- 26/06/2025
Dezenas de milhares de israelenses saíram às ruas neste domingo depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu o ministro da Defesa, que foi o primeiro membro da alta cúpulas do partido governista a se manifestar contra a controversa reforma judicial debatida no parlamento israelense. Para conversar sobre o assunto trouxemos ao Meio-dia em Brasília o historiador e assessor acadêmico do Instituto Brasil-Israel Michel Gherman. Também trouxemos o nosso editor de internacional, Duda Teixeira
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NotíciasTranscrição
00:00A gente segue aí esse giro de notícias, trazendo a informação de que dezenas de milhares de israelenses saíram às ruas nesse domingo
00:07depois do primeiro-ministro israelense demitir o ministro da Defesa.
00:12O ministro foi o primeiro membro da alta cúpula do partido governista a se manifestar contra a controvérsia da reforma judicial debatida pelo parlamento.
00:23O projeto do governo pretende aumentar o poder dos políticos sobre os juízes e diminuir o papel da Suprema Corte.
00:29Críticos afirmam que a reforma ameaça a separação dos poderes e, portanto, o caráter democrático do Estado de Israel.
00:37E para conversar sobre esse assunto, trouxemos ao Meio de Em Brasília o historiador e assessor acadêmico do Instituto Brasil-Israel, Michel Germann,
00:46e também o nosso editor de Internacional, Duda Teixeira. Sejam bem-vindos.
00:53Olá, boa tarde.
00:55Oi, Kis. Boa tarde. Boa tarde, Michel Germann.
00:58Boa tarde.
01:00Sejam bem-vindos ao Meio de Em Brasília.
01:03Duda, Michel, expliquem para a gente o que está acontecendo em Israel. A gente quer entender.
01:10Vou só dar um rapidinho. É impressionante o que está acontecendo em Israel, os protestos em massa.
01:18Olha, hoje a gente tem diplomatas israelenses em outras embaixadas no mundo inteiro que não estão trabalhando.
01:27Aeroporto em Tel Aviv, que não está decolando avião.
01:31Prefeito fazendo greve de fome em volta da Knesset, que é o parlamento israelense.
01:40Shopping center fechado.
01:43McDonald's fechado, outros restaurantes fechados e protestos aí de milhares de pessoas com a palavra, gritando a palavra democracia.
01:58Duda, aí agora eu quero passar a palavra para o Michel.
02:02Michel, por que que se explica tanta gente se manifestando aí contra o Benjamin Netanyahu?
02:11Então, Duda e Kiss, tudo bom?
02:15O que? Na verdade, são três elementos que confluíram para isso que Duda descreveu agora como uma situação de rebelião popular.
02:27A primeira questão foi a ascensão de setores da extrema-direita em Israel.
02:31Ou seja, vive Netanyahu para compor o governo, uma eleição muito parelha.
02:35Ele incluiu na sua coalizão grupos de extrema-direita, grupos ligados historicamente a setores do movimento chamado CAR,
02:45junto com grupos ultra-ortodoxos, Haridim, grupos que são ultra-ortodoxos e setores muito específicos da violência.
02:55Esses grupos formam dois terços do governo.
02:58Esse foi o primeiro elemento.
02:59O segundo elemento é que Bibi Netanyahu, junto com o ministro da Justiça, apresentaram uma reforma judicial,
03:08que, na verdade, é um projeto de superação das estruturas legais do Estado de Israel.
03:13A ideia de pesos e contrapesos, que caracteriza qualquer democracia liberal,
03:19foi substituída por um projeto que estabelecia a noção de maioria absoluta no Congresso, no Knesset israelense,
03:26como o Duda falou, para determinar as decisões do governo.
03:30Ou seja, estabelece a diminuição do poder do judiciário, aumenta o poder legislativo e o executivo,
03:40colocando, na verdade, a possibilidade de um governo poder fazer basicamente o que ele quiser.
