- há 8 meses
Joaquina se revolta contra os maus tratos de Dionísia com seus escravos
Categoria
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DiversãoTranscrição
00:00Aqui na rosa meu nome agora é rosa o senhor não pediu para que eu esquecesse quem eu era
00:06serão mais de dois meses de viagem sempre vai faltar alguma coisa principalmente conforto mas mais importante que estamos juntos
00:15Agora também em branco bem de ser
00:18deve ser aquela menina filha do alférez que lhe custou dois sacos de ouro e não morreu
00:24Seis anos eu tô se espera chamei seis anos e volta e nem se dá o trabalho de me procurar a sua noiva
00:32pai o senhor viu que essa terra a economia baseada na escravatura isso não pode durar para sempre o povo um dia vai se rebelar
00:38aqui tivemos a inconfidência e a cabeça do traidor enfeitou por dias o mastro da praça principal
00:44você quer acabar com o seu pai na ponta de uma corda
00:48Contém seus amigos que três contra um é covardia
00:54Você tá bem?
01:05Só um instante
01:11Agora sim
01:13Vou embora
01:15Agora sim
01:17Vou embora sem olhar para trás
01:20Vai
01:28Você também
01:33Não sei antes saber quem é a senhora
01:35Mandei você embora você quer que eu meto uma bala na sua cabeça
01:39São os dragões vem comigo que eles podem nos prender
01:41Você me defender vai
01:42Eu não posso deixar uma dama à mercê dos dragões
01:45O próximo vai direto para sua cabeça sai
01:48Se a senhora insiste
01:52Posso ao menos ver o seu rosto
02:01Senhorita Rosa Viegas
02:02Sim
02:03Seu pai espera
02:06Ouvimos tiros
02:09Não deve ter sido por aqui
02:12Onde você estava Rosa?
02:14Deixa eu ser mão para o meu pai
02:15Rosa Bertoleza tem razão
02:17Vila Rica não é Lisboa você podia ter sido roubada ou então coisa pior
02:21Eu sei o que eu estou fazendo
02:23Você enlouqueceu?
02:25Saiu sozinha a noite de uma cidade estranha
02:28Eu precisava esparecer
02:29Por que esparecesse na cama em segurança?
02:32Com licença não raposo essa é uma conversa de família
02:40Aconteceu nada
02:42Eu estou aqui inteirinha
02:44Por pura sorte
02:46Minha filha
02:47Vila Rica está repleta de bandidos
02:49Ouro da comarca
02:50Trai pela espécie de gente
02:51Chega pai
02:52Eu estou cansada vou me recolher
02:54Eu não lhe dei licença para sair menina
03:05E vocês dois estão olhando o que?
03:12Vinho e um prato de comida quente
03:15Taverneiro
03:18Vá beber em outro lugar amigo
03:21Eu quero beber aqui
03:23Mas eu não vou servir
03:25Homem eu cavalguei quase 30 léguas
03:27Portanto preciso molhar a garganta
03:30E comer uma refeição
03:32Eu não vou beber aqui
03:34Mas eu não vou servir
03:36Homem eu cavalguei quase 30 léguas
03:38Portanto preciso molhar a garganta
03:40E comer uma refeição
03:42É santa
03:43Eu não sirvo escravos
03:46Eu não sou escravo
03:54Você não ouviu o que o homem disse rapaz?
03:57Você não pode ficar aqui
04:02Você é um feitor
04:04E você vai levar a chibata se não sair daqui
04:07Anda negro
04:09É surdo moleque
04:11Não me chame de moleque
04:17Preto, sujo, negro, desgraçado
04:20Cara de homem você fala demais
04:22Larga
04:24Vocês vão embora
04:25E eu vou comer em paz
04:27Vinho homem eu quero vinho
04:29Pode servir caldeira
04:31Você vai beber
04:33E vai sumir
04:34Era essa a ideia
04:35Cuidado
04:55Vem comigo
04:56Sai, sai, vai embora
04:58Vai embora
04:59Sai
05:06Obrigado
05:07O senhor salvou a minha vida
05:08Melhor a gente separar
05:09Eles vão vir atrás de nós
05:10Vamos
05:36Viva a Revolução
05:38Viva a Revolução
05:39Viva a Revolução
05:40Viva a Revolução
06:06Viva a Revolução
06:07Viva a Revolução
06:36Não consegue dormir?
