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Policial militar do Ceará é condenado a mais de 22 anos de prisão por assassinato de jovem em Uiraúna
Sistema Diário de Comunicação
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há 5 meses
Um tio do jovem assassinado foi entrevistado no Olho Vivo e disse que a família nunca buscou vingança. Ele exaltou a Justiça após condenação do policial.
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Notícias
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00:00
Ontem foi concluído esse júri, esse julgamento em que um policial militar do estado do Ceará
00:06
que matou jovem estudante com tiro na cabeça na cidade de Uiraúna
00:11
é condenado a mais de 22 anos de prisão.
00:15
Ramon Pedro de Souza, de 25 anos, foi morto no ano de 2023 após uma festa na cidade de Uiraúna.
00:24
Pedro Filho é o tio da vítima e comenta detalhes desse julgamento.
00:29
Aliás, a família acompanhou de perto o julgamento antes, na preparação e também durante.
00:36
Pedro Filho, bem-vindo aqui ao programa Olho Vivo.
00:39
Como familiar, como foi para o senhor acompanhar esse julgamento
00:43
e saber que esse policial militar que efetuou esse disparo contra o seu sobrinho
00:49
ele foi condenado a mais de 22 anos de prisão.
00:52
Bem-vindo aqui ao programa Olho Vivo. Boa tarde.
00:55
Boa tarde a todos que fazem o programa.
00:58
Desde já eu agradeço a todos.
01:03
Vocês como família do jovem Ramon, que até hoje estamos ainda lutando para superar essa perca
01:10
que chegou de uma maneira trágica no seio de nossa família.
01:15
A gente recebeu a notícia ontem que a gente acompanhou o júri.
01:19
A gente esperou por esse momento, já vai fazer quase dois anos.
01:26
E a gente entregou desde o primeiro momento que seja feita a justiça do nosso país.
01:32
Então a gente saiu daquele tribunal ontem com a cabeça erguida pelo trabalho feito pela nossa defesa.
01:39
Principalmente pela parte do Ministério Público, que em nenhum momento demonstrou frieza.
01:47
Demonstrou que o cidadão brasileiro ainda tem a resposta judicial.
01:53
Isso para nós foi um momento muito que nos afagou.
01:58
Um momento que fez ter um peso da nossa consciência.
02:02
Fez com que a gente possa voltar a acreditar nas nossas instituições, na nossa lei.
02:09
E a pena foi uma pena de 22 anos.
02:12
Isso foi uma pena atribuída pelo nosso poder judicial, pelo entendimento da justiça.
02:18
Então a gente, eu creio, que a perca já tivemos no momento em que a vida do nosso jovem foi ceifada.
02:27
Então no momento, em nenhum, nós quisemos olhar para a vingança.
02:33
Todo momento, junto com os amigos, com os familiares mais próximos, se reunirmos e buscamos a pena pela justiça.
02:41
Podia ter passado 10, podia ter passado 20 anos.
02:45
A resposta a gente queria ser feita pela justiça.
02:49
E foi a resposta que a justiça nos deu.
02:52
Foi a condenação do réu há 22 anos.
02:55
Isso, para nós, foi algo realizado.
02:59
Foi algo satisfatório no contexto judicial.
03:03
A gente não tem, nesse momento, o que reclamar de como a justiça foi feita.
03:10
Eu sei que no calor da emoção, como família, a gente queria uma pena muitíssimo elevada.
03:17
Mas não é assim que se funciona o poder judiciário.
03:21
Todo mundo tem um direito de sua defesa, como nós tivemos a nossa, como ele teve a defesa dele.
03:28
E foi alegado, as duas partes, foi algo muito confrultuoso, algo muito delicado.
03:34
Mas a resposta que veio da justiça, falando como familiar, como tio da vítima,
03:42
como a pessoa que acompanhou desde o primeiro momento que chegou a notícia,
03:47
eu acompanhei o pai do Ramon, que era um sobrinho.
03:51
E a gente está hoje de cabeça erguida, paz na virada, ciclo encerrado.
03:57
Mas eu não deixo aqui de frisar, de agradecer a todos que contribuíram pela parte judicial que nos ajudaram,
04:06
que a gente não tinha condições de arcar.
04:08
Foi os amigos que contribuíram com a primeira parte.
04:11
E vocês da imprensa, os amigos que compartilharam.
04:16
Isso a gente deve essa gratidão a todos vocês, pela força que deram desde o primeiro momento
04:23
em que esse problema, em que essa catástrofe chegou nos seus, da nossa família.
04:29
A gente agradece desde já a todos vocês, pelo trabalho de cada um,
04:34
que vocês continuem com esse trabalho sério, com esse trabalho digno
04:39
e sempre buscar promover a justiça para aquele que realmente necessita no nosso país.
04:46
Pedro, eu gostaria de fazer ainda um questionamento, o senhor enquanto tio da vítima,
04:51
mas também para a família, como foi estar presente no julgamento
04:56
e ver no banco dos réus aquele que assassinou o vídeo,
05:01
registrou, inclusive, o momento em que o jovem Ramon Pedro de Souza,
05:05
ele é morto com um tiro.
05:07
Como foi para a família estar cara a cara, vê-lo pessoalmente,
05:11
o policial militar do estado do Ceará que matou o seu próprio sobrinho?
05:17
Olha, isso é algo que eu não desejo para ninguém,
05:22
porque em primeiro momento você, como ser humano,
05:27
você tem uma reação que às vezes você acha que não vai ser controlada,
05:33
porque você está vendo uma pessoa que cometeu um estrago na sua família,
05:38
que até hoje a gente convive, que a gente sabe que não jamais vai ter um conserto,
05:44
mas pelo outro lado, a gente se comporta de acordo com aquilo que nós queríamos,
05:50
porque era a justiça.
05:52
A gente não se vê do lugar da pessoa que fez aquela maldade.
05:57
Nós temos que estar no lugar do bem, nós temos que estar no lugar da paz,
06:02
porque se você olhar para o poder de vingança,
06:06
a gente não busca a justiça, a gente vai pelos outros caminhos.
06:10
E por esse outro caminho, a família de Ramon nunca buscou,
06:17
desde o primeiro momento que aconteceu.
06:20
A família de Ramon, como tio, que sempre fentei o caso de frente,
06:25
que sempre busquei, que sempre corri pela justiça,
06:29
pela inocentidade do jovem que eu conheci desde criança.
06:34
E é uma coisa que a gente não esperava,
06:39
e a gente não quer outra coisa, não queria outra coisa para ele a não ser justiça.
06:44
porque também a gente não poderia deixar de um jovem de 24 anos
06:50
que saia de sua casa de manhã para trabalhar no roçado, no pesado,
06:57
estar num tribunal, numa tese, como fazia parte de uma facção,
07:02
como se achasse que era um ladrão.
07:04
Jamais nós, como família, iremos deixar essa tese se criar diante das mídias,
07:13
diante de um tribunal.
07:15
Chamemos todos os amigos que conhecem o Ramon,
07:19
toda a sociedade brasileira,
07:21
e fizemos a justiça,
07:23
e mostremos para todos o cidadão de bem
07:26
que Ramon Pedro de Souza é e continua sendo nas nossas memórias.
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