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Transcrição
00:00Vamos começar.
00:01Então, nessa ação penal 505-49-32-38, depoimento da Sra. Mônica Regina Cunha Moura.
00:10Sra. Mônica, agora nós estamos gravando, foi informado há pouco pelos seus defensores
00:16que haveria um acordo de colaboração celebrado com o Procurador Geral da República e que
00:20foi melegra pelo Supremo.
00:22É isso mesmo?
00:23É isso, é isso.
00:25Perfeito.
00:25Perfeito. A senhora está sendo acusada de um crime, em condições normais a senhora
00:30teria direito ao silêncio, mas como a senhora celebrou esse acordo, a senhora renuncia
00:35a esse direito ao silêncio. E, igualmente, a senhora assume o compromisso de dizer apenas
00:39a verdade perante a justiça. É isso mesmo?
00:42Está bem, é isso mesmo.
00:44Excelência pela ordem, então.
00:46Certo.
00:46Formula aquela contradita de estilo, vou me poupar, não reprisar, porque a senhora conhece
00:51o teor, nós julgamos inconstitucional ou parágrafo católico do artigo 4º, então fica consignada
00:55a contradita tanto da interrogana Mônica quanto do interrogando João, que virá na
01:00sequência.
01:01Perfeito. Então, eu vou tomar também a liberdade de fazer remissivas ou indiferimento, fica
01:06registrado, evidentemente, a contradita, mas a posição do juiz já é conhecida e é
01:10a lei expressa que assim determina.
01:12Pela lei 2850, a senhora, então, tem o compromisso de dizer a verdade, como se a senhora depusesse
01:18aqui como testemunha, e se a senhora mentir nesse processo, a senhora responde criminalmente
01:23pelo que a senhora mente. Além da senhora perder o seu acordo, certo?
01:27Certo.
01:28Queria deixar bem claro à senhora também que o que interessa à justiça é apenas a
01:32verdade dos fatos, nada para ser excluído e também nada para ser exagerado.
01:37Está bem.
01:37Perfeito?
01:38Ok.
01:40Senhora Mônica, primeiro algumas perguntas mais genéricas. A senhora trabalha com o senhor
01:45João Santana há quanto tempo?
01:46Nós trabalhamos juntos na Polis Propaganda, que é a nossa agência, há 15 anos.
01:5215 anos. Além do relacionamento profissional, a senhora também tem um relacionamento amoroso
01:57com o senhor João Santana?
01:59Nós somos casados, vivemos juntos há 18 anos.
02:0318 anos. Nas atividades, ou melhor, nas atividades da Polis Propaganda, o que basicamente
02:09se faz ali?
02:11Basicamente marketing político, doutor. Nós fazemos apenas a parte de comunicação de campanhas
02:15políticas.
02:17Em outros depoimentos, a senhora mencionou, salvo engano da minha parte, que a senhora
02:21cuidava mais da parte financeira.
02:24Exatamente. Eu cuido de toda a parte operacional, cuidava de toda a parte operacional e financeira
02:27da empresa.
02:30E o senhor João Santana?
02:32A parte criativa, estratégia, política das campanhas, das comunicações.
02:37Mas ele também tinha ciência da movimentação financeira em geral?
02:41Tinha, tinha. Tudo que eu fazia, eu me reportava a ele, óbvio, como...
02:45Ele era o meu chefe, apesar de sócio, ele era sócio majoritário e eu me reportava
02:52a ele sempre para todas as decisões. Ele sabia de tudo.
02:56Nessas atividades da senhora, da sua empresa, nessa atividade de marketing político, a sua
03:04empresa, a senhora ou o senhor João Santana receberam pagamentos que não foram contabilizados?
03:09Sim.
03:10Isso de uma maneira frequente ou isso foi ocasional?
03:13Frequente, doutor.
03:14Todas as campanhas políticas que nós fizemos, todas da Polis e antes da Polis, quando eu
03:20era apenas uma funcionária de outras campanhas, de outros marqueteiros, tivemos, sempre trabalhamos
03:26com Caixa 2, com recursos não contabilizados, em todas as campanhas.
03:31Recebiam também pagamentos contabilizados?
03:33Sim, sim, sempre.
03:36Saberia me dizer, assim, a proporção? A maioria era não contabilizada? A maioria era contabilizada?
03:43Doutor, veja bem, no início, logo, muito tempo atrás, a maioria era não contabilizada,
03:50porque isso era sempre uma exigência dos partidos, sempre. Eu creio que não só para
03:54a gente, acho que para todos os marqueteiros. Não acredito que exista um marqueteiro que
03:57trabalhe no Brasil fazendo campanha só com Caixa 1. Não acredito que exista.
04:02Todos trabalham com Caixa 2. E era uma exigência dos partidos que tivessem sempre a maior parte
04:08em Caixa 2. E com o tempo, ao longo dos anos, nós fomos conseguindo, nós que eu digo, eu e o João,
04:14eu posso dizer que isso foi uma luta árdua e frequente, nós fomos conseguindo aumentar o percentual.
