Freddy Gray, editor do britânico The Spectator, publicou um artigo nesta quarta, 21, intitulado “O estranho poder de Kamala Harris”. No texto, Gray discute as surpreendentes chances de Kamala Harris de chegar à presidência dos EUA, mesmo com sua impopularidade histórica como vice-presidente.
Segundo ele, a eleição de 2024 parecia ser uma “catástrofe” para o Partido Democrata após o fraco desempenho de Joe Biden no debate presidencial de junho. No entanto, Harris conseguiu se tornar a candidata democrata sem sequer dar entrevistas ou divulgar suas políticas.
Harris se beneficia da “diminuição da atenção” no cenário político atual, permitindo que ela surja como uma “superestrela política” quase do dia para a noite. A mudança abrupta, que incluiu a retirada de Biden da corrida presidencial, foi vista como um movimento “acidentalmente genial” que possibilitou uma campanha curta e pouco escrutinada. - Ser Antagonista é fiscalizar o poder. Apoie o jornalismo Vigilante:
https://bit.ly/planosdeassinatura
Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.
https://whatsapp.com/channel/0029Va2S...
Ouça O Antagonista | Crusoé quando quiser nos principais aplicativos de podcast.
Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
00:00Deixa eu chamar logo nosso grande Alexandre Borges, porque hoje termina a convenção do Partido Democrata nos estates.
00:06Meu caro Alexandre Borges, seja bem-vindo ao meio-dia em Brasília, rapaz.
00:11Obrigado, Wilson. Prazer estar com você, com seus grandes espectadores. Um abraço a todos. Vamos que vamos.
00:18Vamos que vamos.
00:20Hoje a Kamala Harris faz o seu discurso, né? O que dá para esperar, meu caro Alexandre?
00:26Olha, a Kamala Harris está num bom momento. Eu tinha falado já que essa é a semana dela, normal, como a semana da convenção republicana foi do Trump, como a semana do atentado foi do Trump.
00:39Às vezes isso acontece, né? O candidato tem uma boa semana, né? Isso não quer dizer que isso vai continuar desse jeito.
00:45Agora, você vê que o Partido Democrata e todo o complexo que envolve, né? Imprensa, celebridades, uma parte da elite financeira, enfim, você tem ali um complexo que realmente agiu muito rápido.
01:01Isso é uma coisa que vai ficar para os livros de história. A maneira como... Vamos chamar aqui sistema, entre aspas, para facilitar, né?
01:10Mas esse conjunto de forças que se uniu numa velocidade extraordinária conseguiu chutar para fora o presidente dos Estados Unidos da sua tentativa de reeleição,
01:22colocar sua vice-presidente, que nunca teve um cargo no executivo, a não ser vice-presidente, e ela está aí...
01:34E de uma hora para outra, de uma vice-presidente ruim e mal avaliada, de um dia para o outro ela vira a salvação de todos os problemas do mundo.
01:42E está aí impondo a sua agenda e com todas as ramificações que muito desse complexo que envolve uma parte da imprensa realmente está fazendo e com rara competência.
01:57Claro que hoje nós vivemos um mundo de redes sociais, você tem outras maneiras da informação circular e não apenas a voz dominante, hegemônica, mas é realmente uma coisa impressionante.
02:10Eu queria também lembrar que ontem, foi uma semana aí da Convenção Democrata, ontem foi o discurso do Tim Walz, que é o candidato a vice na chapa da Kamala Harris, ele aceitou formalmente.
02:26Essa chapa já está registrada desde segunda, desde o primeiro dia, houve essa votação simbólica dos delegados, eles foram lá assinar.
02:34Então desde segunda-feira, para os olhos da justiça eleitoral americana, desde essa segunda-feira, a Kamala Harris e o Tim Walz já são oficialmente os candidatos do Partido Democrata na eleição de novembro.
02:47Mas tem esse cerimonial do Tim Walz e da Kamala darem um discurso de aceitação, onde eles se dirigem aos seus militantes do Partido e à nação e dizem que por que eles merecem a indicação, que estão felizes, vamos juntos, vamos lutar, não tem nada a ganho, vamos lá, vamos lutar até o último dia.
03:10Enfim, é faz par do rito das eleições americanas.
03:15Mas o Tim Walz ontem falou uma coisa que me chamou a atenção.
03:18Claro que tem muita coisa que você vai ver aí na imprensa, mas não faz muito parte aqui do meu estilo ficar repetindo o que sai em tudo quanto é lugar, porque, enfim, está tudo aí.
03:29Então, vocês viram aí o que o Bill Clinton falou, o que a Oprah Winfrey falou, a Oprah que é a maior celebridade da história da televisão mundial
03:38e que mostra muito bem esse casamento de Hollywood e da cultura pop com o Partido Democrata.
03:46Ela está bem nessa fronteira.
03:48Então, quem quiser essas informações que estão em tudo quanto é lugar, especialmente o antagonista, dá uma olhada lá.
03:54Agora, uma coisa que eu não vi em lugar nenhum foi o seguinte.
03:56O Tim Walz, no discurso dele de ontem, ele falou que se a Kamala Harris e ele forem eleitos, ele como vice-presidente e a Kamala Harris como presidente,
04:06que não terá mais criança com fome nos Estados Unidos.
