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  • há 18 horas

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Transcrição
00:00Estamos aqui com o Marcos Gêmeos, que é presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia.
00:04Marcos, bom dia, obrigado por falar com a gente.
00:06Primeiro, explica pra gente como é que está essa situação, desde março desse ano,
00:10a Clivan está aí com os serviços parados por conta dessa situação, envolvendo essa clínica.
00:16Como é que está essa situação, primeiro, desde lá até aqui, o que é que vocês sabem com relação a
00:21isso?
00:22O que é que vem sendo feito com relação a essa situação?
00:25Olha só, são 62 dias que familiares, também pacientes, passaram por aqueles momentos que a gente considera que são momentos
00:33de terror,
00:34pessoas que entraram na esperança de fazer um procedimento, um procedimento que a expectativa era de sucesso,
00:41mas que parte dessas pessoas saíram de lá sem a visão.
00:44E a partir daí, os relatos que a gente tem, é de que foram momentos de sofrimento,
00:49um momento onde as famílias que estão precisando, estão arcando com as despesas,
00:54sem nenhum tipo de contato com a Clínica Crivan, e que o processo ainda está em investigação.
01:00O que a gente sabe é que só tem, até o momento, uma faixa lá na frente da clínica, dizendo
01:06que está interditada.
01:07Mas do ponto de vista, assim, do acolhimento dessas pessoas, do ponto de vista de poder estar dando a assistência
01:14humanizada,
01:14inclusive com alguns aspectos, não só do acompanhamento da saúde mental dessas pessoas,
01:20a gente não tem visto isso, e aí essa reunião hoje com a Defensoria e também com pacientes, com familiares,
01:27é para que a gente possa, de fato, também aumentar e ampliar esse caminho de buscar resposta.
01:33Não dá para as coisas estarem caminhando para impunidade.
01:36São 13 pessoas aí que perderam a visão, mais uma pessoa com um caso muito grave,
01:41mas além disso, foram 14 pessoas que perderam a visão, pronto, aí já atualizou esse número, né?
01:46São 14 pessoas que perderam a visão, é um número ainda maior do que o que a gente já tinha
01:50nesse balanço,
01:52mas foram outros casos também de pessoas que correram o risco de ter uma lesão grave,
01:56a gente encontrou outras pessoas que não estão com lesões graves, mas também estão com dificuldade após esses procedimentos.
02:02Como é que está a assistência a essas pessoas? A clínica tem se posicionado com relação a isso?
02:07A Secretaria Municipal de Saúde também tem algum tipo de informação com relação a como ser cuidado
02:12no caso dessas pessoas ou realmente é uma situação muito delicada nesse momento?
02:16Olha só, a gente até tentou buscar a resposta junto à Secretaria Municipal de Saúde de Salvador
02:21e a resposta que a gente recebeu é que o processo está seguindo em sigilo.
02:26Processo esse que até o momento, o que a gente tem de relato dos familiares,
02:30e a gente aqui está com dois familiares que vão poder falar sobre isso,
02:34é de que não houve sequer um contato dos responsáveis da clínica para poder dar algum nível de assistência.
02:40As pessoas estão tendo que arcar com transporte, com alimentação,
02:44inclusive já tem já clínicas e serviços ligando para as pessoas tentando vender procedimentos,
02:49que seria um procedimento de reabilitação e de que deveria ser responsabilidade da clínica.
02:55Dizer também que às vezes a desculpa que estão usando, ou eu diria que é o argumento que querem usar,
03:02é que foi por conta de que foi um mutirão.
03:05Nós do Conselho Estadual de Saúde consideramos que até falar que foi num mutirão,
03:11não significa que as pessoas precisam ser maltratadas lá,
03:15que as pessoas precisam ser torturadas ou que o serviço tem que ser de má qualidade.
03:18Não, até de falar isso de que foi num mutirão, numa tentativa de fugir com a responsabilidade,
03:24levar uma ideia de má qualidade, isso é desumano com as famílias, isso é desumano com os pacientes.
03:29E o que a gente quer, e aí a gente começa com essa reunião com a Defensoria Pública,
03:34vamos ter também uma reunião com o Ministério Público logo, logo,
03:37para que de fato a gente resuma essa andada aí com a palavra chamada justiça.
