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  • há 7 meses
Sergio Moro deve ganhar da União Brasil mais alguns limões. A vaga para disputar o Senado será entregue ao vereador Milton Leite, peça fundamental para o apoio da legenda a Rodrigo Garcia, que, ontem, se reuniu com poderosos empresários na mansão do advogado Nelson Williams, em São Paulo.

Todos reiteraram o compromisso em torno da reeleição do tucano, que aumentará progressivamente sua exposição pública nas próximas semanas.

Na prática, significa que o ex-juiz só terá apoio do partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Do lado de fora, a percepção é de que Moro, que sonhava com a Presidência da República, levou mais uma rasteira e apequenou-se de vez.

Como escrevi me fevereiro, ser deputado federal não é pouca coisa. Ulysses Guimarães nunca foi senador, governador ou presidente. Na Câmara, conduziu a elaboração da Constituição de 1988. Goste-se ou não do texto que ainda vigora, certo que o emedebista entrou para a história.

Moro já está na história como o juiz que conduziu a maior operação anticorrupção deste país. Como político, porém, é apenas um estreante pouco articulado. Tolice imaginar que seria carregado nos braços do povo até o Palácio do Planalto, como num passe de mágica.

Muitos apoiadores de Moro se sentiram traídos ao vê-lo, no lançamento da pré-candidatura de Luciano Bivar, sentado à mesa com ex-nomes das planilhas da Odebrecht e da JBS. Mas a eleição de Jair Bolsonaro e a posterior destruição da Lava Jato já mostraram como o sistema pode ser resiliente. 

Se Moro quer "fazer a coisa certa" na política, deve abraçar a candidatura a deputado e buscar atrair outros nomes qualificados, evitando servir como puxador de votos de personagens menores. Pode negociar desde já o apoio do partido ao comando de uma comissão estratégica, como a CCJ.

Na Câmara, o ex-juiz terá chance de se reconectar com a sociedade. A seu favor, ele tem a matemática. As intenções de voto do ex-ministro lhe dão poder político e financeiro para eleger entre 10 e 12 deputados, o que representa entre R$ 230 a R$ 300 milhões em fundo eleitoral. Não é pouca coisa.

Faça uma limonada, Moro.

