- há 2 dias
Título do livro: Testemunhos para a Igreja, vol. 1
Autor do livro: Ellen G. White
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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
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Categoria
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Estilo de vidaTranscrição
00:00Capítulo 3 – Sentimentos de Desespero
00:04Em junho de 1842, o Sr. Miller fez a segunda série de conferências, em Portland.
00:11Considerei grande privilégio haver assistido a essas conferências,
00:15pois eu caí em desânimo e não me sentia preparada para encontrar-me com o meu Salvador.
00:20Essa segunda série criou na cidade muito mais agitação do que a primeira.
00:24Com poucas exceções, as várias denominações fecharam as portas de suas igrejas ao Sr. Miller.
00:31Muitos pregadores, nos vários púlpitos, procuravam expor os pretensos erros fanáticos do conferencista,
00:38mas multidões de ouvintes ansiosos assistiam às suas reuniões,
00:42e por falta de lugar, muitos ficavam sem poder entrar.
00:46A congregação ficava silenciosa e atenta, contrariamente ao seu hábito.
00:51O estilo de pregar do Sr. Miller não era floreado nem retórico.
00:56Ele apresentava fatos claros e surpreendentes que arrancavam os ouvintes de sua despreocupada indiferença.
01:03No decorrer da pregação, confirmava suas declarações e teorias com provas das escrituras.
01:09Acompanhava suas palavras um poder convincente, que parecia assinalá-las com uma linguagem da verdade.
01:15Ele era cortês e simpático.
01:17Quando todos os assentos da casa estavam ocupados, e a plataforma e lugares em redor do púlpito
01:24pareciam literalmente cheios, eu via sair do púlpito, descer a nave e tomar pela mão algum idoso ou idosa
01:31e achar-lhes um assento, voltando então e reatando o fio do seu discurso.
01:37Era, na verdade, justamente chamado Pai Miller, pois exercia cuidado vigilante sobre os que estavam
01:43sob o seu ministério.
01:45Era afetuoso em seu modo de agir, dotado de disposição jovial e coração terno.
01:51Como orador era interessante, e suas exortações tanto a cristãos professos como aos impenitentes
01:57eram apropriadas e poderosas.
02:00Algumas vezes, uma solenidade tão assinalada, a ponto de ser comovente, apoderava-se de suas reuniões.
02:07Muitos se rendiam à convicção do Espírito de Deus.
02:11Homens de cabelos grisalhos e senhoras idosas procuravam com passos trêmulos o lugar dos
02:17que desejavam auxílio espiritual especial.
02:20Aqueles que se achavam na força da idade madura, os jovens e as crianças, eram profundamente
02:26abalados.
02:27Gemidos e vozes de choro e de louvor misturavam-se no período da oração.
02:32Cri nas solenes palavras proferidas pelo servo de Deus, e doía-me o coração quando eram
02:38combatidas ou delas se zombava.
02:40Eu assistia frequentemente às reuniões e cria que Jesus logo devia vir nas nuvens
02:46do céu.
02:46O que me preocupava, porém, era estar pronta para o encontrar.
02:50Eu pensava constantemente no assunto da santidade do coração.
02:54Acima de todas as coisas, anelava obter essa grande bênção e crer que eu era inteiramente
03:00aceita por Deus.
03:01Ouvi muito a respeito da santificação entre os metodistas.
03:05Vi muitas pessoas perderem sua força física sob a influência de forte agitação mental,
03:11e ouvi falar que isso era positiva evidência de santificação, mas não pude compreender
03:16o que era necessário para ser plenamente consagrada a Deus.
03:20Meus amigos cristãos diziam-me, creia em Jesus agora, creia que Ele a aceita agora.
03:27Tentei fazer como me disseram, mas descobri ser impossível acreditar que eu receber a bênção,
03:33a qual eu julgava deveria eletrizar todo o meu ser.
03:37Admirei-me de minha própria dureza de coração, ao ser incapaz de experimentar a exaltação
03:42de espírito que outros haviam manifestado.
03:45Parecia-me que eu era diferente deles, e para sempre impedida de fruir a perfeita alegria
03:51da santidade de coração.
03:54Minhas ideias a respeito da justificação e santificação eram confusas.
