00:00A gente volta a falar do noticiário internacional ao longo dessas últimas semanas, você está acompanhando aqui?
00:05A gente vem todos os dias falando sobre os protestos que envolvem lá, principalmente na França,
00:09mas que estão se estendendo para outros países, com a Itália, inclusive, já dando ali,
00:15checando as condições das forças de segurança caso os protestos também na Itália se intensifiquem.
00:22A gente vai voltar a falar com o Renato Machado, que está lá em Genebra, na Suíça,
00:25para falar desse segundo dia de toque de recolher, não só em Paris, mas em outras cidades francesas.
00:31Renato, atualiza para nós a situação agora, neste momento.
00:37Olha, Nath, foi o segundo dia de toque de recolher, no período da noite, de 23h às 6h da manhã,
00:45proibindo reuniões entre pessoas em determinado momento, inclusive o translado de pessoas,
00:51precisam justificar por que estariam na rua nesses momentos.
00:54Esse toque de recolher foi adotado em algumas partes de Paris, mas também em Lyon, Bordeaux e Nice,
01:01que foram outros epicentros dos últimos protestos que resultaram em ações violentas.
01:08E agora há pouco, o governo do primeiro-ministro, Sebastián de Cornu,
01:13ele começou a receber as centrais sindicais justamente para tentar dar uma resposta às reivindicações,
01:20principalmente ligada à alta do custo de vida, que é o grande motor por trás dessas manifestações,
01:26que começaram primeiro com os estudantes secundaristas,
01:30daí depois envolveu alta do preço dos combustíveis,
01:33e agora já há uma nova manifestação programada para o próximo sábado.
01:38Até os coletes amarelos, aqueles que ficaram famosos no mundo inteiro,
01:41por causa das manifestações de 2018 na França, eles pediram já às autoridades,
01:48alertaram às autoridades de que vão realizar essa nova manifestação.
01:52E agora a polícia francesa, que está sob pressão, as autoridades de segurança,
01:58porque minimizaram os primeiros ataques, o governo foi muito cobrado em relação a isso,
02:04até eu chamei a atenção para a manchete do Liberation, um dos jornais franceses,
02:08no dia seguinte, que era a anatomia de um fiasco,
02:13porque esperavam 150 mil manifestantes, e segundo a contagem oficial,
02:17ele estava em torno de 500 mil, e os sindicatos apontam 800 mil pessoas
02:23nas ruas nesse período.
02:25Então agora as autoridades francesas vão precisar reforçar os efetivos,
02:30já alertaram que podem empregar militares, inclusive, para auxiliar algumas das ações,
02:36porque eles foram muito cobrados da última vez.
02:39E mesmo com toda a violência que acabou gerada, a polícia francesa,
02:44ela também está sendo cobrada por um excesso de violência que vem aplicando
02:48contra os manifestantes, isso antes mesmo das manifestações se tornarem violentas
02:54no sábado, inclusive contra os estudantes secundaristas.
02:58Foram presos até o momento, o último balanço que eu vi eram 2.400 pessoas
03:03para participação nas ações violentas, e começaram os julgamentos dessas pessoas,
03:10começaram ontem e foram intensificados hoje para ver a participação
03:16e atribuir responsabilidades, principalmente nas ações de violência e roubo,
03:21que a gente viu vários saques de lojas, 3 mil estabelecimentos,
03:25segundo a estimativa do governo.
03:26Pois é, Renato, a gente tem agora, o Kleber me avisa aqui,
03:30que tem imagens ao vivo de uma manifestação na Grécia.
03:34A gente fala muito da França, eu comecei também falando um pouquinho agora,
03:38a gente está vendo ali as imagens da Grécia,
03:43são algumas pessoas, está longe de ser parecido com o que aconteceu na França,
03:49mas a gente vê ali o pessoal de Megafone fazendo também mobilização.
03:54É algo que começa, quer dizer, não sei se dá para dizer que começa na França,
03:58porque a gente teve a Espanha com aquela crise dos aluguéis,
04:01aí a França teve também manifestação, se eu não estou enganada,
04:04Albânia, Itália, e aí então, me parece que está tomando ali essa discussão de dívida pública,
04:11ajuste fiscal, que os países estão tentando fazer com as suas comunidades,
04:16ela fica bem difícil, fica interditada com esse custo de vida
04:21que vem se elevando desde a pandemia, né, Renato?
04:26Exatamente, Fruita, em todos esses países,
04:28eu só acrescentaria Portugal também,
04:30Portugal teve o grande acampamento na Praça Dom Pedro IV,
04:36ao lado da estátua de Dom Pedro IV,
04:41só que as autoridades de Portugal já retiraram essas pessoas que estavam acampadas.
04:46E é bem essa a lógica, porque a população está atingida em duas frentes,
04:52ela está atingida pela alta do custo de vida,
04:55desde as pessoas, as famílias que não conseguem arcar com os gastos,
05:01com alta de preço de alimentos, combustíveis, entre outros,
05:05e aluguéis, estudantes, eles são afetados bastante pela alta do preço de aluguéis,
05:10porque muitos deles moram em outras cidades,
05:12então eles vão para as cidades maiores para estudar
05:15e não conseguem dar conta de pagar os aluguéis.
05:18E por outro lado, a resposta do governo
05:21é justamente para tentar controlar os preços,
05:25é cortar benefícios sociais,
05:26ou seja, a população, ela se vê encurralada por duas frentes,
05:30pela alta da inflação, a alta do custo de vida,
05:33e por outro, porque alguns benefícios sociais que são pagos pelo governo
05:36agora estão sob risco,
05:38por causa da necessidade desses países de promoverem ajustes fiscais.
05:42Como você falou, a França, ele é o epicentro,
05:45porque a gente vê que a situação fiscal mais complexa,
05:49mais que exige cuidado,
05:51a dívida pública da França ultrapassa todo o PIB do país,
05:55mas outros países também estão no limite.
05:57A gente vê a Bélgica, que ainda não tem manifestações desse porte,
06:01teve manifestação estudantil em Liège,
06:03mas não teve essas grandes manifestações da população como um todo,
06:07mas é outro país que enfrenta problemas com a dívida.
06:10E aí tem os que você mencionou, Itália, agora a Grécia.
06:14Então, o que a gente vê é,
06:17as manifestações na França,
06:19elas servem como uma referência
06:22para as insatisfações que ocorrem em outros países,
06:24e por isso que os protestos estão se espalhando.
06:27E aí