PRESIDENTE DO PARAGUAI DEIXA O PODER
O Paraguai enfrenta uma das maiores crises políticas e financeiras dos últimos anos. Santiago Peña anunciou sua renúncia à Presidência em 5 de novembro de 2026, após o escândalo envolvendo o Ueno Bank.
A instituição digital, que atendia quase três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central após problemas graves de solvência. O episódio também colocou em discussão a gestão de recursos públicos e a fiscalização do sistema financeiro.
A crise ganhou dimensão política devido às ligações anteriores de Peña com o grupo controlador do banco. O Congresso avançou com o processo de impeachment, enquanto autoridades investigam possíveis irregularidades.
Entenda o que aconteceu com o Ueno Bank, qual é a relação com o governo paraguaio e o que pode acontecer com o Partido Colorado.
REPRODUÇÃO/SBT NEWS
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#Paraguai #SantiagoPena #UenoBank #CriseNoParaguai #PoliticaInternacional #Economia #CriseBancaria #PedroAlliana #PartidoColorado #AmericaDoSul #Impeachment #BancoCentral #NoticiasInternacionais #JornalEstadoDeMinas #PortalUai
O Paraguai enfrenta uma das maiores crises políticas e financeiras dos últimos anos. Santiago Peña anunciou sua renúncia à Presidência em 5 de novembro de 2026, após o escândalo envolvendo o Ueno Bank.
A instituição digital, que atendia quase três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central após problemas graves de solvência. O episódio também colocou em discussão a gestão de recursos públicos e a fiscalização do sistema financeiro.
A crise ganhou dimensão política devido às ligações anteriores de Peña com o grupo controlador do banco. O Congresso avançou com o processo de impeachment, enquanto autoridades investigam possíveis irregularidades.
Entenda o que aconteceu com o Ueno Bank, qual é a relação com o governo paraguaio e o que pode acontecer com o Partido Colorado.
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NotíciasTranscrição
00:00O presidente do Paraguai, Santiago Penha, renuncia ao cargo em meio à crise bancária e política.
00:06E essa decisão vem na esteira da suspensão das operações de uma das principais instituições financeiras digitais do país, o
00:14Enubank.
00:15O Acácio Filho, meu amigo, editor de assuntos internacionais, está bem por dentro dessa renúncia, agora há pouco, inclusive, e
00:23vai trazer mais informações para a gente.
00:25Boa tarde, Acácio.
00:26Boa tarde, Lívia. Tudo bom?
00:27Tudo bem. Eu estava acompanhando mais cedo o noticiário, a gente não desliga, né, acorda já acompanhando o noticiário, e
00:35começou com a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai.
00:41E aí, depois, o negócio ficou pior no ambiente político, o Congresso ameaçando impeachment, e aí veio a renúncia agora.
00:49O presidente do Banco Central do Paraguai, que renunciou, inclusive, que tinha sido indicado por Santiago Penha, que é um
00:55ex-dirigente do Enubank, que é o banco que está enfrentando essa crise.
01:00Inclusive, ele é apontado como uma das ligações entre o Santiago Penha, que apresentou a renúncia, ou atual, por enquanto
01:08ainda, presidente do Paraguai,
01:10já que o Congresso precisa fazer uma reunião conjunta, uma sessão conjunta, para decidir se aceita ou não a renúncia
01:18do Santiago Penha.
01:19E essa renúncia ele anunciou só depois que os deputados começaram a julgar o processo de impeachment dele.
01:25E a Constituição paraguaia determina que qualquer presidente que tenha sido eleito democraticamente e que terminou o mandato, que não
01:33passou por impeachment,
01:34se torna o que eles chamam lá de senador vitalício.
01:38É um senador que participa dos debates, participa dessa vida política do Senado paraguaio, mas ele não vota.
01:44Mas, de qualquer forma, vem alguns privilégios junto com esse cargo de senador vitalício.
01:50Entre os privilégios que vêm junto com esse cargo, é um privilégio meio parecido, inclusive, com o Senado aqui brasileiro.