04:19Na última campanha, nós tivemos um valor maior de Caixa 1 do que o de Caixa 2.
04:25Quer dizer, foi aumentando, foi aumentando ao longo do tempo o valor contabilizado.
04:30Como eram recebidos esses valores não contabilizados?
04:34Em dinheiro, Caixa no Brasil e em depósitos no exterior. Das duas formas.
04:42Sobre depósitos no exterior, era utilizada alguma conta no exterior?
04:46Sim, uma conta... O João tinha uma conta de um offshore na Suíça.
04:53Qual que era o nome dessa offshore?
04:54Shell Bill Finance.
04:57E também eram recebidos valores em espécie no Brasil?
05:00Sim, também valores em espécie no Brasil.
05:01Como que se procedia, por exemplo?
05:03Bom, era sempre... Essa parte não contabilizada sempre era acertada com o partido, o que seria por dentro, o que seria por fora, sempre no início da campanha.
05:18E depois o partido sempre dizia, bom, X desse valor a gente vai te pagar e X sempre tinha um colaborador, um doador que pagaria a outra parte.
05:29E das duas formas, sempre era dinheiro entregue em malas, em mochilas, em hotéis, em flats, em diversos lugares.
05:40E a senhora mesmo ia buscar ou a senhora usava os subordinados? Como é que funcionava?
05:44Durante muito tempo, só eu, até por uma questão de segurança, enfim, era sempre eu.
05:52Depois de algum tempo eu passei a usar um colaborador meu, uma pessoa que trabalha comigo há muitos anos, desde o início da polis.
05:59Ele passou a fazer comigo também.
06:03Esses valores que eram recebidos em espécie, o que era feito com eles após o recebimento?
06:08Eles circulavam em alguma rede bancária? O que era feito com eles?
06:12Bom, eram feitos pagamentos relativos às campanhas.
06:16Esse dinheiro, essa parte do dinheiro que era recebido no Brasil sempre era para gastos.
06:20Porque a gente tinha, assim como a gente recebia em caixa 1 e caixa 2, a gente também gastava em caixa 1 e caixa 2.
06:27Tinha que ser, não tinha como.
06:30Então, a parte de dinheiro que a gente recebia no Brasil era sempre gasta com despesas de campanha.
06:35Todo tipo de despesa.
06:37Uma campanha no Brasil, uma parte...
06:39Eu estou falando da parte que nós fazemos a campanha.
06:41A gente só faz a parte de comunicação.
06:43TV, rádio, internet, toda a parte que engloba o marketing da campanha.
06:47É um trabalho caro, é um trabalho realmente muito, muito...
06:50Envolve muita gente, muito fornecedor.
06:54E era gasto, era sempre gasto.
06:56Mas era pago em espécie, em depósito?
06:59Ou como é que era feito?
07:00Das duas formas.
07:01Muitas vezes, a maioria das vezes, era pago em espécie.
07:04As pessoas, os fornecedores, iam também receber em lugares combinados em espécie.
07:09Mas, algumas vezes, doutor, já aconteceu algumas vezes da gente fazer depósito para alguns fornecedores
07:14que pediam que fizesse depósito em conta.
07:16Eles davam o número de conta.
07:17Às vezes, várias contas, não só uma, para fazer depósitos menores.
07:21Aconteceu das duas coisas.
07:23Os valores que eram pagos lá fora, nessa conta, a Shell Bill, o que era feito com esses valores?
07:29Esse dinheiro que foi para a Shell Bill, ao longo desses anos todos, nunca foi muito mexido.
07:34A gente não utilizava...
07:36Fora algumas despesas nossas, pouquíssimas despesas particulares, que a gente, às vezes,
07:41usava alguma coisa dessa conta.
07:43Ou, às vezes, também usava esse dinheiro para despesas em campanhas no exterior,
07:47que a gente fez muita campanha no exterior.
07:49Então, às vezes, a gente começava num país onde eu não tinha recebido nada ainda,
07:53não tinha recurso para instalar uma campanha, que é a parte mais cara, a instalação de tudo.
07:59O aluguel da casa, a montagem da produtora, equipamento, enfim, toda a estrutura que tem que montar
08:03para fazer uma campanha.
08:04Então, às vezes, eu mandava, eu pedia dinheiro da Suíça para que eles mandassem para onde eu estivesse
08:10e eu recebia lá, em doleiros, no país onde eu estivesse.
08:14Certo.
08:16O Grupo Odebrecht, a sua empresa, a senhora, o senhor João Santana, tiveram relacionamento com o Grupo Odebrecht?
08:21Sim, sim, bastante.
08:27Fizeram campanhas para o Grupo Odebrecht, tendo ele, vamos dizer, como destinatário do serviço?
08:34Não, não, nunca.
08:35Receberam pagamentos do Grupo Odebrecht?
