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  • há 4 meses
Antes de Remo e Paysandu dominarem o futebol paraense, outros clubes escreviam sua própria história nos gramados. Vários clubes no estado faziam a torcida vibrar… mas desapareceram. O historiador Itamar Gaudêncio conta quão tradicionais eles eram, quais conquistas marcaram suas trajetórias e por que deixaram de existir?

Imagens e edição: Edição: Karla Pinheiro (Supervisão: Tarso Sarraf)
Reportagem: Aila Beatriz Inete

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Transcrição
00:00Olá, internautas de olieberal.com. Nós estamos aqui para mais uma entrevista, dessa vez com o professor historiador Itamar Gaudêncio.
00:08Muito obrigada, professor, pela sua disponibilidade e por estar aqui falando sobre um assunto que é muito legal e que o senhor se interessa muito.
00:18Eu que agradeço a oportunidade, porque é uma oportunidade de estar falando do meu trabalho e também falando um pouco do lazer em Belém, dos clubes,
00:26e como é que as pessoas viviam nessa primeira metade do século XX e até o próprio século XX mesmo, que é bem recente.
00:32O assunto de hoje é para falar sobre clubes paraenses que meio que sumiram, deixaram de disputar a elite do futebol paraense,
00:43e a ideia é falar um pouco sobre por onde andam esses clubes, por que eles deixaram de existir, e o professor tem um trabalho muito bacana sobre isso.
00:52E aí, para a gente começar, eu queria que o senhor desse um panorama de como era o futebol antes da década de 60, de 70,
01:03quais clubes ali estavam no centro, junto com o Remo e Paissandu?
01:08Bom, é importante dizer que quando você fala do campeonato paraense, ou você fala do futebol em Belém,
01:14a gente precisa pensar que o clube do Remo e Paissandu não entram logo no início.
01:18Então, tem toda uma estrutura ali encada com estrangeiros, com processos de migração, de ingleses, franceses, italianos,
01:27e, obviamente, que essa cultura vai se interagir mais, vai ocorrer um processo de hibridismo cultural.
01:35E aí, obviamente, que os clubes também vão sendo criados com uma estrutura local e com um pensamento de fora,
01:40italianos, portugueses, espanhóis, ingleses.
01:42E o bairro de Jurunas, por exemplo, é um dos bairros que tem mais clubes nesse início do século XX.
01:49Claro, futebol disputado por militares, por estudantes, por profissionais liberais como um todo, que eram da elite.
01:58Aí você tem o Esporte Clube Pará como um grande clube que também desapareceu,
02:03que não inicia com o futebol, apesar de praticar o futebol internamente.
02:07E Clube do Remo e Paysandu, no caso Clube do Remo, iniciaram com o Remo, ou os esportes náuticos.
02:14Então é algo mais elitizado.
02:16E o futebol, classicamente se fala que o campeonato começa em 1908, mas já tem o embrião dele em 1906.
02:23Ele também tem esses clubes participando, sem Remo, aliás, com a participação do Esporte Clube Pará,
02:30e outros que participavam ali daquele início, como o Guarani e etc.
02:37Então, no caso, a gente falou agora do União Esportiva, que foi o primeiro campeão.
02:41Aí chama-se momento amadorístico.
02:43A União Esportiva foi o que ganha os dois primeiros campeonatos.
02:47E você não tem um repá.
02:48É algo até estranho para a gente hoje pensar.
02:50Mas é o início do campeonato paraense, e o Clube do Remo, fundado em 1905, vai participar do campeonato em 1911,
02:58mas não tem uma estrutura muito adequada para aquilo ali.
03:02Tem uma série de situações que ele sai, obviamente, ele se reestrutura em 11, em 13,
03:08que realmente ele vai começar a disputar o campeonato.
03:11Ou seja, apesar de eu ser torcedor do Paysandu, eu entendo que o Remo começa em 13 e o Paysandu em 14.
03:16A gente costuma dizer, naquelas encarnações, que o Paysandu começa em 14 e mais títulos,
03:21o Remo começa lá em 5.
03:22Não, não é bem assim.
03:24Tem toda uma estrutura de disputa com clubes como o Esporte Clube do Pará,
03:28que era um clube de elite, que vai participar também do futebol junto com a União Esportiva e outros,
03:34que a gente vai perceber que é mais elitizado.
03:36E depois, num processo que se inicia uma expansão desse futebol,
03:41que tem uma expansão do futebol, é que você tem entrada de Remo no futebol realmente,
03:45e o Paysandu.
03:47A Tuna, por exemplo, fundada em 1903, era esporte náutico.
03:52Então, mas ela tinha futebol, tinha internamente,
03:54e um clube muito voltado para portugueses.
03:57Então, percebe-se que é uma dinâmica diferente do que nós temos atualmente.
04:02E, talvez por isso, a União Esportiva, que tinha um jogador interessante chamado Marituba,
04:06que era um clube muito ligado também à Estrela de Ferro,
04:09que era algo de Belém naquela época.
04:10E ele era considerado o cara da União Esportiva.
04:15Com o tempo, a União Esportiva vai desaparecer.
04:17Por quê?
04:18O futebol também vai interagindo com esses grupos da elite,
04:21e, obviamente, ele é amador.
04:23Quem disputa são militares, são políticos.
04:26Quem apita o jogo são políticos.
04:29Os jogadores são atletas, filhos de grande personalidade.
04:33No Paysandu, por exemplo, a gente tem lá o Mimí Sodré, filho do Alonso Sodré.
04:36E me parece que a família Sodré tem uma influência muito grande na fundação do Paysandu
04:41pelo próprio nome, que é ligado à Guerra do Paraguai.
04:45No Remo, Família Feio, por exemplo.
04:47Aí tem vários outros que participam ali no Paysandu, inclusive com ingleses ainda.