06:38A cama é macia demais pra mim
06:40Desacostumei
06:42No navio dormimos em catres
06:46Seu pai ficou muito preocupado com a sua saída, senhorita
06:50Só queria tomar uma fresca
06:52Ilha Rica é um lugar perigoso
06:54Meu pai já disse isso
06:57Agora que a conheci
07:01Eu odiaria perdê-la
07:03Eu odiaria perdê-la
07:06Só um galanteio, senhorita intendente
07:08É a verdade
07:24Pois então, tome aqui
07:25Uma e duas e três
07:27E suma da minha frente antes que eu mude de ideia, seu ladrão
07:30Senhor, eu trabalhei a noite inteira
07:32Eu tive que trocar o eixo
07:33Sai daqui! Vai!
07:34Vai embora!
07:36Minha casa é sua casa, Dom Raposo
07:38O senhor quiser ficar mais tempo
07:40Eu quero minha casa, senhor intendente
07:42Fiquei tempo demais longe da minha terra
08:01Não
08:21Shhh
08:25Sai
08:30Toma
08:31Toma, infeliz
08:32Toma, toma
08:33Toma, sai
08:34Mendigo abusado
08:36Xavier!
08:37Oh, meu filho
08:44Que bela recepção, minha mãe
08:49Que alegria ter você de volta, meu filho
08:52Se não soubesse que cedinho eu ficava
08:54Eu ia morrer
08:56Eu ia morrer
08:57Meu filho
08:59Se não soubesse que cedinho eu ficava esperando
09:02Mas depois que o bando de mão de luva apareceu por aqui
09:05Eu não deixo mais aquela porta aberta
09:07Estou morto de fome, mãe
09:08Que marcas são essas na sua cara?
09:10Nada
09:12Continua inconsequente
09:13São seis anos disso tudo em Coimbra
09:15Para voltar todo lanhado
09:17Aparecendo moleque
09:19Bela demais, mãe
09:21Não caí do cavalo
09:23E o pai?
09:25No eito?
09:26Foi vender uma escrava
09:29Uma escrava?
09:30É
09:31A última que sobrou
09:35As coisas vão mal por aqui?
09:38Seu pai se mata de sol a sol no eito
09:40Depois no garimpo
09:43Mas o nosso veio e já secou faz tempo
09:46Ele só peneira areia
09:47Areia e cascada
09:49E quem vai ajudar a senhora na lida da casa?
09:50Ah, estou acostumada
09:51Mãe, eu em Coimbra
09:55E vocês se matando aqui para pagar meus estudos
09:57Por que vocês não me falaram nada?
10:00A culpa não é sua, não
10:02É do governo
10:03Que cobra o quinto mesmo
10:04De quem não tem mais nada
10:06São pior que carrapato
10:08Isso vai de mudar, minha mãe
10:09Duvido
10:10Depois que a corte se mudou para cá
10:12Então vai ser imposto em cima de imposto
10:15Acaristia e exploração estão só começando
10:19Mas o que interessa mesmo agora é o seu casamento
10:24A Branca está cada dia mais linda
10:26Não é?
10:28Ela nunca deixou de te esperar
10:31Ela é uma prenda
10:32E o dote dela também vai nos ajudar muito
10:35Benza, Deus
10:37A chegada de Xavier foi providencial
10:39O povo já estava começando a comentar
10:41Tantos anos para se formar em Coimbra
10:44Eu achei que ele não ia mais sair de lá
10:47O importante é que ele volta
10:49Físico
10:51Médico formado
10:52É
10:53Isso eu já não gosto
10:55Poderia ter se formado em advocacia
10:57Ser um jurista
10:58Um médico para quê nessa terra?
11:01Para sujar a mão?
11:02Um jogo das sangrias?
11:03Ai!