08:37Sim, sempre, em todas as campanhas, praticamente, que a gente fez no Brasil, não todas, mas em
08:44muitas delas recebemos, uma parte do pagamento era feita pelo Odebrecht.
08:48Esses pagamentos não eram contabilizados?
08:50Não eram contabilizados.
08:52Quem eram os seus contatos dentro do Grupo Odebrecht?
08:54O primeiro deles, que foi em 2006, foi quando iniciou o nosso relacionamento, foi o doutor
09:00Pedro Novis.
09:01O primeiro contato que eu tive foi com o doutor Pedro Novis.
09:05Depois disso, logo depois, acho que em 2008, se não me engano, logo depois, não me lembro
09:10bem, o senhor Hilberto Silva e o senhor Fernando Migliatti.
09:16Eram os meus contatos.
09:17Aí, claro, eu conheci também a Lúcia, a Maria Lúcia, a Ângela, mas os contatos,
09:23digamos, para acordar como é que seria o pagamento, quanto é que seria, onde.
09:29Era sempre com o início com o Pedro e depois com o Hilberto e que mandava o Fernando operacionalizar.
09:37Chegou a ter contato direto com o senhor Marcelo Odebrecht?
09:39Não, eu tive o meu único contato com o Marcelo antes da prisão foi em dois ou três eventos
09:46sociais que eu estive e que ele estava também.
09:49Eu conheci...
09:50Ah, não, eu tive um encontro com ele também um pouco antes de ser presa.
09:53Nesse processo em particular, foi apreendida uma planilha, não sei se a senhora já viu
09:57essa planilha.
09:59Sim, já.
09:59Mas eu posso lhe mostrar.
10:01O senhor advogado já lhe mostrou.
10:03Chama a posição Programa Especial Italiano, que segundo o que foi prestado depoimento
10:09aqui anteriormente, seriam pagamentos que o Grupo Odebrecht teria feito no interesse
10:17de agentes políticos do Partido dos Trabalhadores.
10:20Nessa planilha ali na parte de despesa, em 2008, eu tenho uma referência.
10:25Evento 2008, eleições municipais via feira.
10:3018 milhões.
10:35Foi declarado aqui para algumas pessoas que feira seria um codinome utilizado dentro do
10:42Grupo Odebrecht para identificar a senhora e o senhor João Santana.
10:46A senhora recebeu um montante de cerca de 18 milhões de reais em 2008 do Grupo Odebrecht?
10:55Sim, recebi.
10:56Eu não me lembrava exatamente o valor valorizado, mas deve ser isso mesmo, já que eles tinham
11:02em planilha.
11:03Recebi sim.
11:04Isso foi uma colaboração, uma doação que a Odebrecht fez para a campanha da Marta
11:10Suplicy, a Prefeitura de São Paulo, em 2008, que nós fizemos o marketing, e a campanha
11:15da senadora Gleice Hoffman, a Prefeitura de Curitiba, também em 2008.
11:20Eles colaboraram com as duas campanhas, pagando a gente, quer dizer, pagando o nosso trabalho,
11:24uma parte do nosso trabalho.
11:27Depois, esses valores foram pagos aqui no Brasil, no exterior, sabe me dizer?
11:31Eu não me lembro exatamente, mas eu acho que esses valores, 2008, eu acho que foram
11:37pagos todos no Brasil.
11:39Não me lembro se nesse ano teve transferência.
11:41Se eu recordar com precisão, a senhora não precisa.
11:43Tá, não me lembro com precisão.
11:44Depois conta ali, um evento El Salvador via feira, 5 e 300.
11:48Também recebi.
11:50Isso é correspondente ao quê?
11:52Sem precisar entrar em muito detalhe.
11:53Isso é correspondente a uma campanha que nós fizemos em 2009, do presidente Maurício
12:00Funes, de El Salvador.
12:02A Odebrecht pagou uma parte do nosso trabalho.
12:05Mas qual, havia alguma relação a essa, dessa campanha, desses gastos, pagamentos com agentes
12:10do Partido dos Trabalhadores?
12:11Sim, essa campanha foi um pedido do presidente Lula para que o João fizesse essa campanha.
12:17Eles tinham interesse que o partido de esquerda, o partido de esquerda ganhasse essa eleição.
12:2320 anos de democracia nesse país até então, a direita sempre ganhou todas as eleições.
12:27E esse foi o primeiro candidato de esquerda que ganhou a eleição em El Salvador.
12:31Então, foi um pedido do presidente Lula, diretamente ao João, através do Gilberto Carvalho,
12:35que o João fizesse essa campanha.
12:37E depois ficou acordado que o PT arcaria com a parte das despesas, para que a gente fosse
12:45para lá, fizesse essa campanha em El Salvador, que o PT arcaria com a parte do nosso pagamento.
12:50E depois me foi informado que quem pagaria seria o Odebrecht.
12:53Quando você está mais adiante, lá já em 2011, vamos dar um salto aqui, uma referência.
