- há 7 meses
O presidente Lula encaminhou ontem ao congresso um projeto de lei complementar que regulamenta a atuação dos motoristas de aplicativos de transporte, como Uber e 99.
João Sabino, diretor de políticas públicas do iFood, critica, em entrevista ao Meio-Dia em Brasília, "dificuldade muito grande" do Ministério do Trabalho para entender serviço dos entregadores de aplicativo.
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NotíciasTranscrição
00:00João, o que a gente precisa saber de fato é
00:03o que o iFood, como é que estão essas negociações
00:06entre o iFood e o governo federal
00:08para você regulamentar a profissão de entregador
00:11de encomendas, especificamente da empresa de vocês.
00:16Boa tarde para você.
00:17Bom, o Ministério do Trabalho criou um grupo de trabalho
00:20no ano passado com 45 membros.
00:22Nós, iFood, representando uma das cadeiras
00:25da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia,
00:27a Mobitec, estivemos presentes em todas as reuniões
00:30ao longo do ano.
00:32Vários avanços foram conquistados, como, por exemplo,
00:36o convencimento que, de fato, não cabe um regime de CLT
00:41para um trabalhador autônomo, para um trabalhador multiplataforma
00:44que oferece sua renda com diversas fontes diferentes
00:48por meio de tecnologia.
00:49Mas que esse trabalhador precisa, sim, ter uma seguridade social,
00:53uma inclusão previdenciária e tudo mais.
00:56Somos totalmente a favor disso.
00:57Porém, ainda há uma dificuldade muito grande ali
01:01dentro do Ministério do Trabalho de entender
01:03como funciona e quem são esses trabalhadores.
01:06Ora, se você trabalha para três, quatro, cinco plataformas
01:10ao mesmo tempo, com regimes de dedicação diferente
01:12e possui outras fontes de renda fora dos aplicativos,
01:16obviamente você não pode estar dentro de um regime celetista
01:18de oito horas, um CNPJ fixo te contratando.
01:22Então, quando essa questão foi vencida e está aí nesse primeiro acordo
01:27celebrado como a outra categoria, passou-se para uma discussão
01:31sobre quais são as regras previdenciárias aplicáveis.
01:34E o Ministério do Trabalho insiste, não conseguindo emplacar essa questão da CLT,
01:39insiste agora no modelo previdenciário muito similar ao da CLT,
01:44o que obviamente não agrada nem entregadores, nem os aplicativos de entrega.
01:50Esse é o grande ponto de não acordo.
01:54Nós continuamos abertos à discussão e debate de outros modelos,
01:59mas de fato, tributar o trabalhador nos moldes da CLT não faz sentido nenhum.
02:06Só para te dar números e aterrissar um pouco essa discussão,
02:10se este modelo é aprovado ontem para os motoristas,
02:15e aqui não estou fazendo um juiz de valor de motorista,
02:16porque eu não participei dessa negociação no trabalho com motorista.
02:19Mas, se eu pego estas regras e aplico exatamente igual para o entregador,
02:24que tem uma característica diferente, veja bem,
02:27entrega de comida, você tem uma sazonalidade ao longo do dia muito maior,
02:30geralmente na hora do almoço e na hora do jantar.
02:32Consequentemente, a dedicação deste trabalhador à plataforma de delivery
02:37é muito mais baixa.
02:39Logo, ele ganha nominalmente menos dentro de uma plataforma de delivery.
02:44O valor pago por uma entrega de comida,
02:47seja pelo veículo que usa, seja pela distância,
02:50também nominalmente é menor do que o valor de uma corrida de carro.
02:54Ora, consequentemente, com valores nominais menores,
02:57uma tributação igual da CLT vai gerar uma tributação regressiva para o entregador,
03:02que ganha menos, vai ser mais do que o dobro tributado em comparação ao motorista
03:09e, no final das contas, não vai atingir o piso mínimo de contribuição da Previdência.
03:14Ou seja, esse trabalhador vai ser taxado,
03:16esse trabalhador vai ser tributado e não vai estar coberto por aposentadoria,
03:20por seguros, tudo.