11:06Ainda mais porque o meu marido
11:07Não vai precisar trabalhar
11:08Mas não vai mesmo
11:10Precisamos fazer uma visita aos raposos
11:13Esse incidente entre vocês
11:14Está preocupando muito seu pai
11:16Eu não vou me desculpar com ninguém, não
11:17Aquela raposa
11:19Na que seja
11:20Já cresceu aqueles olhos de coruja
11:21Para cima do meu noivo
11:23Aquela lá, ó
11:25Desfrutada
11:29Como você cresceu, minha menina
11:32Virou uma mulher
11:33Eu não sou mais uma criança, tia
11:35Quando eu saí de Lisboa
11:36Você era um bichinho do mato
11:38A senhora estava em Lisboa
11:39Até outro dia, tia Dionísio
11:40Aliás, passa mais tempo lá do que aqui
11:42Uma mulher precisa da civilização, André
11:46Você também não mudou nada
11:47Continua lindo
11:49Bondade sua
11:51André, vem ajudar com as malas
11:53Mas os escravos não podem fazer isso
11:55É muita coisa, anda
11:58Eu também fico muito contente
12:00Ele ver raposo
12:02Meus cumprimentos
12:07Um ano sem ver, irmã
12:08E ele se contenta com o Marcelo
12:10Continua o mesmo ermitão de sempre
12:11O mesmo não
12:12Tia Dionísio, só piorou
12:14André!
12:19Que alegria ter a minha família de volta
12:23Você também, Bercolesa
12:25Achei que a senhora não ia mencionar minha presença
12:28Você é quase da família
12:39Com licença
12:40O que ela queria, tia?
12:41Problemas com os escravos
12:43Uma mucama de quarto que eu mandei castigar
12:45Com licença
12:49Já avisei que a mulher que eu não ia aguentar
12:52Foi o sol
12:54Ela tem a pele fina
12:57E eu que tenho a pele grossa, morveiro
13:00Me perdoe, senhora
13:02Deixa a cabeça levantada que para de sangrar
13:07Que selvageria é essa?
13:19O que ela queria, tia?
13:20Problemas com os escravos
13:21Um ano sem ver, irmã
13:22E ele se contenta com o Marcelo
13:23Continua o mesmo ermitão de sempre
13:24O mesmo não
13:25Tia Dionísio, só piorou
13:26André!
13:27Que alegria ter a minha família de volta
13:28O mesmo não
13:29Tia Dionísio, só piorou
13:30Me perdoe, senhora
13:31Deixa a cabeça levantada que para de sangrar
13:32Que selvageria é essa?
13:33Problemas com os escravos
13:34Uma mucama de quarto que eu mandei castigar
13:35Com licença
13:36Já avisei que a mulher que eu não ia aguentar
13:37Foi o sol
13:38Ela tem a pele fina
13:39E eu que tenho a pele grossa, morveiro
13:40Me perdoe, senhora
13:41Deixa a cabeça levantada que para de sangrar
13:42O mesmo não
13:43O mesmo não
13:44O mesmo não
13:45O mesmo não
13:46O mesmo não
13:47O mesmo não
13:48O mesmo não
13:49O mesmo não
13:50O mesmo não
13:51O mesmo não
13:52O mesmo não
13:53O mesmo não
13:54O mesmo não
13:55O mesmo não
13:56O mesmo não
13:57O mesmo não
13:58O mesmo não
13:59O mesmo não
14:00O mesmo não
14:01O mesmo não
14:02O mesmo não
14:03O mesmo não
14:04O mesmo não
14:05O mesmo não
14:06O mesmo não
14:07O mesmo não
14:08O mesmo não
14:09O mesmo não
14:10O mesmo não
14:12O mesmo não
14:13O mesmo não
14:14O mesmo não
14:15O mesmo não
14:17O mesmo não
14:18O mesmo não
14:20O mesmo não
14:25Que isso, tia Dionísio.
14:26Eu sei, eu sei
14:27Você não precisava ver nada disso
14:30Desde esses danados tinham que aprontar logo hoje
14:35Leve pra cenzala, morveiro
14:36Não
14:37Mande soltar essas pessoas, tia
14:38Não são pessoas rosa
14:40Os escravos são seres humanos.
14:43Como assim?
14:45Você não viu o que eu disse?