03:45E sendo um governo formado por grupos de extrema-direita e fundamentalistas religiosos,
03:50isso é muito perigoso.
03:51E o terceiro elemento é que a gente já tem, há 12 semanas, manifestações populares crescendo muito em Tel Aviv e Jerusalém e outras cidades.
04:02Ou seja, você tem a população na rua se manifestando contra esse projeto de lei, contra esse projeto de reforma,
04:09e eu acho que Bibi Netanyahu esperava que essas manifestações fossem diminuídas.
04:13Acontece que vários setores da sociedade israelense começam a dizer que esse projeto de reforma é prejudicial.
04:21É prejudicial não só à democracia liberal israelense, mas é prejudicial à segurança, à economia, às estruturas de poder.
04:29Ou seja, é um projeto que transforma Israel numa sociedade autoritária, num governo antidemocrático,
04:35e numa possibilidade concreta de perdas muito grandes em termos econômicos e de segurança.
04:41O auge dessa história toda foi o ministro da Defesa, que disse, Galan, que disse efetivamente
04:48que a reforma era uma ameaça à segurança de Israel.
04:53Junto com isso, há pressão muito forte de grupos de ex-soldados, de soldados reservistas, da elite,
05:00dizendo que eles não vão mais servir o exército se a reforma passar.
05:04Não vão mais prestar o serviço de reservista se a reforma passar.
05:08E ao contrário do que se imaginava, que houvesse um recuo de Bibi Netanyahu,
05:13e dizendo, olha, se o tema é o tema da segurança, eu vou recuar,
05:16ele avança e demite, ou sinaliza que vai demitir o ministro da Defesa.
05:22Quando isso acontece, há uma explosão.
05:25E aqui já não são mais manifestações populares, já é uma coisa muito parecida com uma rebelião popular.
05:29E aí, como o Duda falou, a Estadruta, a Central Sindical Israelense,
05:34junto com os sindicatos de patrões, determinaram uma guerra geral
05:38que afeta hospitais, afeta aeroportos, afeta shopping centers,
05:44afeta setores importantes da sociedade israelense,
05:47só não afeta o serviço público de transporte que serve para que as pessoas vão às manifestações.
05:52O que a gente tem hoje, acontecendo nesse momento, é manifestações nas grandes cidades
05:57e milhares de pessoas cercando o parlamento israelense, impedindo que haja votação
06:02e que a reforma judicial de Bibi Netanyahu avance.
06:07A gente tem uma situação sem precedentes, inédita,
06:09onde a sociedade civil israelense mostrou que ela não está de acordo
06:14com essa reforma antidemocrática produzida pelo governo de Israel.
06:17Michel, deixa eu aproveitar e fazer uma perguntinha.
06:22Esses grupos religiosos, pelo que eu li aqui, aparentemente eles realmente têm birra
06:30um pouco da Corte Suprema, porque já ordenou jovens religiosos ortodoxos
06:36a fazer o serviço militar, têm sido contra também assentamentos de colonos judeus
06:44na Cisjordânia. Então, esses religiosos, eles apoiam essa reforma do judiciário.
06:51Mas que no fundo, no fundo, tudo isso está acontecendo por causa só do Bibi Netanyahu
06:58querendo escapar daquela que já foi indiciado em 2019 por fraude, suborno
07:05e conflito de interesses. É isso mesmo? Tudo isso está acontecendo só porque o Netanyahu
07:11quer se safar da justiça?
07:12Bom, primeiro você tem toda a razão. Você tem dois grupos religiosos envolvidos
07:18nesse governo, que são grupos diferentes. O primeiro grupo é o grupo de fundamentalistas
07:21religiosos, que se chama de ultra-ortodoxos. E você tem grupos racídicos e grupos lituanos,
07:28religiosamente vinculados à perspectiva lituanas, que são contra qualquer tipo de intervenção
07:33da Corte Suprema na sua prática cotidiana, principalmente na relação com o serviço do exército,
07:39mas também tem questões fundamentais com a própria existência do Estado.