03:59Esses dois estados foram me apresentados como sendo separados e distintos um do outro.
04:05Não pude compreender a diferença ou significado dos termos, e todas as explicações dos pregadores
04:11aumentavam minhas dificuldades.
04:13Era incapaz de reivindicar a bênção para mim mesma, e desejava saber se isso devia ser
04:18achado apenas entre os metodistas, e se, ao assistir às reuniões adventistas, eu não
04:23estava me separando do que eu mais desejava, o santificador Espírito de Deus.
04:28Observei ainda que alguns que se diziam santificados manifestavam um espírito amargurado quando
04:35o assunto da breve volta de Jesus era apresentado.
04:38Isso não me parecia uma manifestação da santidade que professavam.
04:42Eu não compreendia por que os pastores do púlpito se opunham à doutrina da proximidade
04:47da segunda vinda de Cristo.
04:49Uma reforma se seguira a essa pregação, e muitos dos mais dedicados pastores e leigos
04:55haviam-na recebido como verdade.
04:58Eu tinha a impressão de que os que amavam sinceramente a Jesus, deviam estar prontos
05:03para aceitar as boas novas de seu retorno e rejubilar-se com a sua proximidade.
05:08Senti que apenas poderia reivindicar aquilo que eles chamavam de justificação.
05:14Li nas Escrituras que, sem a santificação, nenhum homem poderia ver a Deus.
05:19Nesse caso, havia alguma elevada consecução que eu deveria alcançar antes de estar segura
05:25da vida eterna.
05:26Estudei o assunto diligentemente, pois queria que Cristo estava prestes a vir, e eu temia
05:32que Ele me achasse despreparada para encontrá-Lo.
05:35Palavras de condenação ressoavam dia e noite em meus ouvidos, e meu constante clamor a Deus
05:40era,
05:46Em minha mente, a justiça de Deus eclipsava sua misericórdia e amor.
05:52Eu havia sido ensinado a crer num inferno continuamente a arder, e o aterrorizante pensamento que estava
05:58sempre diante de mim era que meus pecados eram tão grandes para serem perdoados, e que eu estava perdida
06:04para sempre.
06:05As assustadoras descrições que eu ouvira sobre os perdidos marcaram-me profundamente.
06:11No púlpito, os pastores pintavam quadros vivos da condição dos perdidos.
06:16Eles ensinavam que Deus não se propôs a salvar a ninguém, senão os santificados.
06:22Os olhos de Deus estavam sempre sobre nós.
06:38Satanás era representado como ávido por apoderar-se das presas e lançá-las na mais profunda
06:44angústia, exultando sobre seus sofrimentos nos horrores de um inferno eternamente a queimar,
06:49onde, depois de torturá-las por milhares e milhares de anos, vagas ardentes levariam
06:54à superfície, contorcidas vítimas, que gritariam,
06:58— Até quando, senhor?
07:00— Até quando?
07:01Então a resposta trovejaria no abismo.
07:04— Por toda a eternidade.
07:06Novamente as ondas fundidas engolfariam os perdidos, lançando-os nas profundidades do
07:12tormentoso mar de fogo.
07:14Enquanto ouvia essas terríveis descrições, minha imaginação foi tão afetada que comecei
07:20a transpirar e me foi difícil conter um grito de angústia, pois parecia-me já estar
07:24sentindo os tormentos da perdição.
07:27Nesse momento o pastor começou a falar sobre a incerteza da vida.
07:31No momento podemos estar aqui, no inferno, no próximo, ou num instante sobre a terra
07:36e no outro no céu.
07:38Escolheremos o lago de fogo e a companhia de demônios ou as alegrias do céu com os anjos
07:43como nossos companheiros.
07:45Ouviremos vozes de lamento e a maldição dos perdidos por toda a eternidade ou cantaremos
07:50louvores a Jesus diante do trono?
07:52Nosso Pai Celestial foi me apresentado como um tirano que se deleitava nas agonias dos
07:57condenados e não como o terno e compassivo amigo dos pecadores, que ama suas criaturas
08:03com amor que ultrapassa todo entendimento e que deseja vê-los salvos em seu reino.
08:08Meus sentimentos estavam muito abalados.
08:11Eu receava causar dor a qualquer criatura vivente.