14:46Solta essas pessoas agora.
14:48Sim, senhora.
14:49Você fica parado aí onde está.
14:52Rosa, da casa. Cuido eu, por favor.
14:56Você está me desrespeitando.
14:57Você perdeu o juízo.
14:59Trata pessoas como se fossem bichos.
15:00Não fale assim comigo, menina.
15:02Deixa, Rosa. Vamos comigo pra dentro.
15:04O que está acontecendo aqui?
15:05O senhor não está vendo?
15:06A sua filha está me desrespeitando na frente dos escravos.
15:08Ninguém vai tratar seres humanos como se fossem bichos dentro da minha casa.
15:11A casa também é minha.
15:12Chega.
15:13Rosa, passa pra dentro.
15:14O que?
15:15Vocês estão a ferros é porque mereceram.
15:17Pra dentro.
15:18Todo mundo.
15:20Agora.
15:21Vamos.
15:22Vem.
15:33Deixe eles mais uma hora, assim.
15:34Depois da água, tudo isso.
15:36Água fresca.
15:37Sim, senhor.
15:40Não consigo acreditar que o senhor deixou aqueles dois aprisionados lá fora feito bichos.
15:44Eles estão sendo punidos.
15:46Escravo é gente.
15:47De carne e osso.
15:49Sente.
15:51Sofre como nós.
15:52Eles não são como nós.
15:53Podem ser sua propriedade, mas não são bichos.
15:55Eles são negros.
15:56São gente.
15:57Você veio de muito longe.
15:58Você não sabe como funcionam as coisas por aqui.
16:00Eu não quero ouvir esse tipo de justificativo.
16:02Isso é desumano.
16:03Raposo.
16:04A sua filha gritou comigo.
16:07Espera, Rosa.
16:09Peça desculpas à sua tia.
16:10O quê?
16:12Peça desculpas.
16:13Isso não está certo.
16:14Peça desculpas.
16:20Me desculpe.
16:26Agora vamos tratar da vida, hein?
16:28Quero um pouco de paz.
16:29Me traz um trago de alguma coisa aí.
16:32Nessa casa não tem bebida alcoólica.
16:35Isso é uma casa de família.
16:37Precisava castigar os preços na nossa chegada.
16:40Você sabe como ela é.
16:41É claro.
16:42Você criou essa menina feito homem.
16:44Com uma espada na mão, fazendo ginástica ao ar livre.
16:47Todo tipo de coisa masculina.
16:50Olha aí no que deu.
16:51Ela ficou impossível.
16:53Dionisa.
16:54A gente não acabou de chegar de viagem.
16:56Estamos cansados.
16:57Está na hora de cortar o mal pela raiz.
17:00Eu vou transformar Joaquina numa...
17:02Não fala esse nome que é perigoso.
17:05O nome dela é Rosa.
17:08Que horror.
17:09Eu sei.
17:10Pessoas castigadas como animais de carga dentro da nossa casa.
17:13Eu sei, eu sei.
17:14É um horror.
17:15Mas fazer o quê?
17:16São os costumes do lugar.
17:17Costumes absurdos.
17:20André, me dá licença que eu preciso falar com a sua irmã.
17:31Desculpa.
17:33Não conseguiu vender a preta.
17:35Está ficando velha e gorda.
17:36Quem vai querer esse estrupício?
17:38Nós temos visita.
17:41Esconde a comida.
17:45Meu filho.
17:49Eu não quero brigar com você.
17:51Nem eu com o senhor.
17:53Mas você, minha filha, você...
17:57Você precisa pelo menos...
18:00Você precisa pelo menos tentar entender melhor as pessoas, os modos da terra.
18:05Modos? O que eu vi foi uma crueldade.
18:08Quer me deixar falar?
18:11A corte agora está aqui.
18:13O Brasil deixou de ser colônia e passou a ser capital do reino.
18:16Mas eu sei disso tudo, pai.
18:17Não me interrompa!
18:21A coroa tem os seus súditos, tem os seus vassalos, tem os seus escravos, como sempre foi.
18:25Nada mudou.
18:26Ou melhor, mudou para continuar no mesmo.