07:45Querem, demandam, exigem uma autonomia cultural que estabelece que eles possam manter a sua vida
07:51como ela é. Um exemplo disso, Duda, é que além da questão do exército, eles são contra
07:56que o Estado exija que as escolas ultra-ortodoxas ensinem matérias do núcleo comum.
08:03E a Suprema Corte já exigiu que isso acontecesse e eles foram contra.
08:10Então eles são, você disse, eles têm uma certa birra, eles têm uma posição concreta
08:15a necessidade que o Estado tem de, por assim dizer, subscrever um certo núcleo comum de vida
08:23entre as várias populações de Israel. Eles são extremamente não receptivos à exigência
08:28de modernização do Estado. O segundo grupo é o grupo ultra-religioso, o grupo nacionalista religioso.
08:35Esse grupo olha para o judiciário como uma espécie de ameaça à vida se desenvolver
08:46para além da linha verde. A linha verde, você tem uma situação de ocupação,
08:51onde a população israelense, judaica, minoritária, exerce direitos plenos
08:58frente a uma população majoritária palestina que não tem direito, uma ocupação militar.
09:03E essa ocupação militar, ela tem a expansão de territórios, muitos habitados
09:09por esses grupos sionistas religiosos, que olham para o Supremo, para o Poder Judiciário
09:15como uma ameaça à expansão desses privilégios. Então essa situação é uma situação
09:21muito interessante. Você tem dois grupos que olham para o Estado como inimigo
09:24e estão determinando uma reforma judicial. E o terceiro elemento, eu tenho que dizer o seguinte,
09:29me parece muito estranho que seja somente a questão da ameaça da prisão que para sobre
09:37Bibi Netanyahu. Me parece que tem elementos além disso, inclusive um certo vínculo ideológico
09:44do Bibi Netanyahu com esses grupos. Me parece um pouco simples demais entender a explicação
09:50do apoio que Bibi Netanyahu está dando a grupos extremistas a partir dessa questão.
09:55Me parece que aí há, nesse momento, eu estava conversando ontem com um historiador
10:01israelense e ele me fez entender que para além da questão da prisão, pode ser que a gente
10:05esteja vendo que Bibi Netanyahu efetivamente se converteu em uma perspectiva de extrema direita,
10:12antidemocrática e de democracia iliberal, que é o projeto e a reforma que é passar em Israel.
10:20Um projeto que acaba com o equilíbrio de poderes na sociedade israelense.
10:23Duda, a gente tem um vídeo aqui do André, a gente está subindo aqui ainda um vídeo do André,
10:30agora me ajuda com o nome, Duda, André Laist, então beleza, ótimo. O André, ele é cientista
10:39político e ele conversou com a gente hoje mais cedo também sobre esse assunto, ele viria ao
10:43meio-dia em Brasília, mas ele está no Japão e lá o fuso horário é bem diferente do nosso,
10:47aqui, meio-dia e 34 agora, lá é meia-noite e 34 e ele teria um voo hoje às 10 da manhã,
10:53então não pôde participar ao vivo. Mas ele não deixou de dar a contribuição dele aqui para os
10:59nossos debates, trazendo também o ponto de vista dele sobre esse assunto. Vamos ver se o Matheus
11:04consegue soltar na tela para a gente? Daqui a pouquinho ele solta na tela, que a gente vai
11:09conversar ainda com ele sobre esse assunto, trazendo o ponto de vista sobre o que está acontecendo,
11:13porque a gente viu aí, inclusive eu acompanhei mais cedo essas manifestações, houve queima
11:19também, queima de pneus, eles atearam fogo aí nas ruas, né, então realmente os ânimos
11:25estão bem acirrados aí em Israel, não é professor?