04:52Então, a gente está falando desses clubes assim como uma pré-profissionalização do futebol aqui no Estado.
05:01Isso, didaticamente falando, para os nossos internautas entenderem,
05:04o futebol, nesse primeiro momento, ele é muito amador, mas um amador elitizado.
05:09Só que com uma peculiaridade.
05:11Em Belém, a gente não vai ter o pó de arroz.
05:15Nós temos um negro, eu vou utilizar um termo da época,
05:18um negro participando ali, que é o poeta Bruno de Menezes.
05:22E ele jogava no Guarani.
05:24O Bento Bruno de Menezes jogava ali no meio, para a zaga.
05:28Ele era um defensor e participava ativamente nos jogos.
05:31Assim como ele interagia com o Edgar Proença,
05:34que era um atleta, um esporte-man,
05:37que participava do Brasil, que disputou o primeiro campeonato paraense também.
05:42Então, o Bruno de Menezes foi do Guarani e o Brasil do Edgar Proença,
05:46disputando também o campeonato paraense lá no seu início,
05:48quando a União Esportiva é campeão.
05:50O que a gente vai perceber ali?
05:52Uma interação de grupos que têm uma origem muito pobre em Belém,
05:57como o Bruno de Menezes, do Jurunas, que apanhou do seu patrão, etc.
06:03E o Edgar Proença, que era um membro da elite intelectual,
06:06que circulava no grande hotel, na Avenida 15 de Agosto,
06:09onde hoje é o presidente Fargas.
06:11E aí, nessa época, a gente tinha quais times?
06:15Tinha a União Esportiva?
06:17Tinha o Esporte em Pará?
06:19Os combatentes já é dessa época?
06:21Ou já vem de uma época depois?
06:24Ah, legal pergunta, porque é o seguinte.
06:25Nesse primeiro momento, a gente vai ter clubes
06:28que não vão ligar muito para o futebol,
06:31como morremos logo no início,
06:33e o Paissandu não existia.
06:34Você vai ter o Norte Clube,
06:36que é o embrião do Paissandu,
06:37chamado time negra,
06:38que não tem a ver com essa questão de movimento negro.
06:43Não tem nada a ver com isso.
06:44É por conta das camisas.
06:45Por exemplo, o Brasil tinha preto e amarelo,
06:49se não me foge a memória aqui.
06:50O Guarani, eu não lembro as cores,
06:52mas tinha uma outra cor.
06:53Cada time tinha uma cor.
06:54O Clube do Remo, por exemplo,
06:56vai ter a cor dele azul marinho, azul e branco,
06:59mas, no primeiro momento,
07:00com uma camisa listrada na horizontal, inclusive.
07:03Então, esses eram os clubes.
07:05No caso dos combatentes,
07:07a gente percebe pelo próprio nome
07:08que é um clube que vai surgir
07:11depois da Segunda Guerra Mundial.
07:13Mas olha a construção cultural que tem dos clubes.
07:16Não tem o primeiro momento.
07:17Isso tem na minha tese e no meu livro.
07:19No primeiro momento, um futebol
07:20muito ligado às elites intelectuais,
07:22militares, políticas,
07:25do direito, do âmbito do direito.
07:26Quando dá nos anos 20,
07:28que o País Sanduí já está bombando,
07:30o Clube do Remo está bombando,
07:31eles começam a jogar nos bairros de Belém.
07:34O que era Pedreira?
07:35O que era o marco?
07:36O local de passar o final de semana.
07:38O que era Mosqueiro?
07:39Tem um time lá chamado Pedreira.
07:41Santo Isabel do Pará.
07:43Aí você vai para a vigia.
07:44Há uma interação muito grande desses clubes
07:47com o interior.
07:48Ou seja, não é que nós estejamos defendendo
07:52uma democracia racial,
07:53mas é uma participação de pessoas
07:55com etnias diferenciadas aqui
07:58nos clubes como o Bruno de Menezes.
08:00E na década de 20, isso se populariza.
08:03Me parece que você tem o rádio,
08:07a Rádio Clube do Pará vai ser fundada,
08:11que é a primeira rádio aqui da região,
08:12nesse contexto da década de 20 para 30,
08:15influenciando os jornais,
08:17os jornalistas, os cronistas,
08:19eles influenciavam também nesse debate
08:22e nessa propaganda do futebol.
08:24E as pessoas começaram a gostar,
08:25porque os jogos eram nas praças,
08:27eles eram em São Braz, Matista Campos.
08:29Depois é que se aproveita o estádio
08:31da Ferreira Comadita,
08:32que é o atual Curuzu,
08:33para jogar esses jogos.
08:35E o que é que isso acontece?
08:36Vai aparecer Pinheirense,
08:38Santa Rosa na vida do Pinheiro,
08:40claro, com as elites circulando,
08:41porque elas fundam o clube,
08:43elas lideram, elas jogam,
08:45mas interagem com a cultura local,
08:47que é indígena, que é negra,
08:49que é do porto, que é da floresta.
08:51Em ano de COP30,
08:52a gente percebe que essa discussão
08:55do meio ambiente interage com a cidade.
08:58A cidade o tempo todo está ligada
08:59ao meio ambiente,
09:00não é só floresta,
09:01é a floresta que pertence à cidade.
09:03Por isso que agora eu comentei um pouco
09:04do Parque da Cidade,
09:06que é interessante,
09:07não é novidade para as pessoas,
09:08porque as pessoas têm uma memória cultural
09:12ligada ao esporte.
09:13E aí tu vai ter outros clubes surgindo.
09:15Os combatentes surgem,
09:17porque no final da Segunda Guerra Mundial,
09:19está lá os ex-combatentes
09:20com uma identidade solidificada,
09:22com uma força muito grande,
09:24ligada a essa questão
09:25de terem vencido o nazifascismo.