18:29Foi por isso que o príncipe a gente veio de Portugal.
18:31Foi por isso que ele trouxe a corte para cá.
18:33Para que o reino permanecesse unido.
18:35Ele fugiu, o senhor quer dizer?
18:37O senhor não pode acreditar nisso que o senhor está falando.
18:40O Brasil tem tudo para ser um país independente.
18:42Independente.
18:43Vai ser governado por quem?
18:44Pelos búlgares?
18:46Pelos capitães de mato? Pelos escravos?
18:48Pelos brasileiros.
18:49Não existe povo brasileiro, minha filha.
18:50Existe uma nação de cafuzes, de mamelucos.
18:52O que existe é o povo português, somos nós.
18:54Eu nasci aqui.
18:56E o senhor também.
18:58Tudo que eu sou devo à coroa.
19:00E repito.
19:02Temos que ser fiéis ao regente.
19:04Principalmente agora que o seu policial está se fechando.
19:08Os rebeldes vão ser massacrados.
19:10Como meu pai?
19:11Como seu pai.
19:12Mas o senhor é meu pai agora.
19:14Como pode esquecer quem foi?
19:16O senhor era um rebelde, um idealista.
19:18Era.
19:20Eu fui um rebelde porque eu não queria pagar os impostos.
19:23Eu era jovem, irresponsável.
19:25Eu me adaptei.
19:26Eu não sei se esse homem que o senhor é agora...
19:28teria me salvado como fez naquele tempo, quando eu era criança.
19:40Não diga isso, não.
19:44Assim você me ofende.
19:55Meu filho.
19:56Um físico.
19:58Médico formado em Coimbra.
20:01Eu arrebento de orgulho.
20:02A que preço, meu pai?
20:04A mãe me falou que o senhor vem lutando com dificuldade.
20:06Por que não me disse nada?
20:08Isso é problema meu.
20:10Agora é hora de arrumar as coisas, de ajeitar tudo.
20:14Estou pensando em abrir um consultório na vila para você.
20:17Uma casa de prática médica.
20:21Meu filho.
20:22Doutor formado em Coimbra.
20:27Coronel Omar Gizé de Faria.
20:30Enviado do próprio príncipe regente Dom João VI.
20:33Ação de cor, senhor intendente.
20:35A capitania alugou um quarto para o senhor.
20:38Não é grande coisa, mas há de servir.
20:39Sim, senhor.
20:41O senhor veio de África?
20:43Deve estar exausto.
20:44Confesso que sim.
20:45Do Rio de Janeiro até aqui foram dias de cavalgada, senhor.
20:48Ninguém além de mim e do coronel Torrentino sabe sua verdadeira identidade.
20:53Ou o que veio fazer aqui.
20:54A minha missão é secreta.
20:56Não é de hoje que há vários focos de rebelião em Vilarica.
20:58O senhor já trabalhou infiltrado?
21:00Em Cabo Verde, Moçambique.
21:02Trabalhei como escravo nas minas de sal e nas jazidas de diamantes.
21:19A bandeira dos inconfidentes.
21:21Essa bandeira foi apreendida em 1789.
21:24Mas há notícias de que mandaram confeccionar uma grossa há poucos meses.
21:29Um número grande.
21:30Os rebeldes estão tramando alguma patifaria.
21:33Aqui em Vilarica ou no Rio de Janeiro.
21:36Seja onde for, senhor intendente, eles serão detidos e presos por crime de traição de lesa majestade.
21:42Depende do senhor.
21:43Eu não vou decepcionar o senhor e nem o príncipe regente.
21:48Muito bem.
21:50Está dispensado.
21:53Eu recomendo que saia pelos fundos, para que não seja visto.
22:01Senhor.
22:18Liberdade.
22:21Ainda que tardia.
22:25Devo aprostar continuança a um negro?
22:27Não é um negro.
22:29É um coronel de infantaria, enviado pela coroa.
22:32Ele serviu como um exército de soldados.
22:34Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:36Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:38Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:40Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:42Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:44Ele foi o primeiro a ser exilado.
22:46Enviado pela coroa, ele serviu como honro nas colônias.
