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  • há 5 horas
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Transcrição
00:00A vitória de Lula nas urnas não encerrou a disputa, inclusive, da política no Brasil.
00:05Depois de afirmar que não reconheceria o resultado e que impediria a anulação da eleição,
00:11Flávio Bolsonaro viu o próprio partido, o PL, reconhecendo oficialmente a vitória do presidente reeleito na segunda-feira.
00:18Acompanhamos agora com o Marcos.
00:20Outros partidos, inclusive siglas, que apoiaram Flávio no segundo turno, também reconheceram o resultado,
00:27defenderam o diálogo com o próximo governo, agora Lula 4, mas o presidente terá agora um desafio
00:36de transformar a vitória eleitoral em condições concretas para governar.
00:41O Congresso eleito para a próxima legislatura terá uma presença expressiva de partidos de direita e também de forças conservadoras.
00:49O PL, por exemplo, terá 121 deputados federais, 28 senadores, formando as maiores bancadas partidárias nas duas casas.
00:58Além das dificuldades de articulação política, o presidente reeleito terá de lidar com a reação negativa do mercado financeiro,
01:06as incertezas também sobre a política fiscal e a necessidade de construir pontes com partidos de centro e setores econômicos.
01:14Para analisar esse cenário, conversamos agora com a Luciana Veiga, que é professora titular do Departamento de Estudos Políticos
01:21da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a Unirio, e também professora da FGV Comunicação.
01:28Muito obrigada por atender a gente aqui no SBT News, um ótimo dia para a senhora.
01:33Queria já começar perguntando, depois de Flávio Bolsonaro afirmar que não reconheceria o resultado
01:38e que pediria a anulação da eleição, o PL mudou de posição, como acompanhamos.
01:43Reconheceu oficialmente a vitória de Lula, embora tenha mantido questionamentos.
01:47Outros partidos também reconheceram o resultado, defenderam o diálogo.
01:51O que explica essa mudança de postura e o que revela também sobre a estratégia da oposição daqui para frente,
01:59após essa reeleição do presidente Lula?
02:04Bom dia, Larissa. Prazer estar aqui com vocês.
02:06Larissa. Primeiro, sobre a questão de questionar a eleição.
02:11Esse processo de questionamento da eleição tem sido muito utilizado, não só no Brasil, mas fora do Brasil também.
02:18Então, em geral, hoje, as pessoas que perdem a eleição, os candidatos que perdem a eleição,
02:24estão questionando mais o processo do que questionavam no passado.
02:30É sempre importante dizer que as eleições precisam ser transparentes,
02:35que as eleições precisam estar dentro das regras.
02:39Mas esse...
02:40E é viável, é até desejável que a oposição,
02:46ela cobre da justiça eleitoral, que cobre dos seus adversários,
02:52que obedeçam as regras.
02:54É claro que a eleição precisa estar dentro das regras sempre.
02:58Mas o questionamento, né, que não tem fundamento apenas por uma estratégia política,
03:08ele deve ser evitado porque, de alguma maneira,
03:12ao se questionar a legitimidade das eleições de maneira muito recorrente,
03:16muitas vezes não com fundamentos, o que que leva, leva a um enfraquecimento do processo, né?
03:24Como você falou, nesse caso agora, dessa eleição,
03:28esse questionamento, ele tem um caráter nocivo, um pouco menor.
03:33Por quê?
03:34Porque a diferença que saiu das urnas foi uma diferença grande, né?
03:40Então, de alguma maneira, isso cria um antídoto contra questionamentos que não sejam fundados.
03:50Mas em situações em que há uma diferença menor,
03:52isso ataca a democracia, isso é ruim.
03:56Então, assim, é natural que a oposição questione,
04:01mas o reconhecimento da legitimidade é sempre importante, né?
04:08Para a saúde da democracia.
04:11Posto isso, o que a gente percebe em relação a essa mudança
04:16é justamente que os partidos, eles têm um compromisso com essa continuidade,
04:23com a legitimidade da democracia.