08:15Quando via animais maltratados, meu coração se condoía.
08:19Talvez minhas simpatias fossem mais facilmente despertadas pelo sofrimento, porque eu mesmo
08:24havia sido vítima de impensada crueldade, que resultou num dano que obscureceu minha infância.
08:29Mas quando tomou posse de minha mente o pensamento de que Deus tinha prazer em torturar suas
08:34criaturas, que haviam sido formadas à sua imagem, uma cortina de trevas pareceu separar-me
08:40dele.
08:41Quando pensei que o Criador do Universo lançaria os ímpios no inferno para queimarem nas
08:47infindáveis eras eternas, meu coração curvou-se atemorizado e perdi a esperança de que tão
08:54cruel e tirânico ser consentiria em salvar-me da condenação do pecado.
08:59Pensava eu que o destino do pecador condenado seria o mesmo para mim, sofrer eternamente nas
09:04chamas do inferno enquanto Deus existisse.
09:07Essa impressão aprofundou-se em minha mente, a tal ponto que temi perder a razão.
09:13Eu observava os mudos animais com inveja, porque eles não tinham alma a ser punida após
09:18a morte.
09:19Muitas vezes tive o desejo de nunca ter nascido.
09:23Esculidão total desceu sobre mim e pareceu-me não haver um caminho para fora dessas sombras.
09:28Pudesse a verdade, como agora a conheço, ser-me apresentada então, e muitas perplexidades
09:35e tristezas terem-me sido poupadas.
09:38Se o amor de Deus houvesse sido mostrado mais demoradamente, e menos sua severa justiça,
09:45a beleza e a glória do caráter divino haveriam de inspirar-me com profundo e ardoroso amor
09:51por meu Criador.
09:52Tenho pensado que muitos internados em asilos de loucos foram para ali levados por experiências
09:58semelhantes à minha própria.
10:00Sua consciência foi abalada por um senso de pecado, e sua tremente fé não ousava suplicar
10:06de Deus o prometido perdão.
10:09Ouviam as descrições do inferno ortodoxo, até que parecia coagular o próprio sangue das
10:14veias e imprimir com fogo uma impressão nas placas da memória.
10:18Andando ou dormindo, o terrível quadro estava sempre presente, até que a realidade se perdeu
10:25na imaginação, e eles só viam arrodeá-los a chamas de fabuloso inferno, e só ouviam
10:31os gritos dos condenados.
10:33A razão foi destronada, e o cérebro se encheu de confusa fantasia de um sonho terrível.
10:38Os que ensinam a teoria de um inferno perene fariam bem em cuidar com mais atenção de
10:43sua autoridade para manter crença tão cruel.
10:46Até então, eu nunca orara em público, e tinha apenas falado algumas tímidas palavras
10:52na reunião de oração.
10:53Tive a impressão de que deveria buscar a Deus em oração em nossas pequenas reuniões
10:58sociais.
10:59Isso não ousava fazer, receosa de me atrapalhar e não poder exprimir meus pensamentos.
11:06Impressionou-me, porém, tão fortemente o senso do dever, que quando tentei orar em particular,
11:11parecia que estava a gracejar com Deus, porque deixara de obedecer a sua vontade.
11:17Venceu-me o desespero, e por três longas semanas nenhum raio de luz penetrou a escuridão
11:22que me rodeava.
11:23Intensos eram os meus sofrimentos mentais.
11:26Algumas vezes, durante a noite toda, eu não ousava cerrar os olhos, mas esperava até que
11:31minha irmã gêmea dormisse profundamente.
11:33Deixava, então, silenciosamente o leito e me ajoelhava no soalho, orando em silêncio,
11:40com uma agonia intensa que se não pode descrever.
11:43Os horrores de um inferno a arder eternamente estavam sempre diante de mim.
11:48Sabia que era impossível viver por muito tempo nesse estado, e não ousava morrer e enfrentar
11:54a terrível sorte do pecador.
11:56Com que inveja eu olhava aqueles que reconheciam a sua aceitação por parte de Deus.
12:01Quão preciosa parecia para meu coração agoniado a esperança cristã.
12:06Frequentemente eu ficava prostrada em oração quase a noite toda, gemendo e tremendo com
12:11angústia inexprimível e desespero indescritível.