13:01Feira, atendido 3.5 de fevereiro a maio de 2011, saldo evento 10 milhões aqui de reais.
13:09Sabe me dizer se houve algum pagamento à senhora, ao senhor João Santana, que corresponde a esse lançamento específico?
13:22Sim, sim, doutor.
13:24Na verdade, os valores aqui e esses detalhes que eles anotam, 3.500, isso eu não me lembro exatamente.
13:29Mas que em 2011, a Odebrecht pagou uma parte que eles tinham combinado para pagar comigo, para mim, da campanha da presidente Dilma em 2010.
13:42Então, eles pagaram uma parte em dinheiro no Brasil durante a campanha e pagaram uma parte na Shell Bill no ano seguinte.
13:50Eles pagaram logo em 2011, eles saldaram em vários depósitos um valor que ficou, que eles tinham acordado que iam pagar e eles pagaram esse valor na Shell Bill.
14:01Esse não é correspondente ao lançamento seguinte, ali, feira, pagamento fora 10 milhões?
14:06É, então, eu sei que foi pago para a gente em 2011 10 milhões de reais, que foi 4 milhões e poucos mil dólares, na nossa conta Shell Bill,
14:16que era referente a esses 10 milhões que a Odebrecht tinha se comprometido a pagar, uma parte do que ele tinha se comprometido a pagar.
14:22Aí, eles anotam aqui várias coisas, vários detalhes que eu realmente não me lembro, de como, de quando, eu sei que eles pagaram em 2010 uma parte em dinheiro,
14:295 ou 6 milhões, não me lembro bem, em dinheiro, durante o período de campanha que eu precisava para as despesas e tal.
14:36E uma outra parte de 10 milhões de reais foi pago na Shell Bill logo no ano seguinte, eles fizeram vários depósitos em 2011.
14:43E por que pagar? A campanha já não tinha acabado em 2010? Por que pagar em 2010?
14:49Ah, acontecia frequentemente isso, doutor, sempre, sempre, quase sem exceção.
14:54Em todos os anos tinha assim, a gente fazia uma programação de pagamento de como seria.
14:59Eu fazia com alguém da Odebrecht, normalmente com o Fernando Migliatti ou com o Gilberto.
15:05E a gente fazia uma programação de pagamentos em dinheiro, nessa conta, de X parcelas de tanto.
15:12Nem sempre dava certo, a maioria das vezes não dava certo ao longo do...
15:15E ficava muita coisa para pagar depois. Às vezes, eles me avisavam até.
15:19Olha, esse valor aqui, eu só vou te pagar depois, não vou te pagar esse ano.
15:23Eu só vou te pagar ano que vem, tudo bem? Tudo bem, tinha que aceitar, então pagava no ano seguinte.
15:27Quase todas as campanhas eu recebi no ano seguinte, da Odebrecht, o valor correspondente.
15:32Alguma coisa no mesmo ano e uma grande parte no ano seguinte.
15:35A denúncia se reporta a depósitos efetuados nessa conta Shell Bill,
15:40de cerca de 10 milhões de dólares em 2011 a 2012,
15:45que seriam provenientes de duas contas offshores,
15:50uma Crenfield e outra Innovation Research.
15:53A senhora se recorda desses nomes?
15:54Sim, me recorda.
15:56Como que a senhora teve contato na época com esses nomes?
15:59É, na verdade, assim, uma delas, eu me lembro bem, a Crenfield,
16:03porque em 2010 o Gilberto me pediu, exigiu, na verdade,
16:08que eu fizesse, a gente tinha que fazer um contrato
16:10para receber essa parte que iria para fora, essa parte desse dinheiro.
16:14Ele falou que já não dava mais para fazer depósitos lá fora sem contrato,
16:17que ele estava com dificuldades no banco dele, que ele trabalhava lá fora,
16:20e que precisava de um contrato.
16:22E a gente fez um contrato em nome dessa, eu assinei um contrato,
16:24que eu até avisei a ele, eu não posso assinar contrato pela Shell Bill,
16:27eu não sou dona, nem sequer procuração eu tenho do João,
16:30eu falei para ele, eu não posso assinar um contrato,
16:32ele falou, não, isso é um contrato de gaveta entre a gente,
16:34é porque o meu banco lá fora exige, mas não tem problema nenhum,
16:37você pode assinar.
16:37Eu assinei um contrato em inglês, nem sequer li, nem leio em inglês direito,
16:43e eu assinei um contrato com a Shell Bill e Cleanfield,
16:47justamente para ele fazer esses depósitos que ele fez depois de 2010.
16:53Então, eu me lembro bem desse nome da Cleanfield.
16:55A Innovation, eu não me lembrava bem do nome,
16:57só depois desse processo todo, é que eu vi várias vezes em jornais,
17:02que era da Odebrecht.
17:04Assinou outros contratos fora esses com a Cleanfield?
17:06Não, não, só isso.
17:08Relativamente ao grupo do Odebrecht?
17:10Não, só isso.