04:24Por isso que eles têm que adotar uma atitude mais moderada, né?
04:29Então, assim, como o PL falou, tudo bem, existem processos que precisam ser
04:35de acordo com o candidato, né?
04:38De acordo com o candidato colocou, que precisam ainda ser esclarecidos
04:42ou ainda melhor analisados, mas a gente reconhece o resultado da eleição.
04:50Então, esse ponto, essa atitude, que é uma atitude mais moderada,
04:55que já está olhando para uma governabilidade para frente,
04:59é o que se espera de partidos instituídos e que têm compromisso efetivamente
05:05com o sistema político, né?
05:07E com a democracia.
05:08Então, assim, o que o PL e os demais siglas fazem é, olha,
05:14nós reconhecemos, podemos aí analisar, aprofundar um ponto ou outro,
05:19mas sigamos para frente com o reconhecimento dessas eleições
05:23enquanto se clareia um ponto ou outro que ainda se queira clarear, né?
05:28E isso mostra, né, chegando ao final, Larissa, da sua pergunta,
05:34isso mostra que vamos caminhar, que ainda que na oposição,
05:39a oposição está clara, inclusive, como o repórter falou,
05:43nas entrelinhas da carta, nós não vamos deixar de ser oposição,
05:47até porque não devem deixar de ser oposição,
05:50porque foram eleitos com esse intuito, né?
05:53Mas que não necessariamente nós vamos adotar uma atitude
05:59desenfreada contra a governabilidade.
06:01Então, eu acho que é esse o recado que se tem aí
06:04com esses primeiros movimentos.
06:08Professora, ontem Lula afirmou que foi o povo quem elegeu o Congresso
06:11e que ele vai governar com a composição que tem.
06:14Melhor dizendo, no domingo, exatamente após a reeleição,
06:19ele fez um discurso dizendo isso, diante de uma base parlamentar
06:23limitada, como interpretar essa declaração do presidente Lula.
06:28Porque a gente olha para esse Congresso agora
06:31com uma base de direita bastante fortalecida,
06:35tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
06:38Apesar do presidente Lula dizer que, independentemente do que fosse,
06:43ele vai governar com o que ele tem,
06:45a gente olha para isso e entende que vai haver um pouco de dificuldade.
06:49Mas quais são os principais desafios agora?
06:52Inclusive, para pautas importantes para o governo passarem ali.
06:55Não somente isso, mas quando a gente olha também para nomes
06:58que deverão entrar para o Supremo Tribunal Federal,
07:01mas devem ser aprovados antes no Senado, né, professora?
07:05Exatamente.
07:07Vamos pensar, Larissa, que a gente está no presidencialismo
07:11e que na realidade do presidencialismo, a Câmara, a eleição dos deputados
07:15e dos senadores, ela é feita de maneira separada da eleição para o presidente.
07:21E ela é feita dessa maneira justamente para que, em última instância,
07:26o presidente precise conversar com o Congresso.
07:30Porque o Congresso, ele tem a representação mais fragmentada da sociedade.
07:38Então, assim, a sociedade fragmentada e mais à direita, elegeu esse Congresso.
07:45Então, quando o Lula diz que é com esse Congresso que ele tem que conversar,
07:49é que é com esse Congresso que a sociedade elegeu e que se sente representada.
07:55Então, o que em termos práticos isso implica?
07:58Isso implica, talvez, que esse Congresso possa exigir dele
08:03algumas medidas um pouco mais à direita do que ele gostaria de ter um governo assim.
08:12Ou seja, ele vai ter que negociar o governo dele.
08:14E ele vai ter que negociar o governo abrindo mão de alguns aspectos
08:19que talvez não sejam exatamente o que ele queira,
08:23mas para que ele possa negociar.
08:25Então, por exemplo, na hora da indicação dos ministros do Supremo,
08:29ele necessariamente vai ter que indicar nomes que ele acredite
08:36e que ele negocie que possam ser aceitos e podem ser aprovados pelo Senado.