03:21E, obviamente, isso não é aceitável e a gente continua aberto a discutir,
03:26mas precisamos pensar num regime especial, num regime diferente, né?
03:30Porque é um tipo de trabalhador diferente.
03:33Ô, João, você acha que essas regras, elas podem inviabilizar plataformas como o iFood?
03:40Olha, nós estamos falando de um ecossistema hoje dentro do iFood
03:42que já move meio por cento do PIB brasileiro.
03:44São 836 mil postos de trabalho gerados direto entre restaurantes,
03:50entregadores e todo o ecossistema.
03:52Obviamente que um sistema desse que tributa e não te inclui em nada,
03:55só tributa, inviabiliza para todo mundo, né?
03:58Então, vai gerar, sim, desemprego, vai gerar falta de corte de acesso à renda
04:04e, por isso, nós insistimos em continuar conversando
04:08porque o que foi proposto para a gente não é aceitável.
04:10Rodrigo Oliveira.
04:16Quero atuar, João Rodrigo.
04:18Opa, desculpa, estava com um probleminha técnico aqui.
04:22Era eu.
04:22Muito bem.
04:23O problema técnico era eu.
04:25João, eu, antes de tudo, boa tarde.
04:29Eu costumo dizer aqui que a empresa, ela, em geral, né?
04:34Ela resolve se o negócio dá dinheiro ou não dá dinheiro.
04:38Se não der dinheiro, ela sai do business, é isso.
04:42E ela repassa até o limite que o cliente consegue pagar.
04:47E essa briga entre a margem e o cliente são coisas que vão levar a empresa a um lugar ou outro.
04:55Por que eu estou fazendo esse preâmbulo todo?
04:57Nessa discussão sobre contribuição previdenciária, 20% dessa carga vai ficar, pelo menos nesse PL dos motoristas, vai ficar em cima da empresa.
05:09Que, obviamente, na minha forma de enxergar isso, repassa isso, óbvio, para o cliente.
05:19Quem vai pagar, no fim das contas, é o cliente.
05:21Isso faz parte do negócio.
05:23Não estou julgando isso aqui e nem acho que isso é um problema.
05:26Sempre repito aqui que quem quiser criar uma empresa que dê prejuízo, que crie a sua própria.
05:33Porque aí vai entender do que a gente está falando aqui.
05:37A minha dúvida aqui é exatamente essa.
05:41Vocês já teriam, vocês chegaram a pensar num possível reajuste de tarifas, de cobranças para entrega e qual essa elasticidade que vocês têm no negócio de vocês.
05:56Quanto vocês conseguem subir essa tarifa sem quebrar o negócio?
06:01Vai ficar tão caro que eu vou pegar minha bicicleta ou vou dar uma corridinha até a lanchonete mais próxima e buscar o meu próprio lanche.
06:10E aí eu não estou nem contando, ah, vai desempregar, etc.
06:12Não, eu estou falando do negócio mesmo, do business iFood.
06:16Você disse aqui que gera mais de 830 mil postos de trabalho entre restaurante e entregadores, pelo que eu estou entendendo.
06:22Quão afetado fica esse negócio, eu imagino que vocês tenham um modelo econômico para isso, caso esse PL se estenda ao aplicativo de delivery, de entrega?
06:38Ótima pergunta, Rodrigo.
06:39A elasticidade nesse mercado é baixíssima.
06:42Então a consequência mesmo é a inviabilização do negócio, sem sombra de dúvidas.
06:48Agora, se nós tivéssemos um fórum equilibrado, onde a gente pudesse equalizar interesses de trabalhadores, empresas, sociedade civil organizada e governo,
07:00a gente teria chegado num acordo específico para essa modalidade.
07:05Agora, é preciso entender como funciona e é preciso entender quem são esses entregadores.
07:11E há uma dificuldade muito grande com esse ministério de sequer entender quem são esses trabalhadores, como se comportam, o que eles querem, quanto ganham,
07:20qual é o nível de dedicação, inclusive, para uma plataforma, para duas plataformas, ou até para a composição da sua renda mensal dentro de aplicativo ou não.
