00:00A gente pergunta muito sempre ao forrezeiro o que é que ele acha de ter outros ritmos, né?
00:04E acaba virando até, acho que é uma pergunta que se faz todo ano.
00:07Mas ainda nesse cenário você me contou que a cultura não é estática e a gente precisa se reinventar para se comunicar com os jovens.
00:14Quando você pensa em repertório, como é que você enxerga o seu repertório, não necessariamente só em canções, mas em ritmos também?
00:23Passou pela sua cabeça em algum momento você adaptar um pouco, trazer coisas de outros cantores, de outros ritmos?
00:29Como é que você pensa o seu repertório dentro desse cenário?
00:31Porque a gente fala muito de quem não é forrozeiro e traz forró.
00:34Mas de quem é forrozeiro? Pensa em outros ritmos?
00:36Sim, essa é uma pergunta super pertinente, super necessária até.
00:41A ideia da mudança, da atualização, ela foi uma constante inclusive pelo Luiz Gonzaga.
00:47Luiz Gonzaga criou o forró no formato, com alguns instrumentos.
00:50Mas aí não existia sete portas, tinha cavaquinha, tinha bandeiro.
00:55E ele definiu depois que o formato definitivo entre aspas seria sanfona, zabumba e triângulo.
01:03Para a nossa sorte é um emblema que até hoje se você vier com uma pessoa com uma sanfona,
01:08um cara com zabumba e outro com triângulo, em qualquer canto do mundo,
01:11você vai dizer, ó, forró está ali, está acontecendo.
01:13Podem estar tocando jazz, podem estar tocando outra coisa, mas a gente vai remeter o forró.
01:17Daí, a minha preocupação é, a minha música deve ser moderna, porque ela precisa comunicar com os jovens.
01:26Eu acho que o que eu digo, eu tenho uma responsabilidade muito grande com o que eu digo nas minhas músicas.
01:32Empresto a minha voz para algumas causas importantes, né?
01:35E eu acho que isso também é um papel nosso.
01:37Tento acompanhar essa coisa do que o jovem está querendo construir, desde que isso não me motive.
01:47Porque eu não posso abrir mão de uma coisa com a qual eu me identifico, de uma tradição, já que eu faço essa defesa.
01:54Eu não me sentiria confortável de ter que jogar fora tudo o que eu me identifico e sinto fazendo, né?
02:01Eu me sinto bem, é um orgulho muito grande fazer forró.
02:04Então, eu vou mesclando, claro que eu vou me atualizando.
02:07Tem umas batidinhas que entram ali, mas não falta sanfonas, abundo e triângulo, que eu acho que são elementos fundamentais.
02:13E também a essência do meu show é o choque, é o chachado, é o coco, é o arrastapé.
02:19Eu gravei uma música que não sai do meu repertório desde que eu gravei, que se chama Forró com Tchan.
02:23Eu gravei com o Tchan. E é um coco. E eu acho que a mistura faz parte.
02:28Está certo, eu gravei com o Saulo, com tanta gente de uma Elânia, com tanta gente boa.
02:33E misturar não é o problema.
02:36Eu acho que o problema é quando você resolve que você vai fazer uma outra coisa porque está na moda.
02:43E aí você sacrifica toda uma história.
02:46Você tira os elementos importantes, vai para o apelo de dizer aquilo que você acha que as pessoas querem ouvir.
02:53E com todo respeito às pessoas que me acompanham, eu não vou dizer o que as pessoas querem ouvir.
02:58Eu vou dizer o que eu acho que é pertinente e que é necessário instigar reflexões e dizer o que eu acho que é bacana.
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