00:00Oi gente, hoje eu vim aqui falar de um assunto bem sério, eu nunca imaginei ter que estar
00:07passando por isso e principalmente ter que estar expondo uma situação dessa, ainda mais
00:11quando se trata de um filho, eu não vou dizer o nome dele aqui pra não expor o meu filho,
00:15mas eu tenho um filho que eu descobri aos 18 anos, ele não convivia comigo, eu só fui
00:22saber quando ele tinha 18 anos, na mesma hora eu fiz DNA, trouxe ele pra perto, empreguei
00:27ele em vários lugares, pedi ajuda pra várias pessoas, inclusive na minha própria banda
00:31trouxe ele pra trabalhar comigo, mas infelizmente ele não se adaptou em nenhum emprego que eu
00:35arrumei pra ele e nem na minha banda, não queria trabalhar e eu achei estranho aquilo, convivendo
00:40com ele, trouxe ele pra perto, causou inúmeras, inúmeras situações pesadas, uma delas foi
00:48ter agredido a minha mulher, a minha atual mulher, quando ela tava com as cordas vocais
00:51operadas, ele trouxe a covid pra dentro de casa, repesteou todo mundo com a covid, até
01:00que eu entendi que o problema desse meu filho não era só a questão de ter ficado anos e
01:04anos longe do pai, ele tinha um problema mais sério do que isso, que era a dependência
01:08química.
01:09E quando a gente fala de dependência química, não é só a questão do álcool e das drogas,
01:12existe uma dependência química psicológica, do que a gente chama de pobre coitadismo,
01:16né, que as pessoas, por algum motivo, elas preferem mergulhar na bebida, nas drogas,
01:22pra, de alguma forma, se aliviar, ou pra justificar um passado, uma infância, uma adolescência
01:28que ele não teve ao lado do pai.
01:30Eu não acho certo isso porque eu não tive pai presente e também não tive muitas
01:33vezes a minha mãe presente, nem por isso eu me tornei um cara mau caráter.
01:37E esse meu filho, convivendo com ele, eu pude perceber esse desvio de caráter que ele
01:41tem na sua personalidade, na sua sociopatia, né, e até que eu expulsei ele de casa,
01:45e falei, ó, não dá pra conviver comigo, infelizmente, por N motivos, tava pesando,
01:49o fardo tava pesado, e não só por ele não querer trabalhar, seus 26 anos, enfim, não
01:54parava emprego nenhum, e aí que eu fui descobrir essa dependência química.
01:57Devolvi ele pra mãe biológica, né, no caso a mãe adotiva, que também tentou segurar
02:03lá a situação dele, mas não conseguiu, que ele também tava quase separando ela do
02:06marido, ela acabou expulsando ele de casa, e ele foi morar na rua.
02:09Quando ele foi morar na rua, mais uma vez, eu por pena, trouxe ele de volta pra morar
02:13na minha casa. E aí ele causou inúmeras, inúmeras situações pesadas e desconfortos
02:18aqui em casa, que eu não podia segurar mais ele aqui, né, eu não podia tá ensinando
02:23o menino a dormir todo dia, meio-dia, acordando, trocando a noite pelo dia, sem querer estudar,
02:27sem querer trabalhar, e eu tava percebendo que eu não tava ensinando ele da forma certa,
02:31ele não queria nem trabalhar, nem estudar, tudo que ele queria era se drogar e beber.
02:35Até que eu não aguentei mais. Fui lá, liguei pra mãe biológica dele, conversei com
02:39ela, e aí ela foi, mais uma vez, falou, não, vamos tentar ajudar mais uma vez, poxa,
02:44eu acho que dessa vez vai, vou levar ele pra igreja, vou tentar ver o que a gente consegue
02:46pra tentar salvar essa alma, que é uma alma que, infelizmente, tá destruída pelo
02:50alcoolismo. Ela pegou esse meu filho, levou pra Mato Grosso, eu inclusive financiei a saída
02:56dele pra lá, a gente montou um quarto com violão, com computador, com tudo que tinha direito,
03:00pra ele tentar se transformar num homem maduro, profissional e ajuizado. Ela empregou ele numa
03:05lanchonete que ela tinha lá, né, mas, infelizmente, não deu certo. Ele queria chegar meio-dia
03:09pra trabalhar, passei às quatro da tarde, não tinha empatia pela mãe, não tinha empatia
03:13pelas coisas que tinha que fazer em casa, até que ela descobriu que ele estava, mais
03:17uma vez, bebendo, enchendo a cara, guardando as garrafas de vodka debaixo da cama dele,
03:21a gente tem N vídeo, a gente tem um dossiê inteiro sobre essa história e os problemas
03:25que esse menino causou, não só na nossa vida, mas por não deixar a gente ajudar ele,
03:28porque tudo que a gente queria era poder ajudar esse menino, tudo. Inclusive, eu cheguei a financiar,