01:56Para um integrante do Senado paraguaio, um ex-presidente que se tornou um desses senadores vitalícios, ser investigado,
02:03essa investigação precisa ser aprovada pelo Senado.
02:05Assim como aqui no Senado brasileiro, qualquer integrante para ser investigado precisa que o plenário aprove isso.
02:12Então, para não perder esse tipo de privilégio, o Santiago Penha correu, apresentou a renúncia,
02:17mas a renúncia ainda vai ser analisada pelo parlamento.
02:21A expectativa é que eles não aceitem, porque ele já perdeu, inclusive, o apoio do próprio partido, o Partido Colorado.
02:28Para quem está em casa, entender a linha do tempo, como se dá essa crise política, essa crise econômica,
02:34que começa como uma crise no banco, que atinge o Santiago Penha,
02:39na terça-feira, no início da semana, o Banco Central do Paraguai tem que intervir no Enubank,
02:44que é um dos principais bancos paraguais, é um banco que se apresenta com a proposta de ser um banco
02:50digital,
02:51um banco democrático, para você conseguir acessar fácil os serviços dele, sem burocracia.
02:56Ele funciona muito por aplicativo, funciona muito dessa forma digital.
03:01Parece que domina o mercado de cartão de crédito no país, não sei se você chegou a ver essa informação.
03:05Isso, por causa dessa facilidade que ele oferece, de facilidade, inclusive, que talvez não siga tão bem as regras do
03:16mercado.
03:17E o número de clientes dele, Lívia, ele tem cerca de quase 3 milhões de correntistas, são 2,9 milhões
03:25de correntistas.
03:26Num país, o Paraguai tem 6 milhões de habitantes.
03:29Metade da população.
03:30Metade da população com dinheiro dentro do banco.
03:33E no começo dessa semana, o Banco Central Paraguaio começou o processo de, o que eles chamam de liquidação do
03:40banco,
03:40poderia ser dito assim, que eles interrompem todas as operações do banco e falam,
03:46tem alguma coisa errada aqui e quais eram os indícios?
03:50Vamos supor que a Lívia abra um banco.
03:52Ela não pode sair emprestando dinheiro que ela não tem.
03:56Existe um índice de dinheiro que você pode emprestar em relação ao dinheiro que você tem guardado.
04:01Aqui no Brasil chama índice de Basileia, no Paraguai é o índice de Solvência.
04:06E tem o quanto você precisa de manter em caixa em relação ao que você está emprestando.
04:11No Paraguai, o que, por lei, você precisa manter é pouco mais de 13%.
04:15Então, se você vai emprestar R$100, você precisa ter R$13 guardados em relação àqueles R$100 que você
04:21emprestou.
04:22Esse é o índice que eles encontraram para determinar que uma instituição financeira está segura,
04:27caso ela precise cobrir um crédito que ela emprestou e o cliente não pagou.
04:33O Banco Central Paraguaio teve indícios que esse índice não estava sendo seguido com os empréstimos que eles estavam fazendo,
04:40porque eles estavam fazendo empréstimo para próprias empresas que fazem parte do núcleo de controladores do banco,
04:46como se fosse empréstimo de crédito de alta qualidade, um crédito que com certeza viria.
04:52E quando o Banco Central Paraguaio foi fazer essa conta de novo, o índice de Solvência, esse dinheiro que eles
04:58precisam manter em caixa,
04:59ao invés de estar em 13%, estava em 5%.
05:02Então, para cada 100 guaranis que eles emprestavam, se eles precisavam ter 13 guaranis,
05:07eles estavam fazendo esse empréstimo de 100 guaranis com apenas 5 guaranis guardados.
05:11E isso é um sinal de gestão fraudulenta, principalmente porque eles estavam emprestando dinheiro para os próprios controladores.
05:18Falha clara do Banco Central na fiscalização, né?
05:22Do Banco Central na fiscalização e quem deveria fiscalizar o banco que foi indicado pelo Santiago Penha era um ex
05:28-dirigente do banco.
05:29Ou seja, estamos todos em casa.
