voz a quem?
00:07:58A essas pessoas do gueto,
00:08:00onde estavam sendo oprimidos.
00:08:01E aí, no Brasil, acontece isso.
00:08:05E, no Brasil, especificamente,
00:08:07a gente, na década de 60 e 70,
00:08:09nós tínhamos o que chamamos de ditadura militar,
00:08:11onde tivemos um representante
00:08:13há pouco tempo,
00:08:17um representante,
00:08:17não, vários representantes
00:08:18que hoje estão indo para o Banco dos Réus,
00:08:21militares que queriam,
00:08:24era uma ditadura, tal,
00:08:25essas coisas.
00:08:26só que aí tinha um questionamento
00:08:29que se questionam até hoje.
00:08:32Ah, por que morrem tantos jovens?
00:08:34Ah, por que tantos jovens, etc., etc.
00:08:36E aí, tiveram uma leitura
00:08:38que esses jovens estavam morrendo
00:08:39era por causa da ditadura.
00:08:41Esses jovens,
00:08:42eles eram classe médias,
00:08:45porque a gente,
00:08:46eu vejo,
00:08:48eu vejo as pessoas falar
00:08:50de indenização de algumas famílias,
00:08:53mas eu nunca ouvi na minha história
00:08:55desse tempo para cá,
00:08:56a indenização,
00:08:57será que os pobres também
00:08:59não entraram lá contra a ditadura?
00:09:01Quantos foram para a guerrilha?
00:09:02Quantos lutaram?
00:09:04Por que esses nomes não são lembrados?
00:09:06Por que são descartados?
00:09:07E aí, na década de 80,
00:09:09eles percebem isso,
00:09:11e aí,
00:09:11acaba a ditadura,
00:09:14mas a juventude continua morrendo.
00:09:16E violentamente pelo Estado,
00:09:18representado pela instituição
00:09:21das polícias.
00:09:24Tanto que os governadores
00:09:25dessas épocas,
00:09:27a faz deles é
00:09:28bandido bom,
00:09:29é bandido morto, etc.
00:09:30E as periferias,
00:09:31que eram bairros
00:09:32que estavam se formando hoje,
00:09:33se você pegar os bairros
00:09:34da década de 80
00:09:35para os bairros de hoje,
00:09:37você vai ver uma evolução
00:09:38desses bairros,
00:09:39mas tudo começou,
00:09:40São Paulo,
00:09:42São Paulo como estrutura
00:09:43de cidade de bairros,
00:09:44ele não é tão antigo
00:09:46quanto a gente pensa.
00:09:47Alguns bairros são antigos,
00:09:49alguns são muito recentes,
00:09:50e hoje já são um gigante.
00:09:52Além que é de 80,
00:09:53já faz um tempo.
00:09:55E aí morriam muitos jovens,
00:09:56a execução como continua,
00:09:58e aí vem o hip-hop
00:09:59e a gente começa a falar
00:10:00por que a polícia
00:10:01está nos matando.
00:10:02Então a gente começa
00:10:03a questionar o Estado.
00:10:05Então a gente bebe
00:10:06na fonte do movimento negro
00:10:11unificado na época,
00:10:13eles formam a gente,
00:10:14aí você tem gestão
00:10:15de Eron Dina,
00:10:17gestão de Marta Suplicy,
00:10:20assim subsequentemente.
00:10:22Essas gestões tinham
00:10:23a leitura da visibilidade popular,
00:10:26etc.
00:10:27E aí essas pessoas
00:10:29eram nós,
00:10:29adolescentes,
00:10:30e a gente começou a questionar
00:10:31e também tinha nos Estados Unidos
00:10:32um questionamento,
00:10:33porque o grande referência
00:10:35era o público e hênico.
00:10:36E aqui no Brasil
00:10:37a referência virou racionais,
00:10:38mas o racionais é só um personagem
00:10:40a partir de vários artistas.
00:10:41Só que aí a gente começou
00:10:43a discutir politicamente
00:10:44e em 2000 a indústria cultural
00:10:48começa a influenciar no hip-hop.
00:10:50Então a gente começa
00:10:52a perder os questionamentos
00:10:53de sobreviver,
00:10:57começamos a ter uma leitura
00:10:59que vencemos,
00:11:01só que nós não observamos
00:11:04o aumento dos presídios,
00:11:05a gente não observa
00:11:07o aumento da drogadição,
00:11:08a gente não observa
00:11:09o aumento de pessoas
00:11:10em situação de rua.
00:11:14E aí o hip-hop se descola,
00:11:16alguns se descolam desse lugar
00:11:19da periferia,
00:11:20que estava politizando,
00:11:21porque tem uma interferência
00:11:23de outros agentes do Estado,
00:11:25porque se essas pessoas
00:11:27fossem conscientes,
00:11:29a periferia consciente,
00:11:31de repente nós estaríamos
00:11:31num país diferente.
00:11:33E aí os caras ficam
00:11:34todos os anos
00:11:35a um sufocamento
00:11:36do conhecimento
00:11:37formado pela periferia
00:11:39e lógico que nós temos
00:11:41o ProUni, etc.,
00:11:43tem um monte de pessoas
00:11:44hoje que são,
00:11:45que estudam, etc.,
00:11:46mas as pessoas estudam
00:11:47para tentar resolver
00:11:49a vida financeira.
00:11:51A gente não estuda
00:11:52para organizar-se socialmente.
00:11:55É isso.
00:11:56Eu contei assim por cima,
00:11:59mas isso é o hip-hop,
00:12:00o radar dele.
00:12:02Beleza.
00:12:05Realmente falta
00:12:06capilaridade, né?
00:12:09Falta...
00:12:10Desculpa,
00:12:11é um detalhe,
00:12:13eu falei,
00:12:13mas eu queria falar,
00:12:14e aí qual foi o agente
00:12:15que é comum a vocês
00:12:16que estavam junto disso?
00:12:18O que desmonta também?
00:12:19Os sindicatos.
00:12:20Então a história dos sindicatos,
00:12:22do hip-hop,
00:12:23é tudo porque
00:12:24é os trabalhadores,
00:12:25entendeu?
00:12:25É isso.
00:12:26Nós somos os trabalhadores
00:12:27sem sindicato,
00:12:29porque ele começa
00:12:30a ser desmontado.
00:12:31É isso.
00:12:31Só para falar aqui,
00:12:32nós estamos falando
00:12:33no mesmo lugar.
00:12:35A ideia de fraternidade,
00:12:37você falou em Margaete Tati,
00:12:38em Ronald Reagan,
00:12:39a ideia de fraternidade
00:12:41foi desmontada,
00:12:42está sendo desmontada
00:12:44desde essa época, né?
00:12:46Nós estamos sendo instruídos,
00:12:50construídos a subjetividade
00:12:52a sermos senhores de nós mesmos, né?
00:12:55E eu vejo o rap,
00:12:58eu vejo o hip-hop
00:13:00como uma alternativa,
00:13:04uma possibilidade
00:13:05de reconectar
00:13:07a essa ideia
00:13:10de conjunto,
00:13:12de fraternidade, né?
00:13:15Como você diz
00:13:16na tua música, né?
00:13:18Amor...
00:13:19Fala aí.
00:13:21Amor único é coletivo.
00:13:24Amor único é coletivo.
00:13:26Então, o amor,
00:13:28na sua significância,
00:13:31no seu significado pleno,
00:13:33só pode ser coletivo, né?
00:13:35Ninguém ama isoladamente.
00:13:38Nós somos pertencente
00:13:39a uma humanidade
00:13:41e a gente precisa resgatar isso.
00:13:43E o hip-hop
00:13:46é um instrumento muito bom.
00:13:50O Daniel entrou
00:13:52ou ainda não?
00:13:56O Daniel está aí, mano.
00:13:57O Bonício ainda não?
00:13:59Já está aí,
00:13:59está falando.
00:14:01Não.
00:14:02Não, quem falou foi a Sônia.
00:14:05Sônia Alves.
00:14:07Bom...
00:14:07É, o Daniel está aí.
00:14:10Enquanto a gente conversa,
00:14:13os internautas interessados
00:14:14que queiram fazer pergunta,
00:14:16podem colocar a pergunta
00:14:17no chat
00:14:18que a gente já vai
00:14:20dialogando
00:14:22e passando
00:14:22para o Pirata.
00:14:24Sônia,
00:14:25o que você
00:14:26vislumbra?
00:14:28Eu vejo com
00:14:29bons olhos
00:14:30e eu concordo
00:14:31com o Pirata.
00:14:32Realmente,
00:14:34não há
00:14:36no Brasil ainda
00:14:38esse olhar de frente, né?
00:14:40A gente não passou
00:14:41a limpa
00:14:42em nossa história.
00:14:43Ainda tem muita coisa
00:14:44por debaixo do pano.
00:14:45então a gente tem
00:14:47que trazer, né?
00:14:48Trazer à tona,
00:14:49como os gregos falavam,
00:14:51eleiteia, né?
00:14:52Trazer à tona
00:14:53o que é,
00:14:54a verdade
00:14:55e o que nos faz
00:14:57humanos, né?
00:15:00O hip hop
00:15:01é um deles, né, Sônia?
00:15:03É uma alternativa deles.
00:15:04Então, Marcos Alcira,
00:15:05a minha pergunta
00:15:06para o Pirata
00:15:07vai em que sentido?
00:15:08Nós sentimos
00:15:10o neoliberalismo
00:15:11arrastando
00:15:11uma série de coisas,
00:15:13uma série de sentimentos,
00:15:17de fraternidade, etc.
00:15:21E a gente
00:15:21sabe que aconteceram.
00:15:24Agora,
00:15:24para os sindicatos,
00:15:25houve uma
00:15:26mudança concreta.
00:15:29Eles retiraram,
00:15:30primeiramente,
00:15:32o Michel Temer,
00:15:33fez a reforma trabalhista
00:15:35e, junto com ela,
00:15:36tirou a verba
00:15:37dos sindicatos
00:15:38para sufocá-los.
00:15:40Eu queria perguntar
00:15:41para o Pirata
00:15:43como ele sentiu
00:15:44esse avanço
00:15:47maléfico
00:15:51sobre as manifestações
00:15:54populares
00:15:55e a manifestação hip hop.
00:15:57Como que aconteceu isso,
00:15:58Pirata?
00:15:59Conta para a gente.
00:16:00Antes de responder,
00:16:03Pirata,
00:16:04deixa eu apresentar
00:16:05o Nando Comunista.
00:16:06O Nando é o Djalma,
00:16:10Nando Comunista
00:16:11Lopes Góes,
00:16:12rapper,
00:16:13militante do coletivo
00:16:14Força Ativa,
00:16:16integrante do Fórum Hip Hop
00:16:18Municipal de São Paulo.
00:16:20É sociólogo,
00:16:21professor de educação básica,
00:16:23graduado em Ciências Sociais,
00:16:25Centro Universitário
00:16:26Fundação Santo André,
00:16:29mestre em educação
00:16:30e doutor em educação.
00:16:32Seja bem-vindo,
00:16:33Nando Comunista.
00:16:35Fique à vontade.
00:16:39A sala é tua, né?
00:16:41Boa noite.
00:16:43Vocês me ouvem?
00:16:45Sim, perfeito.
00:16:47Ouvimos.
00:16:49Muito bom estar aqui
00:16:50participando dessa conversa,
00:16:52de poder estar
00:16:54contribuindo para refletir
00:16:59sobre as perspectivas
00:17:02da classe trabalhadora,
00:17:05em relação a essas
00:17:07mudanças
00:17:09tanto econômicas
00:17:12quanto também
00:17:14da sociabilidade.
00:17:16E qual a importância
00:17:17também
00:17:18do lugar
00:17:18do hip hop
00:17:20e da população
00:17:22preta, pobre,
00:17:23perca,
00:17:25nesse lugar marginal
00:17:27da economia global,
00:17:29da economia capitalista,
00:17:31que está cada vez mais decadente
00:17:33no mundo inteiro.
00:17:36Sim.
00:17:39Então, eu vou fazer assim,
00:17:40Sônia,
00:17:42eu solicitaria você,
00:17:43porque aí a gente faz um bem bolado,
00:17:45faz essa pergunta para o Nando,
00:17:46ele responde,
00:17:47e aí,
00:17:47que ele chegou agora,
00:17:48ele também,
00:17:49que a gente é do mesmo lugar.
00:17:50Tá.
00:17:51Por gentileza.
00:17:54Retomando,
00:17:55Nando,
00:17:55eu fiz a seguinte pergunta
00:17:57para ele.
00:17:58nós sabemos
00:17:59que o neoliberalismo
00:18:00veio arrastando,
00:18:02quando ele entrou,
00:18:03veio arrastando
00:18:03uma série de
00:18:04cultura,
00:18:07economia,
00:18:09sentimentos,
00:18:11subjetividades,
00:18:12sensações,
00:18:13veio arrastando
00:18:14uma série de coisas,
00:18:16arrastando no mau sentido mesmo.
