- há 8 meses
Homem acionou a polícia após ex-mulher ser baleada, mas acabou preso após ser denunciado pela vítima.
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NotíciasTranscrição
00:00Uma mulher, pessoal, foi socorrida com um tiro no peito em Vila Velha.
00:05Mesmo ferida, gravemente, essa mulher conseguiu falar e disse aos policiais quem atirou nela.
00:13Teria sido o ex-marido, que acabou preso.
00:17Vamos ver mais detalhes dessa história na reportagem.
00:22A dinâmica do caso é um mistério, até mesmo para a polícia.
00:26Após o crime, peritos da polícia científica foram ao endereço do bairro Ilha da Conceição em Vila Velha
00:32para periciar o apartamento em que o casal morava.
00:37Acontece que nesse local, uma mulher foi baleada com um tiro no peito, dentro da casa que vivia com o ex-marido.
00:44Foram os vizinhos que ajudaram a polícia a socorrer a vítima.
00:47A irmã do suspeito conversou com a gente e bateu a fita da seguinte forma.
00:52Que o irmão dela e essa ex-cunhada já estavam em processo de separação.
00:58Só que ainda assim dividiam a mesma casa, dividiam o mesmo apartamento.
01:02Fato é que, de acordo com a versão dele para a polícia,
01:06o suspeito contou que assim que chegou em casa, já se deparou com a ex-companheira sangrando.
01:12Ela tinha sido baleada no peito.
01:14Ele falou que ligou para a PM, que também ligou para o SAMU, que começou a passar as orientações de como prestar os primeiros socorros.
01:22Nesse primeiro tempo, a polícia então chega no local.
01:25E assim que entra no apartamento, se depara com a vítima ainda acordada.
01:30E ela fala a seguinte informação, ela passa a seguinte informação para a PM.
01:34Olha, quem atirou em mim foi o meu próprio ex-companheiro, foi esse homem aí.
01:39Com essa informação muito importante, a polícia então dá voz de prisão ao suspeito,
01:44que foi trazida aqui, a delegacia regional de Vila Velha,
01:48onde foi autuado em flagrante pelo crime de tentativa de feminicídio.
01:53Esse rapaz aí de preto, que nós não vamos identificar, foi um dos vizinhos que ajudou no socorro da mulher.
01:59Ele conversou com os investigadores da delegacia de homicídios e proteção à pessoa,
02:04que também estiveram no DPJ, para acolher o depoimento do suspeito.
02:09O homem de 44 anos afirma categoricamente que não foi ele quem atirou na própria ex-companheira,
02:16mas também não soube explicar como ela foi baleada.
02:20A arma usada no crime não foi localizada pela polícia.
02:23A vítima permanece internada em estado grave no hospital.
02:28Pois é, né, pessoal?
02:29Mais um caso que a gente mostra aqui.
02:31Vamos torcer pela recuperação dessa moça.
02:34E nesta quinta, amanhã, a Lei Maria da Penha, que protege mulheres como essa que a gente mostrou,
02:42vítimas de violência dentro de casa.
02:44A Lei Maria da Penha, sancionada no dia 7 de agosto de 2026, completa então amanhã 19 anos.
02:51É um marco no combate à violência doméstica e familiar, que se manifesta de diferentes maneiras, né, pessoal?
02:59Violência física, psicológica, sexual, patrimonial, moral, enfim, né?
03:04A gente acha que às vezes é só a violência que a gente vê ali física, mas não é não, tá?
03:08Em 2024, no ano passado, aqui no Espírito Santo, foram registrados quase 23 mil casos de violência doméstica.
03:17É muita coisa, viu?
03:18Sobre os feminicídios, vamos trazer os dados desse ano, de janeiro a julho de 2025, foram registrados 16 casos aqui no Estado, né?
03:2916 mulheres foram assassinadas esse ano, contra 27 no mesmo período do ano passado.
03:35Então, a gente teve uma queda importante, uma queda significativa de mais de 40%, que esse número continue caindo cada vez mais, né?
03:45Para a gente falar sobre o impacto da legislação, da Lei Maria da Penha, o cenário atual, os desafios que ainda precisam ser superados,
03:55a gente vai conversar ao vivo com a delegada Michele Meira, da Gerência de Proteção à Mulher, da SESP.
04:02Doutora Michele já está aqui com a gente, obrigada pela presença.
04:05Obrigada, eu que agradeço a oportunidade.
04:07Obrigada você, doutora Michele.