09:26e assim como outros.
09:29Eu estou falando isso porque
09:30às vezes você não...
09:32Na minha tese eu defini um recorte histórico,
09:35até 52, 51.
09:37Mas às vezes eu falava um clube de 53.
09:39Eu descobri Vasco da Gama aqui.
09:41Eu descobri, por exemplo,
09:43que além da Tuna Luso-Brasileira,
09:44a gente tinha um Luso-Brasileiro.
09:46Não era a Tuna.
09:47Eu descobri, por exemplo,
09:48que eu tinha o Itália,
09:49o Palestra Itália.
09:51O oratório no Jurunas.
09:53Porque o Jurunas era a rival do Imperial.
09:55Que é algo que eu falei.
09:57O repá, ele só se fortaleceu
09:59porque nos anos 20 e 30
10:01havia uma rivalidade nos bairros
10:03e esses jogadores começaram a entrar
10:06para o profissionalismo marrom.
10:08Sabe o que é isso?
10:09É o cara que ele...
10:10Ele diz que é amador.
10:12Mas o dono do time diz assim,
10:14vem e joga comigo que eu te dou uma ponta.
10:15Te dou um dinheiro.
10:16Te dou um emprego.
10:18Então, eles começaram a entrar
10:19e até que entra na profissionalização
10:21da década de 40.
10:2241, acho que 42.
10:24Mais ou menos isso.
10:24Isso se encaixa com a minha próxima pergunta
10:27que é o Remo e Paissandu
10:29meio que já nasceram com uma rivalidade, né?
10:32Porque o Paissandu
10:33tem a história dele atrelada com a do Remo, mas...
10:37Gênesia mesmo, eu falo na minha tese.
10:40Como era, tipo assim,
10:41essa rivalidade entre os clubes, né?
10:45Esses clubes, eles foram criados
10:48com algum, digamos assim,
10:52identidades de bairros, né?
10:55Você mencionou a questão
10:56de ter essa cultura indígena,
11:00da floresta, etc.
11:02E aí, como era que era a rivalidade desses clubes, né?
11:06Antes de Remo, pensando,
11:07o que a gente tinha parecido com o Repá?
11:09Citinha.
11:10Olha, vou dizer uma coisa.
11:11Quando eu falei do Bruno de Menezes,
11:12porque pra mim é uma figura ímpar
11:14e que às vezes a gente estuda apenas
11:16como um poeta,
11:17como se o poeta fosse algo apartado da sociedade.
11:20E não é.
11:21Então, o que é que é interessante?
11:23Ele vivenciava, por exemplo,
11:24a quadra Joanina,
11:25ele vivenciava ali os bois
11:27no bairro do Jurunas,
11:29ele vivenciava as festas,
11:31as soarrês, né?
11:32Como eles chamavam,
11:34que ocorria nas elites,
11:35lá no Esporte Clube Pará,
11:36no Clube do Remo,
11:38mas ocorria também
11:39na sede do São Domingos.
11:41Aí eu tenho uma amiga
11:42que eu entrevistei,
11:43ela pra minha tese
11:44se chama Maria de Belém.
11:46Ela é sobrinha neta
11:47do Bruno de Menezes.
11:48Ela conta um pouco
11:49dessas rivalidades.
11:50Ela dizia assim,
11:51ela me chamava de,
11:52à época eu era capitão, né?
11:53Hoje eu sou presidente coronel da PM.
11:55E ela dizia assim,
11:57ah, capitão,
11:58quando nós estávamos,
12:00quando eu era pequena,
12:01eu lembro muito bem
12:01que tinha o oratório,
12:03que tinha o imperial,
12:04e a rivalidade começava
12:05nas festas,
12:06inclusive com as mulheres.
12:08Nós jogávamos futebol,
12:10só que era algo
12:10que não aparecia.
12:12Porque talvez
12:13pra aquele período
12:13fosse interessante,
12:14mas eu era teimosa.
12:15Eu jogava futebol,
12:16ou seja,
12:17e jogava no meio dos homens,
12:18eu conseguia disputar muito bem
12:20e olha, eu era ponta,
12:21eu era ponta direita.
12:23E ela me falou isso,
12:23inclusive recente,
12:25porque eu fiz também
12:25um trabalho de pós-doutorado,
12:27que eu trabalhava
12:27o São Domingos
12:29com o Rancho
12:30Não Posso Mais Afinar,
12:31ou seja,
12:32carnaval e futebol
12:32no Jurunas,
12:33que é um debate
12:34que se tem no Rio de Janeiro,
12:35mas que também temos aqui
12:37com a nossa peculiaridade.
12:38Então,
12:39a rivalidade,
12:39ela se constrói
12:40em detalhes,
12:42nas festas,
12:42nas comidas,
12:43nas crianças participando,
12:44nos jogos de segundo quadro,
12:46nos jogos de crianças,
12:47na corrida com ovos.
12:49Havia uma disputa,
12:50uma grande festa
12:51no final de semana.
12:51é óbvio,
12:53eu estou falando
12:54de um lazer.
12:56Eu não estou dizendo
12:56que esses trabalhadores
12:57não sofriam questão de salário,
12:58porque quando eles fundavam
12:59esses clubes também,
13:00tem um detalhe,
13:01eram clubes associativistas.
13:03Ou seja,
13:04antes das leis trabalhistas,
13:06e aí saiu para o campo do direito,
13:07também sou professor
13:08de direito constitucional,
13:09então eu lembro muito disso.
13:10Caramba,
13:11não tinha lei trabalhista,
13:12como é que o cara
13:12fazia para sobreviver?
13:13Trabalhava de domingo a domingo
13:14no porto,
13:14estivador,
13:16sentia dores, etc.