00:18:19Para os sindicatos,
00:18:20nós sentimos assim
00:18:22um efeito prático,
00:18:24bem prático,
00:18:24que foi quando Michel Temer
00:18:27impôs a reforma trabalhista
00:18:29e retirou as verbas
00:18:30do sindicato,
00:18:31sufocando os sindicatos,
00:18:33não deixando eles
00:18:34com condições de sobrevivência.
00:18:37Num movimento hip-hop,
00:18:38quais foram os sentimentos
00:18:40que vocês tiveram
00:18:42nessa entrada maléfica,
00:18:45nesse tentáculo maléfico
00:18:47do neoliberalismo?
00:18:49Quais foram os sentimentos
00:18:51na periferia?
00:18:54Primeiro, é importante
00:18:57nós refletirmos
00:19:00sobre as mudanças
00:19:01no mundo do trabalho.
00:19:04Então,
00:19:05a acumulação flexível,
00:19:08que é o modo de produção,
00:19:12a forma de produzir
00:19:14no sistema capitalista atual,
00:19:19via globalização,
00:19:20pressupõe
00:19:22a desregulamentação
00:19:24dos direitos
00:19:26trabalhistas
00:19:27e uma
00:19:29uberização
00:19:31das ações,
00:19:35criando
00:19:35formas de trabalho
00:19:37precarizadas,
00:19:39em que o
00:19:40trabalhador
00:19:41precarizado
00:19:44compõe
00:19:45uma nova categoria,
00:19:47que é o precariado.
00:19:48que é o trabalhador,
00:19:52que é esse
00:19:53trabalhador
00:19:54uberizado,
00:19:55que está aí
00:19:57sendo
00:19:58controlado,
00:20:02escravizado
00:20:04pelos sistemas
00:20:05de aplicativo
00:20:06da revolução
00:20:07digital 4.0.
00:20:09e isso
00:20:10também
00:20:11impacta
00:20:12direto
00:20:12nas relações
00:20:14de produção
00:20:15também
00:20:16do movimento
00:20:17hip-hop,
00:20:18da cadeia
00:20:19produtiva,
00:20:20da economia
00:20:21criativa,
00:20:22porque
00:20:23os artistas
00:20:25precisam
00:20:26agora
00:20:27também
00:20:27estar
00:20:28conectados,
00:20:30digitalizados,
00:20:32produzir tudo
00:20:32e entregar
00:20:33a sua
00:20:34produção
00:20:35para
00:20:37a indústria
00:20:39do entretenimento,
00:20:41mas sem
00:20:43remuneração.
00:20:46Quem sabe
00:20:47se conseguir
00:20:47likes,
00:20:48se conseguir
00:20:49views,
00:20:50se explodir
00:20:53lá nas redes
00:20:54sociais,
00:20:55consiga
00:20:56alguma coisa.
00:20:57E, por outro lado,
00:20:59as políticas
00:21:00públicas
00:21:01culturais,
00:21:03aproveitando
00:21:04dessa
00:21:06precarização
00:21:07de trabalho,
00:21:10então impõe
00:21:11a esses
00:21:12artistas
00:21:14que,
00:21:15para que
00:21:16eles
00:21:16possam
00:21:18ser
00:21:20contratados,
00:21:21você precisa
00:21:22de uma
00:21:23produtora,
00:21:24você precisa
00:21:25de um
00:21:25CNPJ.
00:21:27Então,
00:21:28é uma
00:21:28terceirização
00:21:30da terceirização.
00:21:32E esse
00:21:33trabalhador
00:21:35da economia
00:21:36criativa,
00:21:37da cultura,
00:21:38ele também
00:21:39se torna
00:21:40um precariado.
00:21:42E ele
00:21:43acaba também
00:21:44não fazendo
00:21:45uma discussão
00:21:47da cultura
00:21:50como direitos
00:21:50humanos,
00:21:52como um
00:21:53elemento
00:21:53central
00:21:54da cidadania
00:21:56também,
00:21:57de memória,
00:21:58história,
00:21:58patrimônio
00:21:59e tudo mais,
00:22:00e ele
00:22:01acaba
00:22:01aderindo
00:22:03a essas
00:22:03formas.
00:22:05Então,
00:22:06com essa
00:22:06forma de
00:22:07contratação,
00:22:08que não é
00:22:08por aplicativo,
00:22:10mas também
00:22:11faz parte
00:22:12dessa
00:22:12cadeia,
00:22:14as produtoras
00:22:15é que
00:22:15passam
00:22:16a receber
00:22:18uma grande
00:22:19quantia
00:22:20dessas
00:22:21contratações,
00:22:23em que os
00:22:23artistas
00:22:24recebem
00:22:26uma parte
00:22:31desses recursos
00:22:32de contratação.
00:22:33Então,
00:22:34essa
00:22:34forma de
00:22:35precarização
00:22:36do trabalho
00:22:37e do
00:22:38trabalhador
00:22:40cultural
00:22:41que está
00:22:41precariado,
00:22:42que é o
00:22:43precariado,
00:22:44então,
00:22:45ele se
00:22:47enquadra
00:22:48dentro
00:22:49dessa forma
00:22:50de organização
00:22:51das relações
00:22:52de trabalho,
00:22:53de forma
00:22:55negativa,
00:22:58sem poder
00:22:59fazer a
00:23:02música
00:23:02falando
00:23:03das coisas
00:23:04que é
00:23:05do seu
00:23:06cotidiano,
00:23:07passa
00:23:07uma imagem
00:23:08falsa
00:23:09nos seus
00:23:09videoclipes
00:23:10e nas suas
00:23:11letras,
00:23:12cria
00:23:13uma
00:23:13hipersexualização
00:23:15também
00:23:16dos corpos
00:23:17de homens
00:23:18e mulheres,
00:23:19principalmente
00:23:19pretos e pretas,
00:23:21e que
00:23:22tudo isso
00:23:23vira
00:23:23objeto
00:23:24de consumo
00:23:24nessa
00:23:25indústria
00:23:26cultural
00:23:274.0.
00:23:29Então,
00:23:29acaba
00:23:30degradando
00:23:31também
00:23:32a
00:23:34produção
00:23:35dos elementos
00:23:36do hip-hop,
00:23:38o grafite,
00:23:40o break,
00:23:41o MC
00:23:42e o DJ.
00:23:44E o pior,
00:23:46segrega
00:23:46e só
00:23:47quem já
00:23:47está
00:23:48nesse
00:23:48circuito
00:23:49é que
00:23:51continua
00:23:52tendo
00:23:53possibilidades
00:23:55de avançar
00:23:56nessa
00:23:58indústria
00:23:58da economia
00:23:59criativa,
00:24:01que também
00:24:01está precarizada
00:24:02e que
00:24:03eu diria
00:24:04que os
00:24:04trabalhadores
00:24:05da cultura
00:24:05agora também
00:24:06fazem parte
00:24:08do grande
00:24:08precariado.
00:24:10Deixa eu só
00:24:11acrescentar
00:24:11um detalhinhozinho
00:24:13aí,
00:24:14porque o que o Nando
00:24:14traz,
00:24:16ele é tão,
00:24:17porque a
00:24:19prática da gente,
00:24:20a gente vai lutando
00:24:20e aí a gente vai
00:24:21compreendendo,
00:24:22porque a dificuldade
00:24:23do hip-hop
00:24:24que a gente faz parte
00:24:25é que a gente
00:24:26pega coisas
00:24:26complexas,
00:24:28mastiga as coisas
00:24:29complexas e tenta
00:24:30torná-la popular
00:24:31observando no cotidiano.
00:24:34E aí,
00:24:35qualquer pessoa
00:24:36que fala com a gente
00:24:37vai falar,
00:24:37esses caras
00:24:38vêm falar de Marx,
00:24:39não existe
00:24:40mais nada
00:24:41a revolução
00:24:41é tal Marx,
00:24:42por quê?
00:24:43Porque o que nós
00:24:43temos hoje
00:24:44é essa ferramenta
00:24:45que nós estamos falando,
00:24:46é uma ferramenta
00:24:47tal que nos propõe
00:24:48a fazer esse diálogo,
00:24:49mas esquecendo
00:24:50que essa ferramenta
00:24:51alguém é dono,
00:24:52né,
00:24:53então,
00:24:53Marx já falava,
00:24:54usa os instrumentos
00:24:55do capital
00:24:56para fazer
00:24:57a tal da revolução.
00:24:59E aí,
00:24:59eu quero misturar
00:25:00um pouquinho também,
00:25:01porque eu estou falando
00:25:02com dois economistas,
00:25:03eu quero misturar
00:25:04um pouquinho
00:25:04com a Maria Tereza
00:25:06também,
00:25:07que também dialogou
00:25:08que pai,
00:25:09que Brasil
00:25:09que ia acontecer
00:25:11a partir
00:25:12da década
00:25:13de 90
00:25:13para frente,
00:25:14e eu quero misturar
00:25:16também o espaço
00:25:17geográfico
00:25:17com o Milton Santos,
00:25:20que o Milton Santos
00:25:21fala dos locais técnicos,
00:25:23né,
00:25:24da tecnicidade
00:25:26nos espaços geográficos,
00:25:28que também dialoga.
00:25:30E aí,
00:25:31para eu terminar,
00:25:32e eu não estou fazendo
00:25:34isso para reverberar
00:25:36intelectualidade,
00:25:37porque isso é idiotice,
00:25:38eu estou reverberando
00:25:39isso,
00:25:40é entender essas coisas
00:25:41e levar para a prática
00:25:43do cotidiano.
00:25:44E aí,
00:25:45quando o Trump
00:25:46ganha,
00:25:48a fala do
00:25:50Elon Musk,
00:25:54porque o Trump
00:25:55ele ganha,
00:25:56ele ganha com
00:25:57os donos das plataformas.
00:26:00E aí ele fala,
00:26:02e a fala dele,
00:26:04o cara,
00:26:04aí o Kofi Annan
00:26:05já tinha dito,
00:26:06acho que era ele,
00:26:07mas ele reverbera,
00:26:09ele fala de
00:26:09tecnocracia.
00:26:11O que está em jogo
00:26:13de 2013 para cá
00:26:15é a retirada
00:26:16da democracia
00:26:17para esse jogo
00:26:18de tecnocracia
00:26:19que esses caras
00:26:20compreendem
00:26:21o domínio.
00:26:22Porque,
00:26:23e aí,
00:26:23você vê como que acontece,
00:26:24se você for procurar
00:26:25emprego hoje,
00:26:27todo mundo que for
00:26:27procurar emprego,
00:26:29eu mando o currículo,
00:26:31o meu currículo,
00:26:32ele precisa ultrapassar
00:26:33a IA.
00:26:34Entende que a gente
00:26:37não vai chegar,
00:26:38parece que o pobre
00:26:38não vai chegar,
00:26:39meu currículo
00:26:40tem que ultrapassar a IA.
00:26:41E aí,
00:26:42os valores
00:26:42de quem contrata
00:26:44são valores
00:26:45da década de 50,
00:26:48enxergam a sociedade
00:26:49ainda na década de 80.
00:26:51A sociedade brasileira,
00:26:52a sociedade que a média
00:26:53populacional
00:26:54é de 35 anos.
00:26:57E o hip hop,
00:26:57eles falam que a gente
00:26:58é juventude
00:26:59e juventude.
00:27:01Eu sou,
00:27:01reforçando,
00:27:02eu sou contra o etarismo
00:27:03sempre.
00:27:05Juventude não é
00:27:06uma coisa do corpo,
00:27:07é uma coisa da mente.
00:27:08Então,
00:27:08todo mundo é jovem
00:27:09quando você quer romper
00:27:10com o que está dado.
00:27:12Você não é conservador.
00:27:14Mas,
00:27:14só que o que
00:27:15eles colocam a gente
00:27:16é como se o hip hop
00:27:17fosse uma coisa
00:27:18de garotos rebeldes
00:27:20de 16 anos.
00:27:23Mas isso é falso
00:27:24porque é o que
00:27:25nós estamos conversando.
00:27:26Então,
00:27:26tem um ataque
00:27:27contra a cultura hip hop
00:27:29porque eu acho
00:27:29que é lá
00:27:29que consegue tirar
00:27:31mais a desalienação
00:27:32porque hoje
00:27:33nós temos uma...
00:27:35Ah,
00:27:35eu vou ser suave,
00:27:36tá bom?
00:27:37Mas nós temos uma esquerda
00:27:38hoje
00:27:39que ela tem grana.
00:27:43Ela não é a esquerda
00:27:45das bases lá de trás.
00:27:47E ela não compreende
00:27:47o que nós estamos falando.
00:27:49É uma esquerda
00:27:50que não fala
00:27:50das cadeiras.
00:27:51É uma esquerda
00:27:52que não fala
00:27:52da população de rua.
00:27:54É uma esquerda
00:27:54que quer ocupar
00:27:55o espaço
00:27:55dos movimentos sociais.
00:27:57Isso é um problema.
00:27:58e resta nós aqui
00:27:59a fazer rap,
00:28:00a fazer música
00:28:01nesse contexto
00:28:03que o Nando falou.
00:28:04Eu sou um artista
00:28:05que fico colocando
00:28:06minha voz para...
