Amadurecer é uma forma silenciosa de dizer adeus. É entender que o coração, por mais valente que seja, não sobrevive à convivência com aquilo que um dia foi tudo — e que hoje dói em silêncio. É aceitar que não se pode transformar um amor em amizade como se fosse fácil mudar a forma da saudade. Porque amar alguém é escrever a história com o peito aberto, é se perder nos olhos, nas risadas, nos planos, e acreditar que aquilo era eterno. Mas quando tudo desaba, fingir que nada aconteceu — que podemos simplesmente nos tornar "amigos" — é apagar a poesia e manter só a sombra das palavras. Amadurecer, então, é compreender que preservar a própria paz às vezes significa abrir mão de uma presença que ainda tem o perfume do passado. É escolher o silêncio onde antes havia promessas. É deixar partir quem um dia foi morada, mesmo que o coração ainda sussurre o nome nos dias de chuva. Porque o amor, quando verdadeiro, não sabe se encaixar nas molduras frias da amizade. Ele arde, mesmo disfarçado. Ele pede tudo — ou nada. E nesse nada, amadurecer é entender que deixar ir é um ato de amor próprio. Que dizer "não posso ser seu amigo" é, na verdade, o jeito mais bonito de dizer: "Te amei tanto, que não sei te amar pela metade."
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