17:11A senhora tinha poder de movimentação dessa conta da Shell Bill?
17:16Não, oficialmente poder de movimentação não,
17:18mas o João, em determinado momento da nossa vida,
17:23a Alanice era ele, mas em determinado momento ele chamou o gerente dele da conta,
17:28no Brasil, e me apresentou e falou,
17:29olha, a Mônica, minha mulher, que toma conta da nossa parte financeira,
17:32tanto da empresa como da nossa vida,
17:33então, o que ela te pedir, você pode atender.
17:38Aí ele passou a atender meus pedidos quando eu precisava de alguma coisa,
17:42enfim, avisava ele que ia mandar,
17:44ah, vai chegar a tantos depósitos, assim, assim, assim.
17:46Nem sempre acontecia do jeito que era combinado,
17:48mas acabava chegando os depósitos.
17:50Então, esse tipo de movimentação eu fazia.
17:52Então, a senhora controlava a movimentação da conta?
17:54É, controlava dessa forma, sim, de certa forma, sim.
17:57Tem um processo aqui no evento 1, anexo 44,
18:00algum documento relativo a essas contas no exterior?
18:04A Shell Bill.
18:05Shell Bill.
18:06E tem um e-mail aqui de 19 de julho de 2011,
18:09que eu vou mostrar para a senhora, para a senhora dar uma olhadinha.
18:15Antônio era o gerente, Antônio Bravo era o gerente dessa conta.
18:18Esses depósitos que se reporta a planilha,
18:41que foram feitos em 2011 e 2012,
18:43pelo grupo Odebrecht, na conta Shell Bill,
18:46dizem respeito a despesas de campanha aqui no Brasil?
18:51Desses 10 milhões de dólares que tem nessa planilha,
18:54essas diversas transferências,
18:56uma parte, que é exatamente todos os depósitos de 2011,
19:00se referem à campanha da Dilma Rousseff em 2010,
19:03que é a parte que eu falei que eles pagaram em 2011,
19:06que se não me engano é 4 milhões e poucos mil dólares,
19:08que são esses 10 milhões que eu falei que o Odebrecht pagou.
19:11Mas em 2012 tem vários outros depósitos,
19:14que já é a colaboração da Odebrecht
19:16para a campanha do Haddad, que a gente fez em 2012,
19:19eles pagaram uma parte aí em 2012.
19:21Eles pagaram também uma parte da campanha da Venezuela,
19:24que não tem nada a ver com o Brasil,
19:25mas eles estão na Venezuela, são muito fortes lá,
19:27tem milhares de obras.
19:29E eles ajudaram o presidente Hugo Chaves,
19:31pagaram uma parte para a gente.
19:33E tem também uma parte pequena,
19:35mas tem da campanha do Patruzio Ananias,
19:36que a gente também fez nesse ano,
19:38que eles colaboraram também com uma pequena parte.
19:41Então, tem uma mistura de campanhas aí,
19:43que eu não sei identificar exatamente qual depósito é,
19:46exatamente referente ao quê,
19:48mas eu sei que em 2012 tem pagamentos de Patruzio Ananias,
19:53Haddad e Venezuela.
19:55Relativamente a esses pagamentos não contabilizados,
19:58que recebiam por campanhas eleitorais,
20:01relacionadas ao Partido dos Trabalhadores,
20:03a senhora tinha algum interlocutor financeiro
20:06dentro do Partido dos Trabalhadores?
20:08Sim, sempre o Antônio Palocci.
20:10Sempre o Antônio Palocci?
20:11Sempre, desde 2006, a primeira campanha que a gente fez,
20:16não é a primeira para o partido,
20:17mas a campanha da reeleição do presidente Lula,
20:19que foi em 2006,
20:20o meu interlocutor para discutir valores,
20:24enfim, negociar a campanha, foi o Palocci.
20:26Até 2012, 2014, ele já não estava,
20:29ele já não entrou.
20:30E, por exemplo, o João Vacari Neto?
20:34O Vacari, sim, eu tinha muito relacionamento com ele,
20:37porque ele era o financeiro, o tesoureiro, não sei o quê, do PT,
20:40então eu sempre estava me relacionando com ele também.
20:43A campanha de 2006, não, eu nem conheci o Vacari.
20:46A campanha da Marta, em 2008,
20:48eu acho que já tive relação com ele,
20:50que ele pagou uma parte.
20:52A parte por dentro era paga pelo partido,
20:54então eu sempre tinha, emitia nota, contratos,
20:56e era com ele.
20:57Mas relativos a esses pagamentos não contabilizados,
20:59eram o Palocci, era o Vacari ou alguma outra pessoa?
21:02A maioria das vezes era o Palocci.
21:04E algumas vezes outra pessoa?
21:05Algumas vezes o Vacari.
