00:00E a pobreza da Argentina atingiu 38,1% da população no segundo semestre de 2024,
00:05segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, o INDEC.
00:09A porcentagem significa uma redução de 14,8 pontos percentuais
00:13em comparação aos seis meses anteriores no país comandado por Javier Milley.
00:17Nos primeiros meses de mandato do libertário, o índice subiu para 52,9%.
00:23A taxa de indigência, contudo, caiu para 8,2%.
00:27Em nota, o governo Milley afirmou que a redução da pobreza
00:29é um efeito direto da luta contra a inflação conduzida pelo presidente,
00:34além da estabilidade macroeconômica e da eliminação de restrições
00:38que, por anos, limitaram o potencial econômico dos argentinos.
00:42A imprensa argentina noticiou ainda que a falta de moradia
00:44teve uma redução no mesmo período, chegando a 6,4% ao fim do ano passado.
00:50No primeiro semestre de 2024, o índice subiu para 13,6%.
00:54Em 2023, o dado estava em 8,7%.
00:58Além disso, a Argentina registrou seu primeiro superávit financeiro
01:01em mais de 10 anos, atingindo 1,8% do PIB, segundo o Ministério da Economia do país.
01:07Foi o melhor desempenho fiscal da Argentina em 14 anos
01:10e reflete um esforço para controlar a dívida pública.
01:13E aí, Bruno, mais uma lição de Milley para o governo Lula?
01:16Mais uma lição, que é justamente o vídeo que eu soltei há pouco lá no meu canal,
01:21então eu estou com esses dados na ponta da língua para a gente aprofundar um pouquinho mais nele
01:26de maneira rápida. Vamos lá.
01:28São 4,4 milhões a menos de argentinos na pobreza.
01:32Tudo isso que ele faz, as ações do Milley, elas estão pautadas em uma escola econômica.
01:39Ele não veio tirando do nada.
01:41Está muito bem fundamentado dentro das bases da escola austríaca de economia,
01:45que é a base que ele segue.
01:47E é a economia que eu estudo desde 2018 e a economia escola na qual eu mais me identifico.
01:53E ela tem um pilar central, Felipe Duda.
01:56Tem um pilar central, que é a organização das contas públicas.
02:00Gastar menos do que arrecada.
02:01Aquilo que a gente faz em casa de maneira quase que obrigatória.
02:05Você ter um respeito com o dinheiro público para trazer uma estabilidade macroeconômica.
02:11E aí sim, os dados começam a melhorar.
02:15Eu fiz um comparativo meio esdrúxulo, mas na prática é verdade.
02:20A grande mídia começou a mostrar que no primeiro semestre de 2024,
02:25a pobreza na Argentina tinha crescido.
02:27E de fato cresceu.
02:28Só que é como você, depois de anos de abuso de drogas,
02:32você retirar isso do sistema, do corpo da pessoa,
02:36no primeiro momento o impacto é negativo.
02:38Para depois ele passar a ter uma vida mais saudável.
02:41A droga, nesse caso, era a injeção de dinheiro
02:44e a dívida monetizada pelo Banco Central,
02:47que estava deixando o país à beira da hiperinflação.
02:50Ou seja, o peso não valia mais absolutamente nada.
02:53Portanto, as contas em dia são 14 meses de superávit consecutivo,
02:57e como você muito bem falou, superávit financeiro,
03:00incluindo os juros da dívida,
03:02fez com que essa pobreza em 2022, 2023 e no primeiro semestre de 2024 crescesse.
03:09E agora está numa tendência clara de baixa.
03:1238,1%, que veio de 53% de pessoas na pobreza,
03:16é uma taxa média.
03:17Portanto, a taxa real hoje é menor do que isso.
03:21Porque essa é a taxa média semestral.
03:23O nível de argentinos na pobreza acima de 65 anos
03:28também caiu quase 2 pontos percentuais,
03:30de 18% para próximo a 16% agora.
03:34E tudo isso veio com, agora, no segundo semestre,
03:37crescimento econômico.
03:39Ou seja, no último trimestre de 2024,
03:41o PIB cresceu 4,1%.
03:42No primeiro de 2025 já cresceu 1,5%.
03:46A inflação, que era 25,5% ao mês em dezembro de 2023,
03:52caiu para próximos a 1,7% ao mês.