04:08Agora, vamos lá, a gente acabou de ver uma reportagem, né, do que aconteceu ontem, mais uma vítima,
04:13a gente espera que ela se recupere, mas quem é essa mulher capixaba hoje, que é vítima de violência doméstica, que é vítima de feminicídio?
04:23Olha, basicamente, acho que a gente pode dizer que a violência, como ela está arraigada na nossa sociedade,
04:31então, eu ouso dizer que a violência, ela está em todos os níveis, né, sociais, inclusive.
04:37Então, nós mulheres, de maneira geral, infelizmente, né, vivemos nessa sociedade extremamente machista,
04:45tão cruel com as mulheres, né, e estamos sujeitos, né, a viver esse tipo de violência, infelizmente.
04:52E a gente até trouxe aqui, né, a gente está vendo algumas imagens de casos que a gente vem mostrando aí ao longo desse ano,
04:59dos outros anos também.
05:00A gente tem o hábito de achar que a violência, ela é só física, que é a que deixa marcas ali no corpo,
05:07e a gente está vendo ali mulheres machucadas, mas são diversos tipos de violência.
05:12Essas mulheres podem ser vítimas de vários crimes ali dentro de casa, né, doutora?
05:17Exatamente.
05:18Acho que a Lei Maria da Penha, ela foi uma lei que realmente trouxe visibilidade à questão, né, da violência contra a mulher.
05:26Então, além de vários comandos, né, existentes, ela trouxe pra gente essa questão de quais são as violências, né, existentes.
05:35E realmente, no imaginário popular, a gente acha que a violência, seguindo aí a origem, palavra violência,
05:42é só aquela violência física.
05:44Mas não, a violência, ela já começa nos xingamentos, naquela falta de respeito.
05:49É preciso que a gente entenda que ninguém se relaciona pra viver já uma falta de respeito.
05:54Isso já caracteriza um tipo de violência que é a violência moral.
05:58Então, é preciso que fiquemos sempre atentas ao tipo de relacionamento que a gente está vivendo.
06:06Aos detalhes, às vezes, tá ali no detalhe do dia a dia, né?
06:09Tá no detalhe do dia a dia, coisas que muitas vezes a gente confunde como um ciúme, como um cuidado,
06:16e que realmente ele tá disfarçado de ciúme e cuidado, mas sim, já são relações abusivas.
06:22Pois é. A gente pode dizer que, quando a gente vê alguns dados ali, né,
06:26as mulheres estão denunciando mais, as mulheres estão tendo mais coragem de procurar a polícia.
06:31Essa semana mesmo, inclusive, tô lembrando aqui, você aí de casa deve lembrar,
06:35a gente mostrou, acho que foi ontem, o caso de uma mulher que tava sendo vítima de agressão do companheiro,
06:40e ela parou na delegacia, ela teve coragem de parar em frente à delegacia e pediu ajuda aos policiais.
06:45Sim, a gente percebe pela nossa estatística um aumento, né?
06:49Todo ano nós, assim, estamos em aumento de registro do boletim de ocorrência.
06:54A gente ainda não tem um estudo, né, metodológico que indique se a violência contra a mulher cresceu
07:01ou se as mulheres estão denunciando a mais.
07:04De fato, aqui no Estado, a gente trabalha muito pra que a gente consiga diminuir a subnotificação.
07:10Então, a gente vem trabalhando bastante pra que a gente possa estruturar melhor os serviços da segurança pública
07:17pra que essa mulher se sinta confortável e nos procurar e denunciar.
07:22Que ela receba um bom atendimento, que ela tenha um espaço humanizado dentro dessa unidade
07:28pra que ela possa receber um bom atendimento.
07:30Pois é, muitas acabam tendo vergonha, né, de procurar essa ajuda, de buscar essa ajuda.
07:35Sim, é bem comum as mulheres, muitas vezes, se culparem, né, dessa violência.
07:39Até por conta de questões psicológicas que o próprio agressor incute na cabeça da mulher.
07:45Como se ela fosse a culpada por eles terem agredido a ela.
07:49Agora, quando a gente observa também, doutora Michelle, essa redução aí nos feminicídios, né,
07:56esse ano, uma redução significativa, mais 40%, que continue assim.
08:01O que a gente pode apontar aí, se dá pra apontar algo que explique, justifique essa redução aqui no Estado?
08:09Olha, a gente vê, claro, esse dado, né, bom, mas também com cautela.