13:17O clube fazia esse papel.
13:19Ele pagava um pecúlio.
13:20Se ele sofresse um acidente,
13:21o clube bancava ele
13:22por um período.
13:23Tinha assistência médica.
13:25São Domingos fazia isso.
13:25Imperial fazia isso.
13:27A maioria dos clubes,
13:28claro,
13:29muitos surgiram
13:29só pelo futebol.
13:30Outros se fortaleceram
13:31nos bairros.
13:32Esses que se fortaleceram
13:34nos bairros,
13:35eles estão até hoje
13:36lutando por um processo
13:38de globalização
13:39capitalista muito forte.
13:41Eu não sou antcapitalista,
13:43mas é um processo
13:44que se constrói
13:45todos os dias,
13:46em que o financeiro
13:48se sobrepõe também
13:49à questão da identidade.
13:50E há uma resistência
13:51nessas pessoas,
13:53mas há uma questão
13:54muito grande
13:54que é difícil disputar
13:55com o Real Madrid
13:56e Barcelona,
13:56por exemplo.
13:58Ver um Chelsea
13:58e Real Madrid
13:59é muito difícil.
14:01As pessoas vão estar
14:01interligadas
14:02porque hoje
14:03existe uma espécie
14:04de comunidade global
14:05que avançou muito
14:06desde a época
14:07que eu era mais jovem.
14:08Já se falava
14:08nos anos 90 disso
14:10e hoje é muito mais forte.
14:11Sim.
14:12E aí,
14:13é interessante isso
14:15porque
14:15Remo e Paissandu
14:17não começaram
14:19o Campeonato Paraense.
14:21Já esses times,
14:23União Esportiva,
14:24Esporte Pará.
14:26E aí,
14:26hoje a gente vê
14:27a polarização
14:28e a torcida
14:28muito grande.
14:29E em termos de torcida,
14:31como que era
14:32nessa época?
14:35Você falou da rivalidade
14:37que começava
14:38em ambientes
14:39para além do futebol.
14:41e como que era isso
14:44na época?
14:45Bom,
14:46eu esqueci de falar
14:47da questão
14:48da rivalidade
14:48de Remo e Paissandu.
14:49Norte Clube,
14:51ele tem uma partida
14:53que eles perdem
14:53por Remo,
14:53o Remo vai ser
14:54campeão paraense
14:55e aí reclama
14:56em 1913.
14:58E aí,
14:58a partir daí,
14:59Edgar Proença,
15:00que era remista,
15:00se junta com o Hugo Leão
15:02e Paissandu,
15:02um dos jogadores
15:03do Paissandu,
15:03diz assim,
15:03bora fundar um clube
15:04para bater com o Remo?
15:05Bora.
15:05O que é interessante,
15:06não é uma dissidência,
15:08é uma criação
15:09para a rivalidade realmente.
15:10E ora,
15:10o Edgar Proença
15:11também é um jornalista,
15:13ele gostava
15:13de discutir
15:14essas questões,
15:15tinha a revista
15:16à semana
15:17onde eles debatiam
15:17muito isso,
15:18a participação
15:19das mulheres,
15:20e aí inicia
15:20uma rivalidade.
15:21Logo após isso,
15:22em 15,
15:23se não estou enganando,
15:23tem um documento
15:24onde Remo e Paissandu
15:25se declaram rivais
15:26e isso vai para os jornais.
15:28É claro que há
15:29uma influência
15:30muito grande
15:31dos jornalistas
15:31daquela época,
15:32dos cronistas.
15:33O Bruno de Menezes
15:33também foi redator
15:34da revista à semana.
15:36Agora,
15:36o ponto mais forte
15:37dessa rivalidade
15:38que leva as torcidas,
15:39é a curiosidade,
15:41é a participação.
15:42Por exemplo,
15:43duas mil pessoas
15:44na Curuzu,
15:45uma estrutura
15:45que não é como
15:46se tem hoje,
15:47apesar de que
15:48a gente tem uma estrutura
15:49que não é comparada
15:50com a da Europa,
15:50claro,
15:51mas temos uma estrutura
15:51melhor que da época.
15:53E aí,
15:53imagina,
15:54deu duas mil pessoas ali,
15:56mais de duas mil pessoas
15:57lotou aquele estágio,
15:58significa que as pessoas
15:59gostavam do futebol,
16:00a maioria homens,
16:01mas as mulheres participavam.
16:03E isso ia interagindo
16:04com os clubes,
16:05e isso somava também
16:06com a rivalidade de rua,
16:08Rimo Paissandu
16:09e jogar festivais
16:10da merenda escolar,
16:12festivais do
16:12Vila do Pinheiro,
16:14e isso,
16:15festival da Sacramenta,
16:17isso facilitava com o quê?
16:18O jogador do Sacramenta
16:19queria jogar no Rimo Paissandu,
16:20lembra que eu falei
16:21do profissionalismo marrom?
16:23Isso facilitava
16:24para que a rivalidade
16:24aumentasse e a torcida.
16:26Então,
16:26há um foco muito grande
16:28da imprensa
16:28e das pessoas
16:29que venciam
16:30os festivais,
16:32que são muito mais fortes
16:33que o campeonato,
16:34porque são jogos
16:34que se disputa,
16:35venceu,
16:35e aí é toda aquela
16:36encarnação,
16:37aquela brincadeira,
16:38fortalece as torcidas.
16:39A torcida ainda é
16:40aquela da encarnação.
16:43A torcida é,
16:44ela vai até os anos 60,
16:45aí os anos 60
16:46você tem aquelas
16:47batucadas,
16:47é tipo uma fanfarra.