00:28:07Mas quais os recursos
00:28:08que eu tenho?
00:28:09Não,
00:28:10essa sociedade
00:28:10não vai me observar.
00:28:12Como eu,
00:28:13como toda a periferia.
00:28:14É só esse ponto aí.
00:28:16Desculpa aí
00:28:16me estender.
00:28:17Sabe, pirata,
00:28:19tem um tal
00:28:20de Mark Fisher
00:28:22que ele diz o seguinte,
00:28:24um pensador
00:28:25que já faleceu,
00:28:26mas é bem atual
00:28:28e há pouco tempo.
00:28:30Não basta
00:28:32a consciência de classe.
00:28:34É importante
00:28:34a consciência de classe.
00:28:36E a gente tem que
00:28:38oferecer instrumentos
00:28:40e oferecer possibilidade
00:28:42de que as pessoas
00:28:43percebam a situação
00:28:44na qual ela está inserida.
00:28:47Mas é necessário também
00:28:49trabalhar com o desejo.
00:28:51Veja só,
00:28:53você pega
00:28:54um cara de direita,
00:28:56sei lá,
00:28:58Pablo Marçal.
00:28:59A gente trabalha
00:29:00com o desejo,
00:29:01sabe,
00:29:02manipula
00:29:03vontades,
00:29:04ilude.
00:29:06A gente tem que usar,
00:29:07digamos assim,
00:29:07o desejo,
00:29:09a vontade
00:29:10de desistir
00:29:12e propiciar
00:29:16horizontes
00:29:16para que as pessoas
00:29:17investam,
00:29:20investam
00:29:21na existência.
00:29:23E o que é a existência?
00:29:25a existência
00:29:26é a realidade
00:29:27na qual ela está inserida,
00:29:28as possibilidades reais
00:29:29que ela tem
00:29:31para conquistar
00:29:33a própria vida.
00:29:34E o hip hop
00:29:36eu vejo
00:29:36como um instrumento desse.
00:29:39O hip hop,
00:29:40a música,
00:29:41enfim.
00:29:41Sônia,
00:29:45o que você pensa disso?
00:29:47Então,
00:29:48Marcos,
00:29:48nessa linha do que você está falando,
00:29:50eu queria perguntar
00:29:51para o Pirata
00:29:52ou para o Djalma,
00:29:53que na verdade é o Nando Comunista,
00:29:56que é o nome dele,
00:29:57nome artístico,
00:29:59que é a seguinte pergunta.
00:30:02esse lema
00:30:03que foi colocado
00:30:05no card,
00:30:07o amor único,
00:30:08o amor coletivo,
00:30:10ele tem apelo
00:30:12diante do precariado,
00:30:14diante daquele
00:30:15que está lá
00:30:16sendo dominado
00:30:17pelas tecnologias
00:30:19dominantes,
00:30:21pela tecnologia
00:30:22dominada
00:30:23pela classe dominante,
00:30:24dominada
00:30:25pela imprensa,
00:30:26enfim,
00:30:26mas normalmente
00:30:27pela classe dominante.
00:30:29essa ilusão
00:30:30que o Marcos
00:30:31falou aí,
00:30:32que tem na cabeça
00:30:33dos jovens,
00:30:34do seu,
00:30:35de ser empreendedor
00:30:36de si mesmo,
00:30:37de ser o indivíduo único,
00:30:40esse apelo,
00:30:41ele chega lá?
00:30:43Essa é a minha pergunta.
00:30:44Desfaz véus
00:30:45de ilusão,
00:30:46véu de ilusão?
00:30:47Desfaz véus
00:30:48de ilusão,
00:30:49exatamente.
00:30:51Então,
00:30:52aí eu vou,
00:30:53eu falo um pouquinho
00:30:55e aí o Nando já
00:30:56emenda aí.
00:30:57o que vocês estão
00:30:59falando,
00:31:00e aí a gente
00:31:01esquece,
00:31:01os véus de ilusão,
00:31:03eles sempre vão existir,
00:31:05enquanto existir
00:31:06uma sociedade
00:31:08baseada
00:31:10na
00:31:10na comunicação social,
00:31:14porque os grandes
00:31:14donos da
00:31:15do mundo
00:31:17são donos
00:31:17da comunicação social,
00:31:19e ainda mais são,
00:31:20e vai para o campo
00:31:20da publicidade,
00:31:21a publicidade
00:31:23é a não verdade,
00:31:24e aí é para
00:31:25criar o fetichismo.
00:31:26e o amor,
00:31:27quando você
00:31:28se falar de amor,
00:31:31a gente vai
00:31:32para tentar
00:31:32chegar perto
00:31:33do indivíduo,
00:31:35mas a gente
00:31:35só se realiza
00:31:37com o outro,
00:31:38não tem boi.
00:31:40Então,
00:31:40porque eu vivo
00:31:41aqui o meu mundo,
00:31:43porque não tem
00:31:43empreendedorismo,
00:31:45eu vou ser empreendedor,
00:31:46mas você vai ser
00:31:47empreendedor
00:31:47de si,
00:31:51mas você está
00:31:52trabalhando para o outro,
00:31:53você está
00:31:53quarteirizado,
00:31:54mas eu quero
00:31:55viver minha vida,
00:31:56a minha vida,
00:31:56eu que resolvo
00:31:58sozinho,
00:31:58eu faço tudo
00:31:59sozinho.
00:32:00Só que quando você
00:32:01é falso isso,
00:32:03porque quando você
00:32:03sai na rua,
00:32:05você já vê um monte
00:32:06de gente,
00:32:08você já não pode
00:32:09fazer o que você quer.
00:32:10Os impostos,
00:32:11você paga
00:32:12coletivamente,
00:32:13você não paga
00:32:14imposto sozinho,
00:32:16a arrecadação
00:32:17é coletiva.
00:32:17Então,
00:32:19toda a relação,
00:32:20o Estado,
00:32:21ele é coletivo.
00:32:22Então,
00:32:22toda a relação
00:32:23humana é coletiva,
00:32:24mas tem o fetiche
00:32:26colocado pelo capital
00:32:28para todos nós
00:32:30pensarmos que
00:32:31eu me realizo
00:32:33sozinho,
00:32:34eu sou o super-homem.
00:32:36E não pode,
00:32:36para não esquecer,
00:32:38que os donos,
00:32:38os super-milionários,
00:32:40etc.,
00:32:41são patrões.
00:32:44Outras pessoas,
00:32:45e aí,
00:32:45para mim,
00:32:45o que é difícil,
00:32:46o que nós vivemos
00:32:47no Estado,
00:32:47que é um Estado
00:32:48que quer
00:32:49privatizar a cultura
00:32:51e tem gente
00:32:52que fala,
00:32:53não,
00:32:53eu quero que a cultura
00:32:54seja minha,
00:32:56o Estado tem que
00:32:57reconhecer meu coletivo,
00:32:59mas o dinheiro público
00:33:00vem para você,
00:33:00sendo que o dinheiro
00:33:01é coletivo.
00:33:02Quer privatizar a educação
00:33:04e está passando batido
00:33:05o que as pessoas
00:33:06estão achando.
00:33:07E olha que loucura a educação.
00:33:09E é mundial,
00:33:10mundialmente,
00:33:11o mundo inteiro
00:33:12sabe que o Brasil
00:33:13tem uma ideia
00:33:14que a melhor educação
00:33:15é na parte privada,
00:33:17porque é o que
00:33:18que eles vendem.
00:33:19Só que hoje
00:33:20as empresas privadas,
00:33:22olha a loucura
00:33:22que eles colocam a gente,
00:33:23a empresa privada,
00:33:26quer entrar no Estado
00:33:27para ficar com
00:33:28o orçamento
00:33:29público do Estado
00:33:30para assumir
00:33:32o lugar
00:33:33da escola pública.
00:33:34e aí eu pergunto
00:33:35para o indivíduo,
00:33:37mas você não falou
00:33:37que ia colocar
00:33:38seu filho
00:33:38na escola pública?
00:33:40Na privada,
00:33:40você ia gastar milhões?
00:33:42E o dono da escola
00:33:42da privada
00:33:43quer o dinheiro público?
00:33:46Olha as loucuras,
00:33:47outra loucura,
00:33:47as pessoas pagam
00:33:48o plano de saúde.
00:33:51O plano de saúde
00:33:52está levando você
00:33:57a ter atendimento
00:33:57em espaços públicos.
00:33:59e o plano de saúde,
00:34:02o atendimento público
00:34:04do saúde
00:34:04é a mesma coisa,
00:34:05que eles que estão
00:34:06administrando
00:34:07esse espaço privado.
00:34:08Só que a gente
00:34:09não discute mais isso.
00:34:10Tem muita gente
00:34:11que aí quer esse problema.
00:34:13Tem progressista neoliberal.
00:34:15Não quer discutir
00:34:16as coisas
00:34:16e voltar para o Estado.
00:34:17Eles acham que é coisa.
00:34:19E aí é reforço.
00:34:20Tem coisas
00:34:21que só o Estado resolve.
00:34:22Água
00:34:23é o Estado
00:34:23que resolve.
00:34:24Transporte público
00:34:25é o Estado
00:34:25que resolve.
00:34:26Parques
00:34:27é o Estado
00:34:27que resolve.
00:34:28não é o indivíduo,
00:34:29porque essas coisas
00:34:30são bens coletivos.
00:34:32Nando,
00:34:32por gentileza.
00:34:35Tem a questão
00:34:37que o modo
00:34:40de produção capitalista
00:34:41é um modo
00:34:44de produção artificial.
00:34:47As necessidades
00:34:48não são básicas.
00:34:50As necessidades
00:34:51são artificiais.
00:34:54Então,
00:34:55a gente viveria
00:34:56muito bem
00:34:56sem um monte
00:34:57de coisas,
00:34:58principalmente
00:34:58essas tecnologias
00:35:00que nós estamos
00:35:01usando.
00:35:03Como tem povos
00:35:04que também vivem
00:35:05sem elas.
00:35:06Então,
00:35:07o Marques
00:35:08nos Grundres
00:35:09fala que,
00:35:10e a Agnes Heller
00:35:11reproduz
00:35:12no
00:35:12O Homem do Renascimento,
00:35:15que uma necessidade
00:35:17artificial
00:35:18foi inserida
00:35:20nas relações
00:35:21materiais.
00:35:22de produção
00:35:24e reprodução
00:35:25da vida.
00:35:26E cada vez
00:35:28que você
00:35:29supre uma necessidade,
00:35:30você tem
00:35:31outra necessidade.
00:35:33E você
00:35:34acaba virando,
00:35:36você fica
00:35:38preso
00:35:38nessa cadeia
00:35:39de consumo
00:35:40de artificialidades.
00:35:44Então,
00:35:45nesse sentido,
00:35:46quando a gente
00:35:46fala
00:35:47de amor
00:35:49único,
00:35:51essa questão
00:35:52desses amores
00:35:53colocados
00:35:54pelas
00:35:58escolas literárias,
00:36:03alguns deles
00:36:05não se realizam.
00:36:09Outros,
00:36:10como diz o Balma,
00:36:12é o amor líquido,
00:36:14dessa incapacidade,
00:36:16nessa sociabilidade
00:36:18atual,
00:36:20de se materializar.
00:36:25Então,
00:36:25de fato,
00:36:26o amor
00:36:27só pode ser coletivo.
00:36:30A partir
00:36:31de uma comunidade
00:36:32humana,
00:36:33a partir
00:36:34da objetivação
00:36:36da dignidade
00:36:38humana,
00:36:39das necessidades
00:36:41básicas,
00:36:42para depois
00:36:43expandir
00:36:43as outras
00:36:44necessidades.
00:36:45Então,
00:36:46quando a gente
00:36:46vai falar
00:36:47de amor
00:36:49nessa sociabilidade,
00:36:52é uma sociabilidade
00:36:53que refuta
00:36:54a humanidade,
00:36:57que refuta
00:36:58a coisa em si,
00:37:00que é o próprio
00:37:00ser humano.
00:37:02Então,
00:37:02como que a gente
00:37:04vai falar
00:37:05de amor
00:37:05nesse sistema
00:37:07capitalista?
00:37:08É um desafio
00:37:09para nós,
00:37:12é um desafio
00:37:13para a sociedade
00:37:14contemporânea
00:37:15tentar
00:37:17resgatar
00:37:19os processos
00:37:21de humanidade,
00:37:23para que
00:37:23que daí
00:37:24a gente
00:37:24possa
00:37:25falar
00:37:27dessas
00:37:28questões
00:37:29de amor
00:37:30e tudo mais,
00:37:31porque
00:37:32a sociabilidade
00:37:34atual
00:37:34é uma sociabilidade
00:37:36do ódio,
00:37:37do sadismo,
00:37:39que você
00:37:41se realiza
00:37:42a partir
00:37:43da morte
00:37:44e do sofrimento
00:37:45do outro,
00:37:46da segregação,
00:37:47da exclusão,
00:37:48do racismo,
00:37:50do machismo,
00:37:51da LGBTfobia.
