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  • há 8 meses
Richard Pires, jovem de 18 anos que tem autismo nível 1 de suporte, conseguiu entrar na faculdade de jornalismo - curso que sempre sonhou, apesar dos desafios enfrentados. Segundo ele, o apoio dos pais foi fundamental para alcançar o objetivo de entrar no ensino superior. Rivanil Pires e Rose Mary da Costa, pai e mãe de Richard, comentaram sobre a felicidade de ver o filho na faculdade.

REPORTAGEM: BRUNO ROBERTO (ESPECIAL)
IMAGENS: ADRIANO NASCIMENTO (ESPECIAL)

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Transcrição
00:00O meu curso de jornalismo é, cara, minha sensação é muito boa.
00:04Eu fiquei muito feliz porque o meu curso sempre foi fazer em jornalismo.
00:10Os desafios foram muitos, mas o deles foi a falta das adaptações adequadas aos conteúdos,
00:18que pra mim sempre foram muito difíceis.
00:21O bullying também.
00:23E superar só foi possível porque a minha família me ajuda muito.
00:27A minha mãe, que é professora, sempre tá me ajudando na faculdade.
00:32Sempre foi formar em jornalismo, desde criança.
00:38E depois quero me poder ter a oportunidade de entrar no mercado de trabalho.
00:43É muito fundamental.
00:46Sem eles, isso não seria possível.
00:48Cara, foi um motivo de muito orgulho pra gente, porque a gente vem de uma batalha muito arda com o Richard.
00:54O Richard, desde a entrada dele no ensino, começando o ensino dele, então, a gente sempre passou por muita dificuldade.
01:02O Richard é natural do Marajó, então, a dificuldade se torna um pouco mais difícil, mas é bem mais complicada a realidade de lá.
01:11Então, a gente vem desde lá lutando, brigando muito pela inclusão dele, brigando muito por adaptações.
01:18E o que a gente encontra muita dificuldade foi exatamente isso, em adaptar a educação pra ele, pro modo dele, de forma que ele pudesse entender.
01:28E a gente vê que não é muito difundido ainda as políticas públicas, principalmente a nível de interior, a nível de Marajó.
01:35Então, a gente encontrou muita dificuldade no começo, mas assim, em nenhum momento a gente desistiu.
01:40O sonho dele era ser jornalista desde criança, o Richard nunca desistiu disso.
01:45E nunca mudou de área também.
01:46Sempre foi o foco dele, e o foco dele foi ele sempre...
01:50O que a gente fez foi o seguinte, foi juntar, eu e a mãe dele, juntamos pra isso, pra dar a oportunidade dele conquistar esse sonho.
01:58Foi duro, foi duro, foi sacrificoso, mas graças a Deus, hoje, ver ele estar cursando uma faculdade emociona a gente, é um grande orgulho pra gente.
02:10Porque, desde a gente sabe, cada momento que a gente passou, cada burro que a gente sofreu na escola,
02:16cada adaptação que a gente teve que fazer pra que a gente conseguisse aprender aquela disciplina,
02:21que a gente conseguisse absorver aquele conhecimento pra ele poder chegar onde a gente chegou.
02:26Então, a luta foi muito árdua, mas foi muito gratificante você chegar.
02:31E assim, a gente nunca voltou a ter esses limites pra ele.
02:34A gente sempre teve muita liberdade, e não só eu como mãe dele, mas como os tios dele,
02:39como os padrinhos dele, sempre ajudaram muito nessa conquista dele.
02:43Então, a gente é motivo de muito orgulho ter chegado, quando a gente olha pra trás aí,
02:48o caminho que a gente percorreu é muito gratificante.
02:51É a maior barreira, né?
02:53Na verdade, são inúmeras barreiras que a gente encontra no que tange à inclusão.
02:59Mas a adaptação curricular, ela ainda é uma das maiores barreiras.
03:04E tudo isso se dá pela falta de informação.
03:08A falta de informação, ela gera um prejuízo gigante no que tange à inclusão.
03:12Então, são professores que não são bem informados, logo, não tem capacitação.
03:18A instituição é como um todo, porque quando a gente fala de inclusão,
03:22a gente não pode só pensar na sala de aula, só pensar no professor.
03:26A gente fala na comunidade acadêmica como um todo, desde a portaria,
03:29até todos os colaboradores de uma comunidade acadêmica.
03:33Então, a falta de informação, ela ainda é o maior fator que gera grandiosos prejuízos
03:42no que tange à educação inclusiva, desde a educação infantil até agora no ensino superior,
03:48que não está sendo diferente.
03:49É, pra gente é um desafio maior ainda, porque a gente vê hoje que as vezes avançaram muito,
03:55mas ainda assim, quando a gente chega numa instituição de nível superior,
04:00onde a gente pensa que ela vai estar preparada pra absorver já esse aluno que está chegando,
04:06esse aluno atípico, e a gente se depara com situações que a gente vê que, infelizmente, ainda não chegou.
04:16Mas, é assim, vai ser mais uma luta que a gente vai ter, com certeza, a gente não vai desistir.
04:21A gente sempre fez isso em todas as escolas que o Richard passou.
04:24A mãe dele sempre foi muito ativista da causa, a mãe dele sempre foi pra dentro,
04:28foi buscar sempre mostrar de qual é a forma que o Richard aprende, como ele aprende,
04:33como eles podem, a gente pode dar suporte também como família,
04:38pra que a instituição possa evoluir junto com o Richard.
04:41Então, isso a gente fez em todas as escolas que o Richard passou,
04:45a gente sempre deu esse apoio, esse suporte, porque, cara,
04:49quem conhece daí o filho da gente, somos nós, o aluno, o Richard escolar vai entender mais do que somos nós.
04:55Então, a gente sabe como ele aprende, a gente sabe como a gente pode ajudar a ação.
05:00E, assim, acho que a família é fundamental nesse processo de troca de informações,
05:06pra que a faculdade, pra que as escolas possam vir, e, de fato, esse aluno.
05:12Ele não é... cada autista é diferente, você não vai encontrar dois autistas iguais,
05:18e cada um aprende, às vezes, de uma forma diferente.
05:20Então, o Richard é muito voltado pra área que ele tem hiperfoco, que é o jornalismo.
05:25Então, a gente sempre buscou, nessa área, trazer o jornalismo pra dentro de cada uma das disciplinas,
05:31pra que criasse esse interesse.
05:33Então, às vezes, isso é um pouco complicado, pra justamente fazer essas adaptações pra ele,
05:40pra que ele possa aprender de forma diferente.
05:42A gente... o autista, ele não aprende de forma, vamos dizer assim, normal, cotidiana, como toda a disciplina.
05:50Então, ele tem uma maneira diferente de aprender.
05:53Então, é isso que a gente busca, essa parceria junto com a faculdade.
05:56A gente vê que ainda tem muito, e isso ainda tem muita resistência.
06:00As faculdades hoje, elas acreditam que incluir é você matricular o aluno.
06:05E isso não é inclusão.
06:06Inclusão é você, de fato, fazer com que ele se integre.
06:10Não só a turma, o que já passou no início, a gente já teve alguns probleminhas com relação à inclusão dele como aluno,
06:19por participação de grupos de estudo, aquelas equipes que são formadas em tantos virtualistas,
06:24ele foi meio que excluído.
06:26Ainda falta muita informação, sim.
06:28Ainda falta muito a faculdade absorver mais um pouco disso.
06:32Se, de fato, incluir ele de verdade na instituição.
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