16:50A minha esposa
16:50estuda isso
16:51quando veio jogar
16:53um time do Amazonas
16:54com um time do Pará
16:54selecionado,
16:56e o Pará
16:56venceu o Amazonas
16:57e Rimo e Paissandu
16:58se uniram,
16:59imagina isso,
17:00para lutar
17:01contra o Amazonas.
17:02E aí ela fez
17:04um artigo
17:04sobre essa questão.
17:05O que é que é interessante?
17:06Mostra que a rivalidade
17:07ainda era muito
17:08carnavalesca
17:09e de integração.
17:11Quando é que ela muda?
17:12A partir, principalmente,
17:13dos anos 80.
17:15Por isso que eu trouxe aqui
17:16a revista Gol,
17:17não é propaganda,
17:18essa revista aqui
17:19tem muita coisa
17:20dos anos 70 e 80.
17:22Aqui, no caso,
17:22dos anos 70.
17:23E mostra que a rivalidade
17:24foi aumentando
17:25por conta também
17:26dos clubes suburbanos
17:27e como a empresa
17:28trabalhava isso.
17:30Então,
17:30tem um jornalista
17:31chamado Expedito Leal
17:32que escreveu também
17:33História do Rimo e Paissandu
17:34e me presenteou
17:36com um livro.
17:36Mas é interessante
17:37falar o nome dele.
17:38Ele vivenciou,
17:39ele foi um de redatores
17:41da revista Gol
17:41e ele contava
17:43um pouco
17:44do que era
17:44essa rivalidade suburbana
17:46ainda carnavalesca,
17:47mas que vai sendo,
17:49vai aumentando
17:50com o decorrer do tempo.
17:51É claro,
17:52você tem um contexto
17:53dos anos 80
17:53que alguns historiadores
17:55chamam de um contexto
17:56que tem ganhos de rua,
17:58que tem problemas
17:59com criminalidade,
18:00com aumento da criminalidade.
18:01Talvez isso
18:02seja influenciado
18:02na torcida organizada.
18:04Tem um outro jornalista
18:06que faz uma transdoutorada
18:07sobre torcida organizada.
18:09É claro que a gente
18:09não está demonizando
18:10torcida organizada,
18:12mas a gente precisa entender
18:13como é que cria uma rivalidade
18:14que chega à questão
18:15da criminalidade.
18:16Nós tivemos situações
18:17aqui em pleno
18:18Ciro de Nazaré
18:19com torcida
18:20se atirando.
18:21Isso mostra
18:21que tem uma criminalidade,
18:23que é o que dizer para ele.
18:24Dizer,
18:24meu amigo,
18:24tem uma rivalidade interna
18:26em que há uma construção
18:28de violência.
18:29Ela é muito fruto
18:30dos anos 80.
18:32Não sei se influência
18:33do cinema,
18:35de qualquer outra questão,
18:37mas talvez um avanço
18:38desse capitalismo
18:39das baixadas em Belém
18:40em que o debate
18:41era muito grande
18:42de desigualdade.
18:43Isso também influencia
18:44nas questões
18:45da criminalidade.
18:47Obviamente que a tua
18:48preocupação
18:48é a minha,
18:50porque em que momento
18:50isso leva a briga?
18:52Agora é claro,
18:53tinha briga
18:53nesse momento também?
18:54Tinha.
18:55Aí a polícia agia
18:56diz assim,
18:57no década de 30
18:58tem uma frase
18:58do jornalista
19:00dizendo assim,
19:00olha,
19:01do cronista,
19:01eles colocavam um pseudônimo
19:02e não dá para saber
19:03logo quem era.
19:04Às vezes ele dizia
19:05Proença,
19:05Bruno de Menezes,
19:06dizia assim,
19:07olha,
19:07quando tinha briga
19:09a polícia entrava
19:10e peixe e espada
19:12não era mole não.
19:13Ou seja,
19:14porque a cavalaria
19:14usava uma espada
19:15e conseguia dispersá-la
19:16àquela multidão.
19:18Então violência,
19:19ela foi construída
19:20com o tempo,
19:21mas ela tem um ápice
19:22na década de 80 e 90.
19:23Hoje a gente percebe
19:24um controle maior,
19:25as pessoas vigiando
19:26porque a participação
19:27das mulheres é muito grande,
19:29das crianças,
19:29das famílias
19:30e isso é importante
19:31para que a gente tenha
19:32essa rivalidade
19:33mais saudável
19:35no sentido do que era
19:36no tempo da carnavalização.
19:38Eu imagino
19:39que essa questão
19:40da rivalidade
19:41também tenha se fortalecido
19:44por conta
19:44da profissionalização.
19:46Começou-se
19:47a investir mais,
19:48a ter,
19:49digamos assim,
19:50mais seriedade,
19:52não sei se é
19:52essa palavra correta,
19:53nos campeonatos,
19:55as coisas foram
19:56ficando mais sérias
19:57de fato.
19:58E aí imagino
19:58que isso tenha
19:59influenciado
19:59nessa segregação,
20:02nessa rivalidade
20:03entre os clubes.
20:04Tem um historiador
20:05chamado Eric Hobsbaw,
20:06ele já faleceu,
20:07mas a obra dele
20:08não falece.
20:09E ele diz o seguinte,
20:10que isso se chama
20:10cultura de massa.
20:12E essa cultura de massa
20:13tem um estudo
20:13da psicologia
20:14em que as pessoas
20:15quando elas estão agrupadas
20:16elas podem ser
20:16mais violentas,
20:18elas podem mostrar
20:19um outro lado.
20:20então isso é interessante
20:21para a gente poder pensar
20:22para o lado da psicologia
20:23do futebol.
20:24E a questão
20:24da profissionalização
20:25é também um fator
20:26que é importante
20:29para a gente entender
20:29por que alguns clubes
20:30desaparecem.