21:07E teve, por exemplo, na campanha da Marta, em 2008,
21:10teve uma pessoa que trabalhava com ela,
21:11que chamava Edson,
21:13eu até passei para vocês o nome,
21:14e acabo de me esquecer de novo,
21:16Edson, não sei o quê,
21:18que era uma pessoa que cuidava da parte financeira
21:20da campanha da Marta,
21:21mas ele me fez alguns pagamentos por fora também,
21:24poucos, mas fez nessa campanha de 2008.
21:26Se as empresas podiam fazer pagamentos
21:29por doações oficiais,
21:32por que essa opção por fazer pagamentos não contabilizados?
21:35De onde que vinha isso?
21:36De onde que surgia isso?
21:38Então, doutor, eu não posso explicar isso,
21:40porque isso para mim sempre foi um grande mistério no começo.
21:44Eu sempre perguntava,
21:44mas por que tem que ser assim?
21:46E de verdade, não estou dizendo isso aqui
21:48para me eximir de nada,
21:51mas a gente sempre tentou que as coisas,
21:53que fosse por dentro,
21:54por vários motivos,
21:55porque era mais fácil trabalhar,
21:57era mais simples,
21:57não tinha perigo,
21:58não tinha insegurança,
21:59não tinha nada que gerava o pagamento por fora,
22:03que era sempre muito complicado.
22:04Mas a explicação que nos davam
22:06era que o partido não podia,
22:07que a campanha não podia,
22:08uma campanha marketing é caro,
22:10sempre é caro,
22:11para ser bem feito é caro,
22:12não adianta dizer,
22:13ah, se faz campanha com pouquinho,
22:14se faz,
22:15mas desculpa,
22:15se faz campanha mal feita.
22:18Campanha bem feita,
22:19como qualquer coisa bem feita,
22:20como televisão bem feita,
22:21como novela bem feita,
22:22como filme bem feito,
22:23é caro,
22:24é muito caro.
22:24E o partido dizia,
22:25ah, a gente não pode pagar isso tudo por dentro,
22:27não tem teto,
22:28porque o TSE estipula,
22:30sempre tinha essa conversa.
22:32Então, no início,
22:32eu também não entendia,
22:33por que a empresa não pode pagar tudo por dentro?
22:36É porque o partido não podia aceitar,
22:38não podia receber toda aquela doação,
22:41que era, às vezes,
22:42era mais do que o dobro
22:45do que eles declaravam oficialmente,
22:47entendeu?
22:47Mas, então,
22:47essa conversa,
22:48se é que eu me entendi,
22:50e se eu não entendi,
22:51a senhora me corrija,
22:52essa conversa já se tinha,
22:54primeiro,
22:55com os agentes do próprio partido.
22:56Sim,
22:57a primeira conversa,
22:57esse primeiro acerto de valores
22:59e de como seria pago
23:01era sempre com alguém do partido,
23:03no meu caso,
23:04o Palocci.
23:05Inclusive,
23:05quanto ao fato do pagamento ser não contabilizado?
23:08Sim,
23:08era quando me diziam,
23:09quanto vai ser tanto?
23:10Aí sempre tinha a pechincha,
23:13vai,
23:13não vai,
23:13caro,
23:14não caro,
23:14e depois que acertava-se o valor,
23:16dizia,
23:16agora desse valor tem que ser X,
23:18uma parte por fora
23:19e uma parte por dentro.
23:20E aí começava outra luta,
23:21outro embate,
23:22que era,
23:23ah,
23:23vamos botar mais por dentro,
23:24ah,
23:24não pode,
23:24tem que ser mais por fora,
23:25enfim.
23:26Mas a senhora teve essas conversações,
23:29por exemplo,
23:29com o senhor Antônio Palocci?
23:30Sim,
23:31sempre.
23:31Inclusive,
23:32relativo,
23:32por exemplo,
23:33a esses pagamentos em 2011?
23:36Não,
23:37os pagamentos em 2011
23:38eu já não tive mais com ele,
23:39porque eu já tinha acertado em 2010.
23:40Depois que o Palocci acertava comigo
23:42o valor da campanha,
23:45e ele me dizia,
23:45então tá,
23:45então vai ser X por dentro,
23:47ok,
23:47isso aqui você acerta com o tesoureiro,
23:48faz contrato,
23:49e essa parte por fora,
23:51o partido vai pagar tanto,
23:52aí me dizia quem é que eu ia procurar do partido,
23:55quem é a pessoa dele que ia me pagar,
23:56e a Aldebrecht vai colaborar,
23:58isso desde 2006,
23:59quando ele falou a primeira vez
24:00que a Aldebrecht ia colaborar com,
24:01vai colaborar com tanto,
24:03vá lá e acerte com eles
24:04como é que você quer.
24:05A partir daí ele não,
24:07só quando atrasava,
24:08quando tinha algum problema,
24:09ou quando a coisa atrasava muito,
24:10que acontecia muito de atrasar,
24:13aí eu procurava,
24:14o Palocci para reclamar,
24:16porque tinha atrasado,
24:17porque sempre atrasava muito.