00:37:53Então,
00:37:53uma sociabilidade
00:37:55que é
00:37:56criada,
00:37:58produzida
00:37:58e reproduzida
00:38:00a partir
00:38:00das relações
00:38:01de exploração,
00:38:03de exploração
00:38:04humana,
00:38:05de exploração
00:38:06da força
00:38:07de trabalho,
00:38:09em que
00:38:09deposita
00:38:11seres humanos
00:38:12em lugares,
00:38:13deixa outros
00:38:14com fome,
00:38:15mata outros,
00:38:16como o Israel
00:38:17está fazendo
00:38:18em Gaza,
00:38:19como está
00:38:20acontecendo
00:38:20no Congo,
00:38:21como os Estados Unidos
00:38:22vêm bombardeando
00:38:24quem eles querem,
00:38:25assim,
00:38:25os países
00:38:26que não têm
00:38:27capacidade bélica.
00:38:29Então,
00:38:30esse amor
00:38:31do capitalismo
00:38:33é um amor
00:38:34pela morte
00:38:35dessa sociabilidade.
00:38:39Então,
00:38:39nós temos
00:38:40que
00:38:40combater
00:38:42esse tipo
00:38:43de sociabilidade,
00:38:44nós temos
00:38:45que
00:38:46colocá-la
00:38:48no chão,
00:38:50mas
00:38:51evidentemente
00:38:52que
00:38:53nós,
00:38:54enquanto classe
00:38:55trabalhadora,
00:38:56não estamos
00:38:57em condições
00:38:59de
00:38:59fazer
00:39:01essas
00:39:01mudanças.
00:39:05É isso aí,
00:39:06Eduardo,
00:39:06as relações
00:39:08humanas,
00:39:09elas se dão
00:39:10por meio
00:39:11da mercadoria,
00:39:13do meio
00:39:13do negócio,
00:39:14não tem
00:39:15mais aquela
00:39:16relação
00:39:16direta
00:39:17entre as
00:39:18pessoas.
00:39:19E a
00:39:20tecnologia,
00:39:22você comentou
00:39:22da tecnologia
00:39:23que deveria
00:39:24estar nos
00:39:25ajudando
00:39:26a superar
00:39:27esse estado
00:39:27de necessidade
00:39:29e para que
00:39:30a gente possa
00:39:30atingir
00:39:31verdadeiramente
00:39:32um estado
00:39:33de liberdade,
00:39:33como dizia
00:39:34o Marx,
00:39:36a liberdade
00:39:37de você
00:39:38não ter
00:39:39mais
00:39:39a necessidade,
00:39:41a necessidade,
00:39:42a fome,
00:39:43a miséria.
00:39:44Esse tipo
00:39:45de tecnologia
00:39:46é utilizada
00:39:47para quê?
00:39:48Para
00:39:48dominar.
00:39:51A tecnologia
00:39:51é usada
00:39:52para extrair
00:39:53cada vez mais
00:39:54o trabalho
00:39:55possível
00:39:56do ser humano
00:39:57para que
00:39:58esse trabalho
00:39:59gere lucro
00:40:00para alguns.
00:40:01e não
00:40:02é para
00:40:02a comunidade
00:40:04como um todo,
00:40:05não é porque
00:40:05a gente
00:40:06trabalha,
00:40:07usa a tecnologia,
00:40:08tudo bem,
00:40:09a tecnologia
00:40:10tem o seu
00:40:11viés
00:40:12no sentido
00:40:13de avançar,
00:40:14de ajudar,
00:40:15mas é
00:40:16por viés,
00:40:17ela é
00:40:18voltada
00:40:19para maximizar
00:40:20a estação
00:40:21do mais
00:40:22valor,
00:40:23a exploração
00:40:25do ser humano.
00:40:27Então,
00:40:28falar de amor
00:40:29nesse sentido
00:40:30é muito difícil,
00:40:32mas
00:40:32nós estamos
00:40:34aí exatamente
00:40:35abrindo
00:40:36esse diálogo
00:40:37para
00:40:37buscar
00:40:39essa
00:40:40possibilidade
00:40:41de emancipação
00:40:42humana
00:40:43por meio
00:40:43de compreensão,
00:40:44por meio
00:40:45das artes,
00:40:46por meio
00:40:46da cultura
00:40:46e por meio
00:40:47das lutas,
00:40:48não é,
00:40:49Sônia?
00:40:50Sim,
00:40:52eu queria comentar
00:40:53com vocês
00:40:54que nós vimos
00:40:55a transformação
00:40:56da atuação
00:40:58dentro do nosso
00:40:59sindicato,
00:41:00que é pequeno,
00:41:01mas que tem
00:41:01uma atuação
00:41:02relevante,
00:41:04nós vimos
00:41:05essa mudança
00:41:06acontecer
00:41:07e é muito
00:41:09nítida
00:41:09no tempo,
00:41:11nós vimos
00:41:11ela acontecer
00:41:12com bastante
00:41:14presença,
00:41:15com bastante
00:41:15atuação,
00:41:16inclusive fizemos
00:41:17um curso
00:41:17com vocês,
00:41:18o Nando
00:41:19com o Muniz
00:41:19Gustavo,
00:41:21tinha bastante
00:41:22gente lá
00:41:22no auditório,
00:41:24então a gente
00:41:24conseguia reunir
00:41:25bastante gente
00:41:26e depois
00:41:28dessa força
00:41:32do neoliberalismo
00:41:33e depois
00:41:34da pandemia
00:41:36da Covid,
00:41:37isso foi se esvaziando,
00:41:38eu acho que a pandemia
00:41:39da Covid,
00:41:40ela veio reforçar
00:41:42esse individualismo,
00:41:43essa visão
00:41:46de que você
00:41:47é dono
00:41:50de si próprio,
00:41:51que você resolve
00:41:52suas coisas
00:41:52sozinho
00:41:54e elas não precisam
00:41:55mais do sindicato,
00:41:57vocês também
00:41:57sentiram
00:41:58essa mudança
00:42:00nesse período
00:42:02mais marcante
00:42:04da pandemia?
00:42:05Não,
00:42:06vocês sentiram
00:42:07isso como
00:42:08um afastamento
00:42:09das pessoas,
00:42:11do grupo
00:42:11do hip hop
00:42:13nesse período
00:42:15de pandemia,
00:42:16esse individualismo
00:42:17crescer
00:42:18entre pessoas
00:42:19que estavam
00:42:20com vocês?
00:42:23Então,
00:42:24o Covid-19
00:42:26ele tem uma importância
00:42:27no país
00:42:28que a gente
00:42:29não pode esquecer
00:42:30o tempo
00:42:31e não é um tempo
00:42:32tão distante.
00:42:33Quando o Covid-19
00:42:35aparece,
00:42:37nós estávamos
00:42:38na escalada
00:42:39de acabar
00:42:40com o SUS,
00:42:42porque estava
00:42:43esse negócio
00:42:43de,
00:42:44não pode esquecer
00:42:45que a gente,
00:42:46a gente não,
00:42:47as pessoas votaram
00:42:48num prefeito
00:42:50que era
00:42:50não político,
00:42:52não existe,
00:42:53a pessoa tem que entender
00:42:54que não existe isso,
00:42:55o Estado
00:42:56é controlado
00:42:57por grupos políticos,
00:42:58não existe
00:42:58não político
00:42:59no Estado,
00:43:00porque o político
00:43:01não é uma coisa
00:43:02negativa,
00:43:03a política
00:43:03são interesses
00:43:05de grupos
00:43:05e tem uns
00:43:06que tem o interesse
00:43:07popular,
00:43:08tem outros
00:43:08que tem interesse
00:43:08empresarial,
00:43:10tem outros
00:43:10que nem sabem
00:43:11o que está fazendo
00:43:11lá,
00:43:12só que ganham
00:43:12dinheirinho,
00:43:13tem interesse
00:43:13de roubar.
00:43:14Mas a Covid-19
00:43:15e o SUS
00:43:17estava nesse lugar,
00:43:18as empresas
00:43:19eram todas
00:43:20eficientes e tal,
00:43:21que é uma reprodução
00:43:22da cultura
00:43:22estadunidense
00:43:23no Brasil.
00:43:24Mas aí
00:43:24quando o Covid
00:43:25aparece,
00:43:27aí até o Dória
00:43:28teve que usar
00:43:28o avental
00:43:29do SUS,
00:43:30e aí ele tentou
00:43:31ser o governador
00:43:32do SUS.
00:43:33Isso é
00:43:35muito ferrado,
00:43:36porque muita
00:43:36gente descobriu
00:43:37que o plano
00:43:39de saúde
00:43:39que ele tinha,
00:43:40que ele pagava
00:43:41blesta,
00:43:41não sei o que lá,
00:43:43seis,
00:43:43não sei quantos
00:43:44de dinheiro
00:43:44do mundo,
00:43:46não ia resolver
00:43:47coisas da vida.
00:43:49Então,
00:43:49quem resolve
00:43:50as coisas da vida
00:43:50é o SUS.
00:43:51E aí,
00:43:52por que os ricos
00:43:53acessam o SUS?
00:43:54Porque eles têm
00:43:55o direito,
00:43:55eles têm os advogados,
00:43:56entra com o processo
00:43:57e o SUS vai dar
00:43:58o remédio caro,
00:43:58etc, etc.
00:44:00Mas aí,
00:44:01outra coisa
00:44:01que aconteceu,
00:44:03tinha um debate
00:44:03furado também,
00:44:04que estava todo mundo falando,
00:44:06que era o debate
00:44:07da indústria 4.0,
00:44:10porque a gente
00:44:10sempre sentiu
00:44:10uma parada
00:44:12no momento,
00:44:13como também
00:44:13todo mundo está
00:44:14falando agora
00:44:14que tudo vai virar
00:44:15robô,
00:44:16só que a gente
00:44:16faz as coisas
00:44:17para a mercadoria,
00:44:18robô não come nem bebe.
00:44:19Então,
00:44:19eu quero ver como
00:44:20que o cara
00:44:21que fez o robô
00:44:22para ganhar dinheiro
00:44:23vai se sustentar,
00:44:25o robô vai enferrujando.
00:44:28Mas aí,
00:44:28o que aconteceu
00:44:31com o Covid?
00:44:31Acelerou esse tipo
00:44:32de material,
00:44:33as pessoas
00:44:34não compravam
00:44:35tanto
00:44:35pela internet,
00:44:37as pessoas
00:44:37não dialogavam,
00:44:39como nós estamos
00:44:39dialogando aqui,
00:44:40essas ferramentas,
00:44:41ela antecipou,
00:44:42isso estava calculado
00:44:43para 2030.
00:44:45Tanto que hoje,
00:44:46a sensação que a gente
00:44:47tem de andar nas ruas
00:44:48é que todo o comércio
00:44:49está dentro da internet,
00:44:51né,
00:44:52então,
00:44:52as lojas nas ruas,
00:44:54elas vão se esvaziando.
00:44:56E aí,
00:44:56no hip hop,
00:44:57e não só no hip hop,
00:44:58que eu acho que
00:44:59não é só esse lugar,
00:45:01eu acho que tem
00:45:02outro lugar importante
00:45:03que é os movimentos sociais,
00:45:05a política pública,
00:45:07ficou tudo virtual
00:45:08e as pessoas pararam
00:45:10de se falar,
00:45:12se olhar
00:45:13para ter uma determinada ação.
00:45:17A gente ficou
00:45:18nessa coisa do virtual,
00:45:19eu fingo que eu estou te ouvindo,
00:45:21desligo,
00:45:22já era.
00:45:23E aí,
00:45:24fora isso que
00:45:25qualquer grupo político,
00:45:27se a gente falar aqui,
00:45:27nós vamos fazer
00:45:28uma manifestação
00:45:29pela moradia,
00:45:32só que aí
00:45:33uns cartão ouvindo
00:45:34vai desconfigurando
00:45:35isso
00:45:35para os interesses políticos,
00:45:36então,
00:45:36você não tem segurança,
00:45:38e é outra coisa
00:45:38que é importante.
00:45:40Não tem como
00:45:41você falar
00:45:42de uma estratégia
00:45:43contra o capital
00:45:44na ferramenta
00:45:46do capital.
00:45:48Então,
00:45:49tudo que nós falamos,
00:45:49eles têm
00:45:50essas informações
00:45:51e vão articular,
00:45:52então,
00:45:52a gente se cagueta
00:45:53falando.
00:45:54E aí,
00:45:54o movimento hip hop
00:45:55aconteceu isso,
00:45:56então,
00:45:56um monte de produtora,
00:45:58porque o movimento hip hop
00:45:59tem uma importância
00:45:59em São Paulo,
00:46:01que a gente
00:46:01também estava
00:46:02em 2012
00:46:03discutindo o genocídio
00:46:04contra a juventude
00:46:05pobre,
00:46:05preta e periférica,
00:46:07porque o país
00:46:08ficava no debate
00:46:09da juventude
00:46:10e do extermínio.
