Tardes da minha terra, doce encanto, Tardes duma pureza de açucenas, Tardes de sonho, as tardes de novenas, Tardes de Portugal, as tardes de Anto,
Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto! Horas benditas, leves como penas, Horas de fumo e cinza, horas serenas, Minhas horas de dor em que eu sou santo!
Fecho as pálpebras roxas, quase pretas, Que poisam sobre duas violetas, Asas leves cansadas de voar ...
E a minha boca tem uns beijos mudos ... E as minhas mãos, uns pálidos veludos, Traçam gestos de sonho pelo ar ...
Florbela Espanca (1894-1930) foi uma poetisa portuguesa.
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