03:32falei pra ela, olha, se quiser um psicólogo, se ele quiser se internar, eu financio isso
03:36pra ajudar, eu quero fazer com que esse menino tome juízo, eu preciso, a gente precisa ajudar
03:40esse menino, até que chegou no fim da linha. Ela pegou ele num bar, bebendo, aí ela foi
03:46tirar satisfação com ele, e ele foi lá mais uma vez e agrediu a mãe dele, tentou agredir
03:50o padrasto em palavras, em gestos, enfim, fazendo escândalo num bar, todo mundo ficou olhando
03:55pra mãe dele, achando que ela era víbora da história, mas não sabe os problemas que ele
03:59tava causando por não querer se consertar, por não querer melhorar. Aí, enfim, com
04:03tudo isso, ela acabou chamando a polícia, enfiou ele dentro do ônibus e mandou ele
04:06embora, e ele foi pra Santa Catarina atrás de ajuda de outras pessoas que me conhecem,
04:10né, e que de alguma forma se sentiu na necessidade de ajudá-lo. Mais uma vez, ele
04:14causou problemas e ele teve que sair dessa casa de alguns amigos nossos pra tentar
04:18arrumar um emprego. Por que eu tô fazendo esse vídeo aqui pra vocês? Porque eu tô cansado
04:22de ser extorquido pelo meu filho, eu não aguento mais. Ele vivia dizendo que se ele
04:26quisesse abrir a boca pra falar mal de mim, que as pessoas poderiam acreditar nele, porque
04:29é um filho, as pessoas iriam acreditar no filho. E eu passei a vida inteira dando dinheiro
04:33pra ele, porque eu não queria que... Primeiro que as pessoas vissem que ele era um mau
04:37caráter, né, porque eu não queria que as pessoas ou a julgassem, e eu não queria
04:40que as pessoas o maltratassem, porque eu não queria que ele passasse pelo que eu passei
04:43na minha vida. Então eu fui sempre aguentando firme, aguentando firme, aguentando firme,
04:47e aí chegou uma hora que eu falei, não, chega. Chega, porque eu tava entendendo que eu
04:51não estava, de alguma forma, criando ele da forma que ele deveria ser criado, que
04:55conversar, instruir ele de arrumar um emprego, de trabalhar, de ter uma vida digna, eu tava
05:02só financiando as loucuras. E eu tava entendendo que esse dinheiro, ao invés de ir pro sustento
05:05dele, estava indo pro álcool, pras drogas e etc. Até que eu tive que parar. E parei
05:10de ajudar, até porque um menino de 27 anos deveria estar trabalhando, estudando, fazendo
05:14alguma coisa, né? E como eu descobri ele aos 18 anos, é óbvio que eu não tive essa convivência
05:18na sua adolescência, no momento que talvez um pai fosse mais necessário. Então eu
05:23acabei absorvendo essa culpa, entendeu? E talvez seja por isso que eu fiquei financiando
05:27a vida inteira essa condição de pai à distância, que não quer ele junto, porque sabe que ele
05:31é problemático, mas que de alguma forma queria ajudar. Só que eu tive que parar. Eu tive
05:36que parar porque o dinheiro não tava indo pra alimentação, tava indo pra sustentar o seu
05:40vício, e isso tava me causando um problema até espiritual, porque ao invés de eu estar
05:45ajudando ele, eu tava contribuindo pro seu vício. Então assim, gente, eu tô me desabafando
05:48aqui com vocês, porque eu não sei se muitos de vocês já tiveram um filho com dependência
05:52química, e eu tô sofrendo muito com isso, porque eu queria muito poder ajudá-lo, sempre
05:55que ele precisar, se ele quiser pedir ajuda pro pai, eu estaria aqui presente pra ajudá-lo,
05:59mas eu entendo que nesse momento agora, o que eu tenho que fazer é cortar. Cortar de
06:03vez o laço, cortar de vez essa pensão, porque ao invés de eu estar contribuindo pra ajudar,
06:07eu tô acabando destruindo meu próprio filho. E é isso, gente, eu vim desabafar porque eu
06:12recebo diversas ameaças desse menino, ele fala que toda hora vai pra imprensa, que ele
06:15vai falar mal de mim, que ele vai me detonar, e que as pessoas vão acreditar nele.
06:18Então eu tô aqui, antes disso tudo acontecer, não sei nem se ele vai ter coragem de fazer
06:21isso ou não, mas se ele já fez ou deixou de fazer, eu preferi vir aqui, me desabafar
06:25e falar exatamente o que tá acontecendo. E o pior de tudo, ele se faz de vítima pra
06:29sociedade, pros meus outros filhos, e tenta sempre de alguma forma mascarar a sua verdadeira
06:34face, entendeu? É isso, gente. Grande beijo aí e tamo junto.
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