00:46:12A gente falou,
00:46:12não,
00:46:12é genocídio,
00:46:13tem uma
00:46:14situação X,
00:46:18e o genocídio
00:46:19não é,
00:46:20tem um genocídio
00:46:20na minha rua,
00:46:21o genocídio
00:46:22é uma estrutura
00:46:23de um grupo X
00:46:24contra outro grupo X,
00:46:26então o genocídio
00:46:27vai se dar
00:46:27no aprisionamento,
00:46:29vai se dar
00:46:29na mulher
00:46:30que é a mulher preta
00:46:32quando vai ter seu filho
00:46:33que ou tem,
00:46:35a maioria das mulheres
00:46:36morrem de câncer
00:46:37no útero,
00:46:38as mulheres pretas,
00:46:39as pessoas ainda
00:46:39têm nojo
00:46:40de falar com as pessoas,
00:46:42o genocídio
00:46:44vai se dar
00:46:44na escola,
00:46:45é uma estrutura
00:46:46política
00:46:46para eliminar
00:46:47o outro
00:46:48de não ter
00:46:48ascensão.
00:46:51E a gente
00:46:51estava fazendo
00:46:51essa discussão,
00:46:52e aí
00:46:54a gente
00:46:55fazendo a discussão
00:46:56do genocídio
00:46:56depois,
00:46:57em 2013
00:46:58o que acontece,
00:46:59as pessoas
00:47:00desvirtuam isso
00:47:01e vão discutir
00:47:02desmilitarização,
00:47:03etc.
00:47:04E aí
00:47:05o parlamento
00:47:06começou
00:47:07um parlamento
00:47:07branco,
00:47:08rico,
00:47:09e tanto que
00:47:09essa internet
00:47:11ela
00:47:12fala demais
00:47:14que quem
00:47:14conseguiu mais
00:47:16coisas
00:47:17foi a tal
00:47:17da direita
00:47:18que não existia,
00:47:19porque eles
00:47:19entendiam
00:47:20das ferramentas,
00:47:21aí a gente sabe
00:47:22que essas ferramentas
00:47:23elas são construídas
00:47:24pela CIA,
00:47:25são construídas
00:47:25pelos donos,
00:47:26então eles interviram
00:47:28dentro do país.
00:47:29E aí
00:47:30desmobilizou
00:47:30tudo o que é
00:47:32movimento político.
00:47:34E o prefeito
00:47:36foi eleito
00:47:36com cesta básica,
00:47:38movimento de moradia,
00:47:42não se consegue se...
00:47:44As pessoas
00:47:44não estão se unindo,
00:47:45não estão
00:47:45para discutir
00:47:46o Estado.
00:47:47Hoje
00:47:47a gestão
00:47:49que está hoje
00:47:49na Prefeitura
00:47:50de São Paulo
00:47:51ou
00:47:51a gestão
00:47:52que está
00:47:53no
00:47:53governo estadual,
00:47:57que é tão
00:47:57violenta quanto
00:47:58outras,
00:47:59elas não têm
00:48:00movimentos reais
00:48:02contra ela.
00:48:03Por quê?
00:48:04Porque é tudo
00:48:04organizado
00:48:05e eles aprenderam
00:48:06também a colocar
00:48:07muito dinheiro
00:48:08público
00:48:08nesse debate.
00:48:10Então,
00:48:10hoje,
00:48:10a dificuldade
00:48:11é reunir pessoas
00:48:12e reunir pessoas
00:48:13não é de forma
00:48:14alienante,
00:48:15que também
00:48:15tem um grupo
00:48:16X
00:48:16na sociedade
00:48:17brasileira
00:48:17que quer
00:48:18que as pessoas
00:48:19vão
00:48:19para as ruas
00:48:20a partir
00:48:22das 6 horas
00:48:22da tarde,
00:48:23na hora
00:48:24que o capital
00:48:24fechou,
00:48:25que não
00:48:26causa nada,
00:48:27de forma alienante,
00:48:28a pessoa nem sabe
00:48:29o que está fazendo lá.
00:48:30E eu acho
00:48:30que nós temos
00:48:31uma geração
00:48:31de pessoas
00:48:32como eu,
00:48:32o Nando
00:48:33e outras pessoas,
00:48:34não somos
00:48:35essas pessoas,
00:48:36a gente entendeu,
00:48:36a gente negado,
00:48:38só que a gente sente
00:48:38a necessidade
00:48:39de falar com o outro
00:48:40e o outro
00:48:40só está tentando
00:48:41sobreviver,
00:48:42conseguir um emprego
00:48:43que está difícil,
00:48:44as pessoas
00:48:45querem ganhar dinheiro,
00:48:45quem gosta
00:48:46de miséria
00:48:46é intelectual.
00:48:47desculpa aí
00:48:48de estender.
00:48:51Essa questão
00:48:52aí do
00:48:53da desmobilização,
00:48:57do uso
00:48:59da tecnologia
00:49:00durante o período
00:49:01da pandemia,
00:49:03na verdade,
00:49:05eu vejo
00:49:05que era
00:49:06uma tendência
00:49:07e que foi
00:49:09acelerada
00:49:11pelo processo
00:49:13da pandemia.
00:49:15O Habermans
00:49:16já trazia
00:49:17esse debate
00:49:18de uma sociedade
00:49:19comunicacional
00:49:20nos estudos
00:49:23lá da escola
00:49:23de Frankfurt
00:49:24e quando
00:49:26começa
00:49:29a implementar
00:49:29esses modelos
00:49:31de comunicação
00:49:32artificiais
00:49:34através
00:49:34das redes sociais,
00:49:37através
00:49:38desses dispositivos
00:49:40digitais,
00:49:43já estava
00:49:46tentando
00:49:52desmobilizar
00:49:53as formas
00:49:54de organização
00:49:55da classe
00:49:55trabalhadora,
00:49:57prendendo o
00:49:58trabalhador
00:49:58e a trabalhadora
00:49:59no entretenimento,
00:50:03nessas redes sociais
00:50:05de comunicação
00:50:07instantânea,
00:50:09que vai causando
00:50:10preguiça
00:50:11na nossa forma
00:50:13de ver,
00:50:14de agir,
00:50:15de pensar
00:50:15sobre o mundo.
00:50:17E quando
00:50:17vem
00:50:18a pandemia,
00:50:24essas
00:50:24big techs
00:50:26se apropriam,
00:50:28tanto as
00:50:29big techs
00:50:29quanto as
00:50:30empresas
00:50:30de telefonia,
00:50:32se apropriam
00:50:35desse nicho
00:50:36de consumo
00:50:37e acelera
00:50:40todo esse
00:50:41processo
00:50:42e acaba
00:50:44acontecendo
00:50:45uma hiper
00:50:46individualização
00:50:47das pessoas,
00:50:48uma desmobilização
00:50:50da classe
00:50:51trabalhadora
00:50:51que fica
00:50:52no entretenimento,
00:50:53enquanto a
00:50:54extrema direita
00:50:55e os empresários
00:50:56do sistema
00:50:57do capital
00:50:58vão se
00:50:59organizando
00:51:01para vender
00:51:03dados,
00:51:04vender
00:51:04seus produtos,
00:51:07organizar
00:51:08o perfil
00:51:08de consumidor.
00:51:11Então,
00:51:11tudo isso
00:51:12vai resultando
00:51:14nessa
00:51:16hiper
00:51:18individualização
00:51:20das pessoas
00:51:21que agora
00:51:21não precisa
00:51:23mais
00:51:23de uma
00:51:24emissora
00:51:26XYZ
00:51:28para mostrar
00:51:29o jornal,
00:51:31que mostra
00:51:31notícias
00:51:32no jornal.
00:51:33Ela mesmo
00:51:34viabiliza
00:51:35os seus
00:51:36processos
00:51:37como
00:51:38realidade
00:51:39a partir
00:51:40das suas
00:51:41intuições,
00:51:42das suas
00:51:42visões de mundo,
00:51:44dos seus
00:51:45aforismos
00:51:46e dos seus
00:51:46devaneios,
00:51:48colocando
00:51:48como verdade
00:51:49nos
00:51:51Instagram,
00:51:53Facebook,
00:51:54WhatsApp,
00:51:56né?
00:51:56Então,
00:51:56vira o mundo
00:51:57da pós-verdade.
00:51:59A verdade
00:52:00agora
00:52:00não é mais
00:52:01externa
00:52:02às pessoas,
00:52:05ela é
00:52:06da pessoa
00:52:07e cada um
00:52:08tem a sua
00:52:09verdade.
00:52:10Então,
00:52:10isso contribuiu
00:52:11e muito
00:52:11para desmobilizar
00:52:13as formas
00:52:14de organização
00:52:15da classe
00:52:15trabalhadora,
00:52:16de minar
00:52:18o sindicato,
00:52:19de minar
00:52:20as forças
00:52:21políticas
00:52:22mais progressistas,
00:52:25mais voltadas
00:52:25à esquerda,
00:52:26enquanto isso,
00:52:28a parte
00:52:29mais rica
00:52:30conseguiu
00:52:31acumular
00:52:31mais poder
00:52:33aquisitivo,
00:52:34acumular
00:52:35mais capital,
00:52:37né?
00:52:37Influir
00:52:38diretamente
00:52:39nas
00:52:41políticas
00:52:42das
00:52:44nações
00:52:45e dos
00:52:45estados.
00:52:47Então,
00:52:47por isso,
00:52:49que no
00:52:50período da
00:52:50pandemia,
00:52:51as pessoas
00:52:53passaram
00:52:54a se
00:52:55desumanizar
00:52:56mais,
00:52:57a se tornar
00:52:58mais violentos,
00:52:59mais odiosos,
00:53:01né?
00:53:01E também
00:53:02conseguiu
00:53:04também
00:53:05ficar mais
00:53:06individuais.
00:53:08então,
00:53:08a gente
00:53:09vê aí
00:53:09agora
00:53:13esses,
00:53:15como que é o nome
00:53:16deles?
00:53:17Esses
00:53:17coaches, né?
00:53:20Que ficam
00:53:21atuando
00:53:24para
00:53:26implementar
00:53:28suas ideologias
00:53:29dominantes
00:53:30nas pessoas,
00:53:31vão para as
00:53:32igrejas,
00:53:34vão para
00:53:34determinados
00:53:35segmentos
00:53:36empresariais,
00:53:37de formação
00:53:38da força
00:53:38de trabalho,
00:53:40vão para
00:53:41as igrejas
00:53:42pentecostais
00:53:43tirar
00:53:43dinheiro lá
00:53:45dos fiéis
00:53:46do Bolsa
00:53:47Família,
00:53:49né?
00:53:49O pessoal
00:53:49fala das
00:53:50BEDs,
00:53:50mas também
00:53:51o pessoal
00:53:51dá o seu
00:53:52dinheiro
00:53:52para os
00:53:53programas
00:53:53sociais
00:53:54nessas
00:53:55igrejas aí,
00:53:57principalmente
00:53:57da teologia
00:53:58da prosperidade.
00:54:00Então,
00:54:01tudo isso
00:54:01acabou que
00:54:02resultou,
00:54:04na verdade,
00:54:05nessa
00:54:06superindividualização
00:54:08aí das
00:54:08relações
00:54:09sociais,
00:54:12dessa
00:54:13coisa que é
00:54:14arte oficial
00:54:15também,
00:54:16que foi,
00:54:17nessa necessidade
00:54:18artificial,
00:54:19que foi inserida
00:54:20nas relações
00:54:21sociais
00:54:23dessa
00:54:23sociedade
00:54:24capitalista.
00:54:26A ausência
00:54:27do Estado
00:54:28propicia isso,
00:54:30o domínio
00:54:30da fé,
00:54:32a
00:54:33contaminação
00:54:34por ideologias
00:54:35individualistas,
00:54:37preconceituosas,
00:54:39misoginia,
00:54:40etc,
00:54:41etc,
00:54:41etc.
00:54:42Tem alguma
00:54:43questão,
00:54:43Sônia,
00:54:44dos
00:54:44internautas?
00:54:45Tem,
00:54:45tem.
00:54:47Está aqui o
00:54:48Miguel Lima
00:54:48pergunta,
00:54:49as big techs
00:54:50democratizaram
00:54:51o acesso
00:54:51à produção
00:54:52e difusão
00:54:53da cultura
00:54:54ao mesmo tempo
00:54:56em que são
00:54:56os principais
00:54:57valores,
00:54:58vetores,
00:54:59desculpe,
00:55:00de desinformação,
00:55:02especialmente
00:55:02nas periferias.
00:55:04Como ter
00:55:05informação
00:55:05qualificada?
00:55:08Porque as big techs
00:55:09estão na mão
00:55:10mais da
00:55:11extrema direita,
00:55:12né?
00:55:13Eles usam mais
00:55:14essa ferramenta.
00:55:17Então,
00:55:17eu acho que...
00:55:18Como ter informação
00:55:19qualificada?
00:55:21Então,
00:55:21eu acho que tem,
00:55:21é reforçando lá.
00:55:24E aí,
00:55:24eu não estou indo
00:55:25muito longe,
00:55:26não,
00:55:26também estou fazendo
00:55:27aqui a apologia
00:55:28aos deuses.