08:16Porque a gente entende que a gente, como eu falei aqui, né, a gente tem ainda uma sociedade extremamente machista.
08:21Mas, assim, existe um trabalho, né, sendo feito.
08:26O Estado do Espírito Santo, ele avançou demais, né, no combate, aí, ao enfrentamento à violência contra a mulher.
08:34Muitas políticas públicas colocadas em funcionamento, muitas ainda também para iniciar.
08:40A gente estruturou, só pra, né, a gente tem um exemplo aqui no Estado.
08:45Foi criada a Secretaria da Mulher, que pra gente foi extremamente importante.
08:50Porque hoje a gente tem um organismo público que ele articula a política contra a mulher.
08:56Então, ela criou, né, um programa Mulher Viva Mais.
09:01E esse programa, ele articula com todas as secretarias que têm alguma política pública voltada,
09:08não só pra violência contra a mulher, mas também visando a questão do empreendedorismo feminino, né,
09:15acesso a trabalho e renda.
09:18Isso é muito importante, dar caminhos pra essas vítimas também.
09:20Demais.
09:21E eu acredito muito que a gente só vai mudar a questão da violência contra a mulher
09:25também com esse tipo de política pública.
09:28Não só a política pública punitiva.
09:31A gente precisa evitar que esse tipo de delito, ele ocorra.
09:34A gente precisa mudar a nossa sociedade, a forma como os homens tratam e enxergam a mulher na nossa sociedade.
09:42Então, assim, existe, né, um trabalho muito forte por trás acontecendo,
09:46que sim pode justificar, né, esse declínio nos crimes de feminicídio.
09:54Pois é, é muito importante o que a senhora falou, doutora Michelle,
09:56porque, olha só, a gente tá vendo aí imagens,
09:58mas a gente até bocou porque é forte demais, isso não foi no Espírito Santo,
10:02mas é aquele rapaz que deu mais de 60 socos na frente de uma câmera.
10:07Uma cena de selvageria, né?
10:08Pois é.
10:09Uma cena de selvageria, infelizmente, né, as câmeras pegaram, né, isso que aconteceu,
10:14porque se a gente fala que isso aconteceu,
10:18muitas vezes a gente não consegue nem acreditar no tamanho da violência que foi cometida.
10:22Então, graças a Deus, esteve a câmera que gravou e a gente, pra mostrar o que aconteceu.
10:27Que, infelizmente, ainda no século XXI, a gente presencia cenas de selvageria como essa.
10:33Pois é, e a gente tenta entender, não é tão simples pra uma mulher como essa,
10:39que a gente tá vendo nas imagens, ou qualquer outra vítima de violência,
10:44sair do relacionamento.
10:45Porque a gente tá falando de dependência emocional, econômica, vários outros fatores.
10:50E isso que a doutora Michele falou, dar caminhos pra que essas mulheres sigam em frente, né,
10:55continuam, tenham emprego, tenham renda, isso é muito importante.
11:00O que a gente pode apontar de maior desafio hoje aqui no Estado
11:04pra fazer esse combate à violência doméstica contra a mulher?
11:09Olha, eu acho que a gente ainda tem um grande desafio na articulação com a rede,
11:14as instituições conseguirem conversar entre si com maior facilidade.
11:18e essa mulher, a gente fala, essa mulher conseguir caminhar na rede.
11:24A gente também, né, entende, o exemplo que eu falei da Secretaria da Mulher,
11:29que foi muito importante, que a gente precisa também muito que as prefeituras,
11:33elas também se coloquem à disposição desse enfrentamento,
11:38porque essa mulher é uma munícipe, ela reside naquele município,
11:42e os serviços mais assistenciais, eles são prestados ali pelo município,
11:47pelo CREI, as CRAs, ou os municípios que têm um serviço de referência,
11:52pra que possam oferecer aqui a essa mulher também essa questão de emprego e renda,
11:59mas também um apoio psicológico pra essa mulher,
12:02porque a mulher que tá passando por esse tipo de violência,
12:05ela tá destruída emocionalmente, psicologicamente.
12:07Então, a gente precisa, de alguma maneira, né, tirar também essa mulher desse buraco, né,
12:13que esse homem enfiou, essa mulher, pra que ela também consiga, com suas próprias pernas,
12:19caminhar e sair realmente do ciclo da violência.
12:22Com certeza, isso é importante demais.