12:15— Senhor, tem misericórdia!
12:18Era meu clamor, e semelhante ao pobre publicano, eu não ousava levantar os olhos para o céu,
12:24mas curvava a fronte para o soalho.
12:26Fiquei muito magra e fraca, e não obstante, ocultei meu sofrimento e desespero.
12:32Enquanto me achava nesse estado de desânimo, tive um sonho que me produziu profunda impressão.
12:38Sonhei que vi um templo em que muitas pessoas estavam se reunindo.
12:42Apenas os que se refugiassem naquele templo seriam salvos quando terminasse o tempo.
12:48Todos os que ficassem fora estariam para sempre perdidos.
12:52A multidão que se achava fora e prosseguia com seus vários interesses, caçoava e ridicularizava
12:59os que estavam entrando no templo, e dizia-lhes que esse meio de segurança era um sagaz engano
13:05e que, de fato, não havia perigo algum para se evitar.
13:09Chegaram a lançar mãos de alguns para impedir-lhes a entrada.
13:13Reciosa de ser escarnecida, achei melhor esperar até que a multidão se dispersasse
13:18ou até que eu pudesse entrar sem ser observada por eles.
13:21Mas o número aumentava em vez de diminuir, e receando ficar muito atrasada, saí apressadamente
13:28de casa e atravessei a multidão.
13:30Na minha ansiedade por atingir o templo, não notava a multidão que me cercava nem com ela
13:36me ocupava.
13:37Entrando no edifício, vi que o vasto templo era apoiado por uma imensa coluna, e a ela
13:42se achava amarrado um cordeiro todo ferido e ensanguentado.
13:46Nós, que nos achávamos presentes, parecíamos saber que esse cordeiro fora lacerado e ferido
13:52por nossa causa.
13:53Todos os que entravam no templo deveriam ir diante dele e confessar seus pecados.
13:59Exatamente diante do cordeiro estavam assentos elevados, sobre os quais se sentava um grupo
14:05de pessoas que parecia muito feliz.
14:07A luz celeste parecia resplandecer-lhes no rosto, e louvavam a Deus e entoavam alegres cânticos
14:14de ação de graças que se assemelhavam à música dos anjos.
14:18Esses eram os que se haviam apresentado diante do cordeiro, confessando seus pecados, recebido
14:23perdão, e agora, em alegre expectativa, aguardavam algum acontecimento feliz.
14:30Mesmo depois que entrei no edifício, sobreveio-me um receio e uma sensação de vergonha de que
14:35eu devesse humilhar-me diante daquele povo.
14:37Mas eu parecia ser compelida a ir para a frente, e vagrausamente caminhei em redor da coluna
14:43a fim de defrontar-me com o cordeiro.
14:46Quando uma trombeta suou, o templo foi abalado.
14:49Brados de triunfos levantaram dos santos reunidos, e um intenso brilho iluminou o edifício.
14:55Então, tudo passou a ser trevas intensas.
14:58Toda aquela gente feliz desaparecera com brilho, e fui deixada só no silencioso terror da noite.
15:05Despertei em agonia de espírito, e não pude convencer-me de que estiver a sonhar.
15:10Parecia-me que minha sorte estava fixada, e que o Espírito do Senhor me havia abandonado
15:15para não mais voltar.
15:17Logo depois disso, tive outro sonho.
15:20Parecia-me estar sentada em desespero aterrador, com as mãos no rosto, refletindo assim.
15:26Se Jesus estivesse na terra, eu iria a Ele, e me lançaria a Seus pés, e lhe contaria
15:31todos os meus sofrimentos.
15:33Ele não se desviaria de mim, teria misericórdia, e eu o amaria e serviria sempre.
15:39Exatamente nesse momento se abriu a porta, e entrou uma pessoa de porte e semblante belos.
15:45Olhou para mim compassivamente e disse,
15:48Você deseja ver a Jesus?
15:50Ele está aqui, e você pode vê-Lo, se desejar.
15:53Tome tudo o que possui e siga-me.
15:55Ouvi isso com indizível alegria, e alegremente ajuntei todas as minhas pequenas posses, e toda
16:02bujinganga que como tesouro eu guardava, e segui a meu guia.