20:31São Domingos existe
20:32até hoje,
20:33mas não disputa futebol.
20:34Hoje ele é um local
20:35de festas,
20:36com uma parte de esporte
20:38que é alugada
20:39para os jovens,
20:40mas o papel que ele tinha
20:41de identidade
20:42lá no bairro,
20:43muitas vezes
20:43as pessoas não sabem.
20:45Isso encaixa
20:46com a minha próxima pergunta,
20:47que parece meio absurdo
20:52a gente falar
20:54que o primeiro campeão
20:55paraense
20:56não existe mais,
20:58não disputa mais.
21:01E como foi que
21:02esses clubes foram
21:03acabando,
21:04digamos assim?
21:06Foi uma coisa
21:07gradual?
21:09Foi aos poucos
21:10ou simplesmente
21:11pararam?
21:12De maneira gradual,
21:14realmente.
21:15Por exemplo,
21:15os combatentes
21:16você não ouve mais falar.
21:17o esporte
21:18a gente não ouve mais falar.
21:19Por exemplo,
21:20a gente tem clubes
21:20mais atuais,
21:21que eu lembro
21:21que é da minha infância,
21:22da década de 80,
21:23o Esporte Belém.
21:24Era um clube que tinha
21:25jogadores que iam
21:26para o Rio de Janeiro
21:26e o Paissandu.
21:27Aquela ideia
21:27que eu te falei,
21:28sai dos clubes
21:29e vai para o Rio de Janeiro
21:29e isso fortalece
21:30a rivalidade do bairro
21:31e fortalece
21:32a rivalidade dos clubes.
21:34Então, assim,
21:35paulatinamente
21:35eles foram desaparecendo.
21:36O Esporte Belém
21:37era da Aeronáutica.
21:39Aí eu creio que não tem
21:40mais um patrocínio
21:40da Aeronáutica.
21:41O Tiradente,
21:47passou um tempo
21:48sem aparecer
21:48e é um time importante
21:50dentro do Campeonato Paraense.
21:52O Isabelense aparece,
21:53né, agora lá no interior.
21:55Quer dizer,
21:55há uma estrutura capitalista
21:57e que, obviamente,
21:58você tem que ter
21:58um investimento muito grande
21:59nesses jogadores.
22:01E o campeonato exige hoje
22:03o que você falou
22:03ainda há pouco.
22:04Como é profissional,
22:05que tem um trabalho físico,
22:07mental, psicológico,
22:09dentre outras questões.
22:11Então, isso favorece.
22:12Eu, quando estava fazendo
22:14a pesquisa,
22:15eu vi que, por exemplo,
22:15Vênus ainda existe.
22:17É um time considerado
22:19do interior, né?
22:21Mas também não tem
22:22mais expressão, né?
22:24Justamente por conta
22:25dessas questões, assim,
22:26de financeiro.
22:29E aí...
22:30Ou seja, o futebol
22:30não é só o futebol.
22:32É, exatamente.
22:32Ele também é política econômica,
22:34relações sociais, etc.
22:36E os que, assim,
22:37que o senhor pesquisou,
22:39que o senhor conhece,
22:40como é que eles ainda resistem, né?
22:44O que restou da história deles?
22:45Como é que eles ainda se manifestam?
22:49Só para ter uma ideia,
22:52por exemplo,
22:52a gente tem os três grandes,
22:54Remo, Paissandu e Tuna, né?
22:55A gente considera a Tuna
22:56ainda grande pela tradição,
22:58com muita dificuldade.
22:59O Remo e o Remo na Série B
23:00não é fácil.
23:01O Remo está buscando
23:03uma vaga na Série A,
23:04mas é muito importante
23:04para a questão
23:06do futebol paraense.
23:07O Paissandu não cair
23:08para a Série C
23:09e até buscar uma vaga
23:10na Série A,
23:11que é o que a gente
23:11acaba torcendo,
23:12por ser torcedor do Paissandu,
23:13eu não nego isso.
23:15Seria interessante também,
23:16imagina um repá
23:17na primeira divisão,
23:18faz tempo que não tem.
23:19E a Tuna,
23:20ela caiu agora na Série D.
23:22Percebam,
23:22são os três grandes
23:23que têm um apelo importante.
23:24No dia desse,
23:24eu comprei uma camisa da Tuna,
23:26linda,
23:26com a cara do Pará,
23:28com os desenhos
23:29do estado do Pará,
23:30vermelho e tal,
23:30achei muito legal.
23:31Comprei para mim
23:32e para minha esposa.
23:33Meu filho treina na Tuna,
23:35então a Tuna tem uma tradição.
23:36Agora,
23:36imagina os outros clubes.
23:38Quando eu trouxe também
23:38esse documento,
23:39foi para dizer
23:40que tem clube que desapareceu,
23:41que está agarrado a uma família,
23:43porque isso é uma história
23:44de famílias.
23:45Ele está lá,
23:46a família tem um documento apenas.
23:48Ele vai morrer,
23:49obviamente o documento
23:49vai desaparecer também.
23:52Você tem o Berabinha,
23:54que eu creio que ainda hoje
23:55teria sede.
23:56Eu até mandei uma foto
23:57de uma pesquisa de campo
23:58que eu fiz,
23:58eu fiz no Sacramento.
23:59O Sacramento dividiu,
24:00vendeu parte,
24:01especulação imobiliária.
24:03O São Domingos sofre isso também,
24:05porque não tem mais
24:07os associados,
24:08as pessoas,
24:09como se tivessem perdido
24:10o interesse,
24:10que eu acho que é importante
24:12a gente lembrar
24:13do papel social
24:14que esses clubes tiveram.
24:17E hoje,
24:18nós temos uma política
24:19do governo
24:19que eu também acho interessante
24:20chamada Ter Paz,
24:21que lembra um pouco disso.