03:42Só para a gente finalizar, hoje tem essa reunião que o senhor citou agora,
03:46que vai acontecer aqui com a Defensoria Pública, qual a expectativa que vocês têm com relação a isso?
03:50Qual é o tipo de debate que vai se ter aqui hoje para que essas famílias possam ser amparadas?
03:55Olha só, primeiro que a gente enxerga que será o primeiro momento que as famílias e os pacientes serão ouvidos
04:00de fato,
04:01que eles deixarão só de ser notícias, deixarão só de ser números,
04:04e serão pessoas que poderão falar com um órgão importante que é a Defensoria,
04:08e que também a nossa expectativa é buscar que todo mundo saia um pouquinho assim da linha de conforto,
04:14da ideia de estar esperando ainda a investigação, de que tem pessoas que estão em sofrimento e que precisam de
04:20cuidado.
04:20Então a nossa expectativa é que a Defensoria já saia daqui, podendo tomar ações,
04:25que são ações que a gente considera necessárias para reparar o dano a essas pessoas,
04:31para que minimizem, já que tem sequelas que serão para toda a vida,
04:35mas que as pessoas não foram buscar sofrimento, elas foram buscar nas suas vidas a correção,
04:41foram buscar cuidado e um tratamento humanizado e não foi isso que aconteceu lá.
04:45Então a gente pede a toda a sociedade baiana, a gente pede aos órgãos de controle, Defensoria, Ministério Público,
04:51a todas as pessoas, ao secretário municipal que tenha sensibilidade.
04:55Secretário, tenha sensibilidade porque a gente está falando de pessoas,
04:59não são números, não são 14 que ficaram sem a visão,
05:03são 14 pessoas que tiveram uma interrupção aí na trajetória de vida delas.
05:09Obrigado, Marcos. Bom dia.
05:11Estamos aqui com a dona Eronildes Brito.
05:14Dona Eronildes, bom dia. Obrigado por falar com a gente.
05:16A sua mãe, a dona Maria, está sem a visão depois desse mutirão aí da Clivam,
05:22essa clínica que está envolvida nessas diversas situações aí de casos oftalmológicos.
05:27Conta para a gente como é que está a situação da sua mãe, como foi receber essa notícia,
05:32como é que tem sido esse processo ao longo desses dias envolvendo sua mãe.
05:36Bom dia. A situação da minha mãe está muito delicada.
05:40Ela vem sofrendo muito, afetou psicologicamente muito, muito a vida da minha mãe e dos familiares.
05:50Tem causado danos também na família, porque assistir de perto uma pessoa que tinha sua autonomia,
05:57superar sua vida superativa, sair de casa em busca de melhora,
06:02para ter uma qualidade de vida melhor, enxergar melhor e voltar cega.
06:06Porque ela não está enxergando, não tem esperança de enxergar,
06:11mas está sendo muito difícil.
06:13Muito difícil, muito difícil. E a gente tem trabalhado muito entre família para tentar melhorar o quadro psicológico dela,
06:21que não é fácil. Ela hoje vive na dependência de cuidados.
06:25Nós, familiares, estamos com esse cuidado de fazer as coisas para ela, porque ela tinha a vida dela ativa.
06:32Parou de fazer as atividades físicas dela, de cuidar das plantas dela, dos bichos dela que moram no interior.
06:37E virou uma pessoa totalmente dependente.
06:41E o mais assustador de tudo isso é que, diante de todos esses fatos, desse crime que aconteceu dentro da
06:48Clivan,
06:49porque os pacientes, desde o momento da cirurgia, relataram dores.
06:54A gente, ao certo, não sabe o que foi que eles fizeram com os nossos familiares.
06:58E não tem nenhuma assistência. A Clivan simplesmente calou.
07:01Não entrou em contato com nenhum familiar para oferecer ajuda.
07:06Omissão total de assistência às famílias.
07:10Temos familiares passando necessidade.
07:14Tem uma paciente que teve o olho removido.
07:18Uma pessoa com 54 anos.
07:19Ela vai estar hoje aqui com a gente, na reunião com a Defensoria Pública.
07:24E ela fazia faculdade de enfermagem.
07:27Ela trabalhava como cuidadora de idoso.
07:30Hoje ela está debilitada, vivendo de favores de amigos e familiares.