11:31É, você tem o fechamento das vias mais importantes de Tel Aviv, hoje de madrugada,
11:37depois da decisão da demissão do ministro da defesa, de maneira muito espontânea,
11:44milhares de israelenses fecharam a estrada que liga Jerusalém a Tel Aviv, a Yalon, você
11:50teve enfrentamentos com a polícia, em Jerusalém os enfrentamentos foram mais sérios, inclusive
11:54alguns manifestantes tentaram invadir a casa onde Biba Nathanael mora com sua família,
11:59a situação, ela está bastante, a descrição que os jornais deram era que a situação saiu
12:07do controle, e mais do que isso, como o Duda falou, você tem algumas situações, são situações
12:11que a gente não previa, por exemplo, você ter prefeitos, chefes de municípios sentados
12:20em greve de fome na frente do parlamento, e é muito importante entender que alguns desses
12:24prefeitos são, inclusive, aliados do Likud, ou seja, você começa a ter uma rebelião dos
12:30eleitores do Likud contra o projeto antidemocrático de Biba Nathanael.
12:35Isso nunca aconteceu em Israel, é uma situação absolutamente nova, e a gente não sabe para
12:39que direção ela vai caminhar.
12:42Perfeito, a gente vai soltar aqui o vídeo do André, para a gente, com o ponto de vista
12:46dele sobre esse assunto.
12:48Solta aí, Matheus, por gentileza.
12:49A reforma que estava tentando ser feita pelo ministro da Justiça, Yair Levine, ia muito
12:55além de apenas uma reforma, tirava drasticamente os poderes do Supremo e entregava na mão do
13:02Executivo.
13:03O problema é que um partido, o Likud, teria a grande maioria das vozes para escolher juízes,
13:10não só do Supremo, mas para cortes distritais e municipais.
13:14Isso poderia causar um cabide de empregos e, eventualmente, aumentar a corrupção no
13:20país.
13:22É muito importante lembrar que Israel segue sendo uma democracia liberal, os protestos
13:27fizeram efeito, provavelmente o governo vai ter que andar para trás, vai ter que cancelar
13:33todas as reformas que estavam sendo feitas, todos os projetos de reforma, os projetos de
13:40lei que estavam sendo feitos até agora e, eventualmente, até reconsiderar a demissão
13:45do ministro da Defesa.
13:47A segurança de Israel estava em risco, o povo estava dividido, isso afetou não somente
13:52a sociedade, mas também o exército israelense, que é o bastião da segurança da defesa do
13:57país.
13:58Portanto, acredito eu que, eventualmente, o governo vai ter que retrair e, a partir de
14:05agora, a discussão vai ser não só a respeito das reformas que não foram implementadas,
14:11mas a constituição que o país ainda não tem e precisa escrever o mais rápido possível.
14:21Professor, o senhor acha que o primeiro-ministro vai voltar atrás no que diz respeito à demissão?
14:27Quis, na racionalidade não faz nenhum sentido que ele não volte atrás, se a gente parar
14:34para entender, eu acho que Bibi e Nathaniel, junto com Levin e seus aliados, não entenderam
14:39a possibilidade de explosão social que essas reformas causariam.
14:44Elas são reformas antidemocráticas, são reformas feitas por setores que não contribuem
14:49de maneira definitiva, por exemplo, com a segurança, são reformas baseadas em uma velocidade que
14:57a gente não conhece na sociedade israelense, ou seja, o legislativo israelense tem toda
15:00uma burocracia, o avanço de leis é feito a partir de negociações muito complexas, tudo
15:07isso foi feito de maneira muito rápida, né?
15:10É tudo muito estranho.
15:11A impressão que se tinha era que a gente estava falando de um projeto de instalação de uma
15:16ditadura em Israel, feita a partir de mudanças das estruturas legais mais básicas de Israel.
15:24Em termos racionais, o que que Bibi e Nathaniel produziu foi uma reação da sociedade que
15:29estava silenciada, que estava silenciosa, que estava menos presente, que são os setores
15:34progressistas da sociedade israelense.
