00:00Os meus meninos nasceram, eu pude dar um beijinho na cabecinha de cada um e eles tiveram que correr para a incubadora, né?
00:08E serem entubados rapidamente, então foi muito assustador, mas era aquilo que eu tinha.
00:16Então no lugar de eu me desesperar e enxergar esse cenário horrível, eu pensei, é essa a minha história, é essa a minha realidade.
00:25Então eu lembro que o Antônio foi o primeiro a ser apresentado para mim na incubadora.
00:29Eu olhei e falei, ah, que bonitinho, que fofo e tudo mais, ele era muito perfeito, ele já estava muito formadinho.
00:36Quando o José apareceu, tadinho, eu lembro que eu olhei e falei, ah, que bichinho feio.
00:42Aí as enfermeiras na mesma hora recolheram, acho que elas ficaram meio chateadas porque o Antônio pressionava muito ele na minha barriga.
00:49Então ele nasceu com uma coloração diferente, mais roxo e ele não estava muito formado, então ele foi um pouco mais assustador.
01:01E aí eles foram recolhidos para a UTI NEL, eu fui para o quarto, né, fui para o repouso, depois eu fui para o quarto e eu só fui liberada para vê-los à noite.
01:10E eu fui me preparando, eu pensei, eu não posso me render ao meu desespero, aos meus traumas, não.
01:18Eu sei que eu não vou ver o bebê, eu não sei o que eu vou ver, mas são meus filhos e agora eu preciso passar para eles toda a força do mundo.
01:28Eu preciso ser otimista, passar para eles palavras de força, de empoderamento, de coragem, porque eu quero que eles sejam essas pessoas.
01:36Quero que eles queiram viver também.
01:39Nossa, Nádia, mas você estava numa evolução espiritual que eu estou aqui te ouvindo falando, meu Deus do céu, que maturidade, né, que você estava, que força.
01:48E eu acho que isso também é muito, assim, com certeza acredito muito nisso e fruto também de um investimento que você sempre fez em você,
01:56que você fala que você sempre fez também, né, de cuidar físico, emocional, espiritual, trabalhar isso.
02:01Porque aí você vê que quando um momento de muita crise chegou, você poderia estar mais abalada do que você já estava, né, e assim, de alguma forma.
02:09Ele fala para mim que ficou com muito medo.
02:12Ele falou, meu Deus do céu, como que ela vai reagir quando vê?
02:15Porque ele já tinha visto, ele ficou ali o tempo inteiro de pertinho acompanhando todo o processo.
02:20Ele conta para mim que ele ficou muito preocupado com a minha reação e que se surpreendeu.
02:25Mas eu não tinha opção, sabe, eu fui tomada por uma força que eu acho que só existe quando a gente se torna mãe.
02:34Quando a gente, obviamente, tem uma fé, no meu caso, tem uma fé imensurável e inabalável, no meu Deus, no meu Jesus.
02:42Mas quando a gente se torna mãe, é uma força que você não sabe de onde você tira, sabe?
02:48Quando você também é uma mulher segura, você entende qual é o seu papel ali.
02:53E o meu papel ali era de fortaleza para os meus meninos.
02:57E eu podia me cuidar.
02:59Podia ir lá fazer terapia, imagina, eu fazia terapia, tinha a psicóloga do hospital, psicólogo da minha obstetra, que ia me atender,
03:08e mais a minha terapeuta que trabalha com hipnose.
03:09Então, assim, eu estava resguardada.
03:11E fora todos os meus irmãos da igreja, que eu sou evangélica, todo mundo ia lá também orar e ajudar.
03:17Então, eu sabia que eu podia me cuidar, mas e eles?
03:20Eles tinham, sim, uma equipe médica sensacional.
03:23Enfermeiras, técnicas, com muito amor.
03:27Mas eles precisavam ser encorajados.
03:31Elas não estavam, elas estavam ali para cuidar tecnicamente.
03:33Mas eles precisavam dessa enxurrada de coragem.
03:36Então, eu deixei a minha roupinha do medo do lado de fora da UTI, né?
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