05:32Exatamente. Então, por conta disso que ele apresenta essa renúncia.
05:35Quem era responsável por fiscalizar o banco que o Santiago Penha indicou é um ex-funcionário do banco.
05:41Santiago Penha, ele tem um histórico, ele é do mercado financeiro, foi ministro da Fazenda, ele é um economista.
05:47Então, ele vem do mercado financeiro antes de virar, se tornar presidente do Paraguai.
05:53Foi acionista do Enubank.
05:55Ele saiu da... ele foi... era acionista de uma empresa que fazia parte dos controladores.
05:59Ele deixa de ser acionista em março de 2025.
06:03Então, foi ficando insustentável essa ligação dele com o banco no meio dessa crise.
06:06E hoje, quando os deputados decidem, então, abrir o processo de impeachment, ele apresenta a renúncia.
06:12O vice também apresentou a renúncia, o Pedro Aliana.
06:15Só que, enquanto apresentou a renúncia, não, desculpa.
06:19A Câmara dos Deputados começa a julgar o impeachment e também começou a julgar o impeachment do vice.
06:23Mas o impeachment do vice foi recusado enquanto o dele foi aceito.
06:27Então, tudo caminha nesse momento para o Santiago Penha sair da presidência, seja para o impeachment, seja para o renúncia,
06:34e o vice dele, Pedro Aliana, assumir no meio dessa crise.
06:39A gente está vendo, inclusive, esse caminho sendo pavimentado, né?
06:44O Wesley está falando comigo agora no ponto, mas não é comigo que ele queria falar.
06:49Mas foi bom ele se enganar de ponto.
06:53O Renato Machado está chegando agora, o nosso analista de assuntos internacionais, Renato,
06:57porque o próprio Wesley, que agora se enganou de ponto, me lembrou de uma informação que eu cheguei a ver
07:03pela manhã,
07:03que além dessa importância toda do Banco Central, do Banco Central não, do Enubank para a população,
07:11controlando contas, com contas de quase metade da população,
07:15o banco também, pelo menos tinha, não sei se dá para falar no presente ainda,
07:19vamos colocar no passado, o banco tinha o domínio da movimentação financeira também,
07:24de cerca de 850 milhões de dólares de recursos do governo, aposentadorias,
07:31ou seja, movimentações feitas por meio do governo do país.
07:36Então, é um banco de uma importância muito grande,
07:39uma crise financeira no sistema financeiro do país, não está descartada,
07:45diante da situação agora da crise no Enubank, e eu queria te ouvir sobre isso, né?
07:51Quanto que isso ainda pode escalar?
07:53E em relação a uma situação política, o Acácio estava explicando agora há pouco para a gente,
07:58embora o Santiago Penha tenha renunciado ao cargo,
08:02o Congresso talvez não aceite a renúncia para que ele mesmo promova o impeachment
08:08para deixar a vida do Santiago um pouco mais difícil.
08:13Olá, Lívia, tudo bem? Olá, Cássio.
08:16Lívia, é uma grave crise institucional e financeira que a gente vê no nosso país vizinho,
08:21em relação ao que pode acontecer, esses cenários que o Acácio bem explicou agora,
08:27essas duas opções que ou aceitam a renúncia dele, ele termina o mandato e ganha esse cargo de senador vitalício,
08:33ou o processo vai a fundo para ele ser julgado pelo Senado, acabei correndo o risco de perder,
08:40inclusive, as suas imunidades parlamentares, esse caso, em vez de se tornar um senador vitalício.
08:47Lívia, o que me é importante nesse momento é o Partido Colorado, a posição do Partido Colorado.
08:53A situação de Santiago Penha começou a degringolar no momento que o Partido Colorado,
08:58que volta e meia está no poder, ele durante muito tempo se revezou com o Partido Branco,
09:05mas é o partido predominante no Paraguai, e o Partido Colorado já rifou o Santiago Penha logo de cara
09:13em uma mensagem postada na internet pelo Horácio Cartes, que é ex-presidente da República,
09:18e o presidente atual do Partido Colorado. E a gente vê que o Horácio Cartes também já deu o aval
09:25para que o vice, o Pedro Arniana, ele assuma o poder no Paraguai.