00:55:29mas,
00:55:31se você
00:55:32ler o
00:55:32manifesto,
00:55:35o Karl Marx
00:55:35fala que
00:55:36quando o trem,
00:55:38porque não tinha
00:55:39um trem,
00:55:40né,
00:55:40na época dele,
00:55:41aí quando ele
00:55:41for o trem,
00:55:42vai ligar
00:55:42um lugar
00:55:44longe,
00:55:44vai se aproximar,
00:55:45e ele fala
00:55:46de comunicação,
00:55:47ele não fala
00:55:47de ir para lá
00:55:48e para cá.
00:55:49Eu acho que a gente
00:55:50tem que usar
00:55:51essas ferramentas
00:55:51como nós estamos
00:55:52fazendo aqui,
00:55:54lembrando que nós
00:55:54estamos 2%,
00:55:56eles liberam
00:55:592%,
00:55:5920%
00:56:00para tentar politizar,
00:56:02para fazer o diálogo
00:56:02político,
00:56:03eu acho que tem
00:56:04bastante gente
00:56:04conversando,
00:56:05acho que aumentou
00:56:06esse diálogo,
00:56:07e é usar a ferramenta,
00:56:08agora não se iludir
00:56:10também,
00:56:10né,
00:56:11porque
00:56:11os donos
00:56:14dos meios
00:56:14de comunicação,
00:56:15quando o fenômeno
00:56:17da internet
00:56:19acontece,
00:56:21eles observaram,
00:56:22entenderam,
00:56:23depois eles
00:56:24dominaram,
00:56:26né,
00:56:26na parte da cultura,
00:56:27as pessoas
00:56:29gostam
00:56:30de artistas
00:56:31da indústria
00:56:32cultural,
00:56:34e quando eu falo
00:56:35indústria cultural,
00:56:36ela tem lugares,
00:56:37ela é igual,
00:56:40mano,
00:56:41não posso fazer nada,
00:56:432020,
00:56:44a gente,
00:56:45como movimentos
00:56:46culturais
00:56:46na cidade de São Paulo,
00:56:48a gente faz
00:56:48maior debate,
00:56:49papo,
00:56:50e aí aparece
00:56:50a Aldi Blanc,
00:56:51que era para
00:56:52as pessoas,
00:56:53os movimentos,
00:56:54todo mundo fazia cultura,
00:56:55precisava ganhar um dinheiro
00:56:56do Estado
00:56:57para sobreviver,
00:56:58e aí teve
00:56:58toda uma manifestação,
00:57:00e nessa época
00:57:01o Bolsonaro
00:57:03tinha tirado
00:57:05o pessoal
00:57:06do cinema
00:57:07do debate,
00:57:08lá de cima,
00:57:09ele fez o controle,
00:57:10aí esse pessoal
00:57:10do cinema
00:57:11veio para baixo,
00:57:12e aí quando eu estou falando
00:57:13do cinema,
00:57:15quando eu estou falando
00:57:15do cinema,
00:57:15estou falando
00:57:16dos malandros,
00:57:17né,
00:57:17os caras que são
00:57:18donos dos grandão,
00:57:20os pequenos
00:57:21que estão correndo atrás,
00:57:22e aí esse pessoal
00:57:24do audiovisual,
00:57:26eles fazem uma coisa
00:57:27violenta,
00:57:27que hoje,
00:57:28se eu entrar
00:57:29no Ministério da Cultura,
00:57:31eu faço rap,
00:57:32não tem nada
00:57:32para o hip hop,
00:57:34teve uma parada
00:57:35lá de,
00:57:36muito baixo,
00:57:38tipo,
00:57:386 milhões de reais
00:57:39para o hip hop,
00:57:41há dois anos atrás,
00:57:42de uma forma
00:57:43acadêmica,
00:57:44uma coisa que não é
00:57:45a leitura do hip hop,
00:57:46mas não tem mais nada,
00:57:47e aí tem que ser
00:57:48um outro grupo,
00:57:49um ponto de cultura,
00:57:51e acabou as linguagens,
00:57:52a linguagem
00:57:52que o Gilberto Gil
00:57:54tinha colocado,
00:57:55que falava,
00:57:56o Gilberto Gil
00:57:57foi tão avançado
00:57:57na política pública
00:57:58federal,
00:58:00na época dele,
00:58:00que a pessoa
00:58:01que fosse nativa,
00:58:02a gente nem fala
00:58:03mais dos nativos,
00:58:05se eu estivesse lá
00:58:05no,
00:58:06se eu estivesse lá
00:58:08no Xingu,
00:58:10eu gravava um vídeo,
00:58:11e aí participava
00:58:12do edital
00:58:12a partir da gravação,
00:58:13porque eu não vou,
00:58:14não tenho a tecnologia
00:58:15da escrita,
00:58:17e aí esse audiovisual
00:58:19dominou tudo,
00:58:20a participação
00:58:20das plataformas,
00:58:21aí resumo,
00:58:22as secretarias
00:58:24estão dando dinheiro
00:58:25para essas big tech,
00:58:26tinha uma secretária,
00:58:28uma secretária
00:58:29de cultura
00:58:30no município
00:58:31de São Paulo,
00:58:32ela tinha lançado
00:58:33um edital,
00:58:34porque a,
00:58:36que um projeto
00:58:37que deu errado
00:58:37no Facebook,
00:58:39que era aquele negócio
00:58:39do virtual,
00:58:40do óculos tal,
00:58:42ela tinha colocado
00:58:4350 milhões de reais
00:58:44para uma empresa
00:58:45fazer isso,
00:58:46não,
00:58:4610 milhões de reais,
00:58:48que ia fazer
00:58:49o evento virtual,
00:58:50na cena virtual,
00:58:52um evento,
00:58:52tipo uma virada
00:58:53cultural virtual,
00:58:54e aí você fala,
00:58:55cara,
00:58:55a gente não,
00:58:57para ter internet
00:58:58precisa ter dinheiro,
00:58:59a gente não,
00:59:00nem todo mundo
00:59:01tem dinheiro
00:59:01para a internet,
00:59:02as pessoas
00:59:02acessam a internet,
00:59:04tudo bem que a internet,
00:59:05o celular está na mão
00:59:05de um monte de gente,
00:59:07mas 70% da população
00:59:08tem celular,
00:59:09celular,
00:59:10mas quanto uma pessoa,
00:59:11tem gente que tem
00:59:1210 celulares,
00:59:13nem todo mundo
00:59:14tem celular,
00:59:15como se fala,
00:59:16e outra tem que ter crédito,
00:59:18e aí resumindo,
00:59:19eu acho que a gente
00:59:20tem que usar a ferramenta
00:59:21e tentar politizar,
00:59:22porque eu acho
00:59:23que ela faz o papel
00:59:24como o livro faz,
00:59:25o livro ele é importante,
00:59:27mas esquecer,
00:59:27quem é o dono
00:59:28das grandes livraria,
00:59:29mas tem que se inscrever livro,
00:59:30a gente vai se comunicar sempre,
00:59:32agora uma coisa
00:59:33que a gente tem que ter
00:59:34é essa coisa,
00:59:35eu só vou me realizar
00:59:36na Sônia,
00:59:37vou me realizar no Marcos,
00:59:38vou me realizar
00:59:39no Nando,
00:59:40vou me realizar em todo mundo,
00:59:41eu me realizo no outro,
00:59:43eu preciso reconhecer
00:59:44que eu só vou conseguir
00:59:45com o outro,
00:59:46sozinho eu não vou conseguir
00:59:47fazer nada,
00:59:48tipo assim,
00:59:49aí a gente tem que romper
00:59:50com o etarismo,
00:59:51tem que romper com machismo,
00:59:53tem que romper com racismo,
00:59:55porque nós nascemos pobres
00:59:56e ainda estamos tentando
00:59:57lutar para vencer,
00:59:59é isso,
01:00:00mas resumo,
01:00:01é usar a tecnologia
01:00:03em prol do que a gente acredita,
01:00:05como o Karl Marx,
01:00:06lá de 1500,
01:00:07que as pessoas falam,
01:00:08ele é do século XVIII,
01:00:11falou lá atrás,
01:00:12como os outros falam,
01:00:15a ferramenta
01:00:16é avançada,
01:00:20mas o conteúdo
01:00:21tem 1500 anos.
01:00:22Bom, eu acho que a gente...
01:00:29Cadê o Nando comunista?
01:00:31O Nando caiu?
01:00:33Perdemos o Nando?
01:00:35A Big Tech derrubou o Nando
01:00:36lá da Tiradentes.
01:00:40É o que o cara falou aí,
01:00:42que democratiza,
01:00:43não democratiza nada,
01:00:45as Big Techs,
01:00:47elas concentram
01:00:48o monopólio
01:00:51das comunicações,
01:00:53elas ganham
01:00:54dinheiro
01:00:55vendendo dados,
01:00:58Big Data,
01:01:00vendem dados
01:01:01para as empresas
01:01:04de marketing.
01:01:06na verdade,
01:01:09quem expandiu
01:01:10o parque
01:01:11produtivo,
01:01:13vamos falar,
01:01:14das comunicações,
01:01:16foi o Estado.
01:01:18O Estado
01:01:19implementou toda
01:01:20a política de telefonia
01:01:22e depois privatizou.
01:01:25E aí,
01:01:26depois que privatiza,
01:01:28vende os serviços.
01:01:30E depois
01:01:31vêm essas Big Techs
01:01:33e monopolizam
01:01:35todo esse serviço,
01:01:37todas essas relações.
01:01:40E ainda,
01:01:41na cultura,
01:01:42pior ainda.
01:01:44Então,
01:01:45as pessoas
01:01:47vão ter,
01:01:47não vão ter
01:01:48condições
01:01:50de comprar likes,
01:01:52de turbinar
01:01:54a partir
01:01:55dos robôs
01:01:57falsos.
01:01:59E depois,
01:02:01quando vai fazer
01:02:02a contratação,
01:02:03desses artistas,
01:02:05então,
01:02:06quantos likes
01:02:07tem?
01:02:08Quantos views
01:02:08tem?
01:02:10Então,
01:02:11quantos seguidores?
01:02:12E tudo isso
01:02:13é uma indústria
01:02:14que vende
01:02:15uma mentira.
01:02:17A gente acompanha
01:02:19aí nos noticiários
01:02:20como que
01:02:21são feitas
01:02:22essas compras
01:02:25de conta,
01:02:25compras de dados,
01:02:28máquinas
01:02:29para superpotencializar
01:02:31os seguidores.
01:02:33Então,
01:02:33na verdade,
01:02:34é uma
01:02:36fantasia,
01:02:37né?
01:02:39É uma
01:02:40fantasia,
01:02:41uma
01:02:41mentira
01:02:49que se colocou
01:02:50para que o artista
01:02:53tenha isso,
01:02:53tenha aquilo
01:02:54que ele vai conseguir
01:02:55o quê?
01:02:55Sei lá o quê,
01:02:56não vai conseguir nada.
01:02:58E outra coisa,
01:02:59quando a gente
01:03:00fala de democratização,
01:03:02acesso não é
01:03:03democratização,
01:03:04não.
01:03:05Se você tem
01:03:06três ou quatro
01:03:07empresas
01:03:08que fazem
01:03:09um monopólio,
01:03:11como que isso
01:03:12pode ser
01:03:12democrático?
01:03:14Democrático
01:03:15é esse
01:03:16acesso
01:03:17ser proporcional
01:03:19aos contingentes
01:03:21populacionais,
01:03:22seja
01:03:24por classe,
01:03:27gênero
01:03:28e questão
01:03:29racial.
01:03:31Então,
01:03:32quando a gente
01:03:32fala de democracia,
01:03:34vai além de você
01:03:35ter um acesso
01:03:36precário,
01:03:38como nós
01:03:39temos na periferia,
01:03:41um acesso
01:03:41precário
01:03:42da internet,
01:03:44da banda
01:03:44larga,
01:03:45que na verdade
01:03:46não é larga,
01:03:46é estreita,
01:03:48conexão ruim,
01:03:50pagamos caro
01:03:51pra caramba,
01:03:52e é caro
01:03:55não só
01:03:56a banda larga,
01:03:57mas também
01:03:58os planos
01:04:00pré-pagos.
01:04:01Então,
01:04:01dizer
01:04:02que só
01:04:03porque
01:04:03se vê
01:04:06o mundo
01:04:06a partir
01:04:06de um dispositivo
01:04:08digital
01:04:09que isso
01:04:10é democratizar,
01:04:13é um
01:04:14entendimento
01:04:15equivocado
01:04:17do que
01:04:17é a democracia.
01:04:18a democracia
01:04:21é participação,
01:04:23é intervenção,
01:04:25é representação,
01:04:27é ocupação
01:04:28de lugar,
01:04:29é discutir
01:04:31as mais
01:04:32variadas
01:04:33vertentes
01:04:34políticas,
01:04:35desde que não
01:04:36seja crime.
01:04:38Então,
01:04:38tudo isso
01:04:39nós temos
01:04:40que entender
01:04:41pra não ficar
01:04:43achando que
01:04:44ter acesso
01:04:44a isso ou aquilo
01:04:45é democracia,
01:04:46isso não é democracia,
01:04:47é monopólio.
