00:00O real brasileiro se destacou como a quarta moeda que mais se valorizou frente ao dólar,
00:05impulsionado por fatores como aumento da taxa Selic, crescimento das exportações
00:09e a entrada de investimentos estrangeiros.
00:11Esse desempenho positivo reflete a confiança dos investidores, ou refleteria,
00:16na economia brasileira e contribui também para a redução da inflação,
00:20fortalecimento do poder de compra no país.
00:22Vamos chamar a Valéria Luizete, que vai trazer os detalhes.
00:25Daqui a pouco a gente analisa com os nossos amigos aqui.
00:28Fala, Valéria, bem-vinda.
00:30Boa tarde, Evandra, a todos que nos acompanham.
00:34Pois é, esse levantamento foi trazido por uma agência classificadora de riscos,
00:40a Olsen Rating, que mostrou que apenas três moedas em todo o mundo tiveram, então,
00:45um desempenho melhor do que o real frente ao dólar.
00:49Foram elas rublo russo, CD de Gana e também a coroa sueca.
00:54Nós conversamos, inclusive, com o Alex Agostini, que é economista-chefe
00:58dessa empresa que fez esse levantamento a partir de dados do Banco Central.
01:03E ele respondeu para a gente que quatro fatores influenciaram principalmente
01:08a esse bom desempenho do real frente ao dólar.
01:11O primeiro deles, o risco externo menor.
01:13O FED, o Banco Central dos Estados Unidos,
01:16manteve os juros elevados depois de três reuniões consecutivas,
01:19mas o índice de preços ao consumidor dentro do país veio abaixo do esperado.
01:25E, com isso, tem gerado uma expectativa de corte nos juros americanos,
01:30o que acaba favorecendo o investimento em países emergentes, como é o caso do Brasil.
01:35O segundo ponto que ele demonstrou para a gente foi a trégua comercial entre os Estados Unidos e a China,
01:41que aconteceu agora no dia 12, reduzindo as tarifas bilaterais entre os países por pelo menos 90 dias.
01:47E a medida acabou sendo muito bem recebida pelos mercados
01:50e acabou contribuindo aí para uma valorização de outras moedas para além do dólar.
01:56O terceiro ponto foi o risco fiscal brasileiro, que tem sido um pouco menor.
02:02Apesar das expectativas, os resultados fiscais recentes foram melhores do que estava sendo esperado
02:10e isso acabou aumentando a confiança nos investidores,
02:13mesmo com os desafios que a gente ainda tem com a prestação de contas públicas.
02:18E o quarto fator seria o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos.
02:23A última reunião do Copom bateu o martelo aqui numa Selic de 14,75% ao ano no Brasil,
02:30o que está bem acima da faixa de 4,25%, 4,5% nos Estados Unidos,
02:36o que também acaba atraindo mais investidores, com maior risco,
02:40mas acaba atraindo mais investidores aqui para o Brasil, Evandro.
02:43Obrigado pelas informações, viu?
02:45Valéria, um abraço para você.
02:46Daqui a pouco eu trago os dados aqui que a gente preparou uma ilustração.
02:49Antes eu quero contar também que economistas consultados pelo Banco Central
02:52disseram que a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos pode aliviar a inflação no Brasil,
02:58especialmente por meio do aumento nas exportações de commodities para a China.
03:02Commodities como soja, milho,
03:04que está tentando substituir os produtos que importava dos Estados Unidos
03:09pelo fornecido ou pelos fornecidos por outros países.
03:13Vamos então com a Danúbia Braga, que vai explicar um pouquinho dessa história para a gente agora.
03:17Bem-vinda, Danúbia. Boa noite.
03:20Olha só, Evandro, boa noite para você, boa noite a todos.
03:24De acordo, então, com uma pesquisa realizada com diversos economistas,
03:28em torno de 127 economistas,
03:31eles não conseguiram chegar num consenso a respeito, então,
03:36sobre a importância disso.
03:38Isso porque 63% acreditam que o impacto líquido seja desinflacionário no país.
03:4323% acreditam numa neutralidade.
03:46Já 14% acreditam que a guerra comercial vai fazer com que a inflação suba aqui no Brasil.
03:54Essas respostas desse levantamento foram enviadas no dia 25 para o Banco Central,
04:00ou seja, antes do acordo comercial entre Estados Unidos e China.