07:29E te digo, ela é muito variada.
07:32Esses entregadores trabalham para várias plataformas ao mesmo tempo e 48% deles, falando de base iFood, tem outra fonte de renda fixa.
07:42De novo, as entregas, em sua grande maioria, elas são sazonais.
07:47São na hora do almoço e no jantar.
07:48Ninguém fica parado nesse meio tempo.
07:50Todos esses entregadores têm outras fontes de renda nesse meio tempo.
07:54Ou seja, você querer primeiro classificá-los como seletistas, depois vencido essa discussão e não conseguido alcançar esse êxito,
08:02você querer impor uma tributação previdenciária lá, a CLT, é inviabilizar o ecossistema como um todo.
08:09Agora, só para fechar, João, e as conversas com o Marinho?
08:15Pelo que eu estou entendendo, parece que as conversas não avançaram ou avançaram muito pouco.
08:21O que está travando?
08:24O governo federal que quer impor um modelo de regulamentação que pode inviabilizar a plataforma?
08:32Há uma tentativa de meio termo?
08:35Vamos tentar detalhar um pouco como é que são essas conversas?
08:38Oi, Rodrigo, complementa.
08:40Até quero adicionar um negócio, ministro João.
08:42O que a gente viu lá no começo dessa discussão, lá no ano passado,
08:46era uma espécie de ameaça.
08:50O Uber, se quiser, é que vá embora.
08:52O iFood, se quiser, é que vá embora.
08:56O clima dessas conversas, como é que se deu isso?
09:00Vocês se sentem pressionados?
09:04Eu não quero entrar muito nisso, sei que é um ponto extensível,
09:09afinal de contas, vocês ainda, eu imagino,
09:11ainda estão buscando alguma interlocução com o governo
09:13para ver se chegam num denominador comum possível para todo mundo.
09:17mas existe uma pressão que acaba prejudicando um pouco da discussão ou não?
09:25Bom, primeiro, deixar bem claro que o fórum existe,
09:28as portas lá estão sempre abertas,
09:30não há nenhum tipo de dificuldade em ter acesso e em conversar.
09:33O grande problema é a produtividade dessas conversas,
09:36que é muito baixa, para te dizer, praticamente inexistente.
09:41Por quê? Porque é uma concepção ideológica ali,
09:44é uma concepção do que é esse mercado novo de trabalho,
09:48bastante errada e bastante desconhecida.
09:52Então, ao longo de todo ano, como eu mencionei,
09:55teve um GT que se reuniu quase todas as semanas,
09:58longas conversas, tudo, mas avançar ali é bastante difícil,
10:02porque não há um conhecimento sobre como funciona a tecnologia,
10:05me parece que não há uma vontade também de entender,
10:08há uma dificuldade na representação ali dos entregadores,
10:12que é, por ser uma classe nova,
10:14ainda também está começando todo o seu processo de associativismo,
10:18de organização, tudo,
10:19e que, portanto, não estão inserindo
10:22nas instituições trabalhistas tradicionais.
10:27Então, quando você senta numa mesa com pessoas
10:29que, de fato, não conhecem como funciona,
10:31não dialogam, de fato, com esses trabalhadores em plataforma,
10:34a conversa não avança.
10:36E aí, paralelo a isso, cria-se um clima desagradável,
10:40ou muito ruim, ou improdutivo,
10:41de críticas na imprensa e críticas infundadas.
10:46Então, mais uma vez, ontem,
10:47acho que a gente teve um episódio ali lamentável
10:50de uma nominação de uma empresa
10:52e de que essa empresa estaria mandando recado.
10:56Será? Devolvo com uma pergunta.
10:57Será que a empresa está mandando recado?
10:59Todo o entorno dele está mostrando
11:01que a conversa não é por aí,
11:03que não vai avançar por aí,
11:04que não vai existir acordo se continuar
11:06tendo essa visão retrógrada e passada,
11:11e datada também,
11:13de como as coisas funcionam hoje em dia
11:14no mundo inteiro.
11:16João, eu tenho que fazer só mais uma perguntinha.