22:49Rebelou rivales e impediu que a monarquia corresse risco.
22:54E veio fazer a mesma coisa aqui.
22:56Esse negro, como você diz, é um matador de rebeldes,
23:04o Enviado da Coroa.
23:16Você nunca mais faz esse tipo de coisa, Luanda.
23:19Não sabe que essa viana é de estimação da dona Dionísio?
23:22Ele é meu homem, Blandina.
23:24Seu? É dela!
23:26Ela que comprou sua tonta, que nem eu, que nem você.
23:31Tinha que ver a senhazinha me defendendo da velha Salina.
23:34Ela é uma linda.
23:36Ela é uma linda.
23:38Ela é uma linda.
23:40Ela é uma linda.
23:42Ela é uma linda.
23:44Tinha que ver a senhazinha me defendendo da velha Salina.
23:47Você não fala assim da dona Dionísio.
23:50Que a senhazinha rosa defendeu você?
23:52Porque não tem juízo assim, que nem você também não tem.
23:57Ah, Blandina.
23:59É verdade que a família Real se mudou para o Brasil?
24:02Eles vieram de Malicuia, é madrinha?
24:04Sim.
24:06Será que eles vieram aqui para a Vila Rica?
24:08Meu sonho é me casar com um conde.
24:10Um dia eu vou virar condessa.
24:12Pelo menos uma marquesa.
24:14Para os nossos nobres perderem a cabeça.
24:16Gente malvada. Cortar a cabeça de um rei?
24:19E de uma rainha.
24:21É a república, mimi.
24:23Ela vem com a espada na mão.
24:25Mas deveria trazer flores, credo.
24:27Essa república é uma desalmada.
24:29Essa roupa não me serve, madrinha.
24:31Coisa justa?
24:33Eu? Não sei triturar?
24:35Passa a barra da saia da Girona, mimi.
24:37Eu?
24:39É, depois vou comprar um outro de vir na taverna.
24:41Não, madrinha, um outro de vir é muito pesado para carregar.
24:44Eu?
24:46Nunca vi mulher que não sabe costurar.
24:49Marca bem rente.
24:51Se ajoelha logo, que é o que você sabe fazer bem.
24:54Você não briga com a sorte, viu, Girona?
24:59Você me espetou de propósito.
25:01É o que você merece.
25:03Eu sou a mula!
25:15Outro de vir, Tuco. Bem pesado.
25:18O senhor não vai roubar a gente.
25:20Eu não sou Tuco.
25:22E vocês não são bem-vindas aqui.
25:24E o meu dinheiro?
25:26É bem-vindo?
25:29Vamos embora.
25:31Eu não quero problemas com intendentes.
25:33Tuco medroso.
25:35Não sai da casa de tal, vem aqui que eu posso dar de bom moço.
25:37Cagalhão.
25:39Não é bom, mas é moço.
25:41Olha o respeito.
25:42Segue as moças, homem.
25:44Elas não deveriam estar aqui.
25:46Elas têm que comprar pelos pontos.
25:48O senhor é forasteiro, não conhece um intendente.
25:51Ele não perdoa.
25:53O dinheiro de todo mundo é igual.
25:55O senhor tem que vender.
26:04Agora, sai daqui.
26:06Às duas.
26:08O senhor está disposto a arrumar confusão, não é mesmo?
26:12Não é mesmo a sua graça?
26:14Caldeira?
26:16Porque faz caldo.
26:19Engraçadinho.
26:21E foi que lhe deu esse nome.
26:23E o que é que o senhor tem a ver com isso?
26:26Segredo meu?
26:28Todo mundo tem seus segredos, não é?
26:30Um forasteiro deve respeitar os costumes da cidade.
26:35Um cristão deve ter amor ao próximo.
26:38Nosso senhor também era judeu.
26:41Seu segredo está bem guardado comigo.
26:47Posso ajudar as senhoras?
26:49A gente não é senhora.
26:51E o senhor, quem é?
26:53Pode pagar pela nossa companhia.
26:55Adoraria, mas eu não tenho namorada.
26:57Além do mais, a gente é moça direita.
26:59A gente não vai servir com isso, não.