07:35Então, assim, é humilhante.
07:37Humilhante a pessoa ter que depender financeiramente de uma vida ativa
07:40e depender financeiramente de outras pessoas,
07:43porque foi atrás de melhor qualidade de vida e voltou cega, deficiente.
07:50E ninguém responde por isso.
07:52Ninguém acolhe essas famílias.
07:54Em nenhum momento vocês conseguiram contato com a Clivan,
07:56nesse período, desde que a clínica foi interditada?
07:58Então, o contato que teve foi só nos primeiros dias
08:05para mandar pacientes para ir para o HGE,
08:08onde teve aquele episódio todo que o pessoal perdeu o globo ocular.
08:13E a Secretaria Municipal de Saúde interditou a clínica no dia 2 de março
08:17e aí regulou os pacientes para o Santa Luzia e daí não teve mais assistência da clínica.
08:25E nem contato, nenhuma manifestação.
08:28Eu tenho cobrado muito também da Secretaria Municipal de Saúde, a SMS,
08:32porque se a clínica tinha um alvará de licença,
08:36atendia com a licença da prefeitura,
08:39o episódio aconteceu na clínica,
08:40então é responsabilidade dela com a vida desses pacientes.
08:44Eu tenho cobrado atendimento psicológico
08:46e o que eu tenho ouvido da assistente social, que não é demanda dela.
08:51Cobrei do coordenador da Secretaria Municipal,
08:55ele ficou de ver com o setor responsável,
08:59até hoje não me deu um retorno,
09:00e as famílias vão ficar esperando isso até quando, sabe?
09:05É uma sensação de impunidade muito grande.
09:07E isso afetou a vida de todas as pessoas,
09:10porque eu mesma parei de trabalhar,
09:12porque eu tive que dar assistência para minha mãe,
09:14para estar acompanhando a médico, sabe?
09:18Nos cuidados, ajudar familiares.
09:20E financeiramente está puxado para todo mundo, né?
09:24São colírios, são muitos colírios,
09:26são medicamentos antibióticos,
09:29diários que tem que usar,
09:30e às vezes a gente tem que recorrer a familiares
09:33para arcar com esses custos,
09:36porque até o momento a justiça não culpabilizou ninguém,
09:40nem exigiu que alguém tomasse esse cuidado
09:43de dar essa assistência para as vítimas.
09:46Qual a expectativa para essa reunião que vai acontecer hoje?
09:48O que vocês esperam com relação a isso?
09:51Tem um quê de esperança também nessa primeira reunião
09:53que vai acontecer hoje?
09:54A nossa esperança hoje aqui é que a defensoria
09:57pública, né?
10:01Consiga entender com sensibilidade
10:04a situação de todos esses pacientes,
10:06todos esses familiares,
10:07e junto ir buscar por justiça para que não caia na impunidade,
10:10porque isso não foi um caso pontual,
10:13já é uma eventualidade.
10:15Hoje vamos ter aqui na reunião também
10:17pacientes de datas anteriores,
10:19desde 2021,
10:21o pessoal conseguiram me alcançar,
10:22e aí eu lidero esse grupo também de pessoas,
10:26dessas vítimas que também estão recorrendo
10:28atrás dos seus direitos, né?
10:30Por justiça,
10:32porque também perderam a visão em datas anteriores.
10:34Então a gente está assim,
10:36a nossa esperança é que a defensoria pública
10:39consiga achar uma solução para ajudar
10:42essas vítimas e trazer uma resposta, né?
10:45Para todo mundo, trazer um acolhimento
10:47para reduzir esse impacto,
10:48porque tem pessoas que vão precisar de prótese ocular,
10:51até hoje a gente não sabe
10:52de quem vai ser a responsabilidade.
10:54A Secretaria Municipal de Saúde
10:56relatou que os pacientes não vão fazer parte
10:59da fila do Instituto de Cegos,
11:01que já está há mais de um ano sem prótese,
11:04e que é responsabilidade dela
11:06que vai dar essa prótese para os pacientes,
11:08mas não tem nada documentado,
11:10não é nenhuma certeza.
11:11E a insegurança dos pacientes é tamanha,
11:14tem familiares que já estão fazendo orçamento,
11:16porque já foram procurados profissionais
11:19oferecendo essas próteses.