15:36Então, assim, a gente já imaginava que entre a denúncia do ministro da defesa de que isso
15:43poderia afetar a segurança e a necessidade de retornar ou de manter a reforma, ele ficaria
15:50com a questão da segurança, ele não ficou, ele demitiu o ministro.
15:53Então, agora a impressão que a gente tem e a impressão que se tem em Israel hoje é
15:58de que entre as manifestações e uma parada nessas reformas e um debate mais profundo com
16:05a sociedade sobre elas, Bibi e Nathaniel vai ficar com a segunda.
16:08Mas eu não sei se a gente está falando de uma racionalidade.
16:10Eu não sei se Bibi e Nathaniel está funcionando com uma racionalidade que ele já teve.
16:14A impressão que eu tenho, se vocês me permitem, é que a gente pode esperar qualquer coisa.
16:19A gente pode esperar, inclusive, que Bibi e Nathaniel avance nas reformas.
16:23Até agora, todas as apostas que os analistas fizeram na racionalidade de Bibi e Nathaniel,
16:28ele perdeu, eles perderam.
16:29Bibi e Nathaniel avança numa espécie de perspectiva constitutiva.
16:33Ele dobra a aposta o tempo todo.
16:35Então, assim, por exemplo, Bibi e Nathaniel falaria agora à tarde.
16:39Ele adiou para a noite.
16:40A impressão que se tem é que ele vai recuar.
16:43Como a gente tinha a impressão que ele manteria o ministro da Defesa e recuaria no final de semana.
16:49Ele não fez isso.
16:50Então, assim, se eu precisasse apostar agora, eu não apostaria, não.
16:55Eu acho que pode acontecer o recuo, pode acontecer a recondução do ministro da Defesa
17:02e pode não acontecer.
17:03Agora, se não acontecer, Israel virou um barril de pólvora.
17:07Eu não sei o que pode surgir como reação ao não recuo de Bibi e Nathaniel.
17:12Eu espero que ele retome a perspectiva da racionalidade, recue e avance em direção a uma reforma negociada.
17:20Agora, isso pode significar a queda do governo e aí isso pode significar a retomada das acusações da Bibi e Nathaniel,
17:30justamente no tribunal em que ele quer diminuir o poder.
17:34A gente está numa situação muito dramática, Israel.
17:37Duda.
17:37Agora, pensando na coalizão de governo, você falou, o Joav Galante, ele é do Likud, né?
17:48Tem, acho que, três ministros do governo que são do Likud, que estão reclamando dessa reforma do judiciário.
17:56Prefeitos que são do Likud também estão reclamando.
17:59E o Itamar Bengvir, que faz parte da coalizão do Netanyahu e ministro de Segurança Nacional,
18:13o Itamar falou, bom, se você parar com essa reforma aí, eu é que vou renunciar, né?
18:18Então, assim, se o Netanyahu recuar nessa reforma, ele continua tendo controle do Likud e da coalizão?
18:30Ninguém sabe, Duda.
18:31A situação do Likud é uma situação muito estranha.
18:34A gente não tem muito acesso às oposições que o Likud produz nas suas fileiras.
18:40Então, você tem Uli Edelstein, você tem Galante, você tem outros, Nir Barkat,
18:46você tem alguns nomes, quatro, cinco nomes que se colocaram mais ou menos contra a reforma,
18:52mas dizendo ao mesmo tempo que não estariam contra a Bibi e Nathaniel.
18:54As pessoas, os deputados do Likud têm muito medo do que o Bibi e Nathaniel podem fazer com eles, né?
19:01Então, o medo funciona como uma espécie de produção de recuo, né?
19:07Alguns deles estão avançando agora, né?
19:09E o Uli Edelstein falou que não vai votar a favor da reforma, ao que tudo indica, Galante também não.
19:16Então, a gente não sabe muito bem.
19:18Agora, olha só que coisa interessante.
19:21Benvir, Itamar Benvir, é um nome muito conhecido em Israel.