01:04:49Então,
01:04:50são poucas
01:04:51empresas
01:04:52que detêm
01:04:53o monopólio
01:04:54da comunicação.
01:04:56Então,
01:04:56você tem
01:04:56uma meta
01:04:57aí que controla
01:04:58Facebook,
01:05:00controla
01:05:01Instagram,
01:05:02controla
01:05:03WhatsApp,
01:05:04você tem
01:05:05um X
01:05:06
01:05:06que é
01:05:07controlado
01:05:08por um dos
01:05:09magnatas
01:05:09aí da comunicação
01:05:11e por aí vai.
01:05:13Então,
01:05:13não dá pra falar
01:05:14que isso é
01:05:15democrático,
01:05:16não se tem
01:05:18democracia.
01:05:19Então,
01:05:19a gente não vê
01:05:20os segmentos
01:05:22da classe
01:05:22trabalhadora
01:05:23com as suas
01:05:25empresas
01:05:27relacionadas
01:05:28às big
01:05:28datas,
01:05:29só as grandes
01:05:30corporações
01:05:31que têm.
01:05:33Falar que isso
01:05:33é democracia
01:05:35é não entender
01:05:36os valores
01:05:36da democracia
01:05:38aí dos povos
01:05:39colonizadores,
01:05:41dos colonialistas
01:05:42europeus
01:05:43que construíram
01:05:44essa ideia
01:05:45falsa
01:05:46de democracia
01:05:48que as pessoas
01:05:49embarcam
01:05:50nessas ideias
01:05:51sem ler
01:05:52os próprios
01:05:53europeus
01:05:54que escreveram
01:05:55esses conceitos
01:05:57e essas
01:05:58categorias
01:05:59dessa
01:05:59suposta
01:06:00democracia.
01:06:02Então,
01:06:02na verdade,
01:06:03não
01:06:04democratizou nada,
01:06:06na verdade,
01:06:08concentrou
01:06:09ainda mais.
01:06:10e aí nós
01:06:11ficamos refém
01:06:11de tudo isso
01:06:12porque
01:06:13para a gente
01:06:14ter o acesso
01:06:15nós somos
01:06:17obrigados
01:06:17a comprar
01:06:18smartphone caro,
01:06:19a pagar
01:06:20uma telefonia
01:06:21cara
01:06:21e eu poderia
01:06:22conversar
01:06:23com as pessoas
01:06:24de outras
01:06:25formas
01:06:25com valor
01:06:27abaixo
01:06:27desses custos
01:06:29de um serviço
01:06:30ruim
01:06:31que é prestado
01:06:32para a população.
01:06:35Procura-se
01:06:36infligir
01:06:37na mente
01:06:38das pessoas
01:06:39cinco,
01:06:40seis,
01:06:41meia dúzia
01:06:41de detentores
01:06:44desse poder
01:06:45de comunicação
01:06:46e a gente
01:06:48acaba aderindo.
01:06:50Mas o grande
01:06:50problema,
01:06:51Nando,
01:06:52as pessoas
01:06:53aderem
01:06:54com a ilusão
01:06:55de que
01:06:56estão,
01:06:57digamos assim,
01:07:00adquirindo
01:07:00uma possibilidade
01:07:02de serem livres
01:07:03e terem opinião
01:07:04própria,
01:07:05quando na realidade
01:07:06acabam
01:07:07reproduzindo
01:07:08o que
01:07:09foi
01:07:11determinado,
01:07:14o que foi
01:07:15condicionado
01:07:15para que essa
01:07:16pessoa fizesse.
01:07:17Quer dizer,
01:07:18o que eu me
01:07:19refiro
01:07:20é a
01:07:20conscientização.
01:07:24Tem uma questão
01:07:25importante
01:07:28que esses
01:07:30caras falam
01:07:31aí de
01:07:31democracia
01:07:32e quando
01:07:33você
01:07:34veicula
01:07:34algo
01:07:35que é
01:07:35contrário
01:07:36às
01:07:37políticas
01:07:38dos
01:07:38Estados
01:07:39Unidos
01:07:40ou de
01:07:41quem
01:07:41controlam,
01:07:42eles não
01:07:43deixam
01:07:43monetizar
01:07:44o seu
01:07:44canal.
01:07:45Não,
01:07:45não deixam.
01:07:48Quando é
01:07:48contra a
01:07:49hegemonia,
01:07:50não se
01:07:50monetiza
01:07:51nada.
01:07:52É o
01:07:53discurso
01:07:53único, né?
01:07:54O
01:07:55algoritmo
01:07:56limita,
01:07:59você
01:08:00é boicotado,
01:08:03na verdade.
01:08:05Até quando
01:08:06pega um
01:08:07comentarista,
01:08:08a pessoa vai
01:08:09comentar o que
01:08:10a empresa,
01:08:12a TV,
01:08:14televisiva,
01:08:15quer
01:08:15aquela posição.
01:08:18É só uma posição
01:08:19que eles põem,
01:08:19não tem de fato
01:08:21um confronto
01:08:22de ideias,
01:08:23posições
01:08:24divergentes,
01:08:26não.
01:08:27É o
01:08:27discurso
01:08:28único, né?
01:08:29Então,
01:08:30é um trabalho
01:08:31difícil
01:08:32esse de
01:08:33esclarecer,
01:08:34de falar,
01:08:35de tentar
01:08:37procurar
01:08:37por mecanismo
01:08:38alcançar
01:08:40o coração
01:08:40das pessoas,
01:08:41né?
01:08:41E a mente, né?
01:08:44Deixa eu só fazer uma
01:08:44pergunta para vocês dois,
01:08:46que eu acho que
01:08:47essa é para a gente,
01:08:48é importante,
01:08:48mas no lugar
01:08:49de vocês,
01:08:49que estão no sindicato.
01:08:51E aí,
01:08:51como que é o sindicato
01:08:53com essas tecnologias?
01:08:55Para falar com os
01:08:56trabalhadores,
01:08:57como que está essa
01:08:58relação com vocês?
01:09:00Olha,
01:09:00eu vou falar,
01:09:01eu já passo para a soma.
01:09:04Olha,
01:09:04é cada vez mais difícil,
01:09:06né?
01:09:07A gente ter essa
01:09:08comunicação,
01:09:09e a gente tenta
01:09:10abrir canais
01:09:12como esse,
01:09:13jogar garrafas
01:09:14ao mar
01:09:15para que alguém
01:09:15leia
01:09:16as mensagens.
01:09:18Esse tipo
01:09:19de diálogo
01:09:19que a gente está
01:09:20fazendo aqui
01:09:21é uma possibilidade
01:09:23de compreensão,
01:09:24né?
01:09:24A gente
01:09:25trabalha
01:09:27do ponto de vista
01:09:28de conquistas
01:09:29econômicas,
01:09:30mas
01:09:31não basta
01:09:32conquistas econômicas,
01:09:34a gente parte do concreto
01:09:35para que as pessoas
01:09:36compreendam
01:09:37que o trabalho
01:09:38coletivo
01:09:39é que traz
01:09:40resultado
01:09:41ou mínimo
01:09:42resultado
01:09:43que a gente
01:09:44pleiteia,
01:09:45mas,
01:09:47além disso,
01:09:47a gente,
01:09:48a partir
01:09:48dessas conquistas
01:09:49econômicas,
01:09:50a gente procura
01:09:51ampliar a conscientização,
01:09:55a compreensão
01:09:56de mundo,
01:09:57né?
01:09:57Então,
01:09:58é por isso
01:09:59que nós
01:09:59convidamos,
01:10:00assim,
01:10:01várias pessoas
01:10:03da...
01:10:04movimentos,
01:10:05né?
01:10:06A gente tem
01:10:06que se
01:10:06vincular a movimentos,
01:10:08nós fazemos parte
01:10:09da sociedade,
01:10:10a gente tem
01:10:11que dissolver
01:10:12esse equívoco
01:10:13das pessoas,
01:10:14ah,
01:10:14nós estamos
01:10:15numa categoria,
01:10:16nós somos
01:10:16melhor que os outros,
01:10:17não,
01:10:18nós somos
01:10:18servidores públicos
01:10:20para servir o público
01:10:21e nós estamos
01:10:22inseridos
01:10:22na sociedade.
01:10:24Você não pensa
01:10:25assim,
01:10:25Sônia?
01:10:27É,
01:10:27nós somos
01:10:28trabalhadores,
01:10:29embora muitas
01:10:30pessoas ali
01:10:31acham que são
01:10:33classe média alta,
01:10:34que tem
01:10:35poder aquisitivo
01:10:37capaz de
01:10:38se colocar
01:10:39numa posição
01:10:40superior às demais.
01:10:41mas nós somos
01:10:42trabalhadores
01:10:43e nós usamos
01:10:45essa ferramenta
01:10:46para fazer
01:10:47comunicação
01:10:47e mesmo
01:10:50assim
01:10:50é difícil
01:10:52alcançar.
01:10:53Mesmo
01:10:53assim,
01:10:54fazemos
01:10:55assembleias
01:10:57online
01:10:59para tentar
01:11:00chamar a atenção
01:11:01da pessoa
01:11:02para ela não
01:11:02precisar ir
01:11:03até o sindicato,
01:11:05não adianta,
01:11:06vem pouca
01:11:06gente.
01:11:08E fazemos
01:11:08festas
01:11:09para ver
01:11:09se as pessoas
01:11:10se aproximam
01:11:11e vão
01:11:11presencialmente
01:11:12também.
01:11:13É difícil,
01:11:14não é,
01:11:14Marcos?
01:11:15Então,
01:11:15aos poucos
01:11:16a gente vai
01:11:17tentando.
01:11:19É aproximado,
01:11:19mas tem
01:11:20uma relutância.
01:11:21Nós não
01:11:21desistimos
01:11:22ainda,
01:11:23mas é difícil.
01:11:24O Miguel
01:11:24que o diga,
01:11:25o Miguel Lima
01:11:26foi o que fez
01:11:27a pergunta,
01:11:27é o presidente
01:11:28do sindicato,
01:11:29só fazer essa
01:11:30constatação.
01:11:32Mas,
01:11:33é isso,
01:11:33Réper?
01:11:34não,
01:11:35é porque
01:11:35eu acho
01:11:36que
01:11:36vocês,
01:11:40eu acho
01:11:40que está
01:11:41claro em vocês,
01:11:42porque
01:11:42vocês,
01:11:45nós somos
01:11:45um sindicato
01:11:46de servidores,
01:11:47é o que vocês
01:11:47estão falando,
01:11:49que queiram ou não
01:11:50queiram na sociedade
01:11:50hoje,
01:11:52criou uma classe,
01:11:53isso que é
01:11:54uma coisa
01:11:55que os trabalhadores
01:11:56e os servidores,
01:11:57hoje ser servidor
01:11:58tem seus feudos,
01:12:00tem uma parte
01:12:00de coisa aí
01:12:00que a parte,
01:12:02a boa parte
01:12:03da população
01:12:04nem chega perto
01:12:05disso,
01:12:05nós estamos
01:12:06num diálogo
01:12:06de pessoas
01:12:07de,
01:12:08da geração,
01:12:09que eu sempre faço
01:12:09a leitura,
01:12:10geração de 80
01:12:11para cá,
01:12:11que não estão
01:12:12perto dessas coisas,
01:12:13que parece que está
01:12:14tudo próximo,
01:12:15que está tudo
01:12:16democrático,
01:12:17mas não está,
01:12:18né,
01:12:19tipo assim,
01:12:19a pessoa vai procurar
01:12:20emprego,
01:12:21a inteligência
01:12:22artificial
01:12:23não deixa
01:12:24o currículo
01:12:24avançar,
01:12:26né,
01:12:26então,
01:12:27e aí vocês,
01:12:29e aí,
01:12:29só que
01:12:29sabemos que toda
01:12:31essa tecnologia
01:12:32foi para
01:12:32destruir
01:12:33o sindicato,
01:12:34e aí você tem
01:12:35um governo
01:12:35com o Bolsonaro,
01:12:37que ele,
01:12:37quando ele vai lá,
01:12:38faz a tal
01:12:39da carteira amarela,
01:12:40para destruir o sindicato,
01:12:41para entender
01:12:42coletivamente,
01:12:43mas a exploração
01:12:44é sindical,
01:12:45a exploração
01:12:46é coletiva,
01:12:47o Estado
01:12:48explora coletivamente,
01:12:49e aí não tem força,
01:12:51tipo assim,
01:12:51a Câmara Municipal
01:12:53faz uma votação
01:12:54atrás da outra
01:12:55antipovo,
01:12:56o cara do Estado,
01:12:58o Nando está em,
01:13:00que ele participou
01:13:01dos sindicatos
01:13:01dos professores
01:13:02também,
01:13:03a educação
01:13:04está em ataque
01:13:04com toda
01:13:06essa tecnologia.
01:13:14Nando,
01:13:14comunista,
01:13:17qual que é a tua
01:13:18percepção?