11:21E as pessoas hoje não têm dinheiro nem para comer,
11:23vai pagar uma prótese ou colar a cara,
11:26fora da realidade, né?
11:28Não tem condições, não tem.
11:31E aí a gente entrou em contato com,
11:33também pediu ajuda do presidente
11:35do Conselho Estadual de Saúde
11:36para trabalhar junto com a gente
11:39nessa luta por justiça, né?
11:43Porque a gente quer justiça,
11:44a gente quer que os responsáveis sejam punidos,
11:47porque não é justo,
11:48a clivão está fechada,
11:49mas os médicos continuam atuando em outros lugares.
11:53Se ele está envolvido num crime
11:55que está sob investigação,
11:57ele deveria estar também sem trabalhar,
11:59porque a vida dos familiares pararam,
12:00das vítimas pararam.
12:02E é justo os profissionais
12:04que fizeram essa barbaridade
12:05continuar com a sua vida normal
12:07como se nada tivesse acontecido?
12:09Não é, né?
12:11Obrigado, Eroniz. Bom dia.
12:14Dona Edni, bom dia.
12:15Obrigado por falar com a gente.
12:16Traz o seu relato do início da situação até aqui,
12:19o que aconteceu de fato com o seu pai,
12:21como é que ele se encontra,
12:22o que vocês têm vivenciado nesses dias
12:25desde que a clínica foi interditada
12:26e desde o procedimento também,
12:27e depois, o que a senhora pensa
12:29para a reunião que vai acontecer hoje.
12:30Bom dia.
12:31Bom dia.
12:33O relato é muito doloroso,
12:35muito sofrido, né?
12:36Que meu pai passou diante da clínica.
12:38Ele, no dia 26, saiu em busca
12:40de uma melhora para a visão dele, né?
12:43E no ato da cirurgia,
12:45ele já sentiu dor.
12:46Ele chegou para fazer a cirurgia
12:48e a todo instante ele falava
12:50que estava sentindo dores, né?
12:52Falou para o médico,
12:53mas ele não teve,
12:54não foi ouvido em nenhum momento.
12:56E após sair da cirurgia,
12:58que chegou em casa,
12:59só foi dor.
13:00Sofrimento, muita dor,
13:02dores de cabeça,
13:03pressão alta constante.
13:04E isso foi o resultado
13:06de uma cirurgia de catarata.
13:07Algo simples, né?
13:08Que a pessoa sai de casa para fazer
13:09na expectativa de melhorar.
13:11E ele não teve,
13:12não teve melhora.
13:13Ele teve o olho extraído,
13:15ele perdeu a visão do olho dele direito,
13:17ele se encontra cego.
13:19Depois de 62 dias,
13:20meu pai saiu de casa ontem,
13:22porque a pessoa não tem sua vida mais,
13:24não voltou à vida normal
13:25e não tem como voltar.
13:27E ainda mais com essa sensação
13:28que a gente tem hoje
13:28de que ninguém responde,
13:30nenhum órgão público,
13:31nem a clínica,
13:32não tem assistência de ninguém.
13:34E a minha expectativa hoje
13:35é exatamente essa,
13:36de justiça,
13:37de que os pacientes
13:38possam ser ouvidos,
13:39que possam ser acolhidos
13:41de forma justa e verdadeira,
13:43diante dessa atrocidade
13:44que aconteceu na clínica Clivam.
13:47O que a senhora espera
13:48para essa reunião de hoje?
13:49É um primeiro passo para vocês aí
13:51que estão desassistidos, né?
13:52Vocês não têm recebido assistência
13:54nem da clínica,
13:55nem dos órgãos públicos também.
13:56Qual a sensação que a senhora tem
13:58para essa reunião
13:58que vai acontecer logo mais hoje?
13:59A nossa sensação é de que
14:01alguém venha nos ajudar, né?
14:03Como as portas se abriu
14:04diante do conselho de Marco Gênio,
14:07que é o conselheiro do SUS,
14:10que ele possa nos ajudar
14:11a trazer orientação,
14:12porque em nenhum momento
14:14a gente foi acolhida
14:15e hoje a nossa expectativa é essa,
14:16de que a justiça seja feita
14:18em prol dos pacientes,
14:19dos nossos familiares, né?
14:21Obrigado.
14:22Bom dia.
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