09:30Então, o primeiro movimento de ação política que a gente está vendo é o Santiago Penha está sendo rifado
09:36pelo seu partido, mas que quer se manter no poder. Tanto é que o impeachment inicial,
09:41como o Acácio bem explicou, era presidente e vice. Houve uma grande articulação e o vice vai se manter no
09:48poder.
09:48Então, esse é o primeiro ponto. O Partido Colorado, ele está se articulando para se manter no poder
09:54e depois ele vai tentar se articular justamente para se afastar dessa crise,
09:58deixar tudo no colo do Santiago Penha. E aí resta saber como as investigações,
10:03até onde vão chegar. O Ministério Público paraguaio, ele já iniciou, a Procuradoria Federal já iniciou
10:09uma investigação, dizem que ela vai ser anunciada ainda hoje, os veículos de mídia paraguaio
10:15dizem que ela vai ser anunciada ainda hoje, para ver até onde vai chegar essa investigação,
10:22qual o grau de responsabilidade, inclusive criminal de Santiago Penha,
10:28porque lembrando um detalhe extremamente importante, Lívia, ele era um dos associados
10:33de uma empresa que geria o Banco Eino até março do ano passado, quando ele se desligou.
10:38Ou seja, além dessas indicações que o Acácio mencionou agora há pouco, de ter indicado
10:43o presidente do Banco Central, que era um diretor do banco, ainda tem a própria ligação direta
10:49de Santiago Penha nesse caso. E existe sim o risco de, inclusive, uma compulsão social,
10:55como você bem falou. São muitos os correntistas desse banco, muitos recursos públicos,
11:00fundos de aposentadoria, recursos de aposentadoria. Então, assim, existe um grande potencial
11:06para que essa crise financeira, que se tornou política, ela possa também se tornar
11:11uma crise social no Paraguai, no nosso vizinho.
11:14É, vamos observar, então, nas próximas semanas. Eu estava comentando aqui com o Acácio
11:18como as coisas evoluíram muito rapidamente, pelo menos para nós que não estamos dentro
11:23do Paraguai. Investigação aberta, pessoas ligadas ao banco sendo presas
11:28no contexto dessas investigações. Hoje, renúncia do presidente do Banco Central,
11:32renúncia do presidente Santiago Penha. Vamos ver como isso vai caminhar agora
11:37nas próximas semanas. Obrigada, Renato Machado, nosso analista de assuntos internacionais.
11:42Até já, já. Agora são 5 horas e 14 minutos. O Acácio vai seguir aqui comigo,
11:47porque nós vamos continuar nessa pauta. Agora, com o convidado, o José Niemeyer,
11:53que é professor de Relações Internacionais do IBMEC do Rio de Janeiro.
11:57Professor, bem-vindo. Uma ótima tarde para o senhor.
12:00Oi, Lívia. Eu acho que eu não conversei ainda com você na SBT News, não. É a
12:05primeira vez, então, muito prazer. Um abraço ao Acácio. Eu conheço o Acácio de
12:09alguma mídia, mas o Acácio eu já conversei. Grande abraço ao senhor, o assinante da SBT News.
12:15Que bom. A memória do senhor é ótima. Já falamos, sim, várias vezes, mas aqui no SBT News
12:21é a primeira vez. Boa memória.
12:23Ah, viu?
12:24Boa memória. Professor, vamos lá. Vou aproveitar, então, sua boa memória, professor,
12:30para a gente olhar um pouco para trás, antes dessa crise que está instalada agora, bancária,
12:35crise política. Por quê? A gente está falando sobre como as investigações e todos esses
12:42desdobramentos das investigações até a renúncia do Santiago Penha caminharam rápido.
12:47todos esses processos caminharam rápido. O que nos dá a entender que talvez toda essa
12:54situação tenha aguardado um contexto, um timing político para os fatos acontecerem.