16:06Ele me conduziu a uma escada íngreme e aparentemente frágil.
16:11Começando a subir os degraus, aconselhou-me a conservar o olhar fixo para cima, a fim de
16:16que não me atordoasse e caísse.
16:19Muitos outros que estavam fazendo essa íngreme ascensão caíam antes de alcançar o topo.
16:25Finalmente atingimos o último degrau e paramos diante de uma porta.
16:29Ali meu guia me informou que eu devia deixar todas as coisas que trouxera.
16:35Alegremente eu as depus.
16:37Então ele abriu a porta e me mandou entrar.
16:39Em um instante achei-me diante de Jesus.
16:43Não havia dúvida quanto aquele belo semblante, aquela expressão de benevolência e majestade,
16:49não poderia pertencer a nenhum outro.
16:52Quando seu olhar pousou sobre mim, vi logo que ele estava familiarizado com todas as circunstâncias
16:58de minha vida e todos os meus íntimos pensamentos e sentimentos.
17:02Procurei fugir de seu olhar, sentindo-me incapaz de suportá-lo por ser tão penetrante.
17:08Ele, porém, se aproximou com um sorriso e, pondo a mão sobre minha cabeça, disse
17:13— Não tema.
17:15O som de sua doce voz agitou-me o coração com uma felicidade que nunca experimentara antes.
17:21Eu estava alegre demais para poder proferir uma palavra e, vencida pela emoção, caí prostrada
17:27a seus pés.
17:28Enquanto ali jazia inerte, cenas de beleza e glória passaram diante de mim e parecia me
17:34ter alcançado a segurança e paz do céu.
17:36Finalmente, recuperei as forças e levantei-me.
17:40O olhar amorável de Jesus ainda estava sobre mim e seu sorriso enchia o meu coração de
17:46alegria.
17:48Sua presença despertou em mim santa reverência e amor inexprimível.
17:53Meu guia abriu então a porta e ambos saímos.
17:57Mandou que eu tomasse de novo todas as coisas que havia deixado fora.
18:01Isso feito entregou-me um fio verde muito bem e novelado.
18:05Ele me disse que o colocasse perto do coração e, quando quisesse ver a Jesus, o tirasse do
18:11seio e o estirasse inteiramente.
18:14Preveniu-me de que o não deixasse ficar enrolado durante muito tempo, para que não se embaraçasse
18:19e fosse difícil desemaranhar.
18:21Coloquei o fio junto ao coração e, cheia de alegria, desci a estreita escada, louvando
18:26ao Senhor e dizendo a todos com quem me encontrei onde poderiam achar Jesus.
18:31Este sonho deu-me esperança.
18:34O fio verde representava ao meu espírito a fé e a beleza e simplicidade de confiar em
18:39Deus começaram a raiar em meu coração.
18:42Agora, confiava todas as minhas tristezas e perplexidades à minha mãe.
18:47Ela me manifestava muita ternura e me animava, sugerindo-me que fosse aconselhar-me com o
18:53pastor Stockman, que então pregava em Portland a doutrina do advento.
18:57Eu tinha grande confiança nele, pois era um dedicado servo de Cristo.
19:02Ouvindo minha história, pôs afetuosamente a mão sobre minha cabeça dizendo com lágrimas
19:07nos olhos, Ellen, você é tão criança, sua experiência é muitíssimo singular numa
19:13idade tenra como a sua.
19:15Jesus deve estar preparando você para algum trabalho especial.
19:19Disse-me então que, mesmo que eu fosse uma pessoa de idade madura e me achasse assim
19:24perseguida pela dúvida e desespero, ele me diria saber existir a esperança para mim,
19:29mediante o amor de Jesus.
19:31A própria agonia de espírito que eu sofrera era uma prova evidente de que o Espírito do
19:36Senhor estava contendendo comigo.
19:39Disse que quando o pecador se torna endurecido no mal, não compreende a enormidade de sua
19:44transgressão, mas lisonjeia-se de que age corretamente e sem nenhum perigo.
19:49O Espírito do Senhor deixa-o e ele se torna descuidado e indiferente ou despreocupadamente
19:56arrogante.
19:57Aquele bom homem falou-me acerca do amor de Deus a seus filhos errantes.
