00:00E com toda a seriedade que o próximo tema aqui, dando sequência ao programa de hoje,
00:03merece que a gente fale aqui com toda a atenção sobre a gripe aviária no Brasil,
00:08os últimos desdobramentos e detalhes aqui com precisão pra todos vocês.
00:11Isso porque, pessoal, todas as granjas do país, do território nacional,
00:16seguem em alerta, pra dizer o mínimo.
00:18E enquanto outros países estão aí impondo restrições à importação do frango brasileiro,
00:22lembrando que o Brasil é a maior potência de exportação de carne de frango mundo afora,
00:27diversos especialistas têm vindo a público, pessoal, dizer que os preços aqui
00:31devem começar a baixar nos próximos meses.
00:34Mas vamos ali prestar muita bem atenção, sem nos precipitarmos aqui,
00:38até porque vários cientistas vêm alertando que a gripe aviária,
00:41apesar de não ser um vírus novo, pode ser a grande causa de uma nova pandemia global.
00:47Talvez seja a última coisa que todos nós gostaríamos de ouvir.
00:50A gente tem que tomar cuidado aqui pra não já descambar pra um alarmismo excessivo,
00:54mas todo cuidado é pouco, videotrauma, que foi a Covid-19.
00:58Mas aqui também pra ouvir de quem realmente tem algum conhecimento de causa,
01:01nesse caso muito, a gente traz agora pra um papo o pesquisador da Embrapa,
01:04nossa gloriosa Embrapa, o Luizinho Caron,
01:07pra saber sobre a evolução dessa doença, os riscos envolvidos
01:10e como que todos nós podemos nos proteger.
01:13Bem-vindo, Luizinho.
01:14Conta pra gente um pouco sobre esse último desdobramento.
01:17O que é fato, o que é fake, o que realmente merece a nossa atenção.
01:21Bom dia.
01:21Bom dia, tudo bem?
01:25Aí um alô aos telespectadores.
01:29E sim, a influência aviária, ela existe, este vírus, desde 1996,
01:35quando foi identificado pela primeira vez na Ásia.
01:39Desde então, ele tem se disseminado pelo mundo,
01:42principalmente nos meses de outono e inverno.
01:46E recentemente chegou a América aí, 2020, 2021,
01:50América do Norte e agora, 23, aqui na América do Sul.
01:55É uma doença das aves.
01:58Existem alguns casos desde então, desde 1996,
02:02quando 97 foi o primeiro caso que aconteceu em um ano.
02:06Assim como outras gripes aviária, H7, também podem, esporadicamente, infectar humanos.
02:14Não é uma coisa muito fácil de acontecer,
02:19mas pessoas em contato com aves podem desencadear essa doença.
02:27Agora, a gente quer falhar com toda atenção devida a essa cepa H5N1,
02:33que é o nome técnico aqui da gripe aviária, é altamente patogênica.
02:37Já foi detectado casos aí em todos os continentes, com exceção da Oceania,
02:41no momento, detectada em pinguins na Antártida,
02:44em aves silvestres nos 50 estados americanos,
02:47inclusive em camelos no Oriente Médio,
02:49só para a gente também ter noção de que, enfim,
02:51uma fauna bem diversa está sendo afetada por isso.
02:54Esse risco de pandemia, vindo de fontes animais tão diversas,
02:58é real mesmo?
03:01Ele existe, o risco de pandemia, a Covid,
03:06mas ele, logicamente, que necessita dessa interação aí próxima
03:12entre animais e homem,
03:14e também da evolução, tanto do vírus, principalmente do vírus, se adaptar.
03:20No caso, apesar dos casos humanos terem acontecido,
03:25a doença tem uma baixa capacidade de ser transmitida entre humanos.
03:30Então, apesar de alguns casos terem se infectado,
03:33hoje são menos de mil, desde 1996,
03:36com esse H1N1,
03:38os casos, eles não transmitem de uma pessoa para outra,
03:42ou muito dificilmente essa transmissão ocorre,
03:45porque o vírus infecta apenas células lá dos bronquíolos e dos alvéolos,
03:51que têm receptor para serem infectados nos seres humanos por esse vírus.
03:57Há outras espécies que já se contaminam mais fácil,
04:00como colocasse algumas aí,
04:02mas também temos aí recentemente leões, lobos marinhos,
04:06inclusive no litoral brasileiro,
04:08que se infectaram.
04:09Então, animais marinhos que possam, porventura,
04:13se alimentar de aves mortas ou de aves doentes,
04:18com o H1N1.
04:21Nos Estados Unidos também, os felinos são susceptíveis,
04:25alguns se infectam de alguma forma,
04:28tanto os selvagens como os felinos domésticos e os caninos também.