01:13:20Veja só,
01:13:21Nando,
01:13:22há uma ideologia
01:13:26no sentido
01:13:26de desmontar
01:13:28qualquer entidade,
01:13:30qualquer representatividade
01:13:32coletiva,
01:13:33seja o hip-hop,
01:13:35seja o sindicato,
01:13:38sei lá,
01:13:38seja qualquer agrupamento
01:13:41que represente
01:13:43movimentos coletivos,
01:13:45e a gente tem a missão,
01:13:48a gente tem a necessidade
01:13:49de resgatar
01:13:51essa movimentação,
01:13:55esse tipo de trabalho
01:13:57coletivo,
01:13:58essa forma de atuar.
01:14:01Vamos fazer um curso,
01:14:03vamos fazer um movimento
01:14:04aqui,
01:14:04nós já fizemos um curso
01:14:07um tempo atrás,
01:14:08não é só,
01:14:09inclusive o Nando
01:14:10participou,
01:14:11o Pirata também,
01:14:12e deu muito certo,
01:14:14a sala encheu,
01:14:16foi antes da pandemia,
01:14:18não sei se agora,
01:14:19nós teríamos,
01:14:20mas a gente faz misto,
01:14:21online,
01:14:23presencial,
01:14:24sei lá.
01:14:25Vamos fazer,
01:14:26Raipel?
01:14:26Fica o convite aí
01:14:27para vocês,
01:14:28e espero que vocês ainda,
01:14:31eu tenho certeza,
01:14:32não espero,
01:14:33que vocês ainda acreditam
01:14:34na luta,
01:14:36e a gente obtém resultados,
01:14:40nem que ser,
01:14:41parcelados,
01:14:42às vezes um pouco mais,
01:14:43mas vai chegar um momento
01:14:45que a gente vai ter
01:14:45um ganho qualitativo,
01:14:48e é para isso
01:14:49que a gente está aqui,
01:14:50conversando.
01:14:53Então,
01:14:53essa coisa continua,
01:14:55a gente faz uma parte,
01:14:55o Fórum de Hip Hop
01:14:56em parceria com o Sid Lesk,
01:14:58acho que a gente tem que fazer
01:14:59essas formações,
01:15:01acho que tem que conversar
01:15:02pessoalmente,
01:15:03conversar virtual,
01:15:04mas tem que fazer,
01:15:05faz parte do jogo,
01:15:07se a gente também,
01:15:08porque uma das coisas
01:15:09que também é problemático
01:15:11para nós,
01:15:13é tipo assim,
01:15:13a gente faz a leitura
01:15:15do Estado,
01:15:17da política pública,
01:15:18os caras acham que a gente
01:15:18não tem capacidade
01:15:19de como isso se executa,
01:15:22nós estamos fazendo cobrança
01:15:23porque a gente sabe
01:15:24como se executa,
01:15:25a gente,
01:15:26porque todo mundo
01:15:27é trabalhador,
01:15:28todo mundo é,
01:15:30o mundo do trabalho
01:15:31é um mundo de repetição,
01:15:33esse que a informática,
01:15:35o computador te faz,
01:15:38só que as pessoas vomitam
01:15:40como se elas fossem
01:15:40extremamente importante,
01:15:42eu sou iluminado,
01:15:44só que a gente
01:15:44não precisa ser iluminado,
01:15:45porque o artífice,
01:15:47não é,
01:15:48ele não,
01:15:48não é o mesmo artífice
01:15:49de antigamente,
01:15:51a gente não é
01:15:52uma aleijadia,
01:15:54e aí,
01:15:55intelectualmente,
01:15:55pior ainda,
01:15:57as academias formam
01:15:58pessoas que não fazem
01:15:59a crítica social,
01:16:01então,
01:16:02e aí,
01:16:02e aí,
01:16:02e aí,
01:16:02cabe em nós
01:16:03construirmos essas coisas,
01:16:04falar com pessoas,
01:16:05porque tem um monte de gente aí,
01:16:07agora,
01:16:07é uma luta,
01:16:08porque a gente também
01:16:09acredita em transformar,
01:16:10a gente sabe como fazer
01:16:12a política pública chegar
01:16:13nas pessoas,
01:16:14porque a gente estuda,
01:16:15a gente sabe,
01:16:16só que as pessoas
01:16:16acham que a gente
01:16:16não tem essa capacidade,
01:16:18faz uma leitura,
01:16:19esses caras são
01:16:19movimentos sociais,
01:16:21é a questão do estereótipo,
01:16:23sempre vão estereotipar,
01:16:24estereotipar a idade,
01:16:25não,
01:16:26você já passou da idade,
01:16:27estereotipo,
01:16:28nunca é o ser humano
01:16:29conhecimento,
01:16:30estereotipa a raça,
01:16:31estereotipa o lugar
01:16:32que nasceu,
01:16:34o jeito que fala,
01:16:35tudo é estereotipado,
01:16:37e a gente tem que romper
01:16:38com os estereótipos,
01:16:39e aí a parceria
01:16:40está aí,
01:16:41não,
01:16:41suave.
01:16:43Vamos fazer
01:16:44umas conciliações
01:16:45finais
01:16:45e dar uma mensagem
01:16:47de alento,
01:16:49de convocação,
01:16:50digamos assim,
01:16:51de participação
01:16:52para o pessoal,
01:16:53vamos lá.
01:16:55Nando,
01:16:56Pirata.
01:16:56Eu vejo que
01:17:00nesse mundo
01:17:02dos algoritmos
01:17:04e da hiperindividualização,
01:17:07das
01:17:08relações de trabalho,
01:17:11do precariado,
01:17:13e o que nós trazemos,
01:17:15que nós temos
01:17:16de bagagem histórica
01:17:17e legado histórico,
01:17:18é que
01:17:19as senzalas
01:17:22eram coletivas,
01:17:22coletivas.
01:17:24Os nossos ancestrais
01:17:26africanos
01:17:28se organizavam
01:17:29coletivamente.
01:17:32Houve,
01:17:33como diz o Clóvis Moura,
01:17:34as rebeliões
01:17:35da senzala.
01:17:36Depois,
01:17:37a gente tem
01:17:38o quilombismo,
01:17:40os quilombos
01:17:41dos palmares,
01:17:42que
01:17:43organizavam
01:17:45sociedades
01:17:46contra o colonialismo.
01:17:49depois,
01:17:50a gente tem
01:17:51frente negra brasileira,
01:17:53o movimento negro,
01:17:55o movimento sindical,
01:17:57as lutas
01:17:57contra
01:17:58a ditadura militar,
01:18:01no período
01:18:01do golpe
01:18:02de 64.
01:18:04Então,
01:18:05na década
01:18:05de 80,
01:18:06nós tivemos
01:18:07fortes organizações
01:18:09da classe
01:18:10trabalhadora.
01:18:12Então,
01:18:12a saída
01:18:13para nós,
01:18:14dentro dessa
01:18:15falsa meritocracia,
01:18:17e da valorização
01:18:19da hiperindividualização,
01:18:21a saída
01:18:22é coletiva.
01:18:24O movimento
01:18:25hip-hop
01:18:26é coletivo.
01:18:27O sindicato
01:18:28é coletivo.
01:18:29Então,
01:18:30são nesses
01:18:30espaços
01:18:31coletivos
01:18:32que a classe
01:18:33trabalhadora
01:18:34se encontra
01:18:35para fazer
01:18:36as suas lutas.
01:18:37E foram
01:18:38esses os ganhos
01:18:39do século
01:18:3919,
01:18:41século 20,
01:18:43dos direitos
01:18:43sociais,
01:18:44dos direitos
01:18:46sociais e
01:18:46trabalhistas
01:18:47colocados
01:18:48também
01:18:48na Constituição
01:18:49Federal do Brasil
01:18:51de 1988,
01:18:53depois do
01:18:54final
01:18:54da ditadura
01:18:56militar.
01:18:57Então,
01:18:57para nós,
01:18:59é muito
01:19:00importante
01:19:01se organizar
01:19:03de forma
01:19:03coletiva
01:19:04para enfrentar
01:19:06essa onda
01:19:08do neoliberalismo,
01:19:11essa onda
01:19:12atroz,
01:19:13feroz,
01:19:13animalesca,
01:19:14dessa forma
01:19:16de capitalismo
01:19:17atual,
01:19:18da globalização
01:19:19neoliberal.
01:19:21Então,
01:19:21o meu recado
01:19:22é que vamos
01:19:23nos unir
01:19:23para difundir
01:19:26os nossos valores,
01:19:28as nossas lutas,
01:19:30os nossos ideais
01:19:32políticos
01:19:33e de dignidade
01:19:34humana,
01:19:35e de combate
01:19:36às opressões,
01:19:36o racismo,
01:19:38machismo,
01:19:38sexismo
01:19:39e exploração
01:19:40do trabalho.
01:19:41Tamo junto,
01:19:42René.
01:19:44Tamo junto.
01:19:45E aí,
01:19:46Pirata?
01:19:46Vamos lá,
01:19:47Pirata,
01:19:47você,
01:19:48seu recado final.
01:19:49Eu quero agradecer
01:19:50ao Cindy Lesa,
01:19:52à Sônia,
01:19:53ao Marcos,
01:19:54lembrando que a gente
01:19:55vai organizar
01:19:56uma formação,
01:19:58e aí,
01:19:59quando a gente
01:19:59abrir essa formação,
01:20:00a gente vai chamar
01:20:00as pessoas,
01:20:01vamos divulgar,
01:20:02fazer,
01:20:02e eu acho que a gente
01:20:03vai fazer várias
01:20:04discussões,
01:20:05a gente precisa discutir
01:20:06o que é drogadição,
01:20:07o que é geração
01:20:08de trabalho,
01:20:09tem que discutir
01:20:09uma parte de coisa
01:20:10que a gente precisa
01:20:11trocar ideia.
01:20:12Então,
01:20:12esse convite também
01:20:13quero mandar um salve
01:20:14ao pessoal da favela
01:20:15do Moinho,
01:20:16também o pessoal
01:20:17do Jaraguá também,
01:20:18que a polícia
01:20:18está atacando,
01:20:19tipo assim,
01:20:20o doutor aí,
01:20:22que está no estado aí,
01:20:24ele é violento,
01:20:26ele deu uma fazenda
01:20:27para o Scarfe
01:20:28e está tirando
01:20:29a casa das pessoas
01:20:30no Jaraguá,
01:20:31no Moinho,
01:20:32em outros lugares.
01:20:32Também quero dar um salve
01:20:34às pessoas
01:20:35em situação de rua,
01:20:37que também é pior,
01:20:38nós somos uma cidade
01:20:39de 90 mil pessoas
01:20:40na situação de rua,
01:20:41no país são 300
01:20:42e poucas mil pessoas
01:20:44em situação de rua,
01:20:45também resolver
01:20:46as posições
01:20:46da drogadição,
01:20:48que a gente também
01:20:48acabe com as cadeias
01:20:50e principalmente
01:20:51é um salve ao Hip Hop
01:20:52e ao pessoal
01:20:53do movimento cultural,
01:20:55que a luta
01:20:56é cotidiana,
01:20:57é todo dia
01:20:58e agradecer mesmo.
01:21:00Fora de Hip Hop,
01:21:01tem nosso site lá,
01:21:02www.foradehiphop.com,
01:21:05não,
01:21:05www.foradehiphop.com.br,
01:21:08está nosso histórico
01:21:10desde 2005 lá
01:21:11e muito obrigado.
01:21:15Obrigada, Pirata,
01:21:16com as palavras
01:21:17e o Marcos
01:21:18para terminar isso,
01:21:19Marcos.
01:21:20Sônia,
01:21:21já se despediu, Sônia?
01:21:24Já,
01:21:25eu agradeço
01:21:26a presença dos dois,
01:21:28foi muito interessante
01:21:29o papo,
01:21:30muito inteligente também,
01:21:33com muitas informações
01:21:34importantes
01:21:34e acho que nós temos
01:21:36que apostar realmente
01:21:37na coletividade,
01:21:38vamos apostar no coletivo
01:21:40e vamos ver
01:21:41se a gente consegue
01:21:42fazer uma nossa parte
01:21:46no sentido
01:21:46de derrotar futuramente
01:21:49o sistema capitalista
01:21:51e o seu modelo neoliberal.
01:21:55Nando,
01:21:56Pirata,
01:21:57eu agradeço profundamente
01:21:58essa mensagem
01:21:59de esperança,
01:22:01de amor,
01:22:01de luta,
01:22:02é o que a gente precisa
01:22:03e agradeço
01:22:04aos internautas
01:22:05que ficaram conosco
01:22:06até agora
01:22:07e como o Pirata falou,
01:22:09nós vamos organizar
01:22:10um curso em conjunto,
01:22:12o movimento hip-hop
01:22:14e o Escola Cirilex
01:22:16e até uma próxima
01:22:18e espero contar
01:22:19com a presença de todos.
01:22:21Muito obrigado.
01:22:22Obrigado, Miguel Lima.
01:22:24Gratidão.
01:22:26Obrigada, Nando Comunista.
01:22:28Obrigada, Réper Pinaldo.
01:22:30Um grande abraço.
01:22:31Fiquem bem.
01:22:32Tamo junto.
01:22:33Tamo junto.
01:22:35Tamo junto.

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