20:02Disse que, em vez de se alegrar em sua destruição, ele almeja atraí-los a si com fé e confiança
20:08singela.
20:09Ele se demorou a falar no grande amor de Cristo e no plano da redenção.
20:14O pastor Stockman falou-me da infelicidade que eu tivera e disse que, na verdade, era uma
20:20aflição atroz, mas pediu-me que cresse que a mão de um pai amante não fora retirada de
20:25sobre mim, que na vida futura, ao dissipar-se a névoa que ora me obscureceu o Espírito,
20:31eu iria discernir a sabedoria da providência que me parecia tão cruel e misteriosa.
20:37Jesus disse a um dos seus discípulos,
20:46No grande futuro, não mais veremos obscuramente, como por meio de um espelho, mas havemos de
20:53conhecer os mistérios do divino amor.
20:55Vá em paz, Ellen, disse ele.
20:58Volte para sua casa confiante em Jesus, pois ele não retirará seu amor de todo aquele que
21:04o busca verdadeiramente.
21:05Então orou fervorosamente por mim, e parecia-me que Deus certamente ouvira a oração de seu
21:12santo, mesmo que minhas humildes petições não fossem atendidas.
21:16Saí de sua presença confortada e animada.
21:20Durante os poucos minutos que passei recebendo a instrução do pastor Stockman, obtive mais
21:25conhecimento sobre o assunto do amor de Deus e de sua compassiva ternura do que de todos
21:29os sermões e exortações que já ouvira.
21:32Voltei para casa e de novo me pus perante o Senhor, prometendo fazer tudo o que ele pudesse
21:37exigir de mim, se tão somente o sorriso de Jesus me animasse o coração.
21:42Foi-me apresentado o mesmo dever que antes, me perturbar o espírito, tomar a minha cruz
21:48entre o povo de Deus congregado.
21:50A oportunidade não tardou.
21:52Naquela noite, houve uma reunião de oração, a qual assisti.
21:56Quando todos se ajoelharam para orar, prostrei-me com eles, trêmula.
22:02Depois de algumas pessoas haverem orado, alcei a voz em oração, antes que disso me apercebesse.
22:08Naquele instante, as promessas de Deus pareceram-me semelhantes a tantas pérolas preciosíssimas
22:13que deveriam ser recebidas apenas pelos que as pedissem.
22:17Enquanto orava, o peso e a agonia de coração que havia tanto tempo eu suportava, deixaram-me.
22:23E a bênção do Senhor desceu sobre mim, semelhante a suave orvalho.
22:28Louvei a Deus de todo o meu coração.
22:30Tudo parecia excluído de mim, exceto Jesus e sua glória, e perdi a consciência do que se passava em redor.
22:37O Espírito de Deus pousou sobre mim com tal poder que não pude ir para casa aquela noite.
22:43Quando voltei para casa, no dia seguinte, grande mudança ocorreria em meu espírito.
22:48Dificilmente parecia ser eu a mesma pessoa que deixar a casa de meu pai na noite anterior.
22:54Esta passagem estava continuamente em meu pensamento.
22:58O Senhor é o meu pastor. Nada me faltará.
23:02Salmo, capítulo 23, verso 1.
23:05Meu coração transbordava de felicidade, enquanto eu suavemente repetia essas palavras.
23:12Minhas opiniões acerca do pai estavam mudadas.
23:16Considerava-o agora um pai bondoso e terno, ao invés de tirano severo que forçasse os homens a uma obediência
23:23cega.
23:23Meu coração deixava-se levar a ele em amor profundo e fervoroso.
23:28A obediência à sua vontade me parecia um prazer.
23:32Era para mim uma alegria estar no seu serviço.
23:35Nenhuma sombra nublava a luz que me revelava a perfeita vontade de Deus.
23:40Experimentei a segurança de um salvador que em mim habitava, e compreendi a verdade do que Cristo dissera.
23:47Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
23:52João, capítulo 8, verso 12.
23:55Minha paz e felicidade estava em tão assinalado contraste com minha tristeza e angústia anteriores,
24:01que parecia como se eu houvesse sido libertada do inferno e transportada ao céu.