03:55Ainda muito alta, mas de 25,5% para 1,7%.
03:59Com redução de pobreza, com crescimento e com reservas do Banco Central da Argentina,
04:04que estavam zeradas, estão hoje na casa dos 25 bilhões,
04:08e é muito próximo de um acordo com o FMI novamente.
04:11Então, de novo, ainda há muito por fazer, muito,
04:15mas fica claro que uma redução de 14 pontos percentuais
04:18com o incremento do salário real no setor privado,
04:23não no público, que cresceu também de maneira considerável,
04:27mostra que a estabilidade macroeconômica oriunda
04:30da responsabilidade fiscal, ou seja, dos gastos do governo,
04:35é só dar tempo.
04:36Não precisa inventar a roda.
04:37Isso levará a uma estabilidade macroeconômica,
04:40estabiliza a moeda, estabiliza preços,
04:43e começa a tirar pessoas da pobreza.
04:45A inflação é o que mais coloca as pessoas na pobreza.
04:49Bruno, agora, como é que se explica esse crescimento da economia argentina,
04:55se lá não tem um governo ajudando ali, por exemplo,
05:00a Petrobras, como faz aqui no Brasil,
05:02a Transpeto, para fazer navio petroleiro com mão de obra nacional,
05:10não tem pé de meia, não tem crédito consignado,
05:13como é que eles conseguem crescer por lá, sem todas essas coisas?
05:19Atraindo investimento através da previsibilidade, como você falou,
05:22o nível de investimento e do consumo agregado cresceu,
05:24investimentos 11%, frente ao que era no último semestre,
05:29ou no último trimestre, perdão, pré-milém.
05:32E isso vem da estabilidade macroeconômica.
05:35Tudo o que você citou, que eu concordo 100% com você,
05:39ela é basicamente políticas populistas.
05:42Políticas populistas fazem gastos desordenados,
05:48para ser delicado com a palavra, com dinheiro público.
05:52Essas disfunções no gasto público
05:54fogem à regra essencial que nós falamos da Argentina,
05:57que é o respeito às regras e ao dinheiro público.
06:01Vamos lá.
06:02Um exemplo aqui de um programa, o pé de meia.
06:05Não está incluído dentro do orçamento.
06:06Nós não temos em 2025 ainda um orçamento aprovado.
06:09Mas ele não é incluído, ele não é pago,
06:12nesses dois anos de governo, por dentro do orçamento.
06:15Significa que incrementa o endividamento do governo,
06:18mas não passa na regra do arcabouço,
06:19o governo vem à público e fala,
06:21ora, não cumprimos o arcabouço,
06:23mas está muito próximo de ser cumprido.
06:24Só que os gastos por fora do orçamento passam à torta e direito.
06:29A Argentina isso não existe.
06:30Por quê?
06:31Porque o Millen reduziu hoje, em termos reais,
06:34quase 25% do tamanho do Estado frente ao PIB.
06:37Isso atrai investimento, que incrementa salários,
06:41e aí a gente entra num ciclo virtuoso,
06:43e não num ciclo vicioso, como é o que o Brasil continua acreditando,
06:47ou melhor, a cúpula política acreditando que o Estado deve ser o indutor da economia.
06:50Maravilha. Bruno, a gente tem que fazer dois minutinhos de intervalo,
06:55mas eu queria ainda levantar uma pergunta para você.
06:57Você pode esperar mais dois minutinhos?
06:59Então a gente fica com o Bruno Moussa na linha.
07:01Maravilha, muito obrigado,
07:03porque tem uma questão política de interseção com a economia
07:06que vale a pena a gente explorar.
07:09Porque eu queria que ele comentasse um trechinho
07:11de um artigo publicado no Estadão pelo economista Gustavo Franco,
07:14ex-presidente do Banco Central.
07:16E eu pedi para a produção para jogar na tela o trecho,
07:19que eu considero ali uma análise muito interessante,
07:22porque o Bruno Moussa estava falando das políticas populistas, dos populistas,
07:26e o Gustavo Franco começou o artigo falando a respeito disso.
07:29Isso já é lá no meio do artigo.
07:31Então reparem que naquele primeiro parágrafo ali dessa coluninha da esquerda,
07:34ele está falando que a escolha de políticas públicas
07:37orientada pelo engajamento e pelas curtidas
07:40pode enviesar a substância.