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Transcrição
00:00Bom, o Moro tomou aí mais uma...
00:05Vai ganhar, na verdade, mais alguns limões do União Brasil
00:10para ver se ele faz uma limonada.
00:12Eu publiquei mais cedo a apuração minha de bastidor
00:14mostrando o seguinte, que ele vai ganhar da União Brasil mais alguns limões.
00:17A vaga para disputar o Senado será entregue ao vereador Milton Leite,
00:21que é peça fundamental para o apoio da legenda Rodrigo Garcia.
00:25Rodrigo Garcia ontem se reuniu com poderosos empresários
00:27na mansão do advogado Nelson Williams, em São Paulo.
00:29Nelson Williams que, na campanha de 2018, apoiou o Bolsonaro,
00:33reuniu muitos empresários em torno da candidatura de Bolsonaro.
00:38Bom, ontem eles reiteraram o compromisso aí de reeleição do Tucano,
00:43que vai aumentar progressivamente a sua exposição pública nas próximas semanas.
00:47Na prática, significa o seguinte, o juiz só terá apoio do partido
00:50para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
00:54Do lado de fora, a percepção de que Moro, que sonhava com a presidência,
00:57levou mais uma rasteira e apequenou-se.
01:00Como escrevi em fevereiro, ser deputado federal não é pouca coisa.
01:06Ulisses Guimarães nunca foi senador, governador ou presidente.
01:10Na Câmara, conduziu a elaboração da Constituição de 88.
01:13Gosto ou não do texto, que ainda vigora, certo é que o MD Bista entrou para a história.
01:19O que eu quero dizer com isso?
01:20Já tem gente achando que eu estou comparando Ulisses a Moro.
01:22Isso chama analfabetismo funcional.
01:25Eu estou aqui citando um personagem histórico para dizer que o político faz o tamanho do cargo também.
01:31Então, não importa se é senador, se é deputado, se é vereador.
01:34Se ele fizer um bom mandato, se ele se desafiar, desafiar o sistema, se ele trouxer boas propostas,
01:41se ele soubesse articular, ele pode entrar para a história também.
01:44O Moro já entrou para a história como juiz, que conduziu a maior operação de corrupção desse país.
01:49Agora, como político, é apenas um estreante pouco articulado.
01:54Tolice imaginar que seria carregado nos braços do povo até o Palácio do Planalto,
01:58como num passe de mágica, como eu sempre avisei aqui.
02:00Muitos apoiadores de Moro se sentiram traídos ao vê-lo no lançamento da pré-candidatura de Luciano Bivar,
02:06que você acompanhou isso, sentado à mesa com ex-nomes das planilhas da Odebrecht e da JBS.
02:11Mas a eleição de Jair Bolsonaro e a posterior destruição da Lava Jato
02:14já mostraram como o sistema pode ser resiliente.
02:17Se Moro quer fazer a coisa certa, como ele diz, na política,
02:22deve abraçar a candidatura a deputado, na minha opinião,
02:25e buscar atrair outros nomes qualificados,
02:28evitando servir como puxador de votos de personagens menores,
02:31como o Kid Bengala, que é um dos candidatos do União Brasil por São Paulo.
02:36Pode negociar desde já o apoio do partido ao comando de uma comissão estratégica também como a CCJ,
02:41embora, claro, isso seja ainda uma coisa bastante distante.
02:45Na Câmara, o ex-juiz naturalmente terá a chance de se reconectar com a sociedade.
02:51A seu favor, ele tem a matemática, as intenções de voto lhe dão poder político e financeiro
02:56para eleger de 10 a 12 deputados, o que representa entre 230 a 300 milhões de um fundo eleitoral.
03:01Não é pouca coisa, faça uma limonada.
03:05A gente sabe que, claro, o eleitor, o voto hoje do Moro não é automaticamente transferido.
03:15Ele do Moro, senador, do Moro, presidente, não é automaticamente transferido para o Moro, deputado.
03:19Mas ele ainda ostenta, inclusive em pesquisas internas, um apoio muito significativo, intenções de voto significativas.
03:30E, claro, o eleitorado paulistano, dentro das opções a deputado federal, certamente vai votar no Sérgio Moro.
03:38Isso coloca uma questão muito simples, né, Wilson? A política não é para amadores.
03:50Não, definitivamente a política não é para amadores.
03:54Isso ficou absolutamente claro desde 2018, sabe?
03:58A bancada bolsonarista eleita na Câmara imaginou que ia fazer o que acontecesse e foi literalmente tragada
04:05pelo central e pelos deputados, que são um pouco mais antigos.
04:10Mas, Cláudio, você fez no teu artigo?
04:14Eu acho que é um raciocínio absolutamente correto.
04:18Eu comparo um pouco a política, sabe, Cláudio?
04:21E aí alguns espectadores vão, talvez, concordar.
04:24A política, às vezes, é como a carreira de um piloto ou de um jogador de futebol, sabe?
04:30Mas eu gosto de comparar com a carreira de um piloto de Fórmula 1, sabe?
04:34O camarada começa no CART, passa por uma Fórmula menor, chega a Fórmula 2 até chegar na Fórmula 1, né?
04:40Quando você tem aí na boa base.
04:43O Moro, pelo seu trabalho como juiz, foi catapultado, né, literalmente, das categorias de base
04:50diretamente para uma candidatura à presidência da República.
04:52E essa, basicamente, essa possibilidade de ele começar a entender o trato legislativo
05:01e ver como a coisa funciona, né, e tentar ali administrar, principalmente, o ego de alguns colegas
05:08e podendo chegar na Câmara com uma força política importante para o União Brasil
05:16pode cacifrar, de fato, a rumos maiores nos próximos anos.
05:24É bom lembrar o seguinte, né, Cláudio?
05:262022 provavelmente vai marcar aí o final de um ciclo, né?
05:30tanto para o Lula quanto para o Bolsonaro, né?
05:33Então, apesar de ambos estarem ali despontando nas pesquisas,
05:38não se tem, no curto prazo, 2026 ou 2030,
05:43um eventual substituto ou alguém que possa substituir essa polarização.
05:48E aí, de fato, se você pensar no Moro, no curto prazo,
05:52numa candidatura de deputado federal, começando a trabalhar para 2026,
05:55você pode, sim, ter o caso de um Moro ocupando esse espaço
05:59que pode vir de um, pode vir de outro,
06:01justamente porque você não vai ter um cenário ali
06:03de renovação política de curto prazo.
06:06E aí
06:26Obrigado.
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