04:11O que é uma frase que lembra uma frase do Fidel Castro.
04:14O Fidel Castro falava isso.
04:16O próprio Tim Walz já se disse que ele tem simpatias ao socialismo.
04:20Ele meio que se assume como um socialista.
04:25Aliás, numa entrevista, ele falou que o que uns chamam de socialismo, ele apenas chama de política de boa vizinhança.
04:33Mas sabe-se lá o que ele quis dizer com isso.
04:36Mas, enfim, o Tim Walz, ele falou que não vai ter criança com fome.
04:41Então, eu fui lá dar uma olhada como estão os índices de pobreza do estado que ele é governador, do Minnesota.
04:47Minnesota é um estado interessante. Por quê?
04:50Porque é o estado mais radicalmente democrata dos Estados Unidos, entre os 50 estados.
04:56Para vocês terem uma ideia, os candidatos democratas a presidente ganharam ininterruptamente,
05:03desde 1932, no estado de Minnesota.
05:07O que não tem paralelo em nenhum outro estado americano.
05:10Teve uma exceção, que foi em 72, que o Richard Nixon ganhou, porque ele ganhou no país inteiro e tal.
05:15Mas, tirando essa eleição de 72, foi umazinha só, de 1932 até a última eleição,
05:23os democratas ganharam sistematicamente toda a eleição para presidente no estado de Minnesota.
05:29E ele é governador do estado, seu antecessor era democrata, enfim.
05:34E também os governadores de estado tendem a ser democratas.
05:38Então, se ele não tem oposição nem na política e nem nas ruas, nem na população,
05:44ele deveria estar usando o seu estado como vitrine para mostrar como ele é bom,
05:49no que ele está dizendo que vai fazer, no que ele está prometendo que vai fazer.
05:52Pois bem, no estado de Minnesota, eu fui lá dar uma olhada no que seria o IBGE dos Estados Unidos,
05:57que é o U.S. Bureau of Statistics, consul.
06:01A pobreza, a linha de pobreza que divide os cidadãos lá em Minnesota está em 12,6%.
06:11Dados oficiais do que seria o correspondente ao IBGE nos Estados Unidos.
06:17Dados de 2022.
06:18O que isso quer dizer?
06:19Isso quer dizer que, de toda a população do estado de Minnesota,
06:2412,6% estão abaixo da linha da pobreza.
06:28A média dos Estados Unidos é 9%.
06:31Ou seja, Minnesota, além de ter 12 de cada 10 pessoas,
06:361,2% estão abaixo da linha da pobreza,
06:40está a três pontos acima da média nacional.
06:43Então, não é só que tem muito pobre no estado,
06:46mas tem muito pobre, inclusive, se você comparar com a média nacional,
06:50que está em 9%.
06:51Então, eu não sei se o seu Tim Walz vai fazer o que ele promete
06:56como vice-presidente e a Kamala como presidente,
06:59mas, lembrando também o Fidel Castro,
07:02lembrando essa turma toda que ele gosta,
07:05esse pessoal sempre diz que o socialismo vai dar certo da próxima vez.
07:09Então, ele hoje, como governador do Minnesota,
07:14tem muito pobre no estado dele,
07:16ele não tem oposição,
07:18ele governa com muita facilidade,
07:20a Câmara Estadual está do lado dele,
07:22os eleitores votam maciçamente no Partido Democrata e estão do lado dele,
07:27e ele, aparentemente, não está conseguindo combater a pobreza,
07:30ele tem uma média de pobreza no seu estado mais alta do que a de todo o país.
07:35Então, vamos ver, né?
07:37Mas é uma hora que eu acho que o jornalismo
07:40devia ser menos declaratório
07:42e devia procurar entender as promessas dos políticos
07:45e comparar com a realidade.
07:47O que o Partido Democrata não quer, Wilson,
07:49então, assim, só fechando o comentário,
07:52você vê que o Partido Democrata está realmente optando
07:56por uma campanha TikToker,
07:58oba-oba, opra, show do John Legend,
08:02o John Legend deu show ontem,
08:04lá da Convenção Democrata,
08:06primeira mulher, primeira negra,
08:08primeiro isso, primeiro aquilo,
08:10oba-oba, lá, lá, lá,
08:12e não querem discutir.
08:14Qual é o passado desses candidatos?
08:17O que a Dona Kamala Harris fez como procuradora?
08:20O que ela fez como senadora?
08:22O que ela fez como vice-presidente?
08:24O que seu Tim Walz fez como governador de Minnesota?
08:29Vamos discutir?
08:29Não, lá, lá, lá, lá, lá,
08:31vamos cantar,
08:32primeira mulher, lá, lá, lá, lá, lá, lá,
08:33e eles, aparentemente,
08:36é uma estratégia que está dando certo.
08:37Vamos ver se eles conseguem manter isso até o final,
08:40mas eles estão fazendo uma estratégia inteligente
08:45num mundo TikToker,
08:47num mundo que as pessoas não têm atenção mais para nada,
08:50que tudo você dá uma olhadinha ali no celular,
Seja a primeira pessoa a comentar