24:19Relativamente a esse pagamento no exterior,
24:20o recebimento lá na Shell Bill,
24:22isso era do conhecimento,
24:25por exemplo,
24:25do senhor Antônio Palocci?
24:26Eu não sei,
24:27eu não posso dizer
24:29que era do conhecimento dele,
24:30porque isso eu já acertava
24:31com a Aldebrecht,
24:32já com o formato,
24:33para onde ia,
24:34como era a conta,
24:35eu já acertava na Aldebrecht,
24:37então eu não posso afirmar
24:38que ele sabia
24:39que ia para uma conta no exterior,
24:40ou que X era pago no Brasil,
24:42o dinheiro,
24:42isso eu não sei.
24:44E os candidatos em geral,
24:45eles tinham conhecimento
24:46desses acertos financeiros?
24:48Sim,
24:49todos tinham.
24:50Posso lhe dizer
24:51com segurança
24:53que todos eles
24:53sabiam dos valores exatos,
24:55de quanto estavam nos pagando
24:56e como que era o pagamento.
24:58Quando a senhora aceitava
25:02esses pagamentos por fora,
25:04a senhora não tinha presente,
25:05por exemplo,
25:06um risco de estar recebendo
25:07alguma coisa ilícita,
25:08uma corrupção,
25:10uma pagem?
25:11Veja bem, doutor,
25:12eu tinha consciência
25:13do risco que eu estava correndo,
25:15do risco,
25:16não só do risco físico meu
25:18de estar lidando
25:18com tanto dinheiro
25:19e pagando gente,
25:20recebendo dinheiro e andando,
25:22como que eu estava
25:23só negando imposto,
25:25que eu não estava contabilizando,
25:28daqueles valores,
25:28isso eu tinha certeza.
25:31E eu também não posso negar
25:32que eu imaginava
25:32que algum acordo
25:34eles tinham
25:34para que uma empresa
25:35pagasse tanto dinheiro
25:36por fora de uma campanha.
25:39Eu imaginava que eles tinham,
25:40sei lá,
25:41acordos.
25:42Eu vi a Odebrecht,
25:43por exemplo,
25:43tinha milhões,
25:44tinha, não tem,
25:45obras no governo.
25:47Então,
25:47eu sempre achei
25:48que tinha uma contrapartida ali
25:49de que eles,
25:50agora,
25:50exatamente que tipo de negócio
25:51eles tinham
25:52e de onde é que vinha
25:53e o que era isso
25:54que originava esse recurso,
25:55eu nunca tive ideia,
25:56nunca soube.
25:57Nunca soube.
25:58Eu imaginava
25:58que tinha uma ilicitude
25:59entre eles,
26:00mas eu nunca soube
26:01de detalhe nenhum.
26:03Não tinha eles
26:03por que eles me contarem isso.
26:05E o senhor João Santana,
26:08qual que era o grau
26:08de conhecimento
26:09que ele tinha,
26:10por exemplo,
26:10dessas situações todas?
26:11A mesma coisa que eu,
26:12ele sabe,
26:13a gente até conversava
26:14sobre isso,
26:15sobre o Odebrecht
26:17estar pagando
26:17campanha
26:18para o PT,
26:20todo ano pagavam a parte
26:21e a gente falava sobre isso,
26:23eles têm tanto negócio
26:24e eu imaginava,
26:26eu imaginava que era,
26:28eu imaginava assim,
26:28como é que esse dinheiro,
26:29porque eles não vão dar
26:30de graça isso,
26:31eu imaginava que era
26:31superfaturamento de obra,
26:33tinha uma obra,
26:33não sei aonde,
26:34que eles botavam
26:34um valor a mais
26:35para dar e esse valor
26:36reverter em colaboração
26:38e pagar a gente
26:39ou outras coisas
26:40que eles pagavam,
26:40que eu não sei se pagavam,
26:41mas hoje sei,
26:42mas não sabia na época,
26:44mas o João tinha
26:44o mesmo conhecimento
26:45que eu,
26:46a gente sabia que
26:47devia ter alguma
26:48negociada entre eles,
26:49mas o que era,
26:50não.
26:50E se essas conversas
26:52com o senhor Antônio Palocci,
26:54o senhor João Santana
26:55também tratou
26:55de assuntos financeiros?
26:56Não, não,
26:57no início,
26:59em 2006,
27:002006,
27:01que foi a primeira
27:01campanha do presidente Lula,
27:03o João que iniciou
27:04a tratativa com o Palocci,
27:06de como é que ia ser,
27:07foi quando o João disse
27:08que exigia receber
27:10tudo por dentro,
27:11tinha acabado de acontecer
27:12o Mensalão,
27:13toda Mendonça,
27:14aquela história toda,
27:14todo mundo já sabe,
27:15e a gente falou
27:16que não ia fazer.