27:01Mas quem falou em rua?
27:03Eu quero apenas acompanhar duas moças indefesas.
27:12Você me serve um chá, por favor?
27:14Uma preta bebendo um chá.
27:16Era só o que me faltava.
27:19O que foi que você disse, menina?
27:21O que está acontecendo aqui?
27:24A escrava me chamou de preta.
27:26E, por acaso, você é branca?
27:29Luanda, para a cozinha.
27:33Ela se recusou a me servir.
27:35Ela nunca viu uma liberta antes.
27:37Pois é.
27:38Tenha paciência, Bertolesa.
27:40Nós somos a novidade da cidade.
27:42E olha que aqui não acontece nada.
27:44Está todo mundo curioso para saber
27:46da chegada da família imperial.
27:48E vocês vieram junto com eles.
27:50Na mesma esquadra.
27:52Infelizmente.
27:54Guarde suas opiniões para si, Rosa.
27:56Os ânimos estão acerrados.
27:58Ninguém sabe onde isso vai dar.
28:01Precisamos ser discretos.
28:03Eu é que não vou servir aquela negrinha cheirida.
28:06Não vai o quê?
28:08A preta é de estimação da patroa, mulher.
28:12Você vai acabar se dando mal, Luanda.
28:15Vai acabar indo para a chibafa.
28:17Você não viu as roupas dela, não?
28:19Está usando seda, crepe, viludo.
28:22Teve a escrava toda imprequitada.
28:24Ela não é escrava, não.
28:26Ela é forra.
28:28Ela não é escrava.
28:30Ela é forra.
28:31Ela não é escrava, não.
28:33Ela é forra.
28:35Nunca vi isso.
28:37Preto é preto e branco é branco.
28:41O senhor veio das colônias?
28:43Sim, senhora.
28:45E quer trabalhar aqui?
28:47Sim, senhora.
28:49Preciso mesmo de um homem forte.
28:51Alguém capaz de controlar os meus clientes mais afoitos.
28:54Mas sem machucar.
28:56São eles que trazem o dinheiro para cá?
28:58Sim, senhora.
29:01Posso pagar 4 mil reais por semana.
29:05Mais barato do que comprar um escravo.
29:08Além de mais, um escravo não pode bater em ninguém.
29:11Não serve para vigia.
29:13Um negro forra é diferente.
29:15O senhor começa hoje mesmo.
29:17Obrigado, senhora.
29:21Você por aqui?
29:23Vocês se conhecem?
29:25Esse senhor salvou minha vida.
29:27E eu?
29:28Esse senhor salvou minha vida.
29:34Vamos começar.
29:36Vamos ter que pular.
29:41Quem vem lá?
29:43Uma senhorita e sua dama de companhia.
29:46A senhorita eu vi na carruagem assim que chegou à Vila Rica.
29:49Linda.
29:51Mas me pareceu um pouco mimada.
29:59Muito obrigada, senhor.
30:01Eu que agradeço.
30:03Chegaram bem ao seu destino depois do acidente com a carruagem?
30:06Muito bem. Obrigada.
30:08Vamos, Bertoleza.
30:10Bertoleza. Lindíssimo nome, senhorita.
30:14Com licença.
30:16Querem sair da nossa frente, por favor?
30:21O senhor é muito abusado.
30:23Não, não.
30:26O senhor é muito abusado.
30:29Curioso.
30:31Nós nunca conversamos, mas eu tenho a impressão de que já ouvi isso avãs.
30:35Será possível que uma dama delicada como a senhora
30:39saiba manejar com destreza uma arma de fogo?
30:42Eu não sei do que você está falando.
30:44Sai da minha frente.
30:46Senhorita Rosa?
30:50Esse rapaz a incomoda?
30:52Rosa?
30:53Rosa.
30:55Esse é o seu nome?
30:59Senhor, acho que essa conversa não lhe diz respeito.
31:02Saia do caminho da senhorita, rapaz.
31:05O senhor é muito descortês.
31:07E você é muito atrevido.
31:09Terei de lhe ensinar bons modos?
31:15Estou à sua disposição, meu senhor.
31:23A CIDADE NO BRASIL
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