04:05E aí, serviram, então, de subsídio justamente para a ata do Copom,
04:09que na última decisão elevou, então, para 14,75% ao ano a taxa Selic,
04:16o maior patamar dos últimos 20 anos.
04:19No último encontro, então, do Copom,
04:22ele incluiu no seu balanço de riscos entre vetores que puxariam ali os preços para baixo
04:27a chance, então, de queda nos preços de commodities.
04:32Cenário que agora fica mais incerto depois, justamente,
04:36desse acordo comercial entre China e Estados Unidos.
04:40Volto com você, Ivan.
04:41Valeu, Danúbia.
04:42Agora, para a gente arrematar nossa conversa,
04:44eu vou trazer aqui um pouquinho daquela valorização das moedas em relação ao dólar.
04:47O real ficou entre as principais moedas que mais valorizaram agora nos últimos dias.
04:52Nós preparamos uma ilustração para você entender essa sequência.
04:55Dentre as moedas que mais valorizaram em relação ao dólar,
04:58nós temos, em primeiro lugar, a moeda russa, com 34,2%,
05:03a variação do ano até o dia 13, agora, de maio,
05:07a moeda de Gana, com 16,6%,
05:09aí vem a coroa sueca, com 13,5%,
05:12o real brasileiro, com 10,1%,
05:14a coroa norueguesa, com 9,8%,
05:17e a moeda da Hungria, com 9,5%,
05:21na variação, agora, até 13 de maio.
05:23Por que que isso acontece?
05:25Gani, como que a gente deve avaliar o Brasil em quarto lugar?
05:30Olha só, basicamente, por fatores externos.
05:33Então, a taxa de juros no Brasil está muito atrativa,
05:37a Selic está em 14,75% ao ano,
05:41enquanto lá nos Estados Unidos,
05:42a taxa fica no intervalo de 4,25% a 4,5%.
05:45E há uma perspectiva de queda,
05:48porque os índices de inflação têm vindo,
05:50pelo menos o último, abaixo do esperado.
05:53Então, o FED cogita em reduzir a taxa de juros.
05:58Então, aumentou o diferencial de taxas de juros
06:01entre o Brasil e os Estados Unidos.
06:04Em outras palavras, a renda fixa brasileira
06:06se torna muito atrativa,
06:09numa operação que a gente chama de carry trade.
06:11Então, o estrangeiro vem para cá,
06:13compra reais, ou seja,
06:15aumenta a demanda por real,
06:16o real se valoriza perante o dólar.
06:19Esse é o primeiro fator.
06:20O segundo fator seria uma percepção dos investidores
06:25que, nessa guerra tarifária,
06:27o Brasil seria menos atingido.
06:29Primeiro, porque ele recebeu a tarifa mínima dos Estados Unidos.
06:33Segundo, que ele exportaria mais para a China.
06:37Então, ele é menos atingido pelos Estados Unidos
06:39e, por outro lado, aumenta as exportações para a China.
06:42Se ele vende mais para a China
06:44e o dólar continua sendo a reserva global,
06:47a principal moeda comercial nas transações econômicas,
06:51ou seja, entra muito o dólar,
06:53aumenta o fluxo de dólares aqui para o Brasil,
06:57portanto, isso também acaba valorizando o real perante o dólar.
07:01O mercado age, Evandro, se antecipando a movimentos.
07:05Então, ele se antecipou a esses dois movimentos que eu falei.
07:08Agora, em relação à questão fiscal,
07:11eu discordo um pouco da consultoria,
07:12porque eu não vi essa melhora do ponto de vista fiscal.
07:15Agora, se a gente tiver uma grande melhora do ponto de vista fiscal,
07:20aí há possibilidade do real se valorizar ainda mais
07:25e cair mais perante o dólar.
07:27Nessa lista de valorizações em relação ao dólar,
07:30temos mais.
07:31Em sétimo lugar, Marrocos,
07:32a Polônia em oitavo,
07:33seguida de República Tcheca,
07:35depois Suíça,
07:36a Zona do Euro e também Reino Unido
07:38já ficaram um pouco mais abaixo.
07:40Em décimo segundo, a Zona do Euro
07:41e, no caso do Reino Unido,
07:43que é a Libra Esterlina,
07:44em vigésimo segundo lugar, com 6,1.
07:46Piperno?
07:48Tem tudo isso que o Alan falou
07:49e é óbvio que o Brasil,
07:51no caso da guerra tarifária,
07:54eu acho que o Brasil ficou bem posicionado.
07:57E o Brasil tenta todo dia ampliar mercado,
08:01isso é muito importante,
08:02novas exportações e investimentos estão sendo anunciados.
08:06Se há investimentos aqui,
08:08é sinal que o Brasil ainda provoca,
08:10no mínimo, alguma confiança por parte desses investidores.
08:14Isso também se reflete na Bolsa,
08:16que bateu o recorde nessa semana,
08:18139 mil pontos e tal.
08:20Agora, também mostra o grande movimento especulativo
08:26do qual o Brasil foi vítima no final do ano passado,
08:29quando ocorreu aquela disparada
08:31sem nenhum lastro no mundo real.
08:34Não, não, não, não.
08:35Teve lastro, sim, no mundo real.
08:37A disparada, Fábio Piperno,
08:39para refrescar a sua memória,
08:41ocorreu justamente com o pacotinho fiscal.
08:43Quando veio o pacotinho de figurinha lá,
08:45o pacotinho fiscal.
08:46A hora que abriu o pacotinho fiscal,
08:49aí tiraram uma figurinha.
08:51Qual que era a figurinha?
08:52A isenção do imposto de renda.
08:54E aquilo gerou...
08:55Ah, mas o mercado se antecipa.
08:58Aí, falou,
09:00da onde que vai vir o dinheiro
09:01para ter isenção do imposto de renda?
09:02Aí o dólar disparou.
09:03O mercado, ele não tem lado,
09:05não é esquerda, direita,
09:06ele age racionalmente.
09:07O mercado...
09:08Sabe o pacotinho de figurinha?
09:09Você sabe que o mercado está parecendo grávida
09:11de 13, 14 meses, né?
09:13Nossa Senhora.
09:13Fala, Segre.
09:15Eu estava vendo o tempo
09:16que ficava disponível para comentar.
09:18O dólar era um ambiente transável,
09:20dependendo da oferta e da procura.
09:21Finais do ano passado,
09:23o dólar fechou 6,19.
09:26Desvalorização,
09:26respeito de 31 de dezembro de 2023,
09:3027,8%.
09:32Agora estamos comemorando,
09:33está certo, é do jogo.
09:35Melhorou 10%,
09:36é 9,50 e pouco por cento.
09:39Mas mesmo assim,
09:40por que que é isso?
09:40E nós alertamos sobre isso
09:42no final do ano passado,
09:43no 3 em 1.
09:44Quando mencionamos,
09:45a partir do mês de fevereiro,
09:46quando comece a aumentar de novo
09:48a taxa de juros selic,
09:49vai acontecer o que Alan
09:50perfeitamente indicou.
09:51Chama carry trade.
09:52Vem o americano,
09:53tem 200 dólares,
09:55coloca 100 dólares nos Estados Unidos,
09:57no final do ano,
09:5712 meses,
09:58vai ter 104 dólares.
10:00Menos a inflação,
10:01vai ter o que ele
10:02vai ganhar realmente.
10:03Aí chegou esses 100 dólares,
10:05trouxe para aqui,
10:06vendeu a 6,19,
10:08final do ano,
10:10colocou em taxa de juros,
10:12aumenta a oferta de dólares,
10:13diminui a cotização em relação ao real,
10:16ele vai ter 114,
10:18equivalente, né?
10:20Mais a diferença de câmbio,
10:21é um negócio fechadíssimo.
10:23E por que que isso acontece também?
10:25Porque vem muito dólar de fora para isso.
10:27O problema é que em algum momento,
10:28esse dólar que chegou,
10:30volta a sair,
10:31porque não é direto,
10:32não é investimento direto do exterior.
10:34Mesmo assim,
10:35investimentos direto do exterior
10:36formam parte da oferta.
10:38E superávit da balança comercial
10:40também faz parte da oferta.
10:42Então, não é uma questão de que,
10:43aleluia,
10:44que coisa boa fez o governo
10:46para que isso aconteça.
10:47É simplesmente questão internacional
10:49e de especulação.
10:49Mesmo que o PIP não não goste.
Comentários