13:00E talvez, se o que eu estou dizendo for verdade, seria importante a gente olhar um pouco para
13:06trás na situação política e econômica do país. O que é que dá para a gente trazer
13:11de contexto para essa crise que se instalou agora no Paraguai?
13:15Olha, o que você está colocando, Lívia, é que pode ter nos bastidores, ele esperou assumir
13:24a presidência da República para esse escândalo aparecer. Isso é possível.
13:29Até porque é um partido que está no poder há muito tempo, o Partido Colorado está no poder
13:34há muito tempo. Há muita oposição. Ele tem, o presidente agora que pede, que renuncia,
13:42tem um problema grave, na minha visão, que é uma mistura entre setor privado e setor público.
13:48Ele tem a ligação direta, como o outro entrevistado falou, com o banco, um banco que agora está
13:54com um problema grave de crédito, que afeta 3 milhões de correntistas, que é metade da população
13:59do Paraguai. Então, uma crise sistêmica financeira grave. Pode ser. Pode ser que as
14:05investigações estivessem em curso. O que eu acho muito estranho é um presidente da República
14:10ter uma ligação tão direta, Lívia, com o mercado privado. Eu acho que isso está na hora
14:16no Paraguai, nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, a gente vê claramente. O presidente Trump
14:20tem assessores que, inclusive, organizam a guerra contra o Irã, participam das negociações
14:25que são ligadas à indústria de petróleo e à indústria imobiliária. Não são pessoas
14:30ligadas aos estudos estratégicos ou à política externa. Não é um diplomata de carreira,
14:34é alguém ligado à setor imobiliário, que está ajudando na negociação com relação
14:39ao fim da guerra com o Irã. Então, eu entro em outro exemplo. Como nós temos no Brasil
14:43também. Nós temos no Brasil, muitas vezes, políticos, figuras públicas com ligações
14:48diretas com o setor privado. Isso não é mais possível. Está na hora de essa transparência
14:54aumentar. Está baixíssima essa transparência entre o público e o privado, principalmente
14:59em cargo de presidência da República. O vídeo que aconteceu no Brasil, Lívia, com relação
15:03ao Banco Master é muito próximo. É muito próximo. Talvez um pouco diferente, porque
15:09no Paraguai este banco queria pegar mais um poupador de baixa renda, até porque no Paraguai
15:15é uma sociedade que tem uma renda per capita menor. O Banco Master queria buscar um público
15:22de alta renda, mas é a mesma coisa. São alternativas de maneiras de você ter conta
15:28em banco, de você ter relacionamentos com o banco, comparado aos bancos tradicionais,
15:33onde você vai ganhar mais do que os bancos tradicionais. Isso tudo é muito história
15:39contada. E houve esse problema. Eu acho que nós temos que ficar atentos, principalmente
15:45pelo Paraguai ser um parceiro no Mercosul, um país que nós, Brasil, como liderança
15:50maior da América do Sul, devemos ajudar a manter uma estabilidade institucional sempre,
15:56muito próximo do Brasil. E também olhar essa questão da transparência. Não dá mais
16:02para presidentes da República terem ligações diretas com o mundo dos negócios. Acho isso
16:10muito ruim para a representação política, para a democracia e tal.
16:15Professor, agora o Acácio tem uma pergunta para o senhor.
16:18Professor, prazer falar com o senhor de novo. Aproveitar essa resposta que o senhor deu
16:23sobre as figuras políticas que vêm do campo mais empresarial do que político. E aqui no nosso
16:30continente a gente tem, inclusive, alguns exemplares e todos eles fazem parte dessa nova,
16:35dessa onda de direita que fala que tomou conta aqui do nosso continente. Para citar dois,
16:41o Abelardo de la Spriedia, que também vem do setor econômico, e o Daniel Noboa, que
16:46inclusive é filho de uma das famílias mais ricas do Equador. E a gente viu nos últimos
16:52dias esse campo político do qual eles fazem parte se enfraquecendo, seja com a eleição
17:00aqui no Brasil, seja com a eleição em Israel, com o Netanyahu perdendo força, seja com a
17:06eleição nos Estados Unidos e agora vem no Paraguai. Parece que está se enfileirando
17:11as crises que esses líderes estão enfrentando e num contexto disso que o senhor falou, de
17:17muitos líderes que têm relação com esses negócios financeiros. O ar está mudando para
17:23esse campo político, professor? A gente está talvez começando a ver um contexto dessa
17:30direita, dessa extrema direita empresarial, começando a enfrentar problemas de forma mais
17:36generalizada?