11:18Vocês têm uma proposta de vocês do iFood?
11:24Sim.
11:24Nós já chegamos a apresentar diversas propostas,
11:28todas elas foram rechaçadas, tá?
11:31Primeiro, no que tange ao piso mínimo, né?
11:34Lembrando, é um piso, né?
11:36Houve propostas do iFood que não foram aceitas,
11:39mas em determinado momento,
11:40houve um pedido do próprio ministro do trabalho
11:44que as empresas de delivery apresentassem
11:47um valor de piso de R$17,00,
11:49e o iFood, especificamente,
11:51acompanhando de outras empresas da Mobitec,
11:52aceitaram este valor.
11:54Não houve, depois, uma evolução
11:56por parte do próprio Ministério do Trabalho
11:59e com os trabalhadores.
12:01Ou seja, a proposta que foi feita para a gente,
12:03o pedido que foi feito pela gente,
12:04foi aceito, né?
12:06Estamos esperando o lado de lá avançar.
12:08Com relação à Previdência...
12:10Ô, João, mas R$17,00 por hora de trabalho é isso, não é?
12:13R$17,00 por hora de trabalho, tá?
12:15Isso...
12:16É bom fazer esse parênteses.
12:18Para você fazer uma dimensão, um cálculo
12:22e chegar num valor para um trabalhador
12:24que dedica duas, três horas por dia,
12:27você precisa dividir o valor do salário mínimo mensal
12:29pelo número de horas trabalhada no mês
12:31e chegar e ter este critério a partir de agora, né?
12:34É o valor por hora, né?
12:36Como existem em outros países
12:37com legislação trabalhista diferente, né?
12:40Então, este valor é por hora, como piso, tá?
12:43Isso é um piso.
12:44Em média, se ganha mais, né?
12:47Porém, tem que garantir um piso mínimo
12:50para que ninguém ganhe menos do que, por exemplo,
12:52R$17,00 que foi o acordado por hora.
12:54Esses R$17,00 já incluem, eu imagino,
12:57porque na conta que eu fiz aqui,
12:58dá R$8,00 por hora o salário mínimo, né?
13:00Os R$17,00 estão incluindo aquela história
13:02da ajuda de custo, é isso?
13:03Exatamente.
13:04Então, isso engloba um valor líquido
13:07que jamais pode ser abaixo do valor hora salário mínimo
13:11que hoje, como você mesmo mencionou, é R$8,00,
13:13mais os custos embutidos, né?
13:15Os custos embutidos ali dentro da atividade de delivery,
13:19foi uma longa e exaustiva discussão
13:21dentro do Ministério do Trabalho,
13:24eles estão por volta de 25% a 30% do custo, tá?
13:27Então, você ainda tem ali um ganho nominal acima, né?
13:30Como piso do valor hora salário mínimo.
13:33Se você for fazer uma conta de padeira aqui,
13:35você está chegando num piso de 1,6, 1,7 ou até 1,8, né?
13:40Vezes valor hora salário mínimo, né?
13:42Então, é exatamente essa conta.
13:45E, para terminar, responder a segunda parte da pergunta,
13:49quando a gente vem para a discussão de previdência,
13:51de fato, ali é um pouco mais complicado, né?
13:55Porque aí, as especificidades desse trabalho,
13:58o nível de dedicação da plataforma
14:00e as exigências mínimas numéricas de se alcançar o piso,
14:06ficam muito mais dificultadas, né?
14:08Num trabalhador que dedica uma, duas horas
14:10para aquele tipo de serviço, em multiplataformas, né?
14:15Então, a gente precisa discutir,
14:16vis-à-vis outras categorias existentes no Brasil
14:21que fazem trabalhos ou temporários
14:24ou em vários locais,
14:27regimes especiais.
14:28Tem uma série desse no Brasil.
14:30Mas, não encontramos abertura para discutir isso lá.
14:34Sempre um modelo muito engessado
14:36à lá, previdência da CLT, né?
14:38Com essas alíquotas que você mencionou.
14:40Legenda Adriana Zanotto
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