08:42Não dá para fazer isso a despeito do Senado,
08:47sob pena de não ter um nome aprovado.
08:51Então, assim, alguns aprendizados já vieram do governo passado,
08:56da experiência do terceiro mandato,
08:58e agora é preciso redobrar essa atenção para o quarto mandato.
09:03Então, pode ser que esse quarto mandato tenha alguns aspectos,
09:07alguns anseios da população,
09:10que pode ser, inclusive, de uma maior responsabilidade fiscal,
09:15entre outros aspectos, dado o constrangimento e a pressão
09:21que o Congresso possa exercer sobre ele.
09:23Antes mesmo da eleição, né, professora?
09:25A Lula já sofreu uma derrota inédita, histórica,
09:28no Congresso, no Senado,
09:30após o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, não passar.
09:34É isso que a gente também vai aguardar.
09:35Quais serão esses nomes?
09:36Se Lula também vai tentar continuar levando Jorge Messias
09:41como um nome para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
09:43Mas, além de negociar, professora, com deputados, senadores,
09:48Lula terá de lidar com os setores econômicos,
09:50que demonstram preocupação com os rumos da política fiscal,
09:54como o mercado financeiro, por exemplo, empresariado, agronegócio.
09:58Como é que o presidente pode ampliar essa interlocução com esses grupos
10:02sem perder a identidade política
10:04e também os compromissos que assumiu durante a campanha?
10:07Qual o risco dele não conseguir construir essas pontes?
10:12Então, Larissa, esse é o ponto, né?
10:15Porque, na verdade, quando você...
10:17Você tem que...
10:19Ele vai precisar equilibrar os pratinhos, digamos assim.
10:22Porque...
10:23E equilibrar os pratinhos é fazer política, né?
10:27Porque existe uma diversidade que precisa ser contemplada.
10:30Se a gente pega as pesquisas de opinião,
10:34se mostra que grande parte da população,
10:40até muito pautada pelo discurso da oposição,
10:44mas também por perceber as dificuldades do seu dia a dia,
10:48por exemplo,
10:49é a favor de um maior controle nas contas,
10:54uma maior responsabilidade fiscal.
10:56Então, assim, esse discurso não seria um discurso
11:02que atrapalharia a sua base eleitoral em partes, tá?
11:08Então, assim, a maioria da população anseia essa medida.
11:13Agora, a população se diferencia onde cortar.
11:18Então, é esse o ponto,
11:19e foi esse o ponto que elegeu Lula,
11:22porque a população acredita que,
11:25se pega as pesquisas de opinião,
11:27confiava um pouco mais nele do que no adversário
11:30quando você pensava em onde cortar.
11:35Então, assim,
11:37vai ter que achar um denominador comum.
11:39Não é muito grande esse denominador comum,
11:42mas a partir desse denominador comum,
11:45ele vai tentar costurar aí alguns segmentos.
11:50Agora, vamos lembrar uma coisa, Larissa.
11:53Esses são alguns segmentos que são contrários a ele.
11:57Independente do que ele faça,
12:00é muito difícil dele ter o aceite,
12:04a aprovação e a adesão dos segmentos de maneira geral,
12:08porque são os segmentos que estão no suporte da oposição
12:14e formam o núcleo duro da oposição.
12:18Mas, de toda forma, é como nós estamos falando.
12:21Ele vai ter que ampliar a sua capacidade de diálogo
12:26no ponto mínimo que garanta a ele a governabilidade.
12:34Isso tanto no governo,
12:37tanto na relação com o Congresso,
12:40quanto na sociedade, na opinião pública.
12:45Perfeito.
12:46Eu conversei com a Luciana Veiga,
12:48professora titular do Departamento de Estudos Políticos
12:51da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro,
12:54a Unirio,
12:54e professora também da FGV Comunicação.
12:57Muito obrigada pela sua participação,
12:59pelos esclarecimentos.
13:00Ótima terça-feira.
13:01Obrigada, Larissa.
13:03Foi um prazer.
13:03Obrigada.
13:04Obrigada.

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