24:07Podia até louvar a Deus pela desgraça que for a provação de minha vida,
24:11pois se tornara o meio de fixar meus pensamentos na eternidade.
24:15De natureza orgulhosa e ambiciosa, eu poderia não ter me inclinado a entregar o coração a Jesus
24:22se não fosse a cruel aflição que me separara, de certa maneira, das glórias e vaidades do mundo.
24:29Durante seis meses, nenhuma sombra me nublou o espírito.
24:33Tampouco negligenciei um dever sequer que conhecesse.
24:37Todo o meu esforço visava fazer a vontade de Deus e conservar Jesus e o céu continuamente em vista.
24:43Estava surpresa e extasiada com as claras perspectivas que agora a mim se apresentavam
24:49do sacrifício expiatório e da obra de Cristo.
24:53Não mais tentei explicar minhas aflições de espírito.
24:56Basta dizer que as coisas velhas já passaram.
25:00Tudo se fez novo.
25:01Segundo a Coríntios, capítulo 5, verso 17.
25:05Não havia uma nuvem para empanar minha perfeita aventura.
25:10Eu aspirava a contar a história do amor e de Jesus,
25:13mas não sentia disposição para entreter conversação habitual com qualquer pessoa.
25:18Meu coração estava tão cheio de amor a Deus e daquela paz que excede todo entendimento
25:23que eu me comprasia em meditar e orar.
25:27Na noite seguinte, aquela em que recebi tão grande bênção, assisti a reunião adventista.
25:33Quando chegou a hora para os seguidores de Cristo falarem a favor dele, não pude ficar em silêncio,
25:39mas levantei-me e relatei a minha experiência.
25:43Nenhum pensamento me vier à mente quanto ao que deveria dizer.
25:46Mas a singela história do amor e de Jesus para comigo caiu-me dos lábios com perfeita liberdade,
25:53e meu coração estava tão feliz por ter se libertado de seu cativeiro de negro desespero
25:58que perdi de vista o povo em redor de mim e parecia me estar sozinha com Deus.
26:03Não encontrei dificuldade em expressar minha paz e felicidade,
26:08a não ser nas lágrimas de gratidão que me embargavam a voz
26:12quando falei do prodigioso amor que Jesus havia demonstrado para comigo.
26:16O pastor Stockman estava presente.
26:19Ele me vira recentemente em profundo desespero,
26:22e ao constatar agora a notável mudança que se realizar em minha aparência e sentimentos,
26:28emocionou-se.
26:29Ele chorou em voz alta, alegrando-se comigo e louvando a Deus
26:34por essa prova de sua eterna misericórdia e amorável bondade.
26:39Não muito tempo depois de receber esta grande bênção,
26:42assisti a uma assembleia da igreja cristã que o pastor Brown dirigia.
26:46Fui convidado a relatar minha experiência,
26:49e não somente senti grande liberdade de expressão,
26:52mas também felicidade em contar minha singela história do amor de Jesus
26:56e da alegria de ser aceita por Deus.
26:59Enquanto eu falava com o coração submisso e olhos lacrimosos,
27:03parecia ter a mente atraída para o céu em ações de graças.
27:07O poder sensibilizador do Senhor apousou-se do povo congregado.
27:12Muitos choravam e outros louvavam a Deus.
27:15Os pecadores foram convidados a levantar-se
27:18para que se fizessem orações em seu favor, e muitos atenderam.
27:22Meu coração estava tão grato a Deus pela bênção que me concedera,
27:26que almejava que outros participassem dessa alegria santa.
27:30Interessei-me profundamente por aqueles que poderiam estar sofrendo
27:34sob a convicção do desagrado do Senhor e do fardo do pecado.
27:38Enquanto relatava minha experiência,
27:40pressenti que ninguém poderia resistir à evidência do amor perdoador de Deus
27:44que em mim realizaram uma mudança tão maravilhosa.
27:47A realidade da verdadeira conversão parecia-me tão evidente
27:52que eu desejava ajudar minhas jovens amigas a virem para a luz,
27:55aproveitando cada oportunidade para exercer minha influência nesse sentido.
28:01Providenciei reuniões com minhas jovens amigas,
28:04algumas das quais eram consideravelmente mais velhas do que eu,
28:07e outras, em menor número, casadas.
