00:00Fala Bahia, na sua comunidade.
00:07Salvador, 475 anos.
00:10Primeira capital do Brasil, essa região é cercada de muita história e tradição.
00:1529 de março é o dia em que os olhos e os ouvidos ficam voltados para essa região.
00:19Ficam ainda mais voltados para essa região.
00:22Existem algumas regiões da cidade, algumas comunidades que foram importantes para a construção desse local.
00:27Mas quem vai falar sobre isso é o professor e historiador Ricardo Cavalhos.
00:33O professor diz aí para a gente, para as comunidades, para a gente, o que é importante é esse processo.
00:37Acho que a cidade toda, todos nós, soteropolitanos, temos uma marca importante.
00:42Desde os bairros mais antigos, como a Vila Velha do Pereira, Nossa Parra,
00:47onde Tomé de Souza chegou naquele 1549, até os bairros mais recentes,
00:52Mussolunga, Cajazeiras, Castelo Branco, são todos bairros muito interessantes.
00:57Só que a gente está aqui realmente num lugar que é muito, muito especial.
01:01Primeiro que a gente consegue ver onde Salvador nasceu, da Barra, dali da parte da Praça Municipal,
01:07onde foi construída a primeira sede administrativa pelo próprio Tomé de Souza,
01:12ampliando para essa área incrível de Itapajipe, berço de muita gente.
01:15Meu, inclusive, sou filho daqui de Itapajipe, da cidade baixa da península itapajipana,
01:21que cresceu em paralelo com o crescimento urbano.
01:24A escolha por Itapajipe é curiosa, porque aqui tinha apenas o quê?
01:28O Forte, o Forte do Monte Serrar, que é do século XVI, ou seja, lá do iniciozinho da colonização.
01:36E a gente tinha aqui algumas fazendas de gado, cana-de-açúcar,
01:41mas a insegurança dos morros de Salvador, principalmente de uma grande tragédia de 1832,
01:47muita gente moveu, as chuvas foram intensas, nada muito diferente do que a gente às vezes vê
01:53nas grandes cidades do Rio, com a questão do clima.
01:56Muita gente começou a migrar para cá.
01:59E com essa migração dessa mão de obra, de trabalhadores mais populares para Itapajipe,
02:04Itapajipe vai se transformar num grande núcleo industrial.
02:07Então a gente tinha aqui fábrica de tecido, depois fábrica de chocolate, fábrica de cigarro.
02:13Então virou um polo industrial interessante.
02:15Mão de obra disponível, terrenos planos, o que ajudava muito a segurança das construções
02:21e também investimentos.
02:23O Brasil também esteve lá, inserido na Revolução Industrial.
02:26Então Salvador também pegou um pouco a ponga desse processo entre o século XIX e o século XX.
02:32Naquela época, como era dividida? Como era dividida essa região?
02:40Na verdade, a gente estava dividido mesmo aqui.
02:43Porque o que a gente chama de calçada hoje, aquela área ali onde tem a leste, o trem,
02:48ali um pouquinho depois de São Joaquim, era um alagadíssimo, era um apicum, era um manguezal.
02:53Era um pequeno ínstimo que ligava parte do comércio para Itapajipe.
02:58Então o aterro daquela região ali, do Largo dos Mares, da calçada, foi fundamental.
03:02Aqui era como se fosse meio que uma parte isolada de Salvador, o interior de Salvador.
03:08Aliás, ainda hoje, essa área daqui é uma área que tem essa característica,
03:13ela funciona um pouco como se fosse uma parte separada da cidade,
03:17meio que um resquício ainda daquela vida do subúrbio que foi Itapajipe durante tanto tempo.
03:23Hoje está integrada a cidade, então a comunicação pelo transporte.
03:26Mas tem esse clima ainda muito interessante, meio mágico, meio pólio, que marca essa região da cidade.
03:34Essa importância econômica e, sobretudo, as belezas naturais encantaram a Carioca Valéria Nascimento.
03:41Morando em Salvador há 25 anos, a professora escolheu a capital baiana para morar.
03:46E foi aqui, nessa cidade, que ela construiu parte da vida.
03:50Meus pais, na verdade, são baianos, meu irmão de Salvador, meu pai de Belmonte.
03:54E eu sempre vinha passar as férias aqui quando eu era pequena, então eu achava maravilhoso, né?
03:59As férias, aquelas coisas como praia, carajé, coisas, tudo novidade, como eu vim no dia.
04:03Então, vim crescendo todas as férias, vim pra cá, meus parentes aqui.
04:08E aí resolvi fazer um concurso pra cá, passei e tô aqui, até hoje.
04:13Mas gosto muito da cidade, com muito calor humano, muitas praias maravilhosas, água quentinha,
04:19um pouco receptivo, festeiro, mas é um clima muito maravilhoso.
04:2325 anos morando em Salvador, você já se sente que é presente nessa cidade aqui?
04:27É, eu tô metade, metade, né?
04:29Porque, às vezes, eu me paro pensando, eu tô metade baiana, metade cariota, sim, né?
04:33Porque foi a cidade que me acolheu, que eu tinha uma filha também, casa, construí meus bens,
04:38então não tem como não se sentir.
04:39Esse acolhimento encanta a todos que têm a chance de passar por Salvador.
04:44Porém, assim como outras regiões, possui grandes desafios.
04:48É o que reforça o historiador Ricardo Carvalho.
04:51Mas que Salvador é uma cidade encantada, é indiscutível.
04:54Uma cidade que tem uma riqueza culinária, uma riqueza natural, uma história fantástica.
05:00Os maiores artistas do mundo nasceram nessa terra.
05:03É uma cidade que oferece as condições urbanas de qualquer grande cidade do mundo.
05:08Mas tem os desafios de uma cidade que cresceu em meio a um modelo colonizador, escravocrata.
05:15A gente tem muitas dificuldades sociais ainda, né?
05:18A cidade cresceu de forma um pouco desordenada, embora tenha tido um projeto inicial.
05:22A cidade que se caotizou.
05:24Então, acho que cabe a todos nós, principalmente aos gestores públicos,
05:28aos formadores de opinião, aos educadores, historiadores, artistas,
05:34pensarem que a gente tem uma bela cidade, mas que a gente ainda tem muito para conquistar.
05:39Que nos próximos 475 anos a gente possa se orgulhar cada vez mais dessa cidade mãe do Brasil.
05:46E aí
05:50E aí
05:52E aí
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