24:23Mas sem adentrar
24:24na política do governo,
24:25mas falando,
24:25só comparando,
24:26a gente percebe
24:27que eles desaparecem
24:28por conta dessa estrutura,
24:29realmente.
24:30E qual é a resistência?
24:31As famílias.
24:32Agarrada no documento,
24:34e isso de maneira análoga,
24:35dá para entender.
24:36Se agarram documentos,
24:37são idosos,
24:37e eles brincavam
24:39no Berabim
24:39em 2013,
24:40quando eu fui lá,
24:41diziam assim,
24:42olha,
24:42o presidente é esse,
24:43o outro não quer assumir,
24:44porque quando assume
24:45a presidência,
24:45morre.
24:46Mas aí,
24:47cadê os jovens?
24:48Os jovens vêm aqui
24:49só assistem jogo,
24:50tomam uma cerveja,
24:51não tem mais estrutura,
24:52jogam um dominó,
24:53é isso que virou o clube.
24:54O Sacramento não tem mais
24:55a sede,
24:56é alugado.
24:56Então,
24:57foi desaparecendo.
24:58É um processo natural,
25:00mas eu acho doloroso,
25:01porque a história de Belém,
25:04a história do Pará,
25:05nós temos clubes
25:06na Ilha do Marajó
25:06também nesse sentido.
25:08E o que eu acho
25:08mais interessante?
25:10Que os grandes
25:10também sofrem isso.
25:11A gente tem que ter
25:12muito cuidado,
25:12porque a gente tem
25:13vizinhos,
25:14estados vizinhos,
25:15que os clubes sumiram.
25:17Então,
25:18praticamente,
25:19eles existem,
25:20mas jogando
25:20uma série B
25:22ou C do campeonato
25:23que estão lá
25:24e eram tradicionais.
25:25Para se dar um exemplo,
25:27é Rio Negro
25:27e Nacional
25:28no Amazonas.
25:29Cadê o Rio Negro
25:30e o Nacional
25:30que lotava
25:31o estádio Vivaldo Lima
25:32no Amazonas?
25:33Eu tenho um sonho
25:34de pesquisar
25:34e fazer a comparação
25:35Belém e Manaus,
25:36que também são
25:36gemes se amezes,
25:38que às vezes eu não entendo
25:38algumas rivalidades.
25:40E outros estados
25:42como o Maranhão,
25:43o Motoclube,
25:44hoje não aparece tanto.
25:47O Sampaio Correia
25:48está ali também
25:49definhando a série D
25:50e quem apareceu mais
25:51foi o Mack,
25:52que é o Maranhão
25:53Atlético Clube
25:54que eliminou a Tuna.
25:55Eu lembro da minha infância
25:56que era uma rivalidade
25:57muito grande
25:57para o Maranhão.
25:59Assim,
25:59eu mesmo tempo
26:00eu olho o Ceará,
26:01Fortaleza e Ceará
26:02com uma força
26:03muito grande ainda
26:04na série A,
26:05série B,
26:06naquela disputa ali
26:07e que é próximo
26:09também da gente
26:09culturalmente.
26:10Então,
26:10o que eu penso?
26:11Que tem uma estrutura
26:12capitalista global
26:13que ela vai empurrando
26:14para uma profissionalização
26:15que o jovem
26:16vai saindo mais.
26:17Não é um caso específico
26:18de Rio de Janeiro
26:18e País Sanduí.
26:18Isso está acontecendo
26:19em vários locais.
26:20Não é um caso específico
26:21dos clubes paraenses.
26:23Isso deve ter acontecido
26:24no Rio de Janeiro
26:24e em São Paulo
26:25e em outros locais.
26:26Aqui nós temos
26:26clubes de mulheres
26:27e também
26:29quando eu olho
26:30o Campeonato Palense
26:31feminino
26:31ou o Brasileiro feminino
26:32eu vejo que
26:33falta um investimento maior.
26:35E lembro disso
26:36porque Belém
26:36teve um dos primeiros
26:37clubes no Brasil
26:38que foi em 1924
26:39o clube das Palmeiras.
26:41que a minha esposa pesquisou
26:44e foi motivo
26:45inclusive do meu casamento.
26:48Porque futebol
26:48está meio alegria,
26:49é casamento,
26:50é família.
26:51É entretenimento,
26:54é lajei,
26:54então envolve
26:56todos os setores
26:57da sociedade.
26:59Então já é nossa, né?
26:59Não é só futebol
27:01de fato,
27:02não é só o jogo em si.
27:03E aí para a gente
27:04encerrar,
27:06eu queria que o senhor
27:08falasse um pouco
27:08da importância
27:09da gente resgatar, né?
27:12Recentemente
27:12a gente fez uma matéria
27:14sobre a falta
27:15da gente ter um museu
27:17do futebol esportivo
27:20aqui
27:20muito focado
27:22em Rêmio Paysandu,
27:24mas tiveram
27:25outros clubes, né?
27:26E a gente
27:27meio que perde
27:28um pouco essa história
27:29porque não conhece.
27:30E aí qual a importância
27:31de resgatar
27:32essas histórias
27:33para a nossa história mesmo,
27:37não só do futebol,
27:38mas do Estado?
27:39Bom,
27:40primeiramente
27:40falar das pessoas.
27:42Em anos de COP30,
27:44a COP30 é um fator
27:45importantíssimo
27:46para a gente.
27:47Muitas críticas,
27:48mas porque Belém
27:49agora é o centro.
27:50Eu vejo que
27:51por mais que tenhamos
27:52problemas,
27:52vamos mostrar Belém,
27:53a cidade no meio da Amazônia.
27:55Eu quando debato
27:56o meio ambiente,
27:56eu penso na cidade.