12:24Agora, a gente traz muitos casos aqui também, né, muito comum a gente ver,
12:28de mulheres que são vítimas fatais ou vítimas de agressão,
12:31e que tinham a medida protetiva, né, como fazer, doutora Michele,
12:38que a medida protetiva, ela seja eficiente?
12:40Porque ela, às vezes, já fez um, dois, três boletins contra aquele mesmo companheiro,
12:45não saiu de casa porque não tem pra onde ir e segue sendo vítima,
12:49e às vezes a história tem um fim trágico demais, né, essa mulher acaba morrendo.
12:54Olha, eu preciso ressaltar também que isso não é a nossa realidade principal.
13:00Lá na Gerencia de Proteção Mulher, a gente, né, analisa, procura buscar,
13:05quando ocorre um feminicídio, o que aconteceu.
13:08Até porque pra gente precisa entender se houve alguma falha que,
13:13nessa busca da segurança pública, pra que a gente possa nos aperfeiçoar, né,
13:18e conseguir, de alguma maneira, dar um melhor atendimento pra essa mulher.
13:22Então, existem casos que ocorreram sim, sim, mas não é a nossa maioria.
13:27A medida protetiva, ela é extremamente importante, a busca da polícia, ela é extremamente importante.
13:34Não deixe de fazer.
13:35Não deixe de fazer.
13:36É nesse momento que a gente pode incluir, né, a mulher nos programas.
13:41E aí eu vou dar um exemplo aqui, como o programa Patrulha Maria da Penha, né,
13:45que ele foi recentemente, início do ano, transformado numa companhia independente,
13:51a Companhia Independente da Mulher, a Simu, que trabalha, né,
13:55agora vai ter uma abrangência melhor, uma estruturação melhor.
13:59E é um projeto extremamente vencedor, que trabalha nas fiscalizações dessas medidas protetivas.
14:04E as mulheres que estavam, né, inseridas nesse programa, desde 2015, né,
14:13que o programa aí iniciou, nós tivemos, acho que, três ou quatro mulheres que foram vítimas de feminicídio.
14:19Então, é um número baixo pra o que o programa se propõe.
14:24Então, é extremamente importante que as mulheres busquem auxílio.
14:27Ah, num primeiro momento, não se sente ainda que quer fazer um boletim de ocorrência,
14:32porque muitas vezes a mulher, a gente precisa também entender isso.
14:36Às vezes ela não quer que aquele agressor, ele seja responsabilizado criminalmente.
14:42Isso é muito difícil.
14:43Muito difícil, ela quer viver em paz.
14:45Muitas vezes ela quer manter aquele relacionamento, mas viver em paz com aquela pessoa.
14:51Porque precisa a gente entender que a gente não está falando de uma pessoa que passou na rua
14:55e cometeu um assalto, roubou seu telefone, não.
15:00É uma pessoa com a qual ela detém uma relação, muitas vezes, amorosa, sentimentos.
15:05Por anos, né?
15:05Anos, pai dos seus filhos.
15:08Então, às vezes essa mulher procura a unidade policial, mas às vezes ela quer uma medida protetiva.
15:15A legislação modificou e um pouco endureceu essa questão.
15:19A gente também tem preocupação quanto a isso, da mulher não nos procurar pra fazer medida protetiva.
15:24Mas não quer procurar a unidade policial, procura o serviço do seu município pra que recebeu um atendimento.
15:31É muito importante que a gente, que essa mulher procure ajuda.
15:35Com certeza.
15:36E não se calhe.
15:37A gente conversou com a doutora Michele Meira, delegada, gerente de proteção à mulher da SESP,
15:43trazendo aqui luz pra esse assunto que precisa ser debatido diariamente.
15:49Doutora Michele, obrigada pela presença aqui no Tribuna Manhã.
15:52Eu que agradeço a oportunidade.
15:53A gente tá sempre falando desse tempo, é muito importante pra gente tá levando informação pra quem nos assiste.
15:58Com certeza.
15:59Até a próxima.
15:59Já fica o convite.
16:01Até.
16:01Valeu.
16:02Tchau.
16:03Tchau.
16:04Tchau.
16:05Tchau.
16:05Tchau.
16:06Tchau.
16:06Tchau.
16:07Tchau.
16:08Tchau.
16:09Tchau.
16:10Tchau.
16:11Tchau.
16:12Tchau.
16:13Tchau.
16:14Tchau.
16:15Tchau.
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16:20Tchau.
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16:23Tchau.
16:24Tchau.
16:25Tchau.
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