07:42E aí ele explica de uma maneira muito clara.
07:45Antigamente, os tecnocratas formulavam planos econômicos
07:49e a liderança política, quando gostava,
07:51chamava um profissional de comunicação para orientar a divulgação.
07:56Não era incomum a queixa do marqueteiro e do chefe
07:58contra as medidas impopulares,
08:00como costumam ser os remédios para os problemas econômicos.
08:04Agora, e esse que é o ponto para o qual eu quero chamar a atenção,
08:07a lógica se inverteu.
08:09São os marqueteiros que fazem as políticas
08:11que já nascem atendendo aos desejos da liderança.
08:15Os técnicos trabalham por encomenda
08:17ou são chamados apenas a posteriori para ajudar na explicação
08:21e consertar qualquer coisa que não desceu bem.
08:25Obviamente, Bruno Musa, ele está descrevendo esse fenômeno,
08:28como ele analisa, de uma forma crítica.
08:31E até ironizando, porque isso, em geral, dá errado.
08:35Você vê esse mecanismo, essa mudança no governo Lula?
08:39Quer dizer, embora essas ideias já fossem presentes no petismo,
08:45elas existem ali na liderança política
08:47e um ministro da Fazenda, como o Fernando Haddad,
08:50ele vai atrás?
08:51Quer dizer, não tem uma ideia realmente de política econômica?
08:55Olha, Felipe, eu acho que não tem uma ordem,
09:02não tem um planejamento.
09:04E a gente talvez tenha que lidar com a verdade,
09:06que ela é dura.
09:07A verdade é que nós estamos a serviço de,
09:10na minha opinião, como eu venho falando,
09:11um projeto de poder.
09:13A gente costuma indicar que o Lula 3 está sendo pior
09:16que o Lula 2.
09:17Isso aqui, para mim, é um projeto claro de poder
09:20que se iniciou no começo do século.
09:22Se nós levarmos em consideração,
09:24a gente está no primeiro quarto do século atual
09:27e 80%, mais ou menos, do período foi governado pelo PT.
09:31Nós tivemos a exceção do Temer,
09:33que era vice da Dilma,
09:34apesar de eu acreditar que ele teve incríveis avanços econômicos,
09:38e depois a janela de Bolsonaro.
09:40Mas as instituições continuaram da mesma maneira,
09:43com a mesma mentalidade e a mesma forma,
09:45ou muito parecida forma ali de atuar,
09:48porque você não consegue tirar vários funcionários públicos
09:51e mentalidades pela mudança de um governo
09:54que tem uma ideia um pouco diferente.
09:57Então, o que eu quero falar é que eu concordo
10:01com essa ironia, essa crítica dele,
10:03porque não há um planejamento.
10:06Ou melhor, não há um planejamento
10:07para transformar o país em um país sério.
10:11Eu costumo, e sou um autocrítico do Estado,
10:14porque eu acho que ele é ineficiente sempre,
10:16só que ele é ineficiente para aquilo que a população demandaria.
10:20Ele é altamente eficiente em fazer a propaganda política para eles,
10:25em um projeto de poder, de perpetuação de suas ideias para eles.
10:30Nisso eles são eficientes.
10:32Portanto, quando a gente fala que não há um planejamento,
10:34não há um planejamento em direção àquilo que nós gostaríamos como país.
10:38Como a gente acabou de mencionar da Argentina,
10:40redução de pobreza, estabilidade da moeda.
10:42Não. Há completamente uma posição oposta a isso.
10:47E passa justamente por essa crítica que, infelizmente,
10:51eu tenho a concordar com ela.
10:53Maravilha. Muito obrigado, Bruno Musa,
10:54nosso colaborador em matéria de economia,
10:56economista, professor, empreendedor.
10:58Tem o canal de YouTube que ele citou,
11:00tem vídeos novinhos lá para vocês verem,
11:02youtube.com barra arroba bruno underline musa.
11:06E tem a página de consultoria de investimentos,
11:08o brunomusa.com.br barra investimento.
11:11Muito obrigado, boa noite, bom trabalho, volte sempre.
11:14Obrigado, Felipe. Obrigado, Duda.
11:16É um prazer. Obrigado pelo convite.
11:17Até a próxima semana.
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