17:37Olha, a casa, essa pergunta é uma pergunta muito sofisticada, daria para a gente ficar
17:41o dia inteiro aqui conversando. É uma pergunta da área da economia política, né? O grande
17:47Max Weber, para mim um dos maiores teóricos da ciência política de todos os tempos, quando
17:51escreveu Economia e Sociedade, que é um dos livros célebres do Max Weber, ele dizia
17:56que é normal que a classe empresarial participe da classe política. É normal, só que com
18:02cuidado, né, Cássio? Você queria ter um representante do agronegócio, alguns representantes
18:08do Congresso Nacional, representando o setor da saúde privada no Congresso Nacional, representando
18:14o setor bancário, tudo bem, mas o presidente da República ser alguém ligado ao mundo dos negócios
18:21diretamente. Eu acho que é realmente problemático e isso acho que tem a ver com uma agenda de
18:27direita, porque geralmente o discurso de direita, onde deve prevalecer sempre a eficiência com
18:35relação à gestão, então o candidato de direita gosta de falar da eficiência da gestão,
18:41então ele se coloca muitas vezes como alguém que vai gerir o setor público como se fosse
18:47o setor privado, que são muito diferentes, acho que isso não se estabelece dessa maneira,
18:53mas é o discurso de alguns líderes da direita, vamos dar um choque de gestão, vou administrar o
18:59país como administro as minhas empresas. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas isso é um
19:04discurso sim da direita, de uma direita mais populista, vamos chamar assim. As lideranças de direita,
19:10eu acho que tem noção disso e vão administrar o país como ele deve ser administrado olhando o setor
19:16público e o setor privado. Mas você tem razão, a direita traz um pouco essa questão da desregulamentação,
19:24de um privilégio ou de prevalecer o mercado e não a interferência do Estado na economia,
19:30de você dar liberdade aos agentes privados, de você diminuir carga tributária, mas olha que interessante,
19:37se diminuiu carga tributária no Paraguai, a economia estava crescendo, mas parece que a economia
19:43tem problemas estruturais, tanto que acontece uma crise como essa. Não é só em função do banco,
19:49isso é em função da própria estrutura da economia paraguaia, que não deve ser uma estrutura tão bem
19:55constituída para uma crise desta monta se instaurar. Então, você tem razão, os candidatos mais à direita,
20:04com esse discurso de gestão pública como se fosse privada, podem começar a perder espaço,
20:11até dentro desse simbolismo que nós estamos vendo, eleição no Brasil, eleição nos Estados Unidos,
20:18eleição em Israel. Agora, sempre, independente de um partido ser de esquerda ou de direita,
20:25você vai ter influências de grupos empresariais no governo. Para ser justo, para ser justo com relação a
20:32essa discussão, nós sabemos, por exemplo, de influência no governo Lula de grandes empresas,
20:38como, por exemplo, o JBS. Sabemos que o JBS tem uma relação direta com a presidência da República,
20:44e é o maior grupo privado do Brasil hoje, se eu não estou enganado, cada vez com mais tentáculos
20:50em vários segmentos da economia brasileira. É um interlocutor do governo Lula,
20:56mas sempre com muito cuidado na baixa transparência entre o público e o privado,
21:02principalmente se tiver envolvido diretamente a figura do presidente da República.
21:09Muito obrigada, professor, pela participação. Bom falar de novo com o senhor.
21:13Falamos com José Niemeyer, professor de Relações Internacionais do IBMEC do Rio de Janeiro.
21:18Até a próxima.
21:19Prazer, foi meu livro. Um abraço a você, o Acácio, assinante da SBT.
21:23E, viu?