27:17Eu lembro até
27:17que teve uma conversa
27:18do Paulo dizendo assim,
27:19não, não se preocupe,
27:20a gente vai dar um jeito,
27:21ainda não tinha se falado
27:22em valores,
27:22porque o João nunca falava
27:23em valores,
27:24o valor da campanha
27:24era eu que ia,
27:26que cobrava,
27:26mas eu lembro que o João
27:28falou,
27:28tem que ser tudo por dentro,
27:29não vem com esse papo
27:29de por fora,
27:30pelo amor de Deus,
27:31e ele disse que ia
27:31fazer isso.
27:33Logo depois,
27:34um tempo depois,
27:34quando eu fui negociar,
27:35efetivamente,
27:36sentamos para negociar
27:37valores e tal,
27:38ele veio me dizer
27:38que não podia,
27:39aí o João reclamou com ele,
27:40falou,
27:40pô, depois,
27:41em outro momento,
27:42eu avisei para o João,
27:43ele falou que tem que ter
27:44uma parte por fora,
27:45e ele disse assim,
27:45não se preocupe,
27:46nós temos uma maneira
27:47muito segura
27:48de te pagar isso,
27:49o pessoal,
27:50que é de extrema confiança,
27:51que colabora com a gente,
27:52inclusive seus conterrâneos,
27:54a gente não conhecia
27:55ninguém da Odebrecht,
27:56e você vai estar
27:58totalmente seguro lá,
27:59então você vai receber lá,
28:00mas com total segurança,
28:02isso ele disse para o João,
28:03o João chegou me contando,
28:04e daí a gente,
28:06enfim,
28:07acabou aceitando fazer,
28:08mas também estou madendo,
28:09se a gente não aceitar
28:10fazer campanha no Brasil,
28:11recebendo por fora,
28:13a gente não faz a campanha.
28:14E não era a melhor alternativa
28:15não fazer?
28:16É, talvez fosse,
28:17hoje em dia eu penso isso,
28:18talvez fosse,
28:19mas não teríamos feito
28:20nenhuma delas
28:22se não tivesse aceitado
28:23esse jogo,
28:24nem nós,
28:25nem nenhum marqueteiro.
28:26Entendi.
28:27Das pessoas mencionadas
28:28aqui na denúncia,
28:29o Branslávio Conti,
28:30que a senhora chegou a conhecer?
28:31Sim, sim, conheci.
28:32Chegou a tratar desses
28:33assuntos financeiros com ele?
28:35Sim, tratei.
28:36A senhora pode ser mais clara?
28:38Às vezes,
28:39depois que eu acertava tudo
28:40com o Palocci,
28:41como eu lhe disse,
28:41às vezes tinha atrasos
28:42de valores,
28:44não só da parte do Odebrecht,
28:45mas atrasos da parte do PT,
28:48a parte por fora,
28:48é claro.
28:51A parte por dentro também atrasava,
28:52mas aí é outro problema,
28:53não vem ao caso.
28:54Então,
28:54eu ia procurar o Palocci
28:56para conversar,
28:57e muitas vezes o Palocci
28:58ou não estava,
28:59ou não podia me receber,
29:00e ele mandava o Brani me receber,
29:02o Brani Slav me receber.
29:04E a gente conversava,
29:05eu falava,
29:05explicava o que eu estava passando,
29:06o que eu precisava,
29:08e ele se reportava ao Palocci
29:09e normalmente logo depois
29:10resolviam uma parte
29:11daquilo que estava...
29:12Inclusive relativo
29:13a pagamentos não contabilizados?
29:14Sim, exatamente.
29:15Eu estou falando
29:16de pagamentos não contabilizados.
29:17A parte contabilizada,
29:19eu nem falava com o Palocci,
29:20eu ia direto no Vacari,
29:22no Felipe,
29:22em uma época,
29:23que foi o tesoureiro
29:24da campanha 2006,
29:25Vacari em 2010,
29:26enfim,
29:27eu ia direto no partido.
29:28Mas inclusive pagamentos
29:29não contabilizados
29:30do Grupo do Breche?
29:32Sim,
29:33eu também falava,
29:33eu conversava sobre isso
29:34com o Palocci,
29:35quando a coisa atrasava,
29:36quando ficava muito distendido,
29:38como isso que eu falei,
29:38que passava de um ano para o outro
29:40e às vezes passava para o outro.
29:41E com o Brasil,
29:42contigo também tratou isso?
29:43Tratei, sim,
29:44tratei.
29:46Várias vezes,
29:47no escritório do Palocci,
29:48em São Paulo.
29:49Eu fui lá diversas vezes.
29:50O senhor Luiz Eduardo Arrocha Soares,
29:51que é do Grupo do Breche,
29:52chegou a conhecer ou não?
29:53Conheci na PF, agora não.
29:55O senhor Olívio Rodrigo Júnior?
29:56Áudio?
29:58Posso?
30:01Também conheci na PF,
30:02não conhecia.
30:03Perfeito.
30:03Eu vou interromper um minutinho
30:04para o tamanho do áudio,
30:05já é tomando.
30:05para o tamanho do áudio.
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