19:25É um nome que em 95 fez movimentos apoiando violência contra o primeiro-ministro de Israel.
19:33Benvir é uma pessoa que tinha, até pouco tempo atrás, atrás da sua casa,
19:38a fotografia de um assassino, Barul Goldstein, que matou palestinos na Merata Marpelah, em Hebron,
19:45durante a reza, né?
19:47Um cara, um médico estadunidense que morava em Hebron,
19:52ele pegou uma metralhadora e matou pessoas que estavam rezando.
19:56Esse era o herói do Benvir.
19:58Benvir, ele é o único deputado no parlamento israelense
20:03formalmente acusado de pertencimento a grupos terroristas.
20:06Benvir é uma pessoa muito próxima da extrema-direita mais extrema em Israel.
20:11Benvir é ministro da segurança interna.
20:14Ele é responsável, o único deputado condenado por pertencimento a grupos terroristas,
20:20é responsável pela polícia.
20:23Assim, não podia dar certo, né?
20:24E aí eu volto à sua primeira pergunta.
20:26Será que é só por causa da questão, da possibilidade de ser preso,
20:31que Bibi Netanyahu formou essa coalizão?
20:34Ou tem outras questões por trás de mim?
20:36Parece muito estranho que o único deputado que é considerado terrorista
20:41no parlamento israelense virou responsável pela polícia.
20:44Dentro do Likud, você tem um monte de gente super cabreira com essa situação toda.
20:53Mas será que eles vão reagir?
20:54Eu não sei.
20:55De novo, tem uma racionalidade paralela de Bibi Netanyahu
20:58que me faz, pela primeira vez em muito tempo,
21:01não conseguir antever os próximos passos da política israelense.
21:04A gente está numa situação muito complexa
21:06e que a sociedade civil israelense virou grande protagonista, né?
21:12Tomando as ruas, não saindo das ruas,
21:15produzindo uma necessidade de que o governo recue.
21:19Eu acho muito importante que isso esteja claro.
21:22Quer dizer, quem está fazendo com que o governo recue,
21:26ou pelo menos entre num colapso,
21:28é a sociedade civil israelense nas manifestações.
21:30Em termos de oposição, a oposição está sendo levada pela população na rua.
21:34Me parece que em nenhum outro lugar,
21:37e a gente tem outros lugares,
21:38no Brasil isso aconteceu, né?
21:39Com Bolsonaro, na Polônia, na Hungria,
21:43nos Estados Unidos, com Trump.
21:44Em nenhum outro lugar, a reação a essas reformas antidemocráticas,
21:49onde mais ou menos foram implementadas,
21:52foi tão poderosa quanto está acontecendo em Israel.
21:56Eu acho isso muito importante ser visto.
21:58Ou seja, o grande inimigo das reformas antidemocráticas da extrema-direita
22:04é a sociedade civil.
22:05A sociedade civil que coloca essas reformas numa moldura de possibilidade ou não.
22:11E é essa sociedade civil que está desafiando os projetos de Bibi Netanel,
22:15que no seu cálculo percebeu que por ter uma maioria de 64 deputados
22:19e 120 no parlamento, poderia fazer o que quiser.
22:22Pois é, a sociedade civil entrou na sala
22:25e está decidindo pelo Bibi Netanel como e quando recuar.
22:29Incrível.
22:32Duda, Michel, Guermann, obrigada pela gentileza de vir ao Meio Dia em Brasília
22:35e lançar a luz sobre esse tema.
22:37Obrigada por estarem aqui com a gente.
22:39E as portas do Meio Dia estão abertas.
22:41O Duda já é de casa, já.
22:43Michel, primeira vez no programa, mas está aí sempre à disposição.
22:46Sempre que tiver um tema novo, a gente está aqui também
22:48para conversar sobre esse assunto.
22:49Obrigada.
22:50Conte comigo, Kis.
22:51Um abraço, Duda.
22:52Tchau.
22:52Um abraço, tchau.
22:54Um abraço, tchau.
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