27:58Aqui no meu trabalho
27:58tem meio ambiente,
27:59porque as pessoas
28:00moravam nas pontes,
28:01as ruas são asfaltadas
28:02agora,
28:03mas eram pontes,
28:04eram igarapés,
28:05era a cultura
28:06dessas pessoas.
28:06então a importância
28:08de estudar esses clubes
28:10é para nós pensarmos
28:11no atual.
28:12A história não é só passado,
28:13a história é tempo presente,
28:14ela está correndo
28:15na nossa frente aqui.
28:16E nós podemos mudar.
28:17Um parque da cidade
28:18é um ponto importante
28:19para as pessoas também
28:20terem o seu lazer.
28:21O direito do lazer
28:22é o direito constitucional.
28:23Mas assim,
28:25eu acho que um ponto
28:26interessante também
28:27dessa importância
28:28é a gente ter a questão
28:31do museu do futebol.
28:33Alguns debateram
28:34museu do esporte,
28:35museu do futebol.
28:36Eu estou em um projeto
28:37junto com a Secult,
28:39que eu creio que
28:41o governo do estado
28:42vai dar andamento,
28:43porque a gente percebe
28:44que o nosso governador
28:45é um desportista,
28:46ele gosta do esporte
28:47paraense,
28:48ele é para além
28:48das rivalidades.
28:49E aí,
28:50o que eu percebo?
28:51Que tem um trabalho
28:52já pronto
28:52do museu do futebol.
28:53Nós já temos um trabalho
28:54onde a gente catalogou
28:56muitas coisas
28:56juntamente com a Secult,
28:58e que, obviamente,
28:59nós estamos aguardando
29:01para que ele seja implementado.
29:03eu creio que agora
29:05com a COP30
29:05não seja feito,
29:06mas tem um projeto pronto
29:08do governo do estado
29:08para o museu do futebol
29:10em que vai mostrar
29:12para as pessoas
29:12a história dos bairros,
29:14a história das mulheres,
29:15porque a gente pensa
29:15só em São Paulo.
29:17Ah,
29:17o Charles Miller,
29:19o Oscar Cox
29:20no Rio de Janeiro.
29:22Não,
29:22o futebol é aqui,
29:23construído paralelamente.
29:24Mas para além
29:25de ser futebol,
29:26é a história das pessoas
29:27que estavam no porto,
29:29que estavam nos bairros,
29:30que a gente chama
29:31de periférico,
29:31suburbanos,
29:33como está na minha pesquisa,
29:34e a história das mulheres,
29:35dos homens,
29:36dos negros,
29:37dos brancos,
29:37dessa cidade aqui.
29:38E que ela tem um lugar
29:39nessa globalização,
29:41que é o lugar
29:42no meio da floresta,
29:44interagindo com essa floresta
29:45e sobrevivendo cotidianamente.
29:47Então,
29:48o museu do futebol
29:48também não é só um museu
29:50para as pessoas olharem,
29:51mas é para refletirem
29:52na realidade atual
29:53do que é o direito ao lazer
29:55e o direito de ir e vir
29:56das pessoas
29:57e o direito
29:57de identidade cultural
29:59que nós temos.
29:59Perfeito,
30:01é isso.
30:02Muito obrigada
30:02pela sua participação,
30:04pela aula
30:05de história,
30:07de futebol,
30:07de tudo.
30:08E aí,
30:09queria saber do seu livro,
30:10a gente consegue ter acesso
30:11de forma digital
30:14ou adquirir
30:15em algum lugar?
30:17Normalmente,
30:18quando tem a feira do livro,
30:20o nome do livro é
30:21Futebol Suburbano
30:22e Festivés Esportivos,
30:24Lazer e Sociabilidade
30:25nos Clubos de Suburgo
30:26em Belém do Pará,
30:27de 1920 a 1952.
30:28É um livro
30:31que tem uma base
30:32do que eu falei aqui também,
30:34das pesquisas
30:34que eu fiz,
30:35e eu posso encontrar
30:36no Amazon,
30:37no Magazine Luiza,
30:39comigo,
30:39na Feira do Livro,
30:40tem na Feira do Livro,
30:41eu sempre levo para lá,
30:42tanto do Repá
30:43quanto
30:44na Feira,
30:46quanto esse
30:46de futebol suburbano,
30:48que é o que dá base
30:49para a gente entender
30:50a profundidade
30:51que é o Repá
30:51e a identidade cultural
30:52do paraense.
30:53Então,
30:54quem quiser
30:54pode adquirir comigo,
30:55no Amazon,
30:56Magazine Luiza,
30:57dentre outros,
30:58tá bom?
30:59Ou na Editora Aples também.
31:00Ah, legal.
31:01É isso,
31:01muito obrigada
31:02pela sua participação,
31:04a gente vai ficando por aqui,
31:06muito obrigada a todos
31:07pela audiência.
31:08a gente vai ficando por aqui,
31:09a gente vai ficando por aqui,
31:10a gente vai ficando por aqui,
31:11a gente vai ficando por aqui,
31:11a gente vai ficando por aqui,
31:12a gente vai ficando por aqui,
31:13a gente vai ficando por aqui,
31:13a gente vai ficando por aqui,
31:14a gente vai ficando por aqui,
31:14a gente vai ficando por aqui,
31:15a gente vai ficando por aqui,
31:15a gente vai ficando por aqui,
31:15a gente vai ficando por aqui,
31:16a gente vai ficando por aqui,
31:17a gente vai ficando por aqui,
31:17a gente vai ficando por aqui,
31:18a gente vai ficando por aqui,
31:19a gente vai ficando por aqui,
31:19a gente vai ficando por aqui,
31:20a gente vai ficando por aqui,
31:21a gente vai ficando por aqui,
31:22a gente vai ficando por aqui,
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