28:11Várias delas eram frívolas e desatenciosas.
28:14Minha experiência soava-lhes aos ouvidos como uma história ociosa
28:18e não davam crédito às minhas exortações.
28:22Decidi, porém, que meus esforços não cessariam
28:25sem que essas queridas pessoas,
28:27por quem eu tinha tão grande interesse,
28:29se entregassem a Deus.
28:31Despendi várias noites em oração fervorosa
28:34por aquelas pessoas que eu buscara e reunira,
28:37com o propósito de com elas trabalhar e orar.
28:40Algumas delas se haviam reunido conosco
28:42pela curiosidade de ouvir o que eu tinha para dizer.
28:45Outras me julgavam fora de mim,
28:47por eu ser tão persistente em meus esforços,
28:50especialmente quando não manifestavam interesse algum.
28:54Mas em cada uma de nossas pequenas reuniões,
28:57continuei a exortar e a orar em prol de cada uma separadamente,
29:01até que todas se entregassem a Jesus,
29:04reconhecendo os méritos de seu amor perdoador.
29:07Todas se converteram a Deus.
29:10Noite após noite, em meus sonhos,
29:13eu parecia estar trabalhando pela salvação de seres humanos.
29:16Em tais casos, eram-me apresentados ao Espírito casos especiais.
29:21Estes eu procurava mais tarde,
29:23orando com as pessoas envolvidas.
29:25Com exceção de uma,
29:27todas essas pessoas se entregaram ao Senhor.
29:30Alguns dos nossos irmãos mais formalistas
29:33temiam que eu fosse demasiado zelosa pela conversão das pessoas.
29:38Mas o tempo parecia-me tão curto
29:40que eu cria devessem todos
29:42que possuíssem a esperança de uma bem-aventurada imortalidade
29:46e aguardassem a próxima vinda de Cristo
29:48trabalhar sem cessar por aqueles que
29:51ainda estavam em pecados
29:53e se encontravam à beira de terrível ruína.
29:56Conquanto fosse muito jovem,
29:58o plano da salvação era-me tão claro
30:00e minha experiência pessoal tão assinalada
30:03que, considerando a questão,
30:05compreendi ser meu dever continuar meus esforços
30:08pela salvação de vidas preciosas,
30:10orar e confessar a Cristo em toda oportunidade.
30:13Todo o meu ser foi consagrado ao serviço de meu mestre.
30:17Tomei a determinação de,
30:19acontecesse o que acontecesse,
30:21agradar a Deus
30:22e viver como alguém que esperava o Salvador voltar
30:25e recompensar os fiéis.
30:27Sentia-me semelhante a uma criancinha
30:29que se dirigisse a Deus como a seu pai,
30:32perguntando-lhe o que queria que fizesse.
30:34Então, como me fosse explicado o meu dever,
30:37em cumpri-lo,
30:38eu sentia a maior das felicidades.
30:41Provações peculiares
30:42algumas vezes me assediavam.
30:44Os mais experientes do que eu
30:47esforçavam-se por deter-me
30:48e diminuir o ardor de minha fé.
30:50Mas, com os sorrisos de Jesus
30:52a iluminar a minha vida
30:54e o amor de Deus no coração,
30:56prossegui em meu caminho com alegria.
30:58Sempre que me recordo
31:00da experiência de minha infância,
31:02meu irmão,
31:03o confidente de minhas esperanças e temores,
31:05o sincero simpatizante de minha vida cristã
31:08vem-me à lembrança
31:09numa torrente de ternas memórias.
31:11Ele foi um daqueles
31:13a quem o pecado apresentou poucas tentações.
31:16Naturalmente, o consagrado,
31:17ele nunca procurou a amizade dos jovens e dissolutos,
31:21mas preferiu antes a companhia de cristãos,
31:23cuja conversão o instruísse nos caminhos da vida.
31:26Sua conduta prudente
31:28estava bem além do comportamento dos de sua idade.
31:31Ele era gentil e pacífico
31:33e sua mente estava quase que constantemente
31:36voltada para as coisas religiosas.
31:38Aqueles que o conheceram
31:40o apontavam como modelo à juventude,
31:42um exemplo vivo da graça e beleza
31:45do verdadeiro cristianismo.
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