04:33Nos Estados Unidos tivemos recentemente, nos últimos dois anos,
04:38casos em bovinos de leite,
04:40onde causa uma infecção grave respiratória,
04:44mas sim da glândula mamária nos bovinos naquele país.
04:4970 infecções e uma morte nos Estados Unidos,
04:52levando em conta a CEPA H5N1.
04:54Mano Ferreira com a pergunta final aqui, Luizinho.
04:56E no mundo inteiro, desde 1996,
05:00são quase 900 casos,
05:05com 450, 460 mortes.
05:10Tomara que a gente não veja esse número aumentando.
05:14Mano Ferreira.
05:15Bom dia, Luizinho.
05:16Obrigado por trazer os esclarecimentos aqui para a gente.
05:19E a minha pergunta,
05:19tentando trazer a preocupação do público,
05:23é o quanto que a gente está seguro no Brasil?
05:25O governo, os diversos governos, na verdade,
05:28estaduais e federal,
05:31ativaram protocolos para tentar conter a doença.
05:35A gente está fazendo tudo que está ao nosso alcance,
05:38tem algo que deveria estar sendo feito pelas autoridades
05:42e não está sendo feito.
05:44Qual é a tua avaliação?
05:45Estamos seguros?
05:48Sim, estamos seguros.
05:50Uma prova de que estamos seguros
05:52é de que os países,
05:54o Brasil exporta para mais de 150 países.
05:57Esses países todos que importam,
05:59inclusive muitos países do primeiro mundo,
06:02carne de frango do Brasil,
06:04eles reconhecem o sistema de defesa sanitária
06:07e vigilância sanitária do Brasil
06:09como sendo eficiente e padrão internacional,
06:12porque esses países se preocupam muito
06:15em comprar alimento e uma solução de alimentação
06:19para a sua população
06:20e não estarem importando também problemas de saúde.
06:25Então, sim,
06:26os protocolos eles são pré-estabelecidos
06:29de influência no caso.
06:31O Brasil tem se preparado
06:33desde que a influência surgiu lá em 96,
06:35como eu falei,
06:36com novas medidas tanto legais
06:41como de estrutura do seu serviço de defesa,
06:45como no diagnóstico.
06:46Então, a gente tem observado
06:48que o diagnóstico é rápido,
06:50chega às amostras rapidamente no laboratório,
06:53em algumas horas já se tem resultados,
06:56então, das granjas
06:57e as medidas,
06:59assim que é coletado o material
07:00de uma granja suspeita,
07:02os protocolos são acionados
07:03e essa granja é interditada,
07:05já não entra mais
07:06e não saem mais produtos dessas granjas
07:11e os produtos que dela saíram anteriormente
07:14são rastreados nesse meio tempo.
07:17Então, sim,
07:18eu acredito e valorizo muito
07:21o nosso serviço de defesa animal,
07:24como eu falei,
07:24é um dos melhores do mundo
07:27e ele tem provado isso,
07:29a transparência das medidas de controle
07:32que estão sendo tomadas
07:34também são importantes
07:36e revelam a competência
07:39do Serviço Veterinário Oficial,
07:41tanto o federal como o dos estados.
07:46É isso aí, Luizinho Caron,
07:47representando a Embrapa,
07:48a nossa gloriosa Embrapa aqui,
07:50que é um celeiro de excelência e de pesquisa
07:51e também sempre sustentando o nosso agro,
07:53nossa potência, que é o agro.
07:55Obrigado demais aqui pela presença.
07:56E é aquilo, na boa,
07:57a nossa cota de pandemia no século
07:59já passou, já foi,
08:00já transbordou há muito tempo
08:02com a Covid-19.
08:03A gente espera que esse H5N1
08:05não siga evoluindo
08:07da forma que possa evoluir
08:08e, claro, que o Brasil,
08:10quanto antes,
08:10possa se acertar
08:11com o nosso maior comprador
08:13das nossas exportações
08:14de proteína de frango,
08:14que são os chineses.
08:16Então, pedir aí
08:17para que os nossos amigos
08:18em Pequim
08:19possam só regionalizar
08:20ou restringir
08:21esse embargo ali
08:22em Monte Negro
08:23e adjacências
08:24e não para o território nacional todo.
08:26Senão, daqui a pouco,
08:26um prego na estrada
08:27vão interditar o país inteiro.
08:29Não dá.
08:29Obrigado demais, Luizinho,
08:30pela presença.
08:32Obrigado a vocês
08:32por nos receber
08:34e pela conversa.
08:36É isso.
08:36Agradecemos.
08:37Conte com a gente.
08:38Sempre.
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