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  • há 8 meses
Rosicleia Campos fala de sacrifícios pelo judô

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Esportes
Transcrição
00:00Muito legal você falar dessa sua experiência com o judô feminino, seu início, você teve aí um apoio da sua família para treinar e ao longo de toda a sua história você não só testemunhou como construiu, como você acabou de colocar aí o avanço do judô feminino no Brasil.
00:20E aí a gente tem tantos nomes consagrados que trabalharam com você, Kathleen Quatro, Sarah Menezes, Rafaela Silva, então eu queria que você falasse um pouco de como foi esse processo de trabalhar para o crescimento do judô feminino no Brasil, quais as dificuldades que você teve, quais são as dificuldades que as mulheres ainda enfrentam hoje em dia dentro dessa modalidade?
00:47É muito bom você tocar nesse assunto usando a palavra dificuldade, né? Quando a gente vê de fora, a gente vê, é romantiza muito, acho tudo glamuroso, ah, você conhece mais 50 países, ah, você foi para oito Olimpíadas, mas não sabe a cota de sacrifício que isso requer, né? Principalmente sendo mulher.
01:07Eu estive no papel de atleta, estive no papel de treinadora, de coordenadora, e essa minha transição de atleta para treinadora também não foi fácil, eu tive muitos dedos apontados para mim, por eu ser mulher, por eu ser jovem, achar que eu estava ocupando um espaço masculino.
01:24Simultaneamente, eu também vim como treinadora do Flamengo, é que eu tive mais acolhimento porque eu, desde muito jovem, estando no clube, mas a nível nacional eu sentia essa questão, né, esse questionamento, por que ela?
01:39E foram dias muito duros de incertezas, em momentos em que, às vezes, eu ajoelhava no chão de um hotel, quando, naquela época, quando o feminino não trazia resultado, não trazia rendimento, eu ficava assim, senhor, será que é isso mesmo? Eu estou fazendo a coisa certa?
01:57E sim, as meninas falaram, tia Rose, né, que todo mundo chama tia Rose, você era muito dura, porque eu não tinha outro caminho, eu não tinha outra forma, eu precisava ser muito dura porque a cobrança era muito grande,
02:07a gente pedia o investimento, e o investimento, eles queriam primeiro resultado, mas a gente deu, o nosso trabalho foi muito prestigiado, apostaram, investiram realmente no judô feminino, porque antes era só no masculino, a gente conseguiu dividir o judô feminino do masculino, a gente conseguiu ter autonomia, a gente conseguiu ter um planejamento único,
02:30e aí houve todas as primeiras vezes, né, a primeira medalha olímpica vindo pela Ketlin Quadros, o primeiro ouro mundial vindo pela Rafaela Silva, o primeiro ouro olímpico vindo pela Sara Menezes,
02:47eu fui a primeira treinadora mulher a receber o prêmio Brasil Olímpico como melhor treinadora do Brasil, então foram muitas primeiras vezes,
02:55e eu fico muito feliz de ter participado disso tudo, mas não foi fácil, sabe, é muita luta, muita dedicação, eu fui mãe nesse período todo,
03:05eu fui mãe do Matheus e da Ana Clara entre Londres e o Rio 2016, e as pessoas falavam que eu não ia conseguir voltar,
03:13eu abri mão de ser mãe, né, os primeiros, essa primeira infância dos meus filhos eu estive distante,
03:19quem não é mãe que estiver ouvindo vai entender que quando nasce um filho, nasce uma mãe culpada,
03:25eu carrego muita culpa, mas eu tinha propósito, né, e a gente perde muita coisa, os meus filhos eu não ouvi falar mamãe,
03:35eu não ouvi nascer o primeiro dentinho, porque eu estava trabalhando com o judô, né, trabalhando com o judô da seleção,
03:40trabalhando com o judô flamengo, mas quando a gente olha para trás, olha por trás do ombro e vê a trajetória linda
03:46que o judô feminino fez e continua fazendo, continua performando, eu vejo assim, nossa,
03:53a parte da minha vida está nessa história, eu pavimentei essa história, tanto como atleta,
03:58como treinadora e como coordenadora e como torcedora agora, comentarista também.
04:02Obrigada.
04:03Obrigada.
04:04Obrigada.
04:05Obrigada.
04:06Obrigada.
